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domingo, 14 de agosto de 2016

O ESPÍRITO OLIMPICO – OLIMPIA (GRECIA) ONDE TUDO COMEÇOU

                       
OLÍMPIA ANTIGA – GRÉCIA

(POR: WILLIS DE FARIA)

O Brasil fervilha com realização das Olimpíadas, com 206 nações presentes, competindo dentro do Espirito Olímpico. Mas o que é este espirito olímpico e como começou. Tivemos o privilegio de conhecer in loco esta historia, no dia 26 de maio, quando fomos ate a cidade de Olímpia, na Grécia, o berço dos jogos.

Partimos de Veneza, no navio MSC Magnifica, com uma parada na cidade de Bari-Alberobelo (na Itália) e depois cruzar o Mar Adriático e chegar a este destino.


Katakolon

Chegamos de navio ao porto de Katakolon. Olímpia era a primeira cidade grega que iríamos conhecer, e o fato de não entender um A de grego assustava. O Cruzeiro oferecia várias excursões com guia local e resolvemos comprar, mais por insegurança da língua do que por achar necessário para o passeio em si.

Situada a cerca de 40 quilómetros de Olímpia, Katakolon é uma cidade costeira na Ília, no município de Pyrgos. O centro da cidade está situado à beira de um golfo do mar Jónico. Katakolon situa-se numa península e possui um importante farol, a sudoeste, construído em 1865. A cidade tem uma população de cerca de 600 habitantes.

É aqui que fica a porta para Olímpia, pois é neste porto que atracam todos os navios de cruzeiro com turistas que para ali tencionam deslocar-se. Era aqui que, de quatro em quatro anos, há mais de dois mil anos, multidões de Gregos aportavam para celebrarem os jogos consagrados a Zeus.

Descemos do navio e uma guia tipicamente grega falando um espanhol com muito sotaque nos esperava.

Do porto até a parte histórica de Olímpia levamos em torno de 30 minutos de ônibus.

Olímpia (em gregoΟλυμπίαtransl.: Olympía)

 É uma cidade da Grécia famosa por ter sido o local onde se realizavam os Jogos Olímpicos da Antiguidade até sua supressão em 394 pelo imperador romano Teodósio I — Jogos estes que só foram igualados em importância aos seus equivalentes realizados em Delfos, os Jogos Pítios.

Olímpia também é conhecida pela gigantesca estátua de Zeus em marfim e ouro, criada pelo escultor Fídias para o templo do deus localizado na cidade, e que foi uma das sete maravilhas do mundo antigoEscavações junto ao templo de Zeus, durante a década de 1950, revelaram a existência de um estúdio que se supõe ter pertencido a Fídias. Hoje o local preserva um importantíssimo sítio arqueológico tombado pela UNESCO.

O sítio arqueológico

O sítio arqueológico que existe em Olímpia consiste de um santuário (altis) com diversas edificações. Dentro do temenos estão o Templo de Hera ou Heraion, o Templo de Zeus, o Pelopion e a área do altar de sacrifícios. Ao leste ficam o hipódromo e o stadium. Ao norte do santuário se localizam o Pritaneu e o Philippeion, bem como uma série de capelas votivas conhecidas como Tesouros, ofertadas pelas várias cidades-estado antigas.









 Ao sul destes Tesouros fica o Metroon, com a Stoa Eco ao leste. Ao sul do santuário estão a Stoa Sul e o Bouleterion, enquanto que ao oeste erguem-se as casas da Palestra, a oficina de Fídias, o Gymnasion e o Leonidaion.

A zona de Olímpia era habitada já há dois mil anos antes do nascimento de Cristo ou até antes. Aí existiria um culto de adoração anterior a Zeus, eventualmente a Gaea (Terra).

A História revela-nos que os primeiros Jogos Olímpicos tiveram lugar em 776 a.C., mas eventualmente poderão ter começado antes disso. Os Jogos eram uma espécie de tratado de paz entre as cidades-estado de Esparta e Elis, mas rapidamente se decidiu que todas as cidades-estado grego poderiam participar, desde que durante aquele período fosse sempre valorizada a verdade. Este período de paz durava um mês, inicialmente, mas porque tanta gente, de toda a Grécia, queria participar, foi estendido para três meses, sempre durante o Verão.

Os Jogos Olímpicos

Com provas de atletismo, lutas e corridas equestres foi batizada como Jogos Olímpicos em homenagem ao nome da cidade. Teve início em 776 a.C. e durou até 394 d.C. quando o Imperador Romano cristão Teodosio I determinou que os jogos fossem cancelados por serem pagãos já que os gregos acreditavam em vários Deuses.

Durante o período de jogos foi estabelecida a “Trégua Sagrada” para que não houvesse guerras, já que era considerado um festival atlético mas também religioso

Só podiam participar cidadãos do mundo Grego, exceto mulheres e escravos. Eram 5 dias de prova e no quinto e último dia os atletas eram premiados com uma coroa de ramo de oliveira em frente ao Templo de Zeus.

Os vencedores não recebiam qualquer prémio monetário, mas eram a partir daí imensamente adulados. O prémio era um ramo da oliveira de Zeus, e o vencedor tinha o direito de erguer uma estátua à sua vitória. Na sua cidade natal, normalmente ganhava refeições grátis até ao resto da sua vida.

Porque essa "verdade sagrada" vigente nos Jogos dava aos reis e líderes de toda a Grécia a oportunidade de se defrontarem desarmados, Olímpia rapidamente passou a ser um local importante para discussões políticas e negócios. 

Também fez desenvolver o sentido de unidade entre os Gregos, mesmo a nível da linguagem e religião. Olímpia foi renovada diversas vezes ao longo do tempo, com a construção de edifícios adequados. 

Gente famosa deslocava-se ali para assistir aos Jogos, tal como Platão e Aristóteles e, antes deles, no séc. VI a.C., Thales de Mileto, o célebre sábio e matemático grego que aqui terá morrido, vítima de um golpe de calor. Hierão de Siracusa competiu nos Jogos, assim como Alcibíades, Alexandre, o Grande e Nero.

Na era moderna os jogos tiveram retorno em 1896 em Atenas. As escavações no sítio arqueológico fez o Barão de Coubertin defender a ideia de retornar os jogos. A maioria das tradições foram mantidas, inclusive de as competições serem a cada 4 anos.

O Estádio Olímpico

No estádio olímpico ficavam as primeiras e principais provas, as corridas. O estádio tem 192 metros e recebia em torno de 40 mil espectadores. Durante a visita vi que muitos turistas corriam de uma ponta a outra do campo para vivenciar um pouco da história.

Originalmente, apenas homens podiam assistir aos jogos. Porém foi descoberto que uma mãe se vestiu de homem para poder assistir seu filho competir. Desse dia em diante todos eram obrigados a irem aos jogos NUS para evitar que uma mulher entrasse escondida.

Templos de Olímpia
Antes mesmo de o estádio ser construído, próximo a ele já existia um local de peregrinação sagrada. 

Altar de Hera
O primeiro templo a ser erguido foi o Templo de Hera, o Heráion, em 1000 a.C. o que a história mais indica é que Hera era deusa do Matrimônio, irmã E esposa de Zeus. Junto está o Altar de Hera, local onde, ainda nos dias de hoje, é acesa a Tocha Olímpica.

Zeus, como sendo o principal Deus Grego também ganhou seu templo. Lá dentro, escavações e historiadores indicam que havia uma escultura de Zeus medindo aproximadamente 15 metros.

A estátua  de ouro, marfim e pedras preciosas era uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Porém ela foi translada a Constantinopla pelo Império Romano, de onde desapareceu sem deixar vestígios.

No sítio arqueológico também é possível ver o estádio onde os competidores se preparavam e podiam ter aula de filosofia.

Também é possível ver a única construção dedicada a humanos – Philippeion – que Philip II ergueu em homenagem a sua família, incluindo seu filho Alexandre, O Grande.

POR QUE A CIDADE FICOU TANTO EM RUINAS.

Durante séculos, o santuário de Olímpia, na Grécia, ficou soterrado sob metros de areia e história. Localizado a 262 quilômetros da capital Atenas, esse sítio arqueológico, considerado um dos mais importantes do mundo, foi o berço dos Jogos Olímpicos e o principal local de devoção dos gregos a suas divindades.

Desde seu descobrimento, há cerca de 250 anos, acreditava-se que Olímpia teria desaparecido após um forte terremoto seguido de uma enchente causada por um rio próximo. Essa teoria, presente até hoje em livros de história do mundo todo, está prestes a desmoronar. Segundo o arqueólogo Andreas Vött, do Instituto de Geografia da Universidade de Mainz, na Alemanha, Olímpia desapareceu após uma série de tsunamis que atingiram a costa oeste da Grécia ao longo do século VI d.C.

A nova hipótese para a destruição do santuário partiu de um projeto liderado por Vött, que estuda tsunamis registrados na região do Mediterrâneo nos últimos 11 mil anos. Analisando amostras dos sedimentos de Olímpia e arredores, o arqueólogo encontrou fósseis de organismos marinhos, como conchas e moluscos.

Outra evidência é a forma como os destroços dos templos repousavam. “Se Olímpia tivesse sido des­truída por um terremoto, fragmentos de colunas estariam caídos uns em cima dos outros. Mas, na verdade, eles estavam ‘boiando’ em sedimentos”, disse Vött.

Para Lilian de Angelo Laky, doutoranda em arqueologia grega e especialista em sítios arqueológicos de Olímpia pela Universidade de São Paulo, essa nova descoberta promete enterrar de vez as antigas crenças sobre o desaparecimento do santuário. “As escavações alemãs em Olímpia no século XIX marcaram o início da arqueologia moderna na Grécia. Agora, os alemães mais uma vez participam de uma descoberta relevante para o estudo da história”, diz.





FONTES:



- http://www.aquelelugar.com.br/olimpia-antiga-grecia/


  

SAN MARINO – A REPUBLICA MAIS ANTIGA DO MUNDO (Dicas Turísticas)


(POR: WILLIS DE FARIA)

Seguindo nossa viagem, desembarcamos do navio MSC Magnifica, oriundo de Dubrovinik (Croácia), no porto de Veneza (Itália) dia 27 de maio de 2016, às 09,00 horas, onde duas vans nos esperavam para seguir direção Roma, em uma autoestrada italiana (free-way). Destino: San Marino. Seriam percorridos 279 km em aproximadamente 2,30 horas.


Sam Marino e sua historia são um exemplo único de pequeno Estado no mundo, conservado autônomo e independente através de séculos.
A república mais antiga do mundo tem uma grande semelhança com duas nações nanicas: Mônaco e Vaticano. Estou falando de San Marino, uma espécie de ilha em terra. A república, que tem apenas 61 quilômetros quadrados, é cercada por uma vastidão de Itália.
Mesmo minúsculo San Marino é um dos países com maior renda per capita do mundo. Fatos que geram uma dúvida a princípio complicada de responder: como San Marino conseguiu se manter independente do país que imortalizou o macarrão?

As origens relatam de um refugiado, um pedreiro de origem dálmata (Dalmácia), Santo Marino, que em um primeiro momento se estabeleceu em Rimini. Porém o destino reservava ao Santo um refúgio e um santuário próprio no Monte. Para fugir das perseguições que o Imperador Dioclesiano infligia, o diácono Marino construiu  uma pequena comunidade, entre  o laico e o religioso, na área mais protegida do Mont.

 Personalidade carismática e milagreira no Monte Marino foi capaz de coagular em torno dele uma pequena comunidade onde se tornou o ponto de referência. Monte Titano ele foi dado pelo proprietário, Donna Felicita (ou Felicissima) para agradecê-lo por ter curado a criança doente. Houve o território, houve a população. 

O sentido de coesão e independência foi transfundido para a comunidade de Marino. Diz-se que suas últimas palavras antes de morrer foram: "Relinquo vos Liberos utroque ab homine". 

A data de fundação remonta a 301 D.C.

O primeiro documento histórico é datado de 885 e se refere a uma disputa no território, entre o monge Stefano de Sam Marino e o Vescovo Deltone de Rimini. Neste se afirma que os terrenos disputados nunca tinha sido de propriedade de outros além dos mararinenses e que deveriam permanecer, portanto, em propriedade dos mesmos.

Em 1243, são os primeiros documentos com nomes de dois Capitães Regentes, nos antigos “cônsules”, com a função de chefes de Estado. Os primeiros Estatutos remontam em 1253 e ainda hoje, com as devidas modificações, constituem a legislação samariense.

Ao longo dos séculos, os samarinenses demonstraram aversão a qualquer politica expansionista. Desenvolveram, entretanto uma politica sabia de aliança que os levou – após a guerra de 1463 vencida junto ao Papa e aos Duques de Montefeltro para se defender da potente família Malatesta de Rimini – o ordenamento territorial de 61 km², nunca mais variado.

A República teve importantes reconhecimentos como a de Napoleão Bonaparte em 1797, que reconheceu a sua soberania e o Congresso de Viena em seguida, mesmo modificando o traçado da Europa, respeitou a independência de Sam Marino.

Uma definição muito afetuosa aos samarinenses foi dada pelo Presidente Abrão Lincoln quando lhe foi oferecida a cidadania honorária. Em uma carta de 07 de maio de 1861 escreveu aos Capitães Regentes: “Embora seu pequeno domínio, ainda assim este Estado é um dos mais honrados de toda a história.” Generosa e solidaria, muitas vezes as portas da pequena Republica foram abertas para aqueles que, em difíceis momentos da história italiana, aqui vieram procurar refúgio e proteção.

O episódio Garibaldi 
Em 1849, o general Giuseppe Garibaldi, líder militar dos revolucionários que lutavam para unificar a Itália, refugiou-se em San Marino, com cerca de 2.000 soldados para escapar da Áustria armado e Roma. Todos encontraram refúgio no território de San Marino. As autoridades conseguiram evitar a entrada de tropas austríacas dando tempo para os guerrilheiros a abandonar o território, sem derramamento de sangue. 

De herói dos dois mundos e da gloriosa época do Ressurgimento passamos a um outro período histórico bem mais desfavorável: em 1943 Sam Marino foi a meta de aproximadamente 100.000 refugiados em fuga das tragédias da Segunda Guerra Mundial.

Então Marino não é apenas o "protetor" da República, mas é, sobretudo a sua "fundador" como reitera outra longa tradição que atribui ao Sa nto, para deixar esta vida terrena, as famosas palavras "Relinquo vos Liberos utroque ab homine": estas palavras que a historiografia apologética tem tido ao longo dos séculos passados ​​fundamentos da Libertas San Marino. 

O valor simbólico do Santo Marino é, portanto, ao mesmo tempo religiosa e civil. Graças à sua dupla conotação, adoração e devoção dos quais está sujeita sempre permeia a vida e as principais instituições do Estado de San Marino, deve informar as cerimônias tradicionais e caracteriza seus principais feriados. 

Em 03 de Setembro de cada ano, o dia em que a liturgia dedicado à veneração de San Marino, San Marino é convencionalmente comemorado pela comunidade como "Fonda Festação da República", com uma solene cerimônia que ocorre antes dentro da Basílica del Santo e, em seguida, Palácio público na presença das principais autoridades civis e religiosas e com grande concorrência dos cidadãos. 

Os centros históricos de Sam Marino e Borgo Maggiore, juntamente com o Monte Titano, foram inseridos na Lista de Patrimônio da Humanidade, no dia 07 de julho de 2008, em Quebec no Canadá, por decisão unânime do Comitê das UNESCO.

Este reconhecimento assume a importância significativa para a Republica de San Marino, a mais antiga do mundo, que manteve inalterados seus valores de autenticidade e identidade.

O valor universal atribuído a Cidade-Estado, que se ergue inconfundível no topo do Monte, em seu ambiente medieval, constitui o testemunho de uma civilização viva, que desenvolveu um livre percurso democrático através das próprias instituições.

Uma simbiose entre o patrimônio intangível, representado pelas tradições seculares, como por exemplo, o comando de pequeno Estado atribuídos Capitães Regentes ao patrimônio tangível constituído por antigos prédios nos quais ocorrem inalteradas as tradicionais cerimônias.

O patrimônio natural do Monte também assume uma especial importância em um contesto paisagístico de rara beleza. 
























Este ocupa uma área de aproximadamente 61km², que abrange o centro histórico da cidade de Sam Marino, as três torres (Guaita, Vesta e Montale) o Monte Titano na sua totalidade, o centro histórico de Borgo Maggiore e a encosta rochosa (bonita zona natural na base do Monte).

Obviamente são relatados os elementos urbanos mais importantes da Cidade-Estado, entre eles a Basílica do Santo, os Conventos de Francisco e Santa Clara, o Palácio Público, o Teatro Titano, a muralha fortificada com os antigos locais de guarda e aos prédios históricos dos quarteirões mais característicos.

SUA MOEDA
A moeda corrente e o Euro. Desde 2002 San Marino tem o direito de cunhar moedas em euro com efigie samarinense. Sam Marino também cunha moedas para coleção, em prata de 5 a 10 euros e em ouro de 20 a 50 euros, além de escudos.

FORMALIDADE DE FRONTEIRA
Não existe nenhuma formalidade de fronteira ou alfandegária. Podem entrar em San Marino todos aqueles que estiverem em ordem com o visto de ingresso na Itália.

RELAÇÕES INTENACIONAIS
Sam Marino é membro de numerosas Organizações Internacionais, entre as quais a ONU desde 1992. É membro da União europeia desde 1991, participa com a própria delegação ao Conselho da União Interparlamentar.

POPULAÇÃO
A sua população em janeiro de 2013 era de 32.471 pessoas.
Fonte: INFO, em português da Repubblica di San Marino – Ufficio di Stato per il Turismo.



quinta-feira, 28 de julho de 2016

GRUPOS ATUAIS SEPARATISTAS NO BRASIL – MOVIMENTOS LIBERTARIOS.

(POR: WILLIS DE FARIA)


Os movimentos separatistas no Brasil são mobilizações que pregam o independentismo de certos territórios brasileiros, geralmente baseados no conceito de auto determinação dos povos. Suas motivações podem ser religiosas, políticas, culturais ou econômicas. Estes movimentos têm sido uma constante na história do Brasil, surgindo pela primeira vez com a aclamação de Amador Bueno como rei de uma província de São Paulo independente, e tendo o seu auge durante o Brasil Império, porém esteve ativo (ainda que com menor visibilidade) até os dias atuais. 


Dentre os movimentos, o único que obteve sucesso em sua secessão foi a Província Cisplatina após a Guerra da Cisplatina, sendo posteriormente renomeada de República Oriental do Uruguai (muito mais por factores externos, já que a pequena Cisplatina não poderia manter sua soberania diante do Brasil do mesmo modo que o Rio Grande não conseguiu).


Segundo o primeiro artigo da atual Constituição brasileira de 1988, a República Federativa do Brasil é "formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal", o que torna inconstitucional qualquer movimento que tenha como objetivo (direto ou indireto) a dissolução do estado brasileiro. No entanto, a própria legislação brasileira garante a liberdade de cada cidadão de manifestar ideologicamente o seu pensamento, desde que para tanto utilize-se de "normas infraconstitucionais" (não usar armas de fogo, não atentar contra a vida pública, não incitar violência)".


Além disso, o Direito Internacional institui o direito de autodeterminação dos povos, que distingue-se do conceito de integridade territorial invocado pelo Estado, e o direito de um povo de reivindicar sua emancipação de uma maioria, ratificado pelo Brasil. Plebiscitos de caráter extraoficial, que visam aferir a opinião dos cidadãos em idade eleitoral sobre o assunto, estão marcados nos estados de São PauloSanta CatarinaParaná e Rio Grande do Sul para o dia 02 de outubro de 2016 (mesma data das eleições municipais), enquanto há previsão de ocorrer outro em 6 de março de 2017 no estado de Pernambuco .


Movimentos separatistas contemporâneos:





  • "Movimento O Rio é o Meu País": Criado em 2013 e motivado pela injusta distribuição dos royalties de petróleo do litoral fluminense entre os demais ente-federados e pelo injusto déficit da balança tributaria a que o RJ se submete repassando bilhões de reais anualmente ao governo federal que o distribui a outros Estados e não recebe nada em troca.

  •  Movimento São Paulo Independente (MSPI): Criado em 1992, luta pela completa independência do estado de São Paulo. Em fins de 2013 teve a formação de uma nova diretoria, e o renascimento do Movimento. Tem se mostrado muito ativo em passeatas e atos públicos, tanto na capital , quanto em cidades do interior Paulista.

  •  Movimento República de São Paulo (MRSP): Busca alcançar maior autonomia do Estado de São Paulo em relação ao Governo Federal com "a mudança do sistema federativo brasileiro para uma confederação de estados livremente associados".

  •  São Paulo Livre : Lançado em 24 de Outubro de 2014, o SPL é o mais recente dos movimentos paulistas.

Organizações em São Paulo, no Nordeste e no Rio Grande do Sul se inspiram no 'Brexit' para lançar 'Sampadeus' e 'Nordexit'.

A população do Reino Unido (formado pela Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) decidiu (23 de junho) deixar o bloco da União Europeia. Após o resultado do plebiscito histórico, frentes separatistas ganharam força na própria Escócia, na Catalunha e até mesmo no Brasil.


Apesar de menos organizados e com apelo muito aquém dos movimentos escoceses e catalães, grupos brasileiros já começaram a lançar campanhas inspiradas no Brexit – expressão surgida da união das palavras "britain" (Grã-Bretanha) e "exit" (saída) –, como o "Sampadeus" e o "Nordexit".




A primeira campanha é encabeçada pelo Movimento São Paulo Livre, organização surgida em 2014 que defende a independência paulista. O grupo, que conta com o apoio de cerca de 10 mil pessoas segundo os organizadores, planeja realizar um plebiscito consultivo em diversas cidades do Estado em outubro para apresentar a proposta e buscar apoio para o "Sampadeus".

"A consulta deve servir de termômetro para vermos qual a porcentagem da população paulista que quer efetivamente a independência", afirma o presidente do Movimento São Paulo Livre, o microempresário Flavio Rebello.

Rebello enxerga semelhanças entre a consulta popular realizada na Grã-Bretanha e o que poderia ocorrer em São Paulo caso a proposta de seu grupo ganhe maior apoio.

"Houve uma discussão no Reino Unido que terminou com a vitória de um poder local sobre um poder maior, regional. A Inglaterra se sentiu tolida de tomar decisões econômicas e políticas, e isso gerou esse sentimento. Acho que é um paralelo que pode ser feito com a atual situação de São Paulo."

A proposta de transformar o Estado de São Paulo em um território independente se baseia nas ideias de que o território paulista teve uma "história colonial" e de desenvolvimento econômico diferente do restante do Brasil.

São Paulo também é "injustiçado" na condição de unidade federativa pois arrecada muitos impostos para o governo federal e recebe poucos investimentos em troca.

"Não temos nada contra o Brasil. Quando houver a independência, eles serão nossos irmãos do norte", afirma o presidente da organização. "São Paulo tem um litoral grande, um porto moderno e um parque industrial diversificado. O destino econômico de São Paulo seria virar uma Coreia do Sul", projeta.

Sul e Nordeste



Um dos primeiros e mais barulhentos movimentos separatistas do Brasil (no período pós-Constituição de 1988) surgiu no Rio Grande do Sul, em 1990. O Movimento Pela Independência do Pampa, que reclama a existência da República Rio-Grandense, chegou a elaborar um abaixo-assinado com cerca de um milhão de assinaturas em 1993 – conforme informa a própria organização em seu site. O documento visava convocar um plebiscito para decidir sobre a independência gaúcha, mas o grupo entrou na mira da Justiça brasileira e o abaixo-assinado não vingou.


Na outra extremidade do mapa brasileiro, o Movimento Nordeste Livre hasteia a bandeira de construir a "autodeterminação do povo nordestino", o que estaria garantido pela Constituição brasileira na leitura feita pelos integrantes da organização. O grupo defende a convocação de um referendo plebiscitário "para uma nova divisão administrativa, política e territorial para a região Nordeste".

Logo após a divulgação do resultado do plebiscito britânico, alguns internautas passaram a ventilar a ideia do "Nordexit" na página do Movimento Nordeste Livre no Facebook, que conta com mais de 3 mil fãs.Apesar de esses grupos alegarem que suas iniciativas são legais, o advogado especializado em direito constitucional Bruno Guilherme Fonseca, autor do artigo "O Direito Internacional e os Movimentos Separatistas", garante que ações que visam desmembrar o País são "totalmente ilegítimas"."A Constituição brasileira possui algumas cláusulas pétreas, entre elas a que versa sobre a própria divisão federativa dos Estados e que prega o princípio maior da unidade nacional. 

A Constituição brasileira diz que os estados brasileiros não podem serem separados do território nacional, o que configura a "ação de independência" um crime pátrio.Existe uma corrente de equiparar o Brasil a outros panoramas (como o do Reino Unido), mas o Brasil é um país muito sui generis nesse sentido, explica Fonseca.

A despeito da opinião do advogado, o presidente do Movimento São Paulo Livre prega o discurso de que o avanço da proposta seria bom para paulistas e brasileiros."Nós temos fé no Brasil. 

A saída de São Paulo, a curtíssimo prazo, não seria boa. Mas a médio e longo prazo, vai fazer maravilhas porque o Brasil vai ter que se profissionalizar em gerir o próprio dinheiro. E uma São Paulo forte e exportando bastante vai ter dinheiro suficiente para investir no Brasil, como a Alemanha fez ao investir em outros países na Europa", diz Rebello.


A adesão ao grupo, pelo menos na internet, no entanto, é pequena, em comparação à população de São Paulo (44 milhões de pessoas). Pouco mais de 9,5 mil pessoas seguem a o movimento em uma das redes.

Ribeirão Preto terá consulta sobre independência do Estado de São Paulo. O município é um dos 64 localizados no Estado que receberão consulta sobre a criação de um novo país em São Paulo

Aos seus seguidores, o grupo pede voluntários para ajudar no dia do plebiscito e antecipa as perguntas:

"Você está insatisfeito com o jeito como São Paulo está politicamente representado na República Federativa do Brasil?" 
()Sim
( )Não

Se 'sim', você gostaria que São Paulo se tornasse um país independente?"
()Sim
( ) Não"

Para conquistar adeptos, o movimento anuncia que "no país novo, haverá uma simplificação do sistema tributário (menos impostos, e impostos menores); forte apoio à pequena e média empresa e ao empreendedor individual, para que mais empregos sejam gerados e a economia cresça com estabilidade".

Sobre política, o grupo, lançado em 2014, vocifera que "os atuais partidos não nos representam mais". "Com um país novo, teremos novos partidos; um parlamento unicameral - sem Senado- menor e muito mais econômico que o Congresso brasileiro; e leis implacáveis contra a corrupção e o mal-uso do dinheiro público", registra.

O movimento diz que não é ligado a partidos políticos. Em relação ao impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, se posiciona favoravelmente.

“Você gostaria que São Paulo se tornasse um país independente?”, os eleitores de Ribeirão Preto poderão responder essa pergunta no próximo dia 2 de outubro – mesmo dia das Eleições Municipais 2016 – em um plebiscito consultivo para avaliar como as pessoas enxergam a forma que o Estado de São Paulo está representado nacionalmente.

A consulta é uma proposta do grupo São Paulo Livre. Para eles, caso São Paulo fosse independente, seria mais fácil gerir os serviços públicos, já que o dinheiro dos impostos “ficariam por aqui mesmo”. Até o momento, 64 municípios contarão com uma urna usada para votação, que ficará em local que ainda será definido.


Um dos principais pontos de discordância dos integrantes do movimento é a distribuição do dinheiro dos impostos no País para cada unidade da federação. Para eles, São Paulo, que contribuiu em 2013 com R$ 453 bilhões para a União, de acordo com o Portal de Transparência da Receita Federal, deveria ter esse dinheiro aplicado na íntegra no próprio Estado.

“Ficaríamos até felizes em pagar para o Governo Federal, se esse nosso dinheiro fosse bem usado. Mas grande parte do que pagamos em impostos acaba sendo desperdiçado para cobrir o orçamento de 15 Estados que não conseguem nem pagar sozinhos suas próprias contas”, apontam.

Mas especialistas divergem da tese. Embora a Constituição Federal não considere movimentos separatistas crime, desde que não envolva violência, São Paulo perderia muito na economia, pois teria de iniciar negociações com o novo vizinho – o Brasil – para realizar exportações, por exemplo.

Caso São Paulo já fosse um país independente, a situação econômica poderia ser ainda pior do que atual, já que, em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado se retraiu 4,1%, de acordo com a Fundação Seade, enquanto a recessão nacional foi de 3,8%, segundo o IBGE.

“Fazer parte de um país significa ter acesso a todo o mercado da nação sem pagar impostos. Se você planta cana em São Paulo pode vender seu etanol para os postos do Mato Grosso, mas não para os dos EUA, que cobram taxas pesadas. Se o resto do Brasil levantar barreiras, São Paulo teria pouco acesso ao mercado”, aponta o jornalista Alexandre Versignassi, editor da Superinteressante, e autor do livro Crash: Uma breve História da Economia.

O economista Daniel Bellissimo aponta que apenas o fato de existir um tipo de movimento separatista como esse é um sinal das necessidades que precisam se revisar na sociedade, “valorizar mais fortemente nossa cultura enquanto povo brasileiro e valorizar nossa identidade nacional”, diz.

“O Brasil é a mistura, é a beleza da sinergia entre povos. São Paulo é uma representação disso, é só andar pelo Estado para ver isso, tornou-se o que é por causa dessa mistura. Acredito que um dos aspectos da problematização econômica que devemos fazer é como levar as inovações e indústrias de maior valor agregado para outras partes do País”, acrescenta Bellissimo, que defende que é preciso se livrar da identidade de um país que apenas exporta commodities.

Um dos principais pontos de discordância dos integrantes do movimento é a distribuição do dinheiro dos impostos no País para cada unidade da federação. Para eles, São Paulo, que contribuiu em 2013 com R$ 453 bilhões para a União, de acordo com o Portal de Transparência da Receita Federal, deveria ter esse dinheiro aplicado na íntegra no próprio Estado.

Todos ficariam até felizes em pagar para o Governo Federal, se esse nosso dinheiro fosse bem usado. Mas grande parte do que pagamos em impostos acaba sendo desperdiçado para cobrir o orçamento de 15 Estados que não conseguem nem pagar sozinhas as suas próprias contas.

São Paulo Livre 2 | Divulgação


O CASO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO LIVRE


O ESPIRITO SANTO É MEU PAÍS.


Esclarecendo críticas e perguntas de pessoas que não conhecem o Espirito Santo, e por vezes questionam nosso movimento.

1º - Porque esse grupo apoia a separação do Espirito Santo do território Brasileiro?

RES: _Somente no ano de 2015, o Estado do Espirito Santo arrecadou cerca de 20 bilhões, e recebeu de investimento somente 6,61 bilhões, ou seja nossos impostos são desviados para Brasília, sustentando um governo corrupto e esmagador. Somos um dos estados menos populosos do Brasil, temos uma qualidade de vida considerada de boa qualidade, e em nenhum momento da história desse país foi dado alguma importância ao nosso Espirito Santo.

2º - Como ficaria a importação e exportação caso o Espirito Santo se torne um país?

RES: _Com um total de sete portos espalhados pelos 417 quilômetros de litoral, o complexo portuário do Espírito Santo é o maior da América Latina em quantidade de portos. Mas para os especialistas, se a infraestrutura logística do Espírito Santo fosse melhor, o Estado ficaria em vantagem com relação a outros portos do país e seria mais competitivo. Além de integrarem o maior complexo portuário da América Latina, os portos capixabas estão em primeiro lugar em movimentação de cargas, em peso e tonelagem. No quesito movimentação financeira de mercadorias, o complexo portuário capixaba só perde para os terminais de Santos, em São Paulo. Na segunda posição, o Estado foi responsável por movimentar 28% das mercadorias que chegaram ao Brasil via portos de 2011 a 2015, de acordo com a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).

3º - Como viveríamos sem eletricidade comprada de outros estados? Somos autossuficientes nesse quesito?

RES:_ O Espirito Santo tem hoje duas usinas hidrelétricas, a de Rosal e a de Mascarenhas, responsáveis por 65% de nosso consumo. Além disso temos 12 bacias hidrográficas que permitem a construção de novas usinas para consumo e venda de eletricidade.

4º - Somos autossuficientes em recursos naturais e agropecuária?

RES:_ O Espirito Santo tem em seu território o Parque Nacional do Caparaó com uma área de 26 mil hectares, e o Parque Estadual da Pedra Azul, 6 Reservas Biológicas ( Mello Leitão, Sooretama, Comboios, Córrego Grande, Córrego do Veado) 3 Florestas Nacionais (Rio Preto, Goytacazes e Pacotuba) e 12 Áreas de Preservação Ambiental.

Ainda contamos com 12 bacias hidrográficas. ( Doce, Itapemirim, São Mateus, Itabapoana, Itaúnas, Piraquê-Açu, Santa Maria, Guarapari, Reis Magos, Jucu, Benevente e Rio Novo. A agropecuária capixaba é considerada a mais desenvolvida do sudeste.

Nosso estado é o maior produtor de Café Robusta / Arábica. As lavouras de Robusta ocupam a grande maioria do parque cafeeiro estadual e respondem por quase 2/3 da produção brasileira da variedade que se expandiu principalmente nas regiões de baixa temperatura. O Estado coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial de Robusta. Também somos o maior produtor de Café Conilon do Brasil, respondendo por 56% da produção nacional.

Além disso o Espirito Santo é produtor de frutas, hortaliças e Gado, destacando nessa última atividade a região sul capixaba. Portanto haveria espaço para crescimento e exportação.

5° - Somos autossuficientes em industrias?

RES: _Segundo a “Federação das Indústrias do Estado do Espirito Santo”, (FINDES) o território Capixaba é composto por 31 sindicatos e mais de 16 mil industrias cadastradas. Atualmente essas industrias representam 29,77% do PIB e geram 223 mil postos de trabalho. Com a saída do Brasil, o Espirito Santo abrirá a concessão para abertura de novas empresas, gerando concorrência, preço, qualidade e emprego.

6º - E a segurança do Espirito Santo, onde fica?

RES: _Criminosos de outros estados não serão mais transferidos para nossos presídios e cadeias. O deslocamento de presidiários de um estado para outro leva grandes problemas sociais para o estado receptor. Uma vez que as famílias (na maioria das vezes marginalizadas) também migram, levando uma avalanche de problemas relacionados a estrutura e segurança para o estado que recebe. Hoje, mais de 40% dos crimes no estado estão relacionados a marginalidade invasiva, e os outros 60% serão corrigidos com um trabalho serio e eficiente de nosso futuro Ministério de Segurança e Defesa.

7°- Sou de outro estado e vivo no Espirito Santo. Com a separação do estado do restante do Brasil, eu e minha família seremos deportados?

RES: _Nenhum imigrante proveniente de outro estado será deportado ou expulso. Quem reside em nosso estado, terá direito de permanência garantido! Seja a dupla cidadania ou visto de permanência, o imigrante que vive aqui é importante para nós.

8º - Quem assumi o governo no caso de uma separação?

RES: _Até que um novo governo assuma o “Espirito Santo” na condição de país, o atual governo do estado toma posse como governo provisório. Esse período transitório não deve durar mais que 18 meses. Sendo assim, a nova constituição só é votada a partir do momento que o governo efetivo assume o Espirito Santo.

9º - O separatista não tem amor ao Brasil? Onde está o patriotismo? 

RES:_ Em sã consciência, é impossível amar um país tomado pela corrupção, pela falta de segurança, saúde em decadência e educação defasada. No passado o Carnaval e o Futebol foram motivos de orgulho para o brasileiro, mas o futebol virou comercio com salários exorbitantes, e jogadores que se quer amam a camisa que vestem e o carnaval está dando lugar a cultura do Funk. Portanto, não temos orgulho nenhum do Brasil.

10º - Vocês não acham que poderíamos lutar por um Brasil melhor?


RES: _ Essa pergunta, cabe a você mesmo responder! E o mais difícil, caso você defenda o Brasil, e acredite nele como sua nação, você tem o direito de tentar, mas queremos ver a sua luta, o seu argumento, não basta falar, tem que provar e concretizar a sua tese! Se você conseguir mudar esse país, retiramos todos os textos e passamos a apoiar você!


OUTROS CASOS. O São Paulo Livre não defende uma causa inédita. Há movimentos separatistas em outros estados do país.

 O Sul é meu país quer que os três estados da região (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) se tornem independentes do Brasil.

"Somos um povo que tem seu passado escrito com o sangue e o trabalho de nossos ancestrais, e exatamente por termos consciência deste patrimônio histórico, é que nos sentimos responsáveis pela história que haveremos de deixar para os que vierem depois de nós. Somos amantes do trabalho e da liberdade, mas queremos ser os responsáveis pelo nosso destino", diz a carta de princípios do grupo.

. Em São Paulo, o “Sampadeus” — que já, inclusive, existia — ganhou adeptos nas redes sociais; no Nordeste, o “Nordexit” angariou alguns milhares de fãs.
Agora, a febre separatista chega ao Cerrado.

Uma página no Facebook intitulada “Movimento República de Goiás” clama pela independência do Estado. Apesar de ter poucas curtidas, 175 até a publicação desta matéria, ela já existia antes da decisão do Reino Unido, mas ganhou mais interação nos últimos dias.

O grupo se identifica como um movimento “independentista Goiano”, liberal e libertário, e voluntarista. “Defendemos que Goiás seja um país sem controle de fronteiras, sem distinção de etnias e classes sociais e com total respeito às Leis Naturais”, explica o texto de apresentação.

Segundo informa o grupo, o movimento é a favor da secessão até o último nível e considera o desmembramento de Estados como algo natural. “Acreditamos que somente por meio da liberdade individual seremos livres”, completa.

Em um dos posts, a página Movimento República de Goiás divulga os outros movimentos separatistas pelo Brasil, que pedem a independência de Brasília:
O empresário Flávio Rebello, 43 anos, presidente do SPL deu a seguinte entrevista a jornalista Fernanda Pontes, do “Pure People” e apresentadora do Programa “Planeta Brasil” da TV Globo Internacional:

Por que essa ideia de separar São Paulo do resto do Brasil?

Porque temos uma história colonial própria, bem diferente do restante do Brasil. Hoje, nosso estado lidera o movimento de direita do país e também lideramos as passeatas contra o governo Dilma. O paulista é como o nova-iorquino se sente em relação ao americano médio.
Como seria esse país?
República de São Paulo. Um país que começaria do zero, com novas leis, novo congresso, sem corrupção. Não temos vínculo com partidos políticos. Também teríamos uma moeda própria: o ouro. Uma delas teria o rosto do Mario de Andrade. Quero deixar claro que não temos preconceitos racial nem sexual.

Você não acha que essa tentativa de separação e fundação de um país diferente pode gerar antipatia e até aversão dos outros estados?

Sim, mas vai passar. Basta olhar Portugal e o Brasil. Hoje são dois países amigos. Algumas pessoas até sugeriram formar um país unindo São Paulo e os estados do Sul do país, mas o nosso PIB é três vezes maior que o deles. Aí seria como trocar seis por meia dúzia.

E o que mudaria com a separação?

É uma questão econômica. Queremos melhorar a qualidade de vida do morador de São Paulo, como conseguir viajar, pagar uma boa faculdade, trocar de carro. Nos últimos 30 anos, o governo federal deixou de priorizar a indústria. O setor industrial está sucateado e queríamos formar um governo como o do Japão, que é pobre em matéria-prima, mas uma potência econômica.

Se um morador do Rio quisesse visitar a “República de São Paulo” precisaria de visto e passaporte?

Não. Seria como o acordo entre Brasil, Argentina e Uruguai, basta a carteira de identidade.

Como você planeja medir a aceitação dos paulistas às ideias do SPL?

Vamos fazer em outubro uma amostragem com cem mil pessoas. Se tivermos mais de 50%, vamos aumentar as ações, levaremos milhões para as ruas. É um projeto para daqui a dez anos.

O país pode ser prejudicado com a separação de São Paulo, não acha?

Não vai ser fácil, mas o Brasil consegue. Vai ser bom para ele aprender a gastar. Os dois países, inclusive, podem ser parceiros econômicos. O Brasil seria um ótimo mercado consumidor. 


FONTES:


- Bruno Guilherme Fonseca - Advogado, OAB/SP de número 366.004.

- Reportagem Original - Por Nicolas Iory - iG São Paulo | 29/06/2016

- O separatismo no Brasil – ILIMAR FRANCO

- Movimento São Paulo Livre: 'Queremos fundar um novo país' - POR FERNANDA PONTES - O GLOBO - 29/06/2016

- Autonomia e liberdade - Após “Brexit” e “Sampadeus”, goianos pedem a criação da República de Goiás - Alexandre Parrode - 02/07/2016.