ILHA DO PRINCIPE – PRIMEIRO LUGAR DE TODA POBREZA DE VITÓRIA.
(POR:
WILLIS DE FARIA)
De acordo com o Dicionario Histórico, Geográfico e Estatístico da Província do Espirito Santo,de autoria de Cesar Austo Marques, editado em 1878, no Rio de Janeiro, através da Tipografia Nacional, encontramos referenciais sobre a cessão ou arrendamento do Governo Geral, da referida Ilha a província do Espirito Santo.
Encontramos a seguinte informação: "Pelo artigo 1º da Lei Provincial nª 16 de 30 de julho de 1854, foi o Presidente da província autorizado a solicitar do Governo Geral esta ilha situada na baia de Vitória, por meio de cessão ou arrendamento, para nela edificar um cemitério público. Começariam as obras pela construção de uma ponte de madeira, que deveria vir da Rua do Campinho."
De acordo com o Dicionario Histórico, Geográfico e Estatístico da Província do Espirito Santo,de autoria de Cesar Austo Marques, editado em 1878, no Rio de Janeiro, através da Tipografia Nacional, encontramos referenciais sobre a cessão ou arrendamento do Governo Geral, da referida Ilha a província do Espirito Santo.
Encontramos a seguinte informação: "Pelo artigo 1º da Lei Provincial nª 16 de 30 de julho de 1854, foi o Presidente da província autorizado a solicitar do Governo Geral esta ilha situada na baia de Vitória, por meio de cessão ou arrendamento, para nela edificar um cemitério público. Começariam as obras pela construção de uma ponte de madeira, que deveria vir da Rua do Campinho."
O nome da Ilha se originou de uma história
segundo a qual o local pertencia ao príncipe D. Pedro II. Os invasores do local
chegaram a procurar os herdeiros deste em Petrópolis - RJ para regularizar a
propriedade dos lotes.
As primeiras moradias de sapé e estuque,
cobertas de palha de pindoba, surgiram aproximadamente em 1926, num processo de
ocupação por "invasão".
Devido à crise econômica e institucional
ocorrida após a revolução de 1930, os próprios operários que trabalhavam na
construção da Ponte Florentino Avidos (a obra tinha ao todo 2.000 operários)
invadiram a ilha. Depois vieram os imigrantes nordestinos e nortistas e, em
menor escala, os do interior do Estado. Os anos 30 ficaram marcados na memória
dos antigos moradores, por ocasião do governo do ditador de Getúlio Vargas,
cujo interventor Capitão João Punaro Bley (1930-1942) não mais permitia o
crescimento das moradias de estuque cobertas de palha, tentando transformar a
ilha em bairro nobre.
FIGURA:
ILHA DO PRINCIPE - 1920
FIGURA:
ILHA DO PRÍNCIPE: 1928
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1935
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1930
ILHA
DO PRINCIPE - 1932
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1936
Em 1938, os fiscais do governo promoveram um
incêndio onde poucas moradias restaram. Os confrontos entre fiscais e
nordestinos eram diários.
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1940
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1940
Por alguns anos, devido à existência de
becos e o aglomerado de barracos, os marginais fizeram fama na ilha e o
meretrício se espalhou pela Avenida Alexandre Buaiz. A mais famosa
personalidade desta atividade era uma cafetina negra conhecida como Maria
Tomba-Homem. Maria não era mulher disponível aos homens frequentadoras do seu
bordel que ficava na Ilha do Príncipe com boa disponibilidade de negras e
mulatas. Era a própria garantia contra badernas e arruaças, que ocorriam, nesse
tempo, com relativa freqüência, nas casas de tolerância, como a sua. Ela pegava
os arruaceiros e tombava com eles no chão do seu salão, daí a razão do Tomba Homem do seu nome.
A polícia não costumava passar da sua porta,
a não serem os personagens como o comissário Gentil Flores da Purificação,
mulato de cor, e Ramiro que frequentava o lugar como amigo. Estamos falando
ainda dos anos 50, quando Maria ainda não havia engordado muito. O seu bordel
era do inicio dos anos 40 e chegou aos 70. Teve 27 anos de vida ativa.
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1950
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1950
Esta
situação perdurou até a transferência dos meretrícios para São Sebastião. Isto ocorreu 1967,
nasceu à cidade do meretrício, que ficou conhecida como Carapeba, corruptela de
Carapebus, lugarejo próximo. Como todo apressado come entranhas, Carapeba
surgiu sem nenhuma infra-estrutura, barracos e construções ao lado de vielas
mal traçadas, como, aliás, costumam nascer às cidades brasileiras, mesmo as
mais respeitáveis e até aquelas planejadas pelas autoridades, como as da
Transamazônica. Localizada no município da Serra, hoje é o Bairro Novo Horizonte.
Em 1957 foi aprovada uma Lei Municipal Nº 664
que autorizavam o executivo a aterrar a área do mar localizada entre a Ponte
Florentino Avidos e o Cais Schimidt. A área aproveitada ao mar seria loteada,
sendo os lotes vendidos em concorrência pública. Essas obras visavam, conforme
mensagem, embelezar a capital, além de conquistar áreas necessárias a seu
crescimento.
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1960
ILHA
DO PRÍNCIPE – 1962
Segundo mensagem de governo, aterros
realizados até 1967 não foram suficientes para o saneamento da área, sendo que
eram utilizadas, ainda, como depósito de lixo. Nesta época, já vinha se
formando uma favela no local. Dessa forma, diante desta situação de falta de
higiene e pobreza que vivia os moradores da região foi criado, por decreto
deste ano, um grupo para fazer estudos e projetos, assim como planejar a
urbanização da Ilha do Príncipe, das áreas adjacentes e dos aterros, criando
novos espaços no centro urbano de Vitória.
Em 1960, de acordo com o relatório da
Secretaria de Viação e Obras Públicas, foi realizado grande aterro na Ilha do
Príncipe para incorporar esta a Vitória aproveitando o produto de dragagem da
obra de aprofundamento do canal de acesso e da baía de evolução.
Em artigo intitulado, Revolução Urbanística
em Vitória, a Revista Capixaba em sua edição de número 17 de julho 1968 assim
descreve a região da Ilha do Príncipe 3: A Ilha do Príncipe sempre foi uma das
áreas mais feias de Vitória, uma região de extrema pobreza, onde as invasões
nunca coibidas ajudaram a proliferar um aglomerado sem qualquer planejamento
urbano e de higiene. Para acrescentar mais miséria a esse quadro, os casebres
se foram espalhando à medida que o lixo atirado à orla da ilha produzia
pequenas áreas capazes de suportar mais um barraco.
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1969
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1969
ILHA
DO PRINCIPE: 1969
O projeto recebeu colaboração do Porto de
Vitória e de outros órgãos técnicos. Este projeto de 1967 previa para a região
uma estação rodoviária, núcleo comercial, centro de abastecimento, áreas
reservadas à construção de prédios estaduais, zonas de parque e recreação, um
sistema viário capaz de possibilitar o descongestionamento do tráfego e a
construção de uma segunda via de acesso ao continente, inclusive com a
construção de uma segunda ponte.
ILHA
DO PRÍNCIPE - 1969
A partir de 1969 as obras de urbanização da
Ilha do Príncipe passaram a ser coordenadas pela COMDUSA (Companhia de Melhoramento e Desenvolvimento Urbano S.A.).
De acordo com o relatório da COMDUSA e mensagem de governo de 1976, o projeto daria
à capital uma área de 150.000m² e sua conclusão estaria subordinada à locação
dos acessos da hoje denominada Segunda Ponte. No ano seguinte, iniciou-se o
aterro necessário à execução do acesso à Segunda Ponte e foi apresentado o
projeto final ao INER (Instituto Nacional de Estradas de Rodagem).
ILHA
DO PRÍNCIPE: 1972
Em 1980 foi realizado aterramento, enrocamento e captação de esgotos no trecho entre a Ilha do Príncipe e o bairro Santo
Antônio, no antigo cais do hidro-avião. O objetivo deste projeto, além de
recuperar e urbanizar esta área, era o de sua comercialização.
Este aterro recebeu a rodoviária de Vitória
e com a sua finalização, a paisagem da cidade foi radicalmente transformada, a
ilha do Príncipe deixou de ser ilha e passou a ter uma nova relação visual com
o entorno.
Hoje numa área próxima a Ilha do Príncipe
está hoje o terminal rodoviário de Vitória com aproximadamente 2.000 m², num espaço antes
ocupado pelo mangue. Estas áreas foram ocupadas na década de 50 e adensadas na
década de 60 e 70, devido à pressão por moradia, exercida pelo grande
contingente populacional que chegou ao município, oriundos do interior do
Estado. Mas a história de sua constituição está ligada a grandes intervenções
públicas.
FIGURA:
2004
FIGURA:
2004
O bairro da Ilha do Príncipe, hoje anexado a
Ilha de Vitória, no passado, era de fato uma ilha e localizava-se entre Vitória
e o continente (Vila Velha). O interesse do governo por essa área começou na
gestão de Florentino Avidos (1924-1928) com a construção das seis pontes. Na
realidade, eram cinco pontes de Vila Velha as Ilhas do Príncipe e uma de Vila
Velha a Vitória. Juntamente com as pontes, e para viabilizá-las, foram feitos
os primeiros aterros na Ilha do Príncipe, em 1928. O propósito oficial era
melhorar a acessibilidade, visto que o crescimento do porto impulsionou a
necessidade de criar ligações com as outras regiões.
ILHA
DO PRÍNCIPE EM DADOS
LIMITE
DO BAIRRO
A PONTE E A ILHA
Resultado
da necessidade de escoamento da produção seja pela Estrada de Ferro Sul do
Espírito Santo ou pela Vitória a Minas, em 1928 é instalada a Ponte Florentino
Avidos, à época denominada Seis Pontes.
A
instalação desta ponte demandou as primeiras obras de aterro na região às
margens da Ilha do Príncipe. O propósito mencionado nos documentos oficiais era
o de promover a necessária acessibilidade visto que o crescimento do porto
tornava imperativa a criação de ligações com outras regiões.
Importa
aqui destacar uma aparente contradição. A localização do porto na Ilha de
Vitória, indicada pelo governo do estado como mais viável do ponto de vista
econômico, começava a demandar dispendiosas obras complementares fora de seu
alcance financeiro e, cada vez mais, alterar os contornos da Ilha de
Vitória.
Nas palavras de Aguiar: Sendo Victoria uma cidade magnificamente favorecida pela sua belleza panoramica, impunha-se o auxilio da mão de obra do homem à natureza para adaptá-la às exigências da hygiene e belleza das cidades modernas e faze-la o reflexo exacto da grandeza do Estado, Accresça-se a isso a necessidade imperiosa de um plano de conjuncto que, dentro dos princípios de urbanismo, oriente o crescimento de Victoria.
Nas palavras de Aguiar: Sendo Victoria uma cidade magnificamente favorecida pela sua belleza panoramica, impunha-se o auxilio da mão de obra do homem à natureza para adaptá-la às exigências da hygiene e belleza das cidades modernas e faze-la o reflexo exacto da grandeza do Estado, Accresça-se a isso a necessidade imperiosa de um plano de conjuncto que, dentro dos princípios de urbanismo, oriente o crescimento de Victoria.
A
partir destas primeiras obras de aterro e com a instalação da ponte, planos de
urbanização futuros passam a incluir a região da Ilha do Príncipe como
importante área passível de expansão residencial ou comercial para Vitória.
Nenhum destes planos foi implementado, entretanto, diversos aterros foram efetuados
até 1960
-
Na década de 1930 dois governantes, Aguiar (1928-1930) e Bley (1930-1943) mencionam
intervenções por aterro na região, não explicitando, porém o propósito definido
para as obras.
-
Em 1957 a
Lei Municipal nº 664 autoriza o executivo a aterrar a área de mar situada entre
a Ponte Florentino Avidos e o Cais Schmidt.
-Contudo,
apenas em 1960, aproveitando o produto da dragagem da obra de aprofundamento do
canal de acesso a baía de Vitória, necessária ao desempenho demandado pelo
crescimento das atividades portuárias, é realizado um grande aterro a nordeste
da Ilha do Príncipe. O objetivo oficial expresso na mensagem de Lindenberg do
exercício de 1960 para realização desse aterro foi o de embelezamento, além da
conquista de áreas necessárias à expansão e crescimento da capital.
-
Os aterros realizados até 1967 não foram suficientes para o saneamento da área
que continuava sendo utilizada como depósito de destroços e lixo.
-
Nesta perspectiva Lopes Filho institui em 1968 um grupo para a elaboração de
projetos e planejamento da urbanização da região que propõe como solução a recuperação
dos mangues por enrocamento e novo aterro com o material obtido pela dragagem
da baía.
-
Interessa mencionar que o projeto urbanístico do grupo recebeu a colaboração do
Porto de Vitória em conjunto com outros órgãos técnicos que já consideravam a
necessidade de outra via de acesso ao continente que incluía a construção de
uma segunda ponte que demandou, em 1977, novas intervenções por aterro
na região noroeste da Ilha do Príncipe.
-
Em meados dos anos de 1970 e ao início dos anos de 1980, são várias as
propostas de aterros na Ilha do Príncipe para acomodar o acesso dessa segunda
ponte ao continente, da mesma forma que a ligação dessa ilha com o bairro Santo
Antônio.
LIMITE MUNICIPAL DO
BAIRRO - ORTOFOTO
Fontes:
- Diagonal Urbana, Projeto Terra, SEDEC /
DIT / GEO/PMV.
- Jornal digital “Século Diário”.
- fotos: IJSN-ES/CAR-UFES
- GEOWEB-PMV























Vitória saudade da enorme da Que lê tempo
ResponderExcluirME ORGULHO DE TER NASCIDO NA ILHA DO PRINCIPE EM 1953 POR SABER QUE ERA DOM PEDRO II DONO DESSA TERRA NÃO SEI O CERTO SE FAÇO PARTE FAMILIAR DE ANTECEDENTE NOBRE MAS SINTO PARTE PELO FATO DE SER MEU INICIO DE VIDA ESSA TERRA OBRIGADO DEUS
ResponderExcluirPARABENS QUEM FEZ O HINO DE VITORIA CANTAVA MUITO COMO CRIANÇA HOJE NÃO SE HOUVE MAIS , CIDADE O SOL INICIO QUE BOM VOLTASSE
ResponderExcluirLEMBRO MUITO DA MARIA TOMBA HOME UMA SENHORA MUITO RESPEITOSA EDUCADA TRATAVA AS PESSOAS BEM COM RESPEITO MAS INFELIZMENTE FOI ATINGIDA POR UMA LOCOMOTIVA QUE PASSAVA POR DENTRO DA 5 PONTE MUITOS GOSTAVEM DELA EU NASCI E MOREI NA ILHA POR MUITOS ANOS
ResponderExcluir