FILMES DOS QUADRINHOS (HQ), PARA AS TELAS DO CINEMA! UMA VIAGEM NO TÚNEL DO TEMPO.


 
(POR WILLIS DE FARIA)

Quem nunca leu uma história em quadrinhos? Provavelmente todos nós já lemos alguma história em quadrinho em nossa infância, adolescência ou até mesmo depois de adultos, em todo o mundo temos incontáveis fãs de quadrinhos conhecido pelos mais íntimos como “HQ”. Hollywood não está brincando, nos últimos anos tivemos inúmeros filmes de heróis que antes habitavam as páginas dos gibis e hoje habitam as telonas do cinema. 

Para muitos é uma sensação muito boa rever os antigos heróis que você acompanhava nos gibis agora na telona. DEOLHONAILHA-VIX resolve homenagear um antigo herói de revista em quadrinhos, onde eu era fã. 

Alias lia-se muito antigamente (digo anos 50 e 60) revistas em quadrinhos, onde nos levava a aventuras alucinantes com os nossos heróis. Com a tecnologia, estes heróis estão indo para telona do cinema.

Mas, hoje vamos homenagear o trabalho de um cartunista belga, que criou o TIMTIM, que recentemente foi para a telona nas mãos do grande diretor Steven Spielberg.

Conheça a história deste herói e seu criador.

Antes façamos uma viagem aos anos cinquenta, onde pude participar como leitor assíduo de historias em quadrinhos (HQ), onde nas portas dos cinemas trocávamos revistas usadas, como forma de praticar a leitura a participar de novas aventuras com os nossos heróis. 
Quem nos anos 50 e 60 não tinha a sua coleção de HQ?

UM DOMINGO NO CINE TRIANON
(CONTO PREMIADO EM 1º LUGAR NO CONCURSO LITERÁRIO DOS SERVIDORES DO MUNICIPIO DE VITÓRIA- 2009)
(Cronista premiado: Willis de Faria)

(...) Eles se prepararam para ir a uma sessão que começaria às 14 horas, e era denominada como “matinèe”, terminologia bem à francesa.

(...) Nestas tarde, eles colocaram as suas melhores roupas, pegaram as suas revistas de “quadrinhos”, novas, seminovas ou surradas, colocaram em baixo dos braços, e foram para porta do cinema, com a finalidade de trocá-las por outras. (...)

(...) Era um ritual praticado pelas garotadas, de todas as classes, e com muito entusiasmo, um “escambo” a moda moderna. Nas negociações era sempre levado em consideração o estado de conservação das revistas, ou o valor das mesmas. Se fosse almanaque valia mais. Nesta roda de trocas, tinha revistas de todo tipo, e principalmente das editoras EBAL e RIO GRAFICA EDITORA, que possuíam as mais variadas estórias de aventura. Presentes nos quadrinhos, os heróis: Cavaleiro Negro, Roy Rogers, Flecha Ligeira, Zorro, Rin-tin-tin (faroestes), Tarzan, Mandrake, Fantasma, Capitão Marvel, Super-Homem, e sem falar nas infantis como o Pimentinha, Bolinha, Luluzinha, Reizinho, Pernalonga, Pato Donald, Brazinha, Tio Patinhas, Tintin e outras.

- Temos revistas para trocas e são conservadas, falava alto “Camundongo”. Logo se fazia a rodinha, com outros meninos com revista para o “escambo”.
Depois do troca-troca, era a hora da entrada no cinema. (...)

 AS AVENTURAS DE TINTIM: O SEGREDO DO LICORNE (2011)

- O filme é baseado na série de quadrinhos As Aventuras de Tintim criada pelo belga Hergé e foi dirigido por Steven Spielberg, produzido por Peter Jackson e Kathleen Kennedy e escrito por Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish. O roteiro é baseado em três histórias: Le Crabe aux Pinces d'Or, Le Secret de la Licorne e Le Trésor de Rackham le Rouge. 

Tintin (Jamie Bell), um jovem jornalista que viaja pelo mundo com seu inseparável cão Milu, compra um presente para seu amigo Haddock, porém o presente, um galeão antigo, é roubado. Logo depois descobre-se que nele havia parte de um mapa, então Tintim e seus amigos partem para uma nova aventura em busca de todas as partes do mapa que podem levar a descoberta de um incrível tesouro....

DIRETOR:
- Steven Spielberg

NOTAS & CURIOSIDADES:
- Spielberg é um ávido fã dos quadrinhos As Aventuras de Tintim, após tê-los descoberto em 1981 quando uma resenha comparou "Caçadores da Arca Perdida" a Tintim.

- Spielberg ao mudar de ideia sobre uma adaptação com atores reais, e chamou Peter Jackson para perguntar se Weta Digital poderia criar um Milu gerado por computador. Jackson, um fã de longa data dos quadrinhos, já tinha usado captura de movimento em The Lord of the Rings e King Kong. Ele sugeriu que uma adaptação com atores reais não faria justiça aos quadrinhos e que a captura de movimento era o melhor modo de representar o mundo de Tintim.

- Steven Moffat é um antigo fã de Doctor Who, dos quais já escreveu vários episódios e sucedeu Russell T Davies como escritor chefe e produtor executivo no começo das produções da quinta temporada em 2009.

- O maestro John Williams é amigo de Steven Spielberg e assinou quase todas as trilhas sonoras de seus filmes, tais como Jurassic Park, Tubarão e a Lista de Schindler.
Também é parceiro de George Lucas, tendo composto as trilhas das séries "Guerras nas Estrelas" e "Indiana Jones".

Outras trilhas famosas de autoria de Williams são a dos três primeiros episódios da série Harry Potter e a trilha do primeiro filme do Superman estrelado por Christopher Reeve.
É considerado um dos maiores compositores da história, tanto pelo volume de sua obra, como pela sua popularidade. Com 45 indicações, somente Walt Disney concorreu a mais Oscars do que John Williams. Seu trabalho para cinema é marcado por um estilo grandioso, facilmente reconhecido pelo público.
FONTE: http://legendas.tv/

HISTORIAS EM QUARINHOS 
    -    Uma arte que em seu princípio teve o caráter de arte menor, associada aos "Pulp Fiction Books" - literatura barata e popular - uma arte que esteve presente ao longo de toda a história da humanidade, uma forma de expressão seqüencial que um dia foi batizado de História em Quadrinhos ou Banda Desenhada como preferem os Portugueses.  Conquistou legiões de admiradores, crianças e adultos, tiveram inúmeros artistas, inventores de personagens que se tornaram ícones e sobreviveram mesmo à morte de seus criadores, verdadeiros mitos de uma arte que nunca foi colocada em suntuosas molduras, a não ser o limite de seus quadros.

Dentro deste universo quase infinito, selecionamos personagens que marcaram época, tanto pelo seu carisma como pela sua originalidade - difícil escolha que tivemos de fazer - porém esta seção estará sempre em constante ebulição, isto quer dizer que o seu personagem favorito poderá vir a ser apresentado aqui. 

                                               TINTIN                                                             
                                             1929 - 1983

Hergé - (Remi Georges) 1907 - 1983 - Biografia !

Interessado pelos eventos que marcaram o seu século, Hergé colecionou imagens e sinais míticos e históricos. Pela sua arte do desenho e da ciência narrativa, ele deu à banda desenhada européia toda a nobreza com que é hoje distinguida.

1907- Nascimento de Georges Remi em Bruxelas, dia 22 de Maio.

1920 - O jovem Georges inicia os seus estudos secundários no colégio Saint-Boniface, em Bruxelas ; aborrece-se muito com as matérias.

1921 - Entra no grupo de escoteiros do colégio onde viria a receber a alcunha de raposa curiosa. Os seus desenhos são publicados na revista Jamais Assez, a revista do estabelecimento escolar e, mais tarde, em 1923, em Le Boy-Scout Belge, a revista mensal dos escoteiros belgas.

1924 - É com o nome Hergé - RG, as iniciais de Remi Georges - que ele assina as suas ilustrações. 1925 Tendo acabado os seus estudos, Georges Remi fica empregado no jornal Le Vingtième Siècle, com um cargo no serviço de assinaturas.

1926 - Criação de Totor, CP des Hannetons, prefigurando Tintim no Le Boy-Scout Belge.

1927 - Georges Remi serve o exército.

1928 - De regresso a Bruxelas, Hergé é nomeado redator-chefe do Petit Vingtième, suplemento semanal para jovens do Le XXe Siècle. O primeiro número é publicado no dia 1 de Novembro.

1929 - No dia 10 de Janeiro, "nascimento" de Tintim e Milú, no Petit XXe.

1930 - Criação de Quim e Filipe, rapazes de Bruxelas e atores de curtas e completas histórias no Petit Vingtième. Publicação do primeiro álbum de Tintim: Tintin, reporter au pays des Soviets.

1932 - Georges Remi casa-se com Germaine Kieckens, secretária do diretor do Vingtième Siècle.

1934 - A Casa Casterman, estabelecida em Tournai (Bélgica) torna-se editora das aventuras de Tintim. O encontro de Hergé com um jovem estudante chinês, Tchang Tchong-Jen, marca um desvio decisivo. Hergé apercebe-se da importância de uma história construída solidamente e da necessidade de se documentar. Começa então a levar a sério aquilo que antes para ele não era mais do que um jogo.

1935 - Para o semanário francês Coeurs Vaillants, Hergé cria uma nova série com novos heróis: Joana, João e o macaco Simão. Cinco álbuns serão publicados.

1939 - Devido à sua tomada de posição em favor do povo chinês em O Lotus Azul, o criador de Tintim é convidado pela esposa de Chiang Kai-Shek a visitar a China. A guerra iminente na Europa viria a impedir essa viagem.

1940 - No dia 10 de Maio, a Bélgica é invadida por tropas alemãs. O Vingtième Siècle e o Petit Vingtième desaparecem. Tintim no país do Ouro Negro, então em curso de publicação, é interropido por oito anos. Hergé começa outra história - O caranguejo das Tenazes de Ouro - que publica no jornal Le Soir, um dos poucos jornais autorizados pelos nazistas a circular.

1942 - O editor Casterman, tendo em vista a criação de álbuns padronizados (de 64 páginas e a cores), obtem de Hergé os episódios já publicados, adaptados progressivamente a estes novos modelos.

1944 - A libertação da Bélgica, no dia 3 de Setembro põe termo à publicação das aventuras de Tintim no jornal Le Soir. Alguns consideram que tendo publicado num jornal controlado pelos nazistas, Hergé tinha "colaborado" com estes.

1945 - O desenhista conclui a publicação dos primeiros álbuns, por ordem, já adaptados às novas normas.

1946 Publicação, no dia 26 de Setembro, do primeiro número da revista Tintin, um novo semanário criado para a juventude por um antigo assistente seu - Raymond Leblanc.

1950 - Tendo decidido realizar Explorarando a Lua, um episódio das aventuras de Tintim que requeria um trabalho técnico importante, um rigor documental e uma atenção particular, Hergé junta-se com colaboradores e funda os Estúdios Hergé.

1955 - Tintim, cujos álbuns se tornam um verdadeiro sucesso, é de tal modo popular que a publicidade se interessa por ele. Hergé realiza, então, uma colecção de cromos, na qual Tintim desempenha o papel de apresentador em diferentes domínios do saber.

1958 - O episódio Tintim no Tibete é terminado, apesar de uma violenta crise pessoal de Hergé.

1960 - Tintim faz a sua estréia no cinema e é o jovem belga Jean-Pierre Talbot que encarna o seu papel em "Tintim e o mistério do Tosão de Ouro". Mais tarde, em 1964, o ator voltaria a desempenhar o papel de Tintim em "Tintim e as laranjas azuis". Georges Remi descobre a arte contemporânea, que se torna uma verdadeira paixão para ele. Separa-se da esposa.
 
1969 - Os estúdios Belvision de Bruxelas produzem um desenho animado de longa metragem a partir do álbum O Templo do Sol.

1971 - Quando de uma primeira viagem aos Estados Unidos, Hergé encontra os peles-vermelhas.

1973 - As edições Casterman publicam o primeiro tomo dos Arquivos Hergé. O mítico Tintin au pays des Soviets reaparece assim, quarenta anos depois de ter desaparecido completamente das livrarias. Hergé visita Taiwan, trinta e cinco anos depois do convite oficial que lhe foi feito.

1976 - Difusão nas telas de televisão de Moi, Tintin, um documentário sobre o personagem e o seu criador. No dia 29 de Setembro, é inaugurada uma estátua em bronze de Tintim e Milú, em Bruxelas. 1977 Tendo-se pronunciado o divórcio com a sua primeira esposa, Hergé casa-se, com Fanny Vlamynck.

1979  - O Americano Andy Warhol, artista máximo e criador da Pop Art realizam uma série de quatro retratos de Hergé. O "nascimento" de Tintim comemora-se um pouco por todo o lado. Os cinquenta anos de existência do herói fictício são também celebrados através de uma emissão de selos dedicados a Tintim, à exposição O Museu imaginário de Tintim e a publicação do álbum Cinquante ans de travaux fort gais.

1981 - Reencontros emocionantes entre Hergé e Tchang-Tchong-Jen, o amigo chinês que o tinha inspirado para O Lotus Azul, quarenta e cinco anos atrás.

1982 - Para festejar o 65º aniversário de Hergé, a Sociedade Belga de Astronomia dá o seu nome a um planeta descoberto recentemente. O planeta Hergé está situado entre Marte e Júpiter.

1983 - Georges Remi, Hergé, falece no dia 3 de Março.
 
1986 - Publicação do álbum Tintin et l'Alph'Art, última aventura de Tintim, ainda por terminar.

1987 - Tendo Hergé manifestado a sua vontade de não confiar Tintim a um outro desenhista, a sua esposa Fanny decide substituir os Estúdios Hergé por uma Fundação Hergé.

1988 - Inauguração, numa estação de metropolitano de Bruxelas, de um afresco de cem metros, animado pelo grupo dos personagens principais das aventuras de Tintim, a partir de um esboço de Hergé. Desaparecimento da revista Tintim.

1989 - Inauguração, no Centro Nacional da Banda desenhada e da Imagem, em Angoulême (França), de um busto de Hergé realizado pelo escultor Tchang-Tchong-Jen. A Fundação Hergé monta uma vasta exposição intitulada Tintin, 60 ans d'aventures, inaugurada em Bruxelas e destinada a dar a volta ao mundo.

"No fundo, o meu único rival internacional é Tintim! Nós somos os pequenos que não nos deixamos apanhar pelos grandes."

Charles de Gaulle - Estadista
"Hergé influênciou a minha obra tal como Disney. Para mim, Hergé foi mais do que um desenhista de HQ. Ele tinha uma forte dimensão política e satírica."

Andy Warhol - Artista Pop
"Hergé é um dos gênios do século. Poeta e contador, ele é o criador de uma obra universal. Então, quando se fala da Banda desenhada como uma Arte menor, o meu o meu sangue dá uma volta." Haroun Tazieff - Cientista. 
Tintim - Os Álbuns !

O sucesso é sempre fascinante. O de Hergé, apesar de discreto, foi fruto de uma evolução e de trabalho, de intuição e de abertura pessoal. Considerado como o farol da banda desenhada (história em quadrinhos) européia, Hergé - cuja obra engloba outros personagens - é principalmente conhecido como o criador de Tintim. Tintim é o herói de duas dezenas de aventuras, onde a mais célebre, Explorando a Lua, foi vendida em mais de cinco milhões de exemplares. Contudo, até ao final da sua vida, Hergé foi sempre um homem modesto e discreto, pouco conhecido pelo grande público. Georges Remi escondia-se atrás de Hergé que, por sua vez, se escondia por trás de Tintim.

Quando do "nascimento" de Tintim, Georges Remi tinha cerca de vinte e um anos. Já assinava Hergé há algum tempo. Com efeito, ao longo dos seus estudos na Escola, Hergé tinha-se já distinguido como ilustrador e tinha vindo a publicar os seus desenhos numa revista para escoteiros...
 
Trabalhando no serviço de assinaturas do jornal católico belga Le Vingtième Siècle e guardando dentro de si a ânsia de se vir a tornar um grande reporter, Hergé fez-se notar pelas suas qualidades de desenhista. O director do jornal havia-lhe confiado a responsabilidade de um suplemento para os mais jovens: Le Petit Vingtième. Hergé, que fazia praticamente de tudo ou quase, resolveu-se por começar a ilustrar uma história cujo cenário sem pés nem cabeça lhe tinha sido imposto. Foi a partir dessa tarefa sem interesse que nasceu Tintim. Descontente por ter criado um herói à sua medida, o jovem Hergé, que tinha já lido os "comics" norte-americanos, resolveu, então, inovar a matéria gráfica da sua história, ao substituir os pequenos textos por baixo das vinhetas por balões.

10 de Janeiro de 1929, Bruxelas. Acompanhado do seu cão Milú, um novo reporter entra no comboio e parte com destino a Moscou. Para Tintim, é o início de uma grande aventura. Para Hergé é o verdadeiro começo da sua carreira. Les Aventures de Tintin, reporter du Petit Vingtième au pays des Soviets (nunca editado em Português) foi publicado sob o formato de álbum em 1930. Esse ano marca o nascimento de um mito que está ainda muito longe de morrer e dos primeiros sinais de um longo confronto entre a ficção e a realidade. Deste modo, quando termina esta primeira aventura e Tintim regressa à sua residência, uma multidão bem real vem acolher à Gare do Norte (Bruxelas) o herói de papel que acaba de chegar da URSS! É o começo de um longo sucesso que continuaria a crescer ao longo dos anos... 

 

 AS REVISTAS PUBLICADAS COM AS AVENTURAS DE TIMTIM.

Seguro da sua popularidade, Tintim reparte em busca de novas aventuras e, desta vez, é para o Congo belga que ele se dirige. Tintim no Congo (1931) - no Brasil, Tintim na África - é o reflexo de uma época colonialista e paternalista. Para esta nova aventura, Hergé improvisa ainda a história, mas não por muito mais tempo. 



Em Tintim na América (1932), o nosso herói confirma mais uma vez a sua vocação de "anti-bandidos", ao opôr-se ao mafioso Al Capone e aos gangsters de Chicago. Hergé testemunha já uma visão generosa do Mundo, ao condenar, por exemplo, certas atitudes dos Brancos por oposição aos Índios Peles-Vermelhas.  




Em Os Charutos do Faraó (1934), Tintim encontra-se envolvido, por mero acaso, num tráfico de estupfacientes que o leva até à Índia. Entretanto, encontra Dupond e Dupont, dois desastrados polícias que se vão afirmando progressivamente... 



Perseguindo os traficantes até à China, Tintim encontrará, em O Lotus Azul (1936), um jovem chinês, órfão, de seu nome Tchang. Por outro lado, descobrirá em Rastapopulos um terrível inimigo que voltará a encontrar mais tarde... Hergé, cuja técnica narrativa e gráfica não param de se afirmar, dá, contudo, um especial relevo ao cenário e à documentação. A sua preocupação com a veracidade confirma-se aqui a todos os níveis e é com grande detalhe que ele relata no album a política expansionista praticada pelo Japão num conflito que o opunha então à China.


O Ídolo Roubado - (Ao "pé da letra" - A Orelha Quebrada) (1937) é um conjunto palpitante de fugas e de perseguições. Tintim embarca para o San Theodoros, com o intuito de restituir a um Museu um ídolo que lhe fora roubado. Entretanto, na América do Sul vivem-se momentos de grande agitação militar e econômica: a guerra do Gran Chaco tinha vindo, durante três anos, a opôr a Bolívia ao Paraguai.


Através da imprensa, Hergé ouviu falar de um tráfico de notas falsas no Reino Unido. Foi na Ilha Negra (1938) que Hergé adaptou esses eventos ao Mundo de Tintim. O nosso herói dirige-se então para a Escócia onde encontra, após ter escutado lendas de velhos escoceses sobre um monstro implacável e violento, um gorila que assombra um castelo abandonado numa ilha rochosa.


País imaginário, a Sildávia serve de cenário ao episódio seguinte: O Cetro de Ottokar (1939). É nesse pequeno reino da Europa de Leste que Tintim travará conhecimento da famosa Bianca Catasfiore, antes de salvar a monarquia sildava, vítima de uma conspiração que não é mais que uma alusão ao Anschluss e à Segunda Guerra Mundial que se tinham vindo a aunciar. Todavia, as imposições da ocupação alemã na Bélgica (1940) e a ameaça da censura na imprensa conduziram Hergé a distanciar-se mais da atualidade e das angústias e vicissitudes da guerra.


O Caranguejo das tenazes de Ouro (1941) leva Tintim à África do Norte, onde este faz fracassar os planos de um bando de malfeitores que dissimulavam ópio em latas de caranguejo. É graças a este enredo que Tintim conhece aquele que viria a se tornar o seu principal companheiro de aventuras: o capitão Haddock. Prisioneiro de seus amotinados marinheiros liderados por Alan, Haddock tem seu cargueiro seqüestrado por estes, mas, é libertado por Tintim.


Primeiro episódio a ser publicado a cores, A Estrela misteriosa (1942) tem por base a queda de um meteorito que contém um metal inteiramente desconhecido até à altura, no Oceano Ártico. Tintim e Haddock fazem parte da expedição científica que, ao preço de uma alucinante corrida contra o tempo com certos industriais sem escrúpulos, o tenta recuperar. 


 
Em O Segredo do Licorne (1943) e no Tesouro de Rachkam o Terrível (1944), a continuação, Tintim acompanha o capitão Haddock na busca do tesouro seu glorioso antepassado o cavaleiro François de Hadoque. Inventor de um pequeno sub-marino em forma de tubarão, um certo Trifólio Girassol viria a contribuir de maneira decisiva para a descoberta do tesouro e, posteriormente, a oferecer ao capitão o castelo do seu antepassado: o Castelo de Moulinsart. 








Nas Sete Bolas de Cristal (1948), sete sábios caem misteriosamente em estado de letargia depois de regressarem de uma expedição nos Andes. Entretanto, desaparece o professor Girassol e os nossos heróis partem à sua procura. O sobrenatural e a conspiração de inimigos que buscam os segredos das Sete Bbolas de Cristal criam o clímax desta trama.


É no Peru que o episódio intitulado O Templo do Sol (1949) se desenrola e onde Tintim e Haddock encontram o professor Girassol, prisioneiro dos últimos Incas. Juntos, eles conseguirão salvar as vitimas da maldição que os paralisava. Este episódio é a conclusão d'As Sete Bolas de Cristal, onde Tintim se passa por um deus e á salvo da morte, por sua astúcia e sagacidade.


Pelo Mundo inteiro, motores de automóveis não param de explodir: a gasolina deve ser falsificada! Uma crise petroleira ameaça... no Médio Oriente, o xeque Bab El Ehr tenta destronar Mohammed Ben Kalish Ezab e esse conflito local pode a qualquer momento fazer estalar uma guerra. É o suficiente para levar Tintim ao País do Ouro negro (1950).


 
Rumo à Lua (1953) relata as inúmeras peripécias a que são submetidos os nossos heróis na preparação de uma expedição lunar organizada pelo professor Girassol a partir de solo sildavo. Explorando a Lua (1954) descreve a primeira viagem no espaço e a exploração do nosso satélite por Tintim e seus amigos, quinze anos antes dos americanos Amstrong e Aldrin! Uma antecipação extraodinariamente bem documentada e executada que mostram o cuidado e a argúcia dados à história. 








O Caso Girassol (1956): Esta nova aventura leva de novo Tintim à Sildávia e à Bordúria, desta vez num clima de guerra fria. Inventor de um dispositivo de ultra-sons, o professor Girassol é raptado por espiões; é também nesta história que aparece o segurador da Mondass, Serafim Lampião, que viria mais tarde a revelar-se um verdadeiro incômodo. Fugas, perseguições, reencontros,... quando afinal todo o enredo parece desenrolar-se à volta de um simples guarda-chuva: é sem dúvida este o episódio mais policial de toda a série.


No álbum Perdidos no Mar (Do original Carvão no porão) (1958), aprendemos que o tráfico de escravos ainda existe. Desde inúmeras peripécias no Oriente até um impressionante combate naval, Tintim viria a conseguir desmantelar o odioso comércio clandestino organizado pelo sinistro Rastapopoulos. 



Um avião onde viajava o jovem amigo chinês de Tintim - Tchang - dirigia-se para a Europa quando caiu violentamente nos Himalaias. Tintim no Tibete (1960) é uma pura história de amizade, sem um único inimigo que descreve o desespero de Tintim para encontrar o seu amigo. Esta história patética, que rompe com a extroversão dos episódios precedentes, mostra que a fidelidade e a esperança são capazes de vencer qualquer obstáculo e mitos - como o do "abominável homem-das-neves" - que por vezes são fruto da nossa ignorância.


Em As Jóias da Catasfiore (1963), os principais protagonistas da série encontram-se em Moulinsart para aí viver uma verdadeira comédia clássica... Virando as costas à aventura para se virar para a dificuldade que é a comunicação entre os seres, este álbum é uma verdadeira exceção no Mundo de Tintim, repleto de malentendidos e de situações curiosíssimas.


Vôo 714 para Sydney (1968) , é uma viagem interrompida, um desvio que complica tudo, a incursão de Tintim e seus amigos no desconhecido, num mundo irreal animado por fenómenos telepáticos, o contato com extra-terrestres e a saída de um sonho... Mas tratar-se-á mesmo de um sonho? 



Com um tema de vingança e prisioneiros sob um fundo de guerrilha, Tintim e os Picaros (1976) marca o regresso de Tintim a San Theodoros, o país de O Ídolo Roubado. Contudo, o álbum de Hergé corre o risco de nos fazer constatar que este mundo não é mais que um carnaval de mascarados.



Ainda inacabado quando da morte de Hergé em 1983, Tintin et l’Alph-Art (1986 - nunca editado em Português) tencionava descrever o mundo das seitas religiosas e levar Tintim a um mundo que afetava diretamente Georges Remi, dito Hergé: o da Arte Contemporânea... Se este álbum póstumo não serve que para evocar a trama desta história suspensa é, por outro lado, o testemunho do estado puro do extraordinário talento narrativo e gráfico do pai de Tintim. Nesta aventura, nós leitores, tal como Tintim, ficamos em suspenso pela caneta de Hergé.



Tintim - Os Personagens !
TINTIM - Adolescente sem família conhecida, exerce a profissão de repórter. Na verdade, podemos considerá-lo mais um aventureiro ou detetive... Apesar de se apresentar sempre disponível, Tintim nunca parte em busca da aventura, sendo ela a se colocar à sua frente de uma maneira puramente acidental. Corajoso, não hesita em enfrentar as forças do mal, sempre em defesa dos mais fracos, minoritários e oprimidos. Engenhoso e inteligente, Tintim é, pela sua modéstia e pelas suas ações, o contrário de um super-herói.


MILÚ - Fox-terrier dotado de tom de branco fora do normal, é o primeiro companheiro de Tintim, seu ajudante e, no início, o seu único interlocutor. Milú, ao contrário do seu dono, faz certas asneiras, não por vontade própria, mas por curiosidade, guloseima ou mesmo pelo seu instinto de "batalha". Muito fiel a Tintim, segue-o para todo o lado e salva-o de inúmeras armadilhas.


CAPITÃO HADDOCK - Ex-oficial da marinha acabou por preferir a vida de castelo. Junta-se ao seu jovem amigo Tintim nas suas aventuras, normalmente contra a sua vontade. Haddock aparece nas Aventuras de Tintim de uma maneira bem curiosa: é despistado, impulsivo, generoso, colérico e excessivo no que diz. O seu gosto pelo whisky e o rum é bem visível, tal como são célebres as suas injúrias: palavras patuscas, desprovidas da mínima grosseria, das quais somente a sonoridade é agressiva. Toma um papel paternalista em relação a Tintim.


DUPOND e DUPONT - Polícias por profissão, obedecem cegamente às ordens. Ridículos mas pretenciosos, despistados e desajeitados, eles são mais infantis que malvados. A sua parecença é extraordinária: se bem que não sejam nem gémeos nem mesmo irmãos, nada os distingue à primeira vista. Só a forma do bigode difere: Dupond com d tem o bigode direito, enquanto que Dupont com t tem o bigode encaracolado nas pontas, tal como explicava Hergé. A sua expressão preferida "Direi mesmo mais..." é o indício do seu comico involuntário: as gaffes e os lapsos fazem-se sempre no plural!


TCHANG - Personagem da vida real, um amigo chinês, Tchang-Tchong-Jen, que deu inspiração a Hergé para a criação do Lotus Azul.   Tchang é o fiel amigo de Tintim em sua visita à China e parceiro na luta contra os mafiosos de Changai que inolculavam suas vítimas com um estranho veneno da loucura.  Tchang volta a aparecer muitos anos depois em Tintim no Tibete, quando é vítima do abominável homem das neves, salvo é claro por seu bravo amigo Tintim.


TRIFÓLIO GIRASSOL - Muito distraído, surdo, intuitivo e sentimental ao extremo, Girassol estabelece, através do seu pêndulo, conexões com o real deveras inesperadas e por vezes mesmo tresloucadas. Inicialmente inventor de segunda, mais tarde cientista astucioso, chega mesmo a conceber o foguetão lunar que levará Tintim à Lua. Mais tarde, depois de se ter dedicado à criação de um aparelho de ultra-sons, Trifólio decide dedicar-se à horticultura e à jardinagem.


NESTOR - Mordomo no castelo de Moulinsart, já desde os tempos dos irmãos Pardal, eficaz, discreto e dotado de uma paciência fora de série, Nestor parece ter só qualidades. Deste modo, conquistou a confiança e o afeto de todos os habitantes do castelo.  Suas passagens mais interessantes se dão, quando Milú invariavelmente perseguindo o gato do castelo, e, passando entre as pernas de Nestor, fazem com que este execute malabarismos para equilibrar uma bandeija, sem deixar que nada caia de cima desta.


SERAFIM LAMPIÃO - Lampião é o protótipo do "chato". Segurador da Mondass é um verdadeiro inoportuno. No pior dos casos, faz-se acompanhar da sua "tribo", sem sequer se dar ao trabalho de avisar. Aparecem sempre nos piores momentos, mas não se pode dizer que esteja diretamente relacionado com o curso dos acontecimentos. Apresenta constantemente um humor que só faz rir a ele próprio e apresenta geralmente uma curiosa vulgaridade que desconcentra.


BIANCA CASTAFIORE - Artista lírica pertencente à Scala de Milão, ela tem um caráter curioso e caprichoso, digno de uma diva. A sua vítima habitual é o pobre capitão Haddock, cujo nome ela é incapaz de pronunciar corretamente. É famosa por cantar a música a Ária das Jóias, extraída de Fausto de Gounod, onde ela "se ri de se ver tão bela ao espelho"...


RASTAPOPOULOS - Gênio do mal, inimigo do bem, Roberto Rastapopoulos encontrou em Tintim um inimigo de peso que o impede de concretizar os seus planos mais maquiavélicos. Inicialmente realizador de cinema numa conhecida indústria cinematográfica, tornou-se Grande Mestre de uma organização oculta de tráfico de entorpecentes, cujas ramificações invadiram todo o planeta. Viria a cair no ridículo, mais tarde, mascarado de cow-boy...





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