MANGUEZAIS (FLORESTAS DE ESTUARIO)
UM PEQUENO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA, FAUNA E FLORA DO MANGUEZAL DA BAIANOROESTE DE VITÓRIA, A CAPITAL DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO.
O município de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, e formada por um arquipélago de 33 ilhas e uma parte peninsular de 91 km², localizada no litoral sudeste do Brasil. A cidade tem 554 anos de tradições, resultantes do caldeamento cultural derivado da forte miscigenação indígena com o colono português, o negro e mais recentemente com a forte influencia italiana, intensa no final do século passado. Atualmente com 320 mil habitantes, é o pólo da região metropolitana de Vitória, que abriga um conjunto de sete municípios.
Em 1960, começa a surgir no estado o primeiro movimento de desestruturação agrária, com a erradicação do café, e inicia um intenso movimento campo-cidade. A industrialização a partir dos anos 70 se dá para projetos voltados para o mercado externo, sendo o desenvolvimento concentrado em grandes projetos industriais (aço e paraquímicos), sem a preocupação de um planejamento urbano.
As favelas surgem com grande força em toda Grande Vitória. A população vai ocupar áreas nos cumes dos morros e em torno da ilha, nos manguezais, sobre palafitas. Aflora a questão social e surgem com força os movimentos sociais urbanos, de cunho reivindicativo, em busca das condições mínimas para sobrevivência. No inicio da década de 80 a área de mangue passou a ser utilizada pela municipalidade como vazadouro de lixo urbano da cidade. Assim o mangue deu lugar ás palafitas e o lixo sendo utilizado para aterro de extensas áreas de manguezal.
Neste cenário, é que o autor deste livro Willis de Faria (este blogueiro), e o biólogo Eber Louzada Zippinotti, que ora trabalhavam na Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Vitória, na Gerencia de Projetos Especiais (CEGEPE), se preocuparam com a preservação deste ecossistema litorâneo, no ano de 1985, no tão desconhecido manguezal. Antes, nenhum ator, seja de nível universitário e pesquisador, tinha se atento para este problema que aumentava no dia a dia.
Propuseram os autores a efetuar estudos sobre este ecossistema, e escrever um pequeno livro, propondo a preservação do vasto manguezal, que ainda existia na baia Noroeste, e que seria o ponto de partida para uma conscientização preservacionista deste ecossistema estuarino.
Daí surgiu, este pequeno livro, o primeiro no Estado do Espírito Santo, clamando a necessidade de preservação e a criação de uma unidade de conservação, pois com base no Código Florestal vigente, era possível esta conquista.
Foi um trabalho, que se tornou a ponta do iceberg para criação da Estação Ecológica da Ilha do Lameirão, com a preservação de 893 hectares de áreas alagadas, correspondendo quase 10% do território municipal, através de lei municipal. Instituída pela Lei Municipal 3377/1986, a Estação Ecológica do Lameirão abriga basicamente três espécies de mangue: Rhyzophora mangle (mangue vermelho), Languncularia racemosa (mangue branco) e Avicenia schaueriana (mangue preto ou siriúba). A Estação Ecológica possui, também terra firme com solo de restinga, denominado Ilha do Apicum, com a presença de vegetação esclerófila litorânea e de afloramentos rochosos, cuja vegetação predominante é as orquidáceas, bromeliáceas e alguns remanescentes típicos da Mata Atlântica.
Postamos este trabalho, para que sirva de pesquisa a todos interessados a conhecer este ecossistema litorâneo, também conhecido como “a maternidade do mar”.
Para atualizar e complementar os estudos do manguezal, esta sendo postada uma apostila que fala sobre os manguezais, editada por mim, quando professor de um curso de pós-graduação em Educação Ambiental. Servira para orientar as pesquisas, pois com material mais atualizado, e foi editado em 2006.


























































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