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sexta-feira, 7 de junho de 2013

CARLOS ZÉFIRO – UM CARTUNISTA ANÔNIMO E MALDITO



(POR: WILLIS DE FARIA)

ESPECIAL:
Destino este espaço a fazer uma breve retrospectiva sobre a geração mimeografo. Vamos falar um pouco dos nossos sonhos eróticos (na época era sacanagem escondida) devido a pouca informação em relação ao sexo. Tudo era tabu, proibido. Mas eis que existia um homem responsável por iluminar o imaginário libidinoso do contido e conservador Brasil das décadas de 50 a 70. Um artista de desenhos toscos e sem muita técnica que durante anos a fio foi tachado de pornográfico, e se manteve na clandestinidade até os setenta anos, quando sua identidade foi finalmente revelada. 

Esta revistinha que tinha como autor historiador e desenhista era CARLOS ZÉFIRO (pseudômino), e chamava-se CATECISMO, e eram vendidos clandestinamente em locais tais como, barbearias e bancas de jornal e dali contrabandeados para os colégios A primeira denominação era mais comum em São Paulo, e supostamente remete à semelhança de formato entre as revistinhas e os livros de instrução religiosa conhecida por este nome. 

Aqui em Vitória, era uma raridade, só conseguia ser visto em grupos formados de adolescentes, principalmente nos recantos dos pátios das escolas. Formavam-se aqueles grupinhos, onde todos tinham olhares desconfiados devido à proibição na época. Tive acesso ao “catecismo” do Zéfiro, no pátio do Colégio Estadual na década de 60. Desenhos bem feitos, traço firme, e muita história picante. Havia algumas revistinhas genéricas, mas de traços mal feitos, e incomparáveis ao do Zéfiro.

O formato fino das revistinhas facilitava a ocultação, sendo escondidos em livros, cadernos e principalmente em outras revistas que eram compradas exclusivamente com este propósito, para a felicidade dos jornaleiros que sempre lucravam em dobro. 


As histórias de Carlos Zéfiro, na maioria das vezes, apresentavam mulheres e homens gostosos, fogosos e viris. De vez em quando aparecia um jumento aqui, um corcunda ali, mas estes eram exceção à regra. Curiosamente, sua historinha mais vendida, a hilária aventura de João Cavalo, trazia como protagonista um nordestino atarracado e feioso que, digamos, possuía um dote peculiar que compensava sua falta de beleza e justificava tal denominação.


As revistinhas de Carlos Zéfiro eram um sucesso entre os adolescentes cheios de espinhas e excitação, encontrando público também entre os homens de outras faixas etárias. E coitado de quem desse mole de ser flagrado portando uma dessas obscenidades por aí: consideradas como uma total imoralidade pelas tradicionais famílias católicas da época, os catecismos também sofriam a fúria impiedosas das feministas que se consideravam reduzidas à condição de reles prostitutas em suas histórias. 

De fato, vendido de modo clandestino, produzido de forma artesanal, desenhado com técnicas bisonhas e relatando histórias que tinham (e ainda têm) um enorme apelo erótico, os livrinhos de Zéfiro faziam a ponte perfeita entre as conversas na roda de amigos e aquilo que se suspeitava que ocorressem nas alcovas. 

Quer dizer: os livros de sacanagem apresentavam um pouco essa possibilidade de ter o sexo e a sexualidade como algo destacado e individualizado, alguma coisa que poderia ser vista quando se desejava e que era guardada numa gaveta e não na igreja, prostíbulo ou quarto de dormir como era o caso do sexo da vida real. Neste sentido, é também claro que parte do sucesso desta literatura estava precisamente no seu desenho igualmente ambíguo que, aliado a uma reprodução gráfica deficiente, criava uma impressão estranha, exótica. 


Uma impressão, enfim, de desfamiliarização que era precisamente o máximo que esse gênero de narrativa poderia esperar. A rigor, a única diferença entre uma história de Zéfiro e uma fotonovela é que na dele os personagens consumam aquilo que apenas passa pela cabeça dos protagonistas das fotonovelas. Zéfiro, no mínimo, é menos hipócrita. 


As feministas, não sem-razão, poderão objetar que quase todas as suas histórias são narradas do ponto de vista masculino e nelas a mulher não passa de um objeto de prazer.

Quanto ao feitixismo sexual, nos quadrinho de Zéfiro homens e mulheres são iguais perante Eros. Mesmo quando o ponto de partida é uma chantagem e a mulher desponta como vítima, a chantageada acaba extraindo os seus dividendos.


Ao contrário: se nas fotonovelas o mocinho costuma ser um Adônis e a mocinha uma ninfa, nas “love stories” sem-vergonha de Zéfiro, o herói, além de bonitão, é sexualmente bem-dotado, e a heroína, além de bela, possui um corpo escultural, com destaque especial para a fixação nacional número um: bundas.


 

Os vilões de Zéfiro não apelam para a violência, apenas brocham. Os que fornicam, experimentam de tudo: barba, cabelo, bigode, sobrancelha e costeleta.



Essa ausência de estilo pode causar, à primeira vista, a impressão de que Zéfiro não seria o alter ego de apenas um artista anônimo, mas sim um pseudônimo coletivo adotado por uma equipe heterogênea. Muitos quadrinhófilos insistiram nessa teoria, alegando que seria impossível que os desenhos contidos em duas revistas distintas atribuídas a Zéfiro fossem obra da mesma mão. Na verdade, essa discrepância se fazia presente mesmo em desenhos de uma mesma revista. A explicação é muito simples. 

Zéfiro era realmente o mesmo autor em todos os trabalhos que levaram sua marca ou o seu estilo narrativo. Apenas as fontes de onde os desenhos haviam sido copiados é que eram bem distintas.

Praticamente todos os desenhos de Zéfiro foram chupados de algum lugar, seja de fotonovelas, das próprias fotos pornográficas que teria mandado fazer, de revistas em quadrinhos da linha erótico-mexicana da Ediex, ou até mesmo de outras revistas de sacanagem. A utilização do papel vegetal era feita não só para economizar os fotolitos, como também para facilitar as cópias dos desenhos.

Nesse ambiente onde a repressão era tão benfeita e articulada que conseguia até fazer de conta que o objeto reprimido não existia, não havia o menor espaço para a crueza de Carlos Zéfiro.


Os ardores e os desmaios das heroínas de M. Delly eram apenas isso: ardores e desmaios. Nas fotonovelas água com açúcar, o que havia por trás dos beijos inocentes era simplesmente inimaginável. Mesmo para imaginar é preciso saber o que imaginar. E a ignorância das menininhas católicas apostólicas romanas dos anos 50 era abismal: por trás da água com açúcar, é claro que a imaginação voava... mas era atrás de mais água e mais açúcar. 

Nesse mundo suave, tão cheio de desmaios e ardores inexplicáveis, Carlos Zéfiro não existiu. A não ser para as meninas garimpeiras que descobriam insuspeitados tesouros debaixo dos colchões dos irmãos. 

E que tiveram assim a sorte de descobrir também que: a) o sexo existe! b) além de existir, é grande! c) além de existir e ser grande, é bom demais! E uma coisa é certa, em qualquer arte, ciência, ou na vida, depois de algumas descobertas, não há mais quem possa segurar o voo.

Da perplexidade causada, na meninice, pelas revelações de Carlos Zéfiro, até a chegada de 68, com o seu clássico slogan “é proibido proibir”, algumas menininhas foram em frente. Terá tido Carlos Zéfiro algum papel nisso ou não? Possivelmente sim. E positivo. 

Pois o fato é que hoje, depois desses anos 60, onde a prática mais livre da sexualidade foi redescoberta como parte fundamental de qualquer vida humana, é curioso rever essas revistinhas e perceber como, na prática, Carlos Zéfiro foi um autêntico precursor do feminismo, no que o feminismo tem de bom. 

Pois não é que, já nos anos 50, o desenhista não se acanhava de mostrar que as mulheres têm prazer, sabe tomar iniciativa, salvo raras exceções, o moralismo passa longe dessas histórias, e, de um jeito ou de outro, a mulher sempre reveste de paixão o ato sexual.

O certo é que depois dele, o quadrinho erótico nacional nunca mais seria o mesmo. Zéfiro trouxe o conteúdo que faltava aos catecismos. Seu texto era interessante, rico em detalhes e, sobretudo, realmente excitante. Se, com os outros autores você descabelava o palhaço alegremente, com Zéfiro o circo armado pegava fogo. Era orgasmo garantido ou seu dinheiro de volta. O maior trunfo de Zéfiro era saber criar um enredo com a cara do Brasil.


Nas suas histórias não faltavam as fantasias e situações típicas do brasileiro, como o sujeito que transa com a mãe e a filha ao mesmo tempo, o que casa e depois traça a cunhada, o caminhoneiro que transa na boleia, o patrão que carca a empregada, farras homéricas em puteiros, o caipira ingênuo que traça a universitária classuda, homem com homem, mulher com mulher, surubas e, principalmente, muitos cornos alegres e saudáveis pra todo mundo se divertir. 

Tudo descaradamente brega, mas muito gostoso e desencanado. O mais interessante era ver essas diatribes eróticas distribuídas num festival de posições sexuais capaz de aposentar o Kama Sutra. E naturalmente em suas HQs nunca faltava aquele que, na época, já era a preferência nacional. 

Olhando hoje, depois da liberdade sexual vivenciada nas últimas décadas, Zéfiro pode parecer água com açúcar, mas não é. Nos anos 60, em plena ditadura militar, Zéfiro desafiava a repressão espalhando clandestinamente pelo território brasileiro suas revistinhas deliciosamente explícitas tais quais minas eróticas, prontas para explodir o moralismo verde-oliva da ditadura militar. 

Era um verdadeiro guerrilheiro erótico invisível, chutando o balde do conservadorismo e fazendo o brasileiro gozar de norte a sul do país. Zéfiro retratava um sexo livre e sem culpa e era quase um herói nacional da rapaziada. E ao mesmo tempo completamente desconhecido.

Ninguém sabia quem ele era, onde morava E de onde vinha. Um mistério total. Uma lenda viva semelhante ao Fantasma-que-anda dos pigmeus Bandar.

Como desenhista, Zéfiro não era exatamente o que poderíamos chamar de refinado. Suas figuras humanas eram todas decalcadas na cara dura de fotografias eróticas ou de personagens de quadrinhos “normais” que Zéfiro despia, modificava os rostos e adaptava para seus gibis.


Seu completo anonimato o permitia fazer qualquer trambicagem para montar sua história. Zéfiro seria um perfeito picareta se não tivesse um texto brilhante e conseguisse transformar aqueles “trechos” de outras obras em uma nova e original obra. 

Antes mesmo de inventarem o “traço”, Zéfiro já traçava a torto e a direito. Muitas vezes ele usava a mesma cena em vários catecismos diferentes. 

Bastava mudar a cor do cabelo da mulher ou pôr um bigode no homem e pronto, já era outro casal numa outra história!

Apesar das gambiarras e da anatomia capenga, no entanto, seus desenhos possuíam um charme particular.


De tanto não ter estilo, acabou adquirindo um “anti-estilo” próprio e marcante. Tão marcante que virou escola, fazendo surgir inúmeros clones que passaram a copiá-lo. Sua genialidade o fez passar rapidamente de copiador para copiado. Era o traço do traço, vejam só! 

Houve até quem tentasse se fazer passar por ele, mas isso só servia para aumentar ainda mais as dúvidas sobre sua verdadeira identidade.


 
IMITAÇÕES DOS CATECISMOS DE CARLOS ZÉFIRO 


Zéfiro era tão mítico que chegou a virar sinônimo de seu produto. O leitor ia à banca e não pedia um catecismo, pedia um “Zéfiro”.

Zéfiro produziu mais de 800 catecismos entre o final dos anos 1950 e início dos 1970. Na década de 1980, já com o fim da censura, seus trabalhos antigos continuaram a ser reimpressos por diversas editoras. Livros, artigos e até teses de mestrado foram escritos a seu respeito, porém nunca mais aparecerem novos trabalhos dele. 

Teria Zéfiro morrido? A resposta só chegaria em novembro de 1991. 

Em uma antológica matéria para a revista Playboy, o professor e especialista em HQ Moacy Cirne, depois de muitas investigações, revelava finalmente ao Brasil a identidade secreta do mitológico desenhista: seu nome era Alcides Caminha.

Um ilustre desconhecido? Nem tanto. Como se não bastasse ser o homem que registrou de forma brilhante e criativa a sexualidade do povo brasileiro por três décadas, Caminha também era um compositor de mão cheia. 

Foi parceiro de Nélson Cavaquinho em canções como “Notícia” (1954), gravada pelo sambista Roberto Silva, “Capital do Samba” (1956) e “A Flor e o Espinho” (1956), gravada por Elizeth Cardoso, que tem o mais belo apelo poético da MPB: “Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”.

Boêmio convicto, este carioca dividiu parte de sua vida com os amigos músicos e com muitas mulheres. Amava tanto o sexo que se tornou um dos seus mais originais e inventivos cronistas.
Funcionário público produziu sua obra erótica sem o conhecimento dos colegas do trabalho até se aposentar, e por mais de trinta anos escondeu-se da mídia, temendo ser demitido ou perder a minguada aposentadoria caso fosse “descoberto”.

A IDENTIDADE DO MISTERIOSO CARLOS ZÉFIRO É DESVENDADA.

QUEM FOI CARLOS ZÉFIRO?
No final dos anos 1950 e durante praticamente toda a década de 1960 circularam clandestinamente, por todo o Brasil, os chamados catecismos, pequenas revistas de 32 páginas em formato aproximado 10x14cm que contavam histórias de sacanagem (obs.: chegaram a experimentar o formato 14x21 mas houve pouquíssimas edições nesse formato). O principal autor desse gênero, e também o melhor, assinava como Carlos Zéfiro e durante mais de trinta anos sua identidade foi mantida em mais absoluto segredo.

Inspirados nos notórios Tijuana Bibles publicados nos EUA nas décadas de 30 e 40, esses gibis quase artesanais eram distribuídos através de uma ampla rede clandestina que cobria todo o país e fizeram enorme sucesso. Qualquer pessoa que tenha na faixa dos 50 anos se lembra deles. O nome Carlos Zéfiro foi tirado de um autor mexicano de fotonovelas.

Naqueles tempos, não havia revistas eróticas vendidas livremente como hoje. Todas eram clandestinas. Elas eram vendidas por baixo do pano, de mão em mão e também nas bancas normais, só que às escondidas. Para comprar os catecismos era necessário ser da confiança do jornaleiro.
Carlos Zéfiro é o pseudônimo do funcionário público brasileiro Alcides Aguiar Caminha (Rio de Janeiro, 25 de setembro de 1921 - Rio de Janeiro, 5 de julho de 1992) com o qual ilustrou e publicou, durante as décadas de 50 a 70, histórias em quadrinhos de cunho erótico que ficaram conhecidas por "catecismos".

O carioca boêmio ilustrou e vendeu cerca de 500 trabalhos desenhados em preto e branco com tamanho de 1/4 de folha ofício (chegou a publicar num outro formato, 14 x 21 cm), um quadro por página contendo de 24 a 32 páginas que eram vendidos dissimuladamente em bancas de jornal, devido ao seu conteúdo porno-erótico, ficando conhecidos como "catecismos" e chegaram a tiragens de 30.000 exemplares.

Os "catecismos" eram desenhados diretamente sobre papel vegetal, eliminando assim a necessidade do fotolito, e impresso em diferentes gráficas em diferentes estados da Federação, gerando, inclusive, diversos imitadores. Em 1970, durante a ditadura militar, foi realizada em Brasília uma investigação para descobrir o autor daquelas obras pornográficas. Chegou-se a prender por três dias o editor Hélio Brandão, amigo do artista, mas a investigação terminou inconclusa. 

Seus quadrinhos eram inspirados em quadrinhos românticos mexicanos publicados pela editora Editormex (cujas histórias possuíam apenas dois quadros por página) e em fotonovelas pornográficas de origem sueca

O homem que se escondeu durante trinta anos por trás do pseudônimo de Carlos Zéfiro era Alcides Aguiar Caminha. Alcides era funcionário público (e compositor nas horas vagas, sendo co-autor de A Flor e o Espinho, de parceria com Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito). Ele desenhava os catecismos como umbiscate para complementar o orçamento. A coisa começou meio de brincadeira. Estimulado pelo amigo Hélio Brandão (também já falecido), dono de um sebo na Praça Tiradentes (rio de Janeiro), Alcides produziu os primeiros catecismos, possivelmente no final dos anos 50 (como não há registros, é muito difícil precisar a data correta). Hélio se encarregava de providenciar a impressão e distribuição clandestinas dos catecismos, que chegaram a te mais de 2 mil edições diferentes (sendo cerca de 800 produzidas por Carlos Zéfiro). Outro autor que se destacou nesse período assinava Chang, mas não era tão conhecido, mas nem é mais lembrado. Muitos desenhistas de quadrinhos profissionais também disfarçaram seus traços e produziram catecismos, publicados no mesmo esquema por outras "editoras" clandestinas.
Os melhores eram os produzidos por Carlos Zéfiro que, apesar das deficiências do traço, escrevi as melhores histórias. A história de um catecismo padrão realmente começava, nas primeiras páginas, o personagem conhecendo uma moça, seduzindo-a mais ou menos até a página 15, e daí até a página 32 era sacanagem pura.
O curioso é que Zéfiro não era desenhista, mas sabia manipular os materiais de desenho, e era capaz de fazer uma história de quadrinhos decalcando, em papel vegetal , posições de revistas de fotonovelas e de revistas publicadas pela Editormex (onde baseou o seu estilo) e fotos eróticas fornecidas por Hélio. Por isso, a irregularidade entre os desenhos de uma mesma história é muito grande, pois quando não havia referências para decalcar os desenhos ficavam toscos. Ainda assim, comunicavam muito e eram uma verdadeira febre entre adolescentes e adultos daquela época.

Durante quase toda a década de 60 essa era praticamente a única literatura erótico-pornográfica disponível, já que ainda não havia revistas de mulher nua (a não ser a Playboy americana importada) nem vídeos-pornô. A decadência dos catecismos ocorreu porque começaram a aparecer revistas de fotonovelas suecas e dinamarquesas coloridas e o interesse do público se desviou. 

 Outro motivo era a paranoia gerada pela ditadura militar brasileira, então no seu auge. Hélio Brandão (dono do sebo do centro Rio de Janeiro, livreiro que vendia os “catecismos” e manteve pacto de sangue de jamais revelar a verdadeira identidade de Zéfiro) chegou a ser preso em meados da década de 70 (durante a Copa do Mundo) e passou alguns dias na cadeia, mas nunca entregou a verdadeira identidade de Zéfiro. Depois disso, resolveu parar com a editora clandestina, pois estava tendo mais dor de cabeça do que qualquer outra coisa. As vendas tinham caído, era difícil arranjar os esquemas de impressão e distribuição devido à vigilância e paranoia que se intensificavam, e simplesmente pararam.

Mesmo assim, os catecismos sobreviveram, em menor escala, pois reimpressões piratas continuaram a ser feitas por pessoas que tinham as edições originais e dava um jeito de reproduzi-las. Até a década de 80 (já quando houve a abertura política) era possível se conseguir comprar as reedições piratas em feiras populares. 

Na década de 80 o Ota já tinha publicado o completo livro O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, no qual o cartunista (famoso por seu trabalho na revista MAD e possuidor de cerca de 200 catecismos de Zéfiro) analisa vários aspectos da obra (e mostra algumas histórias completas). E o disco Barulhinho Bom, da cantora Marisa Monte, era todo ilustrado com cenas de histórias do Zéfiro, isso já mais perto do final dos anos 90. Ou seja, a influência perdurou.

Além do livro escrito por Ota, outros livros similares foram publicados (compilando histórias de Zefiro e seus congêneres) entre fins de 1983 e 1985 pela Editora Marco Zero, sob a coordenação do colecionador Joaquim Marinho, bem como uma revista Zéfiro que durou uma única edição, lançada pela Codecri. Essa revista publicou, através de um acordo com "representantes" de Zéfiro, uma história supostamente inédita que tinha sobrado quando a editora clandestina foi fechada. Mas mesmo nessa época (início de 1984) a identidade de Zéfiro não foi revelada. 

Inicialmente publicado de forma independente (e sendo constantemente pirateado), a partir da década de 1980, os quadrinhos de Zéfiro passaram a ter reimpressões pelas editoras Maciota, Record (revistas editadas por Ota), Marco Zero, Nos anos 2000, A editora Cena Muda publicou o primeiro quadrinho erótico de Zéfiro, Sara, criado em 1949 no formato 16 x 23 cm, segundo a editora Adda Di Guimarães, a revista é maior que os catecismo, já que a versão original foi publicada em formatinho.

POR QUE ELE DIVULGOU A SUA IDENTIDADE APÓS 40 ANOS DE ANÔNIMATO?
- UM CASO INTERESSANTE.
 


O mistério sobre a identidade de Zéfiro durou 40 anos, pois o segredo foi muito bem guardado. O medo maior de Alcides era que, se fosse descoberto, poderia ser demitido por justa causa do serviço público. Somente em 1991 ele topou revelar sua identidade, e mesmo assim por uma circunstância estranha. Sabendo que outro colega seu, o desenhista Eduardo Barbosa, estava dando uma entrevista para a revista Playboy se dizendo o verdadeiro Zéfiro, Alcides decidiu "se entregar" e desmascarar a farsa. Na realidade, Eduardo Barbosa desenhou vários catecismos, mas ele não era Zéfiro. 

O enigma da identidade real de Zéfiro é desvendado por meio de uma reportagem investigativa do então editor da revista Playboy, Juca Kfouri, publicada em 1991 na mesma revista masculina, ao ligar a personalidade do artista ao carioca Alcides Caminha, morador da Zona Norte do Rio, considerado um pacato funcionário do Ministério do Trabalho e pai de cinco filhos.
Casado desde os 25 anos com Dona Serat, Alcides Caminha trabalhou no setor de Imigração do Ministério do Trabalho e sempre escondeu a dupla identidade por medo de perder a aposentadoria – havia uma lei que condenava as chamadas “condutas escandalosas” dos servidores públicos. 

 Essa revelação coincidiu com a I Bienal de Quadrinhos, em novembro de 1991, quando foi realizada uma homenagem a Alcides e sua identidade veio a público. Nesse pouco tempo de vida que lhe restava, Alcides teve a justa homenagem e reconhecimento por seu trabalho.




Alcides morreu em 3 de julho de 1992, de derrame, um dia após de ter sido homenageado com banda de música e tudo numa solenidade onde recebeu um troféu HQ-MIX.





Carlos Zéfiro nunca foi esquecido e volta e meia seu nome vem à tona. Uma lona cultural em Anchieta (subúrbio do Rio de Janeiro/RJ) tem o seu nome, e a cantora Marisa Monte, em seu CD Barulhinho Bom, usou desenhos de Zéfiro para ilustrar a capa e o folder do CD e já foi enredo de escola de samba e virou point cultural no Rio de Janeiro. 

Recentemente as histórias de Zéfiro têm sido reeditadas em edições fac-similares no mesmo formato original.

Na Internet é possível se encontrar muitas histórias de Zéfiro compiladas no site www.carloszefiro.com, mantido sem fins lucrativos por um fã. O livro o Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, de Otacílio d' Assunção, está sendo disponibilizado em formato PDF, com autorização do autor.



Agora você pode matar as saudades ou travar contato inicial com sua obra por meio das reimpressões de seus catecismos que o sebo carioca A Cena Muda está colocando à venda pelo seu site. 

Também vale muito a pena procurar por três livros que registraram e analisaram a obra zefiriana com muita competência: O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, de Otacílio D’Assunção Barros, editora Record, e A Arte Sacana de Carlos Zéfiro e Os Alunos Sacanas de Carlos Zéfiro, ambos de Joaquim Marinho, pela editora Marco Zero.

Hoje há uma infinidade de sacanagem, de todos os tipos, para todos os gostos, disponível nas bancas de jornal e na internet.

Finalmente, pensaram que iam deixar vocês de água na boca? Ledo engano. 
Mas se você tem mais de 18 anos, poderá acessar as obras de CARLOS ZEFIRO em PDF, no seguinte link, e boa leitura: 



 



CARLOS ZÉFIRO É ENTREVISTA AO PROGRAMA DE JÓ SOARES, DEZEMBRO DE 1991, ONDE CONTA TODA SUA HISTÓRIA (SBT).




Dóris Para Maiores - Abertura (com créditos) e matéria Carlos Zéfiro

- Curta metragem com Paulo Betti, que procura retratar os últimos dias (antes de ser descoberta a sua identidade) de Carlos Zéfiro, após parar de publicar os seus catecismos.

Títulos de histórias em quadrinhos

  • Acerto | Alba | Alice | Aline | Amigos | Amor | Amor à Três | Andréa | Ângela, a Professora | Anjo Mau | Asa Sul | Assaltante, O | Atleta
  • Bacana | Bailarina | Benta | Biruta | Boas Entradas | Bom Começo
  • Carlos e Leda | Carnaval | Carnaval 1 | Carnaval 2 | Carona 1 | Carona 2 | Castigo, O | Célia | Celita | Cientista, O | Cínia | Clara 1 | Condessa, A | Conselheiro, O | Conselhos Quadrados | Copacabana 1967 | Criada, A | Cura, A
  • Decisão | Degraus da Vida | Desastre 1, O | Desastre 2, O | Desforra, A | Despedida | Destino 1 | Destino 2 | Desvario | Diana, a Sacerdotisa | Difícil, A | Dilza | Divórcio 1 | Divórcio 2 | Domada pelo Sexo 1 | Domada pelo Sexo 2
  • Edy | Encontro, O | Entrevistador, O | Escolhida, A | Estupro | Eu e Leda 1 | Eu e Leda 2 | Eu e o Coroa | Eu Fui Hipie 1 | Eu Fui Hipie 2 | Eu Fui Hipie 3 | Eu Fui Hipie 4
  • Família | Farsa | Faxina | Férias de Amor 1 | Férias de Amor 2 | Filho do Diabo, O | Fim de Trauma | Flora | Formatura | Frutos Proibidos | Fugitivo, O
  • Garçonete | Gata | Gilka | Golpe do Baú 1 | Golpe do Baú 2 | Golpe do Baú 3
  • Helen | Hélia | Hotel dos Prazeres
  • Índia, A | Irene | Íris | Irmã da Índia, A | Ivete
  • Janaina | João Cavalo (este foi seu maior sucesso) | João Cavalo na Fazenda | Júlia | Julinha
  • Kátia
  • Lagarto, O | Laura | Lealdade | Leda | Lia | Lili | Lua de Mel 1 | Lua de Mel 2
  • Mara e o Pintor | Margô | Maria, a Proibida | Maria Lúcia, a Capixaba | Marina | Mauro 1 | Mauro 2 | Medo | Mestra, A | Meu Primo 1 | Meu Primo 2 | Minha Vida no Convento | Modelo
  • Nayá | Néa, a Aeromoça | Negra | Negrinha, A | Nélia | Nilda | Nilza | Nora | No Reiro | Noviço, O
  • Odaléa
  • Parafuso e a Mulher Biônica | Parceira | Passeio | Pato, O | Pecadora | Pensão | Pinicada, A | Pinta, A | Prefeita | Promoção | Proteção | Pudor | Pupila 1, A | Pupila 2, A | Putas Também Gozam, As
  • Quem é o Pai?
  • Resgate, O | Reveillon | Robinson Crusoé Século XX | Robinson Moderno
  • Safari | Seca | Semi-Virgem | Senhoria | Sítio, O | Strip-Tease | Suzete
  • Tânia | Tarada | Tarzan | Tentação | Titia | Titio | Trem de Luxo 1 | Trem de Luxo 2 | Troco, O | Tuca
  • Último Estalo, O
  • Vedete | Vera | Viagem | Vida Amorosa de Dorian Gray | Vida, Paixão e Morte de um Sofá | Vingança, A | Viúva 1 | Viúva 2 | Viúvo Alegre | Vizinha, A
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