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segunda-feira, 28 de julho de 2014

GOVERNO FEDERAL EDITA LEI PROTECIONISTA INFANTIL DESACERBADA.


(POSTADO POR: WILLIS DE FARIA)
Uma norma para acabar com os quadrinhos nacionais 

No dia 13 de março de 2014 o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente aprovou, de forma unânime, a resolução nº 163 que considera abusiva toda e qualquer publicidade e comunicação mercadológica dirigidas às crianças. 

A resolução é apoiada por muitos como uma forma de proteger as crianças contra os abusos, mas, se for colocada na prática, vai ter resultados muito mais amplos. 

Legislações restritivas à publicidade infantil existem em outros países do mundo. Na Suécia, por exemplo, estão proibidos os comerciais na TV aberta. Países como Chile e Peru proíbem anúncios de determinados alimentos e bebidas. Na Grécia, anúncios de brinquedos só podem ser anunciados na TV aberta em horário adulto. No Irã, bonecos dos Simpsons e da Barbie não podem ser comercializados ou anunciados. Mas esse é o primeiro caso de proibição total e absoluta de qualquer tipo de comunicação comercial voltada ao público infantil.

A resolução considera abusiva "a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço". Estão proibidos linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

A resolução define a 'comunicação mercadológica' como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.


Ou seja: a legislação, na prática, proíbe qualquer comunicação voltada às crianças. O maior prejudicado com a norma é, claro, Maurício de Sousa. Muitos têm comemorado o fato de que ele não pode mais colocar seus personagens em produtos infantis, como pacotes de maçãs. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas a legislação é tão ampla que afeta quase toda a produção nacional destinada às crianças. As revistas em quadrinhos infantis, por exemplo, dificilmente se sustentam sem publicidade. Produzir um gibi infantil é um processo caro que quase nunca se paga apenas com as vendas de revistas (até porque essas vendas se reduzem a cada ano). Da mesma forma, os desenhos animados só são exibidos por causa da publicidade. Não por acaso, as TVs abertas estão tirando desenhos animados de sua programação. Há de se perguntar como ficarão os canais infantis da TV por assinatura, até porque eles não poderão mais ser anunciados e também não poderão mais exibir publicidade. 

Na prática, a resolução joga uma pá de cal no mercado de desenhos animados infantis, que vinha apresentando um crescimento invejável, com personagens como Peixonauta e Turma da Mônica, e coloca em situação difícil as revistas infantis nacionais, já que não é permitida nem mesmo a publicidade das próprias publicações. Ou seja: a revista do Cebolinha não pode mais anunciar o conteúdo da revista do Cascão. Pior ainda para autores que queiram lançar gibis com personagens novos, que não poderão ser divulgados. Nem mesmo a distribuição de brindes para as crianças são mais permitidos. Na prática, Maurício de Sousa ainda está em uma situação melhor do que outros quadrinistas que queiram lançar outras publicações infantis. Nunca mais veremos o lançamento de outros gibis. 

Mas essa é uma visão otimista. A legislação é tão ampla que, na prática, pode proibir até mesmo as capas dos gibis infantis. Veja-se: a legislação considera "'comunicação mercadológica' como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos".

Todo manual de marketing explica que um dos elementos essenciais da comunicação mercadológica é o merchandising, ou apelo no ponto de venda. No caso das bancas de revista, o apelo comercial é feito através das capas das revistas. Ou seja, sob qualquer aspecto, a capa de um gibi é uma comunicação mercadológica. Se a norma realmente for seguida, os editores de revistas infantis terão que se adaptar, uma vez que não poderão mais exibir personagens nas capas de suas revistas. Uma solução talvez seja vender as revistas lacradas, com tarjas escondendo os personagens da mesma forma como hoje se faz com as revistas pornográficas. Num mercado em que gibis vendem cada vez menos, a resolução pode ser a pá de cal no mercado de quadrinhos nacionais.

Lendo a legislação lembrei do amigo desenhista Antonio Eder, que, mesmo depois de adulto, ainda tinha o álbum de figurinhas do Palhaço Zequinha, lançado pelo governo do Paraná no final dos anos 1970. O álbum era gratuito e as figurinhas eram trocadas por notas fiscais. Um incentivo para que a população exigisse notas fiscais que fez a alegria de muitas crianças curitibanas. Pela nova legislação, a iniciativa seria ilegal, uma vez que a norma proíbe a "promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis". 

FONTE: DIGESTIVO CULTURAL      -   Sexta-feira, 25/7/2014


Engana-se quem acha que o problema se restringe apenas aos quadrinhos infantis. Como maioria das pessoas acha que todo gibi é para crianças, toda a produção nacional pode ser afetada. Um exemplo: quando lancei o meu livro "Grafipar, a editora que saiu do eixo", perguntei porque o livro era vendido lacrado e com uma tarja avisando que se tratava de um livro para adultos. No meu entender, o livro era obviamente para adultos, até pela referência no subtítulo à produção erótica. "Tente explicar isso a um juiz", respondeu um editor. "Se tem desenho na capa e é quadrinhos, um pai pode achar que é para criança e nos processar. Já aconteceu com outros livros semelhantes". Ou seja: provavelmente para os "especialistas" do conselho, todo quadrinho é para criança e se encaixa na norma, até porque uma das definições para isso é o uso de cores chamativas.

No pior dos cenários, até mesmo as coleções de miniaturas de personagens de quadrinhos (como os da Marvel e DC, que temos visto nas bancas) ficam comprometidas. Explica-se: a legislação atual já proíbe vender em banca de revista algo que não seja revista. Assim, quando se pretende lançar algo do gênero, coloca-se uma revista junto, e diz-se que o boneco é brinde para quem comprou a revista. Como agora brindes são proibidos e como a maioria das pessoas vê quadrinhos como coisa exclusivamente de crianças... 

Uma legislação que coíba abusos na publicidade infantil seria bem vinda. Mas a proibição total, com uma lei tão ampla que pode afetar até as capas dos gibis nacionais interessaria a quem? Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas diretamente do site do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente

FONTE: Gian Danton Descrição: http://www.digestivocultural.com/home/imagens/feeds2.jpg 
Goiânia, 25/7/2014

Para o bem das crianças, inviabilizam a programação infantil na TV.

Um passeio rápido pela TV aberta e você perceberá que nenhuma emissora exibe mais desenhos animados.

No Brasil, temos a felicidade de poder acompanhar o surgimento de leis arbitrárias a cada semana - fascículo especial com capa dura todo mês na banca mais próxima de você. O projeto de lei 5921/2001, que foi aprovado há três meses, trouxe a proibição de publicidade voltada para o público infantil. De brinde, uma caneta esferográfica e o fim da exibição de desenhos animados na TV, que hoje não têm patrocínio.

A proibição é o Estado assumindo a incapacidade de lidar com um problema (ou um suposto problema), no que vale até demonizar propaganda da Barbie. Autoridades preferem proibição ao povo instruído que toma as decisões que julgam melhores para si. Ensino, que é bom, necas. Não estamos preparados para um povo que pensa.

Infelizmente não sou dado a regimes repressores. Portanto, não me peçam para aprovar esse tipo de regulação.

Proibir a publicidade voltada para as crianças é passar por cima da autoridade dos pais, poupar o trabalho deles de instruir e limitar suas liberdades de decisão. É delegar soluções a um bando de políticos pançudos, com marca de pizza debaixo dos braços; como se eles soubessem, à distância, o que é melhor para o seu filho.

Por essas que não posso ver deputados na minha frente.

E mesmo que a publicidade fosse tudo o que dizem, a  decisão dos pais, penso, ainda vale mais do que qualquer outra instituição. Ou pelo menos assim deveria ser.
Além de inviabilizar programas para as crianças na TV, parte da infância que vivi nos anos 90 seria praticamente impossível sob essa lei. Para começar, a Turma da Mônica como conhecemos hoje não existiria. Algo em torno de 70 a 90% do faturamento da Maurício de Sousa Produções vêm dos licenciamentos dos personagens. Foram os licenciamentos que muitas vezes sustentaram as revistinhas. Mas como disse a filha do Maurício de Sousa, em entrevista para O Globo, até a maçã da Mônica não existirá mais, pois a lei não permite o uso de personagens nas embalagens dos produtos.

Se algum dia houve a intenção de surgir um grande estúdio de animação ou de quadrinhos no Brasil, qualquer coisa parecida com uma Disney, Nickelodeon ou Studio Ghibli, a possibilidade, sob essa lei, foi enterrada de vez. Voltamos vinte casas.

Por mais que a televisão tenha mudado muito nos últimos anos, com a migração do público da TV aberta para a TV a cabo e internet, essa ainda não é a realidade da maioria das famílias no país. Além de tudo, essa é uma medida que afeta principalmente aqueles com menos condições financeiras, que não têm acesso a essas mídias.

Será que não ocorre aos defensores da lei que eles também cresceram com a publicidade infantil e que nem por isso viraram o monstro que estão pintando? Ou será que foi justamente por terem virado o monstro que agora defendem esse tipo de lei? Mistério.

Para o bem das crianças, inviabilizam a programação infantil na TV, podam os personagens dos desenhos, comprometem o surgimento e crescimento de estúdios de animação e quadrinhos, etc. E, me juram, com a melhor das intenções.

FONTE: Yahoo noticias .


Links para Informações:

Link 1 (Lei/resolução do governo): http://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=268725

Link 2 (Vídeo/opinião sobre o assunto):https://www.youtube.com/watch?v=bXSUkFTvJ7s

Link 3 (Vídeo/opinião sobre o assunto):https://www.youtube.com/watch?v=-uFjC4gHNVE

Link 4 (Mais sobre o assunto): http://zip.net/bqn7Ly

Link 5 (Reação à notícia): https://www.youtube.com/watch?v=IqVu0tKzdNk

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Fragmento da Lei/resolução:
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"Art. 2º Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:
I - linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;
II - trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;
III - representação de criança;
IV - pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;
V - personagens ou apresentadores infantis;
VI - desenho animado ou de animação;
VII - bonecos ou similares;
VIII - promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e
IX - promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil."



quarta-feira, 23 de julho de 2014

RESCALDOS DA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL 2014, NO BRASIL.


(POR: WILLIS DE FARIA)

A Copa e os 2 Brasis: Brasildinávia e Brasilquistão.    
       
Num passe de mágica, que o jeitinho brasileiro conhece bem, conseguiram ludibriar os jornalistas estrangeiros, durante a Copa do Mundo, escondendo deles oBrasilquistão (o Brasil que não deu certo: violento, desigual, desumano, concentrador de riquezas, pobre, sujo, sangrento, corrupto, serviços públicos de quinta categoria etc.). Mostraram para eles o Brasildinávia (o Brasil que está com a ponta da proa virada para a Escandinávia). Mais da metade dos 438 jornalistas pesquisados (pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, contratada pelo Ministério do Turismo) tiveram suas expectativas superadas e quase 100% (98,6%) acharam o mundial “muito bom” ou “bom”; 96,5% recomendariam uma viagem ao Brasil. As avaliações positivas deles foram as seguintes: aeroportos: 88% de aprovação; táxi: 87,7%; segurança pública: 81,8%; rodovias: 81,6%; limpeza pública: 80,4%; sinalização de trânsito e turística: 75,9%; disponibilidade de voos no Brasil: 75,1%; rodoviárias interestaduais: 69,5%; mobilidade urbana: 67,9%; telefonia e acesso à internet: 52,1%; imagem do Brasil após a Copa: melhorou (59,4%) (Carta Capital 23/7/14: 26).


O que eles não viram? Não viram o Brasilquistão, com 276 mortes epidêmicas e diárias (154 assassinatos e 122 óbitos no trânsito) e mais de 101 mil anual. Viram a tragédia do nosso futebol (10 a 1, em dois jogos), mas não sentiram o drama na economia (que não cresce e ainda padece de forte inflação), na saúde (pessoas morrendo nas portas dos hospitais), nos transportes públicos fora da Copa (e fora dos feriados), na segurança pública (o Brasil é o 12º país mais violento do planeta e 16 das 50 cidades mais homicidas estão aqui), na indústria (que está ultrapassada), nas comunicações (que funcionam precariamente), na educação (3/4 da população é analfabeta funcional), na inovação, no uso inteligente das tecnologias, na burocracia, na política corrupta, nos partidos decréptos, na Justiça que tarda, na polícia que mata (e que também morre, no genocídio estatal), na criminalidade organizada que expande etc.
Durante o mês da Copa as televisões e rádios monopolizaram suas atenções no futebol. Ficamos com a impressão de que os furtos, roubos, latrocínios, tiros, assassinatos e corrupções tinham tirado férias. Todo esse inferno diário foi eclipsado para se mostrar o paraíso (cheio de Adãos e Evas nús e sensuais, escondendo-se obviamente as serpentes e seus ovos). Como é fantástica a sensação do Brasildináviae como é massacrante e torturante o nosso diaadia de Brasilquistão, com tiroteios diários nas favelas “pacificadas”, com mortes nas portas dos hospitais, com ignorância dentro das escolas, com políticos filmados embolsando o dinheiro da corrupção financiada por empresas e bancos… Que calmaria ver nas televisões apenas tiros de meta (não de canhões do Exército), tirombaços aos gols (não contra os jovens negros), ataques eficientes das seleções (não os ataques nas ruas contra nossa integridade).
O paraíso se instalou no lugar do inferno, mas este está voltando ao seu “normal” (errático, sorumbático e morfético). Foi elogiada a segurança nos estádios e das equipes, sem se dizer que estamos em pleno regime de exceção (a ponto de se mobilizar em todo momento o Exército, que só atua em situações excepcionais). Eliane Castanhêde (Folha 22/7/14: A2) foi informada de que mais de 12 mil argentinos foram vítimas de roubo/furto (segundo o G1), os furtos nos trens, metrôs e ônibus aumentaram 379% em São Paulo e por aí vai. Os números completos sairão nos próximos dias. Esse Brasilquistão(que é o que nos pega no cotidiano) não tem nada a ver com o Brasildinávia que os jornalistas estrangeiros viram. Eles acharam bonitas até mesmo as nossas indecentes rodoviárias! (“sabe de nada, inocente”).

Professor
Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). 

Sou turista e vim pra ficar. E agora?
Entenda os procedimentos para regularização da situação do estrangeiro que visita o Brasil na condição de turista.
Durante a semana que se encerrou jornais e revistas divulgaram pesquisa segundo a qual 95% dos turistas que vieram ao Brasil em razão da realização da Copa do Mundo desejam retornar ao pais em outra oportunidade. Embora não contemplados na estatística existem também os turistas que vieram pra ficar.

É sabido que o visto de turista é destinado àqueles que venham ao Brasil em caráter de visita ou recreativo, sem finalidade imigratória. Ele autoriza a estada no Território Nacional por, no máximo, 90 (noventa) dias, prorrogáveis uma única vez, por igual período, desde que solicitado ao Departamento de Policia Federal antes do vencimento do prazo de validade do visto concedido no exterior.

Com validade de até 5 (cinco) anos, dependendo da reciprocidade com o país de nacionalidade do portador, o visto de turista proporciona a possibilidade de múltiplas entradas no País. Sendo que cada cada estada não pode ultrapassar 180 (cento e oitenta) dias, por ano.

É importante ressaltar que o visto de turista intransferível, ou seja, ao contrário dos vistos diplomáticos não podem ser convertidos em permanentes. O estrangeiro com visto de turista também não pode se dedicar ao exercício de atividade remunerada no Brasil.
Sendo assim, os estrangeiros que ingressaram no país com visto de turista e desejam fixar residência no Brasil precisam regularizar sua situação para permanecerem no país. Para tando devem requer o visto permanente, que tem finalidade imigratória e é destinado àquele que pretenda fixar-se no Brasil de modo definitivo. É concedido pela representação consular brasileira competente no país de origem daquele que pretende radicar-se no Brasil, ao amparo da Lei nº 6.815/80, bem como das Resoluções do Conselho Nacional de Imigração – CNIg.
A permanência no Brasil poderá ser concedida com base nas disposições da Lei nº6.815/80 e nas Resoluções Normativas do Conselho Nacional de Imigração – CNIg, que estabelecem os critérios para a concessão de residência definitiva àqueles que se encontrem no País, nas hipóteses descritas abaixo:
  • ao refugiado ou asilado (RN nº 06/97 e nº 91/2010- CNIg);
  • ao cônjuge de brasileiro ou genitor de prole brasileira (Art. 75, II da Lei nº 6.815/80 c/c RN nº 36/99 - CNIg);
  • ao dependente legal de brasileiro ou de estrangeiro permanente ou temporário residente no País, maior de 21 anos (RN nº 36/99 – CNIg);
  • ao companheiro de brasileiro ou estrangeiro permanente, sem distinção de sexo (RN nº 77/08 – CNIg);
  • ao titular de visto temporário na condição de professor, técnico ou pesquisador de alto nível ou cientista estrangeiro (RN nº 01/97- CNIg);
  • à vítima de tráfico de pessoas (RN nº 93 do CNIg), e
  • ao estrangeiro que perdeu a condição de permanente por ausência do País por prazo superior a dois anos (RN nº 05/97 - CNIg).
Se o turista estrangeiro deseja obter o visto Permanente, mas não se enquadra em nenhuma das situações acima mencionadas – ou seja você não é cientista, aposentado, padre, refugiado político, não trabalha em multinacionais e não quer casar com um (a) brasileiro (a) e nem ter um filho nascido no país – a melhor opção é aproveitar o direito de obter esse visto baseado em investimento no país (US 50.000,00 ou menos).

A concessão de visto permanente ao estrangeiro que pretenda fixar-se no Brasil com a finalidade de investir recursos próprios de origem externa em atividades produtivas, condicionada à comprovação de investimento, em moeda estrangeira, em montante igual ou superior, a US$ 50.000,00 (cinquenta mil dólares norte-americanos). Entretanto a mesma resolução diz que o Conselho Nacional de Imigração poderá autorizar a concessão de visto permanente para estrangeiro cujo projeto de investimento contemple no mínimo dez novos empregos, mediante a apresentação de plano de absorção de mão-de-obra brasileira, para o período de cinco anos, mesmo que o montante do investimento seja inferior a US 50.000,00. O estrangeiro não precisa necessariamente abrir uma empresa – há a opção de colocar esse dinheiro numa empresa já existente e virar um sócio cotista. O estrangeiro também pode usar essa forma de obtenção de visto se no passado já investiu US 50.000,00 no país.

Para os estrangeiros que desejam comprar imóveis para morar no Brasil, em resumo, precisam abrir uma empresa e enviar uma quantia (no mínimo 150 mil reais) para a referida e esta efetuará a compra do imóvel. Esta forma de transação possibilitará, também, a obtenção de visto permanente com base em investimento, respeitados os critérios acima especificados.

Em todos os tipos de pedidos de vistos poderão ser incluídos parentes dependentes, especialmente cônjuges, parentes idosos e dependentes com idade inferior a 21 (vinte e um) anos, que deverão ser citados na solicitação original. É necessário ressaltar que as pessoas residentes no Brasil com visto permanente são consideradas residentes no Brasil, para efeitos de tributação, a partir da data da chegada ao Brasil.

Os pedidos devem ser protocolizados junto à Unidade do Departamento de Polícia Federal mais próxima da residência do interessado e serão analisados e decididos pelo Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça. Nos casos de ausência do País em razão de caso fortuito ou força maior, excepcionalmente, fica o Ministério da Justiça autorizado a conceder autorização do retorno ao estrangeiro na condição de permanente ou, ainda, revogar o ato de cancelamento do registro.

Conforme a previsão do art. 102 da Lei nº 6.815/80, é obrigatório que todo estrangeiro que tenha pedido em trâmite comunique a uma das Unidades da Polícia Federal, qualquer alteração do endereço residencial, o que deve ser feito nos 30 (trinta) dias imediatamente seguintes à mudança de domicílio.
Os estrangeiros permanentes no Brasil dispõem dos mesmos direitos dos brasileiros, com exceção daqueles privativos dos nacionais1, conforme previsto no artigo 12 § 2ºna Constituição de 1988: “A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.”

1 Notas: Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei.(art. 5º, LI); São privativos de brasileiro nato os cargos: I – de Presidente e Vice-Presidente da República;II – de Presidente da Câmara dos Deputados; III – de Presidente do Senado Federal;IV – de Ministro do Supremo Tribunal Federal; somente o brasileiro naturalizado poderá perder a nacionalidade em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.” V – da carreira diplomática;VI – de oficial das Forças Armadas;VII – de Ministro de Estado da Defesa (art. 12 § 3º); somente o brasileiro naturalizado poderá perder a nacionalidade em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.” (art. 12, § 4º); O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam:VII – seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução. (art. 89).


Advogada
Ações de responsabilidade civil decorrentes de acidentes de consumo e defeitos nos produtos e serviços; Ações de reparação de danos por inscrição indevida em cadastros de inadimplentes; Ações decorrentes de atraso na entrega de imóveis comprados na planta; Ações relacionadas a planos de saúde; emp...

Humilhação omitida

 Uma unidade do Google escondeu notícias e textos considerados muito "negativos" ou "humilhantes" sobre a derrota da seleção brasileira por 7 a 1 contra a Alemanha.

Uma equipe de cientistas, tradutores e redatores adaptou conteúdos surgidos durante a Copa do Mundo que poderia ser "viralizado" (compartilhado rapidamente) nas redes sociais.

No serviço "Google Trends" em português, textos sobre "humilhação" ou "vergonha" (termos entre os mais pesquisados no Google brasileiro no fatídico 8 de julho do jogo) não foram listados.
Mas o tiro saiu pela culatra. As notícias sobre a omissão da "humilhação" terminaram ganhando as redes sociais..

Segundo a jornalista Aarti Shahani, da rádio pública americana NPR, que visitou a redação do Google em San Francisco, "a equipe decidiu não publicar textos sobre os termos mais pesquisados porque eram muito negativos".

No mesmo dia, o serviço em alemão do Google registrava recorde nas pesquisas com perguntas sobre "qual foi o maior número de gols em uma partida de Copa do Mundo". Ao contrário do que aconteceu no Brasil, o conteúdo sobre essas buscas foi produzido para o Google Trends.

Questionado sobre a manipulação, um dos redatores do Google, Sam Clohesy, disse à NPR que "não vale jogar sal nas feridas" e que "uma história negativa sobre o Brasil não ganharia muita atração nas mídias sociais".

Comentários
Se numa matéria sem importância alguma, optou-se por omitir informação, imagine-se o que não se fará sobre temas de relevância nacional! 'Pois quem não é fiel no pouco, não pode ser fiel no muito.'
Como se futebol fosse importante. Humilhado e envergonhado estou pelos diversos casos de corrupção denunciados, comprovados, divulgados e que não resultaram em punição aos seus mentores...Isso sim é humilhação e vergonha...
Que linda atitude. Quanto dinheiro essa equipe ganhou para omitir verdades? Foi em dólares? O quanto desse dinheiro vai retornar ao Brasil? O desgoverno já compra o silêncio da nossa mídia, agora está comprando resultados de sistemas de informação? Vão apelar para a "Lei do Esquecimento"? Quanta sacanagem. O Brasil deve ser tal como é lá fora. Aparentemente somos vistos como uma gigantesca Disney... Só que mais legal ainda, porquê é quase impossível ver coisas negativas sobre o Brasil desse jeito.
Google omitindo? normal.
Qual a novidade .... é so parar de usar o google .. existem outros buscadores que são tão bons quanto ele ... é so querer sair da "caixa"
Infelizmente Thiago Bertolli os outros buscadores não chegam ao calcanhar do Google. Bem que tentei algumas vezes recorrer a outros mas os resultados são lamentáveis.
Imaginem nas eleições o que não será escondido. E as falcatruas dos corruptos, também sofre dessa omissão. Temos que mudar isto.
quem conhece aquele último livrinho da biblioteca  que é o bom livro, debaixo do braço de muitos que sofrem para ganhar a vida com dignidade nesse país.
está vendo como esse bom livro é confirmado todos os dias. esse é só mais um exemplo de algo que já foi profetizado e, sobretudo, comprova o meio tecnológico que já possibilita a concretização de outras profecias, sobre a omissão de verdades que importam, que já fazem e farão muito mais diferença,
relevantes até para a vida e a morte, o mesmo livro alerta para que
procurem enquanto ainda podem achar o que importa.
Tenho mais vergonha em saber que o Brasil é pior que a Alemanha, por exemplo, em relação ao número de homicídios: lá, 0,5 a cada 100 mil, aqui, 29 a cada 100 mil. Além disso, várias cidades desse Brasil (que os jogadores alemães insistem dizer que amaram tanto) estão entre as mais perigosas do mundo, enquanto cidades alemãs estão dentre as que tem maior IDH do mundo. Não bastasse isso, a renda per capita da Alemanha gira em torno de $ 45.000. Aqui, não chega a $ 25.000. Bom, nota-se que, de fato, o futebol é só um mero detalhe dentre tantos em que a Alemanha é e muito superior ao Brasil.
A derrota da Seleção Brasileira é um fato normal em uma competição de nível tão elevado como foi esta copa. Todos, tanto a equipe em campo, como a comissão técnica e demais auxiliares se empenharam ao máximo para obter a vitória. No esporte é assim, um perde e o outro ganha. O Brasil é Pentacampeão, amanhã poderá conquistar o seu sexto título mundial e a vida segue.

Como Dilma perdeu a Copa

Durante a ditadura militar muitos exilados e mesmo presos políticos não conseguiam deixar de torcer pelo Brasil durante as Copas do Mundo. Quando, em 2007, a Fifa escolheu o Brasil foi a euforia e Lula imaginou, sem dúvida, que a Copa, num ano de eleição presidencial, traria a consagração para o PT.

Manifestações contra a Copa fazem a imprensa internacional pesquisar sobre os fatores causadores da insatisfação de certos setores populares.

Durante a ditadura militar muitos exilados e mesmo presos políticos não conseguiam deixar de torcer pelo Brasil durante as Copas do Mundo. Quando, em 2007, a Fifa escolheu o Brasil foi a euforia e Lula imaginou, sem dúvida, que a Copa, num ano de eleição presidencial, traria a consagração para o PT.

Faltando apenas alguns dias para o chute inicial, sabe-se que apesar de organizada dentro do Brasil, esta será a primeira Copa sem entusiasmo unânime da população e com a mobilização de um enorme aparato policial-militar para evitar manifestações de protestos imprevisíveis.
Foi realmente a grande imprensa corporativa quem insuflou o desinteresse de alguns e a revolta de muitos, desde as primeiras manifestações espontâneas de junho do ano passado, contra o aumento das tarifas nos transportes coletivos e pelo « passe livre » ?

Foi um complô contra o governo, contra o PT, conjugado com a condenação pelo STF dos réus do chamado « mensalão » para impedir a reeleição de Dilma, provocando uma inesperada rejeição do esporte considerado o « ópio do povo brasileiro »?

Durante meses, a imprensa internacional se limitou a registrar protestos esparsos, principalmente em São Paulo e no Rio, imaginando que tais manifestações iriam gradualmente se arrefecendo com a proximidade da festa máxima popular do futebol. Porém aconteceu justamente o contrário, aumentando o número dos críticos e descontentes, tornando-se quase diárias as manifestações contra a Copa.

E, ao contrário das outras Copas, em que muito se escrevia e se falava sobre turismo nos países organizadores e sobre os próprios jogadores dos países selecionados, desta vez a imprensa estrangeira preferiu dedicar os seus maiores espaços para tentar decifrar porque muitos brasileiros, considerados os maiores torcedores do mundo, decidiram rejeitar a sua própria Copa, quando foram construídos e reformados estádios em cada região do País, mesmo onde seriam dispensáveis.  Não dezenove estádios, como desejava Lula, nem oito como queria a Fifa, mas doze, entre os reformados e adaptados ao « padrão Fifa » e os totalmente novos.

A Copa do Mundo virou um pesadelo para a presidenta Dilma

Assim, Der SpiegelLiberationLe MondeLe Temps mais rádios e canais de televisão e mesmo documentários cinematográficos, como o filme belga Copa para quem, estão publicando reportagens, análises, estudos sobre que fatores teriam tirado de muitos brasileiros aquela fama de pacifistas, brincalhões, gozadores e um tanto irresponsáveis para se tornarem contestadores e críticos do governo, justamente um governo aparentemente ativo no combate à desigualdade social.

Nesta altura, não importa qual será a qualificação da seleção brasileira na Copa. Para a imprensa estrangeira, que não se poderá acusar de apoiar a oposição à presidenta Dilma, os anos Lula de crescimento e de mudanças sociais vão chegando ao fim. E tanto Lula como Dilma não aproveitaram ou não puderam fazer, durante seus mandatos, as reformas estruturais e sociais necessárias ao Brasil.

Os problemas surgidos com a Copa revelaram um Brasil onde continuam as desigualdades sociais, o racismo latente e disfarçado envolvendo pobres, negros e indígenas, a corrupção endêmica, um Parlamento dominado pelos mensaleiros do agronegócio e dos pecuaristas desmatadores. Um Brasil que se esqueceu da reforma agrária e uma dificuldade do governo: depois de ter tirado 30 milhões de brasileiros da miséria, não sabe como lhes oferecer a sequência das medidas sociais, pois não basta a possibilidade de terem um mínimo para entrarem no mundo capitalista e se endividarem na compra de eletrodomésticos, para alegria dos supermercados com a emergência desses novos consumidores.
Daí o aparente paradoxo de estarem também entre os manifestantes contra a Copa, jovens estudantes originários da emergência social da era lulista. Jovens ingratos ou insatisfeitos por terem provado o sabor da sociedade liberal-capitalista, mas sabendo não poderem ir além, numa sociedade que melhorou mas não solucionou seus problemas estruturais ? Será que têm razão ou estariam sendo manipulados ao exigirem mais e melhores escolas e formações profissionais, mais e melhores investimentos em saúde e transportes ?

As outras questões ligadas à inutilidade de se construir enormes estádios sobrefaturados, onde não há torcedores e nem clubes para ocupá-los depois da Copa; a submissão do Brasil às exigências da Fifa, quando deveria ter ocorrido o contrário; a não construção da maioria das infraestruturas que deveriam facilitar o acesso aos estádios, como o trem bala; a desapropriação de casas de moradores pobres para construção de avenidas que favorecem o mercado imobiliário, como ocorreu em Fortaleza; os vendedores ambulantes impedidos de chegar perto dos estádios para se favorecer os patrocinadores da Copa; os atrasos nas obras que provocaram insegurança para os trabalhadores e encarecimento com a aceleração dos trabalhos; o risco de congestionamentos rodoviários dos aeroportos para as cidades e dos hotéis dos turistas aos estádios, tudo isso são questões simplesmente subsidiárias.

Como a vitória lulista de 2007 de trazer a Copa ao Brasil pôde se transformar no atual pesadelo da presidenta Dilma, que recorre mesmo a decreto prevendo a mobilização de militares contra manifestantes ? E se o Brasil não ganhar quais serão as consequências políticas ? Dilma já perdeu a Copa ou pode ainda revertê-la a seu favor ?

Rui Martins, jornalista, escritor, editor do novo Direto da Redação.


Ganenses aproveitam brecha na lei da Copa e pedem refúgio no Brasil


Centenas de cidadãos de Gana pediram ou estão em vias de pedir refúgio para viver no Brasil e construir suas vidas aqui. Reclamando da falta de empregos em seu país, eles aproveitaram a facilidade de conseguir vistos de turista para o Brasil durante a Copa, compraram ingressos para os jogos de Gana e agora tentam legalizar sua situação para permanecer.

O estudante de contabilidade Banda Osuman, de 24 anos, está em um abrigo temporário mantido pela Prefeitura no centro de São Paulo. Ele disse que veio ao Brasil porque sua situação em Gana era "terrivelmente difícil", ele sofria com conflitos familiares e não tinha expectativa de emprego.

Comprou um ingresso para o jogo entre Gana e Portugal, em Brasília, conseguiu um visto de turista (garantido pela Fifa para compradores de bilhetes), mas não chegou a ir ao estádio. Com pouco dinheiro, ele vendeu a entrada e agora se prepara para pedir refúgio ao Ministério da Justiça.

"Para ser sincero, eu não conhecia nada sobre o Brasil antes de decidir vir", disse Osuman à reportagem. "Mas um amigo meu já tinha vindo e me disse que era um país muito receptivo, cheio de pessoas boas e empregos. Como era muito mais fácil conseguir o visto durante a Copa, aproveitei a ocasião."
Por exigência da Fifa, a Lei Geral da Copa garantiu visto sem burocracia aos turistas que compraram ingresso para o Mundial.

De acordo com o Ministério da Justiça, 180 dos 2.529 ganenses que vieram ao país no último mês já pediram refúgio com base em uma lei nacional que regula o direito para o imigrante com "fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas".
Na semana passada, o governo ganense emitiu nota negando que o país seja palco de conflitos religiosos que possam ter motivado o êxodo de seus cidadãos. "Somos um dos países mais pacíficos e estáveis do mundo." A ausência de empregos, apontada por muitos imigrantes como o principal motivo da vinda, não aparece na lei brasileira como uma das condições para o direito de refúgio.
O número de pedidos, no entanto, deve aumentar já que existem cerca de 300 ganenses no Rio Grande do Sul, atraídos pelo anúncio de ofertas de trabalho na região. Os pedidos serão analisados pelo Ministério da Justiça, que pode ou não conceder o refúgio. A pasta já anunciou que fará uma força-tarefa para regularizar a situação dos imigrantes.

A Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, onde estão cerca de 30 cidadãos do país africano, disse que está orientando os imigrantes a conseguir a documentação necessária para dar entrada no processo de refúgio.

Enquanto tramita um processo, os imigrantes não podem ser expulsos ou extraditados.

Medos e sonhos

Em situação de vulnerabilidade, vivendo em um abrigo mais cheio do que deveria, e em condições às vezes precárias, os ganenses relutaram em dar entrevista quando abordados pela reportagem. "De que histórias você quer saber? Não temos nenhuma história. Qual seu interesse em estar aqui?", foram as primeiras frases ouvidas de um dos homens que vivem no abrigo temporário.

De acordo com um dos imigrantes, eles não querem contato com a imprensa por temerem que sua história lhe cause problemas caso chegue a Gana.

O motorista Francis Otoo, de 29 anos, foi um dos poucos que aceitaram conversar e dar seu nome. Ele disse que sempre viu o Brasil como o país das oportunidades e espera conseguir um emprego, juntar dinheiro e trazer sua família, que ficou na África. E que em Gana, cor, origem e religião costumam definir as oportunidades que uma pessoa terá na vida. "No Brasil, o que importa é sua capacidade e você querer trabalhar."

Apesar de ter negado que tenha chegado ao país com o visto de turista facilitado pela compra de ingressos para a Copa, ele disse que conheceu muitos que vieram nessa condição, assim como Osuman.

Os dois, que já estão em São Paulo há cerca de duas semanas, adoram futebol e lamentaram a participação da seleção de Gana no Mundial. Depois de uma polêmica envolvendo o pagamento de premiações, os africanos foram eliminados na primeira fase.
"Os jogadores são bons, mas só querem saber de dinheiro e isso desestabilizou o grupo", analisou Osuman. Os atletas ameaçaram uma greve e não entrar em campo no duelo contra Portugal caso a federação não pagasse em dinheiro cerca de R$ 220 mil a cada um, valor acertado antes da viagem ao Brasil.

Eles só jogaram porque o presidente da República em pessoa foi até Brasília com uma mala cheia de dinheiro e fez o pagamento.

É uma realidade completamente diferente da de seus compatriotas que tentam realizar o "sonho brasileiro". No abrigo onde vivem provisoriamente junto com outros imigrantes de todo o mundo, às vezes faltam cobertores para suportar o frio da capital paulista. Quando a reportagem esteve lá, tinha acabado de haver uma briga entre os moradores porque um não gostou que o outro tivesse bebido uma garrafa de água. 

SÃO PAULO e CAXIAS DO SUL (RS) — Enoch Appia é um homem acostumado ao sacrifício. Traz as marcas da dor no rosto. Cada face é marcada por uma cicatriz em diagonal: quando criança, Appia ficou gravemente doente. No intento de salvá-lo da morte, a mãe talhou-lhe o rosto em oferenda aos deuses. Aos 30 anos, dono de uma oficina mecânica em Acra, capital de Gana, casado e pai de três meninos (de 6 e 4 anos e 3 meses), ele atravessou o continente africano e um oceano para tentar ganhar a vida no Brasil.
— Gana hoje tem inflação muito alta e economia em crise, eu precisava sair de lá. A nossa única chance de conseguir um visto apareceu com a Copa do Brasil. Estava fácil, então eu vim — disse Appia, em entrevista em um abrigo provisório da prefeitura de São Paulo.
Para custear os US$ 1.300 da passagem, a família vendeu joias e roupas.
Assim como Appia, outros 8.766 ganeses obtiveram visto de turismo para o período da Copa. O número é desproporcional considerando-se que, somados, os quatro demais países africanos que participaram da Copa não atingem a mesma quantidade de vistos expedidos para ganeses. Juntos, Argélia, Camarões, Costa do Marfim e Nigéria possuem população quase 11 vezes maior do que a de Gana. Há, no Brasil, 1.132 ganeses. Pelas regras do visto, eles têm 90 dias para permanecer no país. Mas a Polícia Federal (PF) já sabe que ao menos 500 deles pediram refúgio. E outros estão na fila para entrar com o pedido. Appia terá que esperar até 25 de agosto pela audiência na PF.

APOIO DE TERCEIROS

Para vir ao Brasil, Appia não teve a ideia sozinho. Ele é membro da Ghana National Supporters Union, uma torcida organizada ganesa. Com a ajuda da organização, ele teria conseguido driblar o pré-requisito para obter um visto de turista para a Copa: apresentar ingressos ou comprovante de compra de ingressos para os jogos. Apenas ao dizer que pertencia à torcida e pagar a taxa de US$ 200, ele teve o passaporte estampado pela Embaixada brasileira.
Em nota, o Itamaraty afirma que todos os vistos foram expedidos conforme a determinação da Lei Geral da Copa e que não houve qualquer irregularidade. Já o delegado da Polícia Federal em Caxias do Sul, Noerci Melo, admite que a movimentação dos imigrantes é organizada e que tem apoio de terceiros no Brasil e em Gana, mas diz que a PF ainda não tem provas de que haja cobrança por essa ajuda.

— Auxiliar alguém com informações e com apoio material para fins de imigração não é crime. Nesse caso, os ganeses ingressaram no Brasil de forma legal. Haveria crime apenas nos casos de tráfico humano, aliciamento para trabalho escravo ou com fins de exploração sexual — diz Melo.

FORÇA-TAREFA EM CAXIAS DO SUL

No posto da PF em Caxias do Sul, onde há uma grande concentração de ganeses, os processos se empilham sobre as mesas. A grande demanda forçou o governo a preparar uma força-tarefa para acelerar o trâmite. Na segunda-feira, agentes do Ministério da Justiça e do Ministério do Trabalho iniciarão cadastramentos para conceder carteiras de trabalho aos imigrantes. Enquanto isso, espremem-se em abrigos provisórios ou quartinhos alugados em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Caxias do Sul e Criciúma.

— Eles estão nas regiões mais pobres e distantes, acolhem-se uns aos outros, a ponto de estarem 11, 12 pessoas num espaço muito reduzido. É uma situação extremamente precária, que afeta a dignidade humana— afirma a freira Rosita Milesi, do Instituto Migrações e Direitos Humanos, em Brasília, que tem prestado auxílio aos ganeses no Distrito Federal.

Em Caxias do Sul, 96 ganeses se abrigavam numa igreja católica local na última quinta-feira. O padre Edmundo Marcon sofreu críticas de sua comunidade por receber o grupo, de maioria muçulmana:
— Nós nos reunimos com prefeito e vereadores porque tínhamos que fazer algo. Há muito preconceito contra eles. Se fossem cem imigrantes italianos, loiros, de olhos azuis, estaria cheio de gente para recebê-los.

NÍVEL MÉDIO DE ESCOLARIDADE E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Os migrantes ganeses que se alojam em abrigos precários no Brasil não estão entre a população mais pobre de Gana. A maioria dos entrevistados pelo GLOBO, tanto em São Paulo como em Caxias do Sul, contou ter ao menos o ensino médio completo e uma profissão, um padrão considerado alto em um país onde, em 2010, quase 30% eram analfabetos.

Um deles, Farid Kamil, de 33 anos, afirmou ser professor de Administração de uma escola privada de ensino médio na cidade de Kumasi, a noroeste da capital Acra. Como professor, ganhava o equivalente a US$ 200 mensais:
— Nossa moeda é fraca e a inflação corrói todo o dinheiro. Não tinha intenção de ficar aqui, mas quando vi o país e as oportunidades que oferece, mudei de ideia — diz ele.

inserção rápida no mercado

O eletricista Osumann Ali, de 29 anos, veio de Acra para tentar um emprego em alguma mineradora. Seu plano é juntar dinheiro e conhecimento para montar uma empresa que explore ouro e diamantes em Gana.

— Os migrantes não-latinos que chegam ao Brasil normalmente possuem esse perfil: são pessoas com formação educacional e profissional e economicamente ativas. Costumam se inserir rapidamente no mercado de trabalho, ainda mais considerando que há um cenário de pleno emprego — afirma Paulo Abrão, presidente do Conselho Nacional de Refugiados (Conare), ligado ao Ministério da Justiça.

‘INVASÃO’ ESTRANGEIRA É COMUM EM MEGAEVENTOS

O Conselho Nacional de Refugiados (Conare), ligado ao Ministério da Justiça, já esperava que a Copa atraísse, além de turistas, estrangeiros que não pretendiam deixar o país ao final do evento.

— Isso aconteceu em todos os países que sediaram grandes eventos — afirma Paulo Abrão, que preside o Conare.

Embora tenham ingressado com pedidos de refúgio, a situação dos ganeses dificilmente pode ser enquadrada como de asilo político ou religioso.
— Sabemos que eles estão em busca de emprego, mas a obtenção de visto de trabalho é difícil; e arrumar emprego indocumentado é quase impossível. Então, eles usam o refúgio para poder entrar e ficar — diz um funcionário do Ministério da Justiça que preferiu não ser identificado.

O pedido de refúgio pode levar até um ano para ser analisado. Nesse período, o migrante tem direito a permanecer no país, usufruir dos serviços públicos e arrumar emprego. O caso dos ganeses soma-se ao dos haitianos, que chegaram ao país em massa depois que o Haiti foi assolado por um terremoto, em 2010. Aos haitianos, para quem a condição de refúgio também não se aplicava, foi concedido visto humanitário. A reedição do drama levou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a dizer que o país precisa de uma nova política de migração:

— O Brasil não vivia esse problema nos últimos anos e tem que repensar sua legislação de estrangeiros.