VITORIA (ES) - 462 ANOS – A CARTA DE DOAÇÃO DA ILHA DE VITÓRIA A DON DUARTE LEMOS (INÉDITA)



UMA HOMENAGEM AO FUNDADOR DA CIDADE DE VITÓRIA - DON DUARTE DE LEMOS

O PRIMEIRO “DONO DA ILHA DE VITÓRIA”- Dom Duarte Lemos – a ocupou em 1536, mas se transformou em Vila, apenas em 1551. Conheça por quê?

POR: WILLIS DE FARIA



Vitória neste Domingo, dia 08 de setembro de 2013, completou 462 anos de existência, mas recordemos as memórias de um passado. O ano de 1551 - Data tradicionalmente associada à fundação da vila da Vitória, após grande batalha contra os índios. Em 1552, Dom Duarte Lemos volta como proprietário da Ilha de Santo Antonio, e coube a oferecer aos jesuítas, terras para construção do Colégio e mantimento dele.


A história da cidade de Vitória é rica em fatos e momentos responsáveis pelas transformações em sua paisagem. É difícil imaginar a cidade de Vitória no início de sua ocupação. Poucas foram as imagens da cidade registradas no século XIX. 

Com isso, pouco se consegue retratar daquele momento inicial em que Vitória, ainda uma vila. Localizada entre a baía e o maciço central da ilha, a cidade de Vitória circundada por braços de mar possuía extensas áreas de manguezais. A região que conhecemos hoje por cidade alta já existia, e foi assim chamada por ficar justamente numa elevação. A parte baixa era tomada ora pelos braços de mar, ora pelos mangues. A cidade de Vitória, pela privilegiada posição geográfica, favoreceu sua afirmação como capital e porto, direcionando, a partir disto, seus destinos político e econômico, sua ocupação e desenvolvimento urbano. 

Sua conformação atual mostra grandes alterações no arquipélago, que marcado pela presença do mar e da montanha, teve ao longo do tempo grande parte de suas ilhas continentalizadas. 

Em 1910 a população de Vitória era de 11.850 habitantes. A cidade era o retrato de uma vila colonial, demonstrada claramente na arquitetura de suas casas e nas ruas estreitas e desalinhadas. Hoje já supera seus 300.000 habitantes,com claras evidencias de ares de metrópole. Eu aqui nasci (nesta ilha), e por mais de meio século venho acompanhando a suas metamorfose ou seja a sua rápida transformação, a partir dos anos 70. De ares provincial a metrópole.

Falemos de seu primeiro proprietário e que aqui fez a primeira edificação. Ele é satanizado por alguns historiadores deste Estado, mas eu penso ao contrario, pois como capitalista na época, possuidor de bens e bem quisto pela coroa, Vasco Coutinho o convidou para vir para a Capitania que ia tornar-se dono, e a Duarte Lemos ofereceu quase uma sociedade. Como empreendedor não poderia e esperar que ele exigisse do Donatário mais empenho ao desenvolvimento, o que não aconteceu, pela sua constante ausência e intriga dos seus homens de confiança, ma todos degredados não bem vistos pela coroa portuguesa. Por que chama-lo de de arrogante e mercenário? Ora, ela para cá trouxe homens e dinheiro para investir. Para tanto ele possui ate túmulo em Portugal (historia em anexo), considerado tombado pelo patrimônio Português. A Don Vasco é um Donatário sem túmulo, e ate hoje não acharam seu restos mortais. Essa é a diferença. Tenho dito....


Publicado por Leonel Vicente em Protagonistas

Capitão-mor nos mares da Índia (séculos XVI e XVII). A sua jurisdição ia de Sofala até Cambraia. No seu regresso do Oriente, em 1522, ergueu o chamado Panteão dos Lemos, na Trofa do Vouga (Águeda), que é, no seu género, dos principais monumentos renascentistas portugueses.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Dom Duarte Lemos, segundo Rocha Pombo, chegou a Capitania em 1536, para tomar posse de sua sesmaria, prometida a terra quando dá  passagem de Dom Vasco na Vila de Ilhéus, e rumava com sua nau Glória ao sul. Vivera na Bahia, onde era fidalgo da Casa Real, e o que parece que ele se incompatibizara com Francisco Pereira Coutinho – donatário daquela colônia, em cuja comitiva viera para o Brasil. 

Aventureiro, ambicioso, possuía recursos, sabia mandar e era dotado do espírito prático. Ele vislumbrou a situação precária de Dom Vasco, uma oportunidade de tornar-se pelo menos, seu sócio e igual na capitania. Para cá rumou com os seus criados e outras pessoas que por seu respeito vieram com ele. Dom Vasco fez a doação em 15 de julho de 1537, quando a ilha passou a chamar-se Ilha de Duarte Lemos. 

Os termos do documento traduzem todo o reconhecimento do donatário ao seu eficiente colaborador: “Mando que este valha até seus herdeiros ou herdeiro lhe faça dela doação da dita ilha que ora tenho dado por muito que lhe devo e por me vir ajudar a suster a terra que sem sua ajuda o nam fizera, e mando ao meu herdeiro sob pena de maldição que o cumpra muito se poder.” (termo de doação). 

Realmente ele tinha qualidades de liderança: causou inveja aos preguiçosos companheiros de Dom Vasco. Senhor da ilha que, mais tarde, se tornaria sede da Capitania, Dom Duarte Lemos, deu logo ás pessoas e moradores da terra grande parte de sesmarias das terras da dita ilha para aproveitarem e povoarem, e comprometendo-se a fortifica-la contra invasões. 

Em pouco tempo, entrando em um manguezal após um penedo, em forma de “pão-de-açúcar”, em um morro abrigado, construiu sua casa, capela que recebeu o nome de Santa Luzia. 

Plantou roças e deu origem a uma fazenda, mais abrigada que a do próprio donatário. Mas tinha um grave defeito de caráter, não dizia bem de ninguém, era egoísta, uma língua mais aguçada que canivete do Porto. De bem, procurou pacificar os índios e atraiu jesuítas para suas terras. De mal, brigou com o Capitão-Mor e voltou a Ilhéus, mantendo em seu poder a sesmaria que lhe foi dada e confirmada por escritura passada em Lisboa. 

No ano de 1540 em Lisboa, Vasco Fernandes Coutinho e Duarte de Lemos concordam em que se passe escritura de doação da ilha de Santo Antônio diante do notário geral da Corte. 

Nesse segundo documento, mais restritivo, algumas limitações são estabelecidas por Vasco Fernandes, dentre as quais a de que o novo proprietário não poderia fazer dela uma vila, e sim apenas povoação, escritura lavrada pelo notário Gomes Alves de Freitas, e se verifica que Dom Vasco a 20 de agosto de 1540 se encontrava em Portugal, a Rua do Barão e com ele estavam Dom Duarte Lemos, e as testemunhas do ato de escritura, o fidalgo Fernão Vélez, Pedro Garcia, morador da Vila do Espírito Santo. ”Dôo a Duarte Lemos pelos seus serviços prestados na defesa da Capitania contra os indígenas amotinados”. 

Permite ao Dom Duarte, a construir engenho de açúcar no rio Roças Velhas, defronte a dita ilha. Nas tristezas e decepções Dom Vasco, destaca-se as intrigas de Dom Duarte Lemos, a quem doara a ilha de Santo Antônio (atual Vitória), que lhe colocava em situação desagradável perante a corte portuguesa. 

Com desconfiança do Donatário Don Vasco, no ano de 1549, Duarte de Lemos, desejoso de ver garantido o seu direito à ilha, solicita do monarca uma carta de confirmação da escritura de doação da ilha, e que teve a confirmação por Carta Régia de 20 de agosto de 1549, assinada na cidade de Almerim (Portugal) – (César Marques Augusto – Dicionário Histórico, Geográfico e Estatístico do Espírito Santo – 1876). 
 

CARTA DE DOAÇÃO – TEXTO ORIGINAL

 (clique para ampliar)


Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. João III
                                    Portugal (Lisboa)



"[fl. 108v] A Duarte de Lemos confirmação de doação que lhe fez Vasco Fernandes Coutinho capitão e governador da Capitania do Espírito Santo no Brasil da ilha grande que está da barra para dentro que se chama do Santo António
-
-Dom João etc. A quantos esta minha carta virem faço saber que Duarte de Lemos fidalgo de minha casa me apresentou uma escritura de doação de que o teor tal é Em nome de Deus Saibam quantos esta escritura de doação e declaração virem que no ano de nosso senhor Jesus Cristo de 1540 anos aos vinte dias do mês de Agosto na cidade de Lisboa na Rua do Barão onde pousa o senhor Vasco Fernandes Coutinho capitão e governador da Capitania do Espírito Santo na parte da sua terra do Brasil estando presentes de uma parte o dito Vasco Fernandes Coutinho e da outra o senhor Duarte de Lemos fidalgo da casa de El rei nosso senhor logo em presença de mim notário geral da corte e testemunhas ao diante nomeadas o dito Duarte de Lemos apresentou ao dito Vasco Fernandes Coutinho um alvará feito e assinado por sua mão do qual o trelado de verbo a verbo é o que se ao diante segue.
Eu Vasco Fernandes Coutinho digo que eu dou ao senhor Duarte de Lemos a ilha grande que está da barra para dentro que se chama de Santo António a qual lhe dou forra e isenta para si e todos seus herdeiros e descendentes em fatiota para sempre e isto por virtude de minha doação que tenho para o poder dar e fazer na qual ilha podia por todos os oficiais e ofícios dela e lhe pagarão a pensão a ele somente as apelações que virão a mim tudo o mais lhe dou poder que ele possa fazer e mandar fazer e assim também em sua vida lhe dou minha redízima que nela me poderá vir e assim também terá as águas e moendas para ele e sua casa forras e isentas e sendo caso que nosso senhor de mim faça o que for seu serviço mando que este valha até que meus  herdeiros ou herdeiro lhe faça dela doação da dita ilha que ora lhe tenho dada por muito que lhe devo e por me vir ajudar a

1-Na margem esquerda do fólio: "Duarte de Lemos confirmação da doação que lhe fez Vasco Fernandes Coutinho da terra do Brasil".

suster a terra que sem sua ajuda o não fizera e mando a meu herdeiro sob pena de maldição que o cumpra e muito mais se poder. Feito por mim a 15 de Julho de 1537 a Vasco Fernandes Coutinho. E apresentado e incorporado o dito alvará de doação nesta escritura como dito é o dito Duarte de Lemos disse que por ele Vasco Fernandes Coutinho até o presente lhe não poder fazer escritura e carta de sua doação conforme a seu alvará por alguns respeitos em Deus ser servido dele Vasco Fernandes ora vir a esta cidade e corte de el rei nosso senhor e lhe pediu por mercê que lhe andasse fazer sua escritura de que lhe assim tem feito mercê doação pelo dito seu alvará por haver tanto tempo que já entre eles estava assentado e vendo o dito Vasco Fernandes Coutinho o dito seu alvará e como lho passara em tempo que por outra maneira se não podia fazer por não haver  oficiais na terra e as mais lembranças que entre eles passaram e como o dito alvará não tem vício nem borradura nem cousa que lhe faça suspeito mas antes é o dito alvará verdadeiramente feito e assinado por sua mão e havendo respeito ao dito Duarte de Lemos se vir da Capitania de Todos os Santos onde estava na Capitania de Francisco Pereira para a sua Capitania e trouxe seus criados e outras pessoas que por seu respeito vieram com ele e o ajudou sempre a suster e fazer guerra  contra os infiéis e gentes da terra o que sem sua ajuda não pudera fazer e por desejar que ele em alguma maneira seja galardoado de seu serviço, perigos e risco de sua • pessoa em que se muitas vezes com ele Vasco Fernandes Coutinho viu e ao gasto que tem feito de sua fazenda lhe fizera o alvará da dita doação da dita ilha ou lezíria de Santo António e feito o dito alvará por sua própria pessoa lhe fora pegar a dita ilha e lhe dera dela corporalmente posse real actual cível e natural e como senhor e governador da terra o incorporou na pose de toda a dita ilha e em pessoa dele Vasco Fernandes Coutinho [fl. 109] ele Duarte de Lemos dera logo às pessoas e moradores da terra grandes partes de sesmarias das terras da dita ilha para a aproveitarem e povoarem e fazendo fazenda para si como em sua cousa própria forra e isenta, dízimo a Deus e tendo esta posse e deixando ordem em sua fazenda- por seus moradores e criados se viera a estes reinos para deles dar maneira para todo o que cumprir para sua povoação e porque ele Duarte de Lemos lhe pede que lhe faça sua escritura e carta de doação conforme ao dito
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2 Riscado: "moradores".

alvará e doação o dito Vasco Fernandes Coutinho disse que ele aprova e ratifica o . alvará da dita doação e posse que lhe por ele tem dada assim e pela maneira que nele entre eles está assentado pelo dito alvará e por esta escritura era declarado e lhe concedi por já entre eles estar assentado ao dito tempo que possa fazer e mandar fazer um engenho de açúcares para sua fazenda no Rio das Roças Velhas defronte da dita ilha e não pague mais foro dele nem outro tributo nem pensão que um bom pão de açúcar cada ano que pese quatro arráteis e com estas graças, doações e liberdades lhe concedi a dita ilha ou lezíria de juro e herdade para todo sempre para ele Duarte de Lemos e todos seus herdeiros e sucessores assim e pela maneira que lho ele pode conceder e sua doação lhe dar poder e o ele tem concedido e outorgado pela doação do dito seu alvará e ora o declara e outorga por esta escritura ao dito Duarte de Lemos prometendo o dito Vasco Fernandes Coutinho ao dito Duarte de Lemos e assim a mim notário como pessoa pública estipulante e aceitante esta escritura e doação em nome da senhora Dona Isabel Fróis sua mulher de nunca em tempo algum por si nem por- seus sucessores lhes ir nem a seus herdeiros e sucessores contra ela em parte nem em todo mas promete de sempre a haver por firme e valiosa do tempo que lha assim tem dada e concedida para todo sempre e em testemunho de verdade assim lhe mandou fazer esta escritura e doação para dela tirar quantas forem necessárias e • querendo a ele confirmar pede a el Rei nosso senhor que lha confirme e  declarou o dito Vasco Fernandes Coutinho que porquanto a dita ilha esta limitada por termo da povoação do Espírito Santo que ele Duarte de Lemos nem seus sucessores não farão na dita ilha vila e a redízima que no aluara lhe tem concedido estava ao dito tempo entre eles assentado que não fosse senão a redízima da sua própria fazenda testemunhas que foram presentes Fernão Veles fidalgo da casa do dito senhor e Pedro Garcia morador na vila do Espírito Santo na terra do Brasil e Rui Fernandes criado do dito senhor Vasco Fernandes Coutinho e António da Costa criado do dito Fernão Veles e eu Gomes Eanes de Freitas escrivão da câmara do dito senhor e das correições de sua corte e notário público e geral nela e da sua Casa da Suplicação que este segundo tirei para o dito Duarte de Lemos e nele fiz meu público sinal tal é

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3 Riscado: "outrérn",


Pedindo-me o dito Duarte de Lemos que lhe confirmasse a dita escritura de doação e visto seu requerimento por lhe fazer mercê hei por bem e me praz de lhe confirmar a dita doação assim e da maneira e com as cláusulas e condições nela declaradas e mando ao capitão da dita Capitania do Espírito Santo e a quaisquer outros oficiais e pessoas a quem o conhecimento pertencer que cumpram e guardem e fação inteiramente cumprir e guardar como aqui é conteúdo sem dúvida embargo nem contradição alguma que lhe a isso seja posto porque assim é minha mercê e por firmeza de todo lhe mandei passar esta carta por mim assinada e selada do meu selo pendente. Dada em Almeirim aos oito dias de Janeiro Jerónimo Correia a fez ano do nascimento de nosso senhor Jesus Cristo de mil 549 e eu Manuel de Moura a fiz escrever e não faça dúvida o riscado que dizia moradores outrém porque se fizeram por verdade.
- t..
Concertada
a) Pedro de Oliveira
a) Pedro Gomes

Concertada
a) João da Costa"

(OBS: a carta de doação a Don Duarte Lemos (anexo),  foi adquirida pelo meu amigo Dr. Jose Constantino Mazzoco, quando em Portugal, esteve em visita a Torre do Tombo, para estudos sobre os terrenos de marinha em Vitória.)

Dom Duarte Lemos retornou ao Brasil juntamente com Tomé de Souza, como seu Capitão-Mor/Delegado na Capitania de Porto Seguro, o que ocorre em 1550. 

Neste posto permaneceria durante quatro anos, até a renuncia de Pero do Campo Tourinho, em favor de sei filho Fernão do Campo Tourinho. Neste ano transfere-se a sede da capitania para a ilha de Santo Antônio, que passaria a denominar-se Vila da Vitória, como cita provisão passada por Antônio Cardoso de Barros em 3 de março daquele ano. Segundo alguns autores, a fundação da povoação que originaria a cidade de Vitória data de 1550. Nesse mesmo ano Tomé de Souza envia Antônio Cardoso de Barros como seu representante à capitania, que faz nomeações para provimento de cargos com intuito de estabelecer uma organização administrativa instalada a Alfândega, inaugura-se o comércio direto com Portugal e Angola. 

Ainda nesse ano Vasco Fernandes Coutinho teria viajado para Portugal, de lá retornando em 1555. O ano de 1551 - Data tradicionalmente associada à fundação da vila da Vitória, após grande batalha contra os índios. Em 1552, Dom Duarte Lemos volta como proprietário da Ilha de Santo Antonio, e coube a oferecer aos jesuítas, terras para construção do Colégio e mantimento dele. 

A presença do Padre Manoel de Paiva, visitador da Companhia de Jesus, propiciou oportunidade para legalizar a doação, acrescentado a doação de terras a Bernardo Sanches Pimenta, de tudo dando posse “a dita Casa de Santiago e Colégio dos Meninos”, livre de todos encargos fiscais, “salvo o dízimo de Deus”. 



Dom Duarte Lemos, volta a Capitania do Espírito Santo, para o batismo do grande chefe indígena Goitacá, Maracanguaiaçú (Gato Grande), na conversão ao catolicismo, onde ele foi padrinho. Assim, Don Duarte Lemos, abandona suas terras é vai servir diretamente ao Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza, como homem de sua confiança, na Capitania de Porto Seguro. Segue depois para Portugal, após seus trabalhos no Brasil onde veio a falecer.

 
Túmulo de Duarte de Lemos, senhor da Trofa, com a sua estátua orante em tamanho natural, que Virgílio Correia considera «uma das obras mais belas e viris da nossa galeria de retratos plásticos». (Distrito de Aveiro - Portugal)


Trofa fica situada entre os rios Vouga e Águeda e a Ribeira do Marnel. Os seus terrenos são bastante férteis. Foi o D. Afonso V que fez a doação de bens e direitos com toda a jurisdição senhorial a Gomes Martins de Lemos, 3º Senhor da Trofa e grande figura do Império Oriente, os Lemos tiveram um papel importante. Em homenagem a Duarte de Lemos, 5º Senhor da Trofa, há agora uma escola situada nesta localidade, chamada Instituto Duarte Lemos. Na igreja Matriz da Trofa está sepultada a família Duarte de Lemos, no Chamado Panteão dos Lemos, considerado monumento nacional.



VITÓRIA – EVOLUÇÃO
 
 
 


 

MAS AOS DIAS ATUAIS, MUITOS PERGUNTAM. ONDE ESTÁ A CIDADE PRESÉPIO? POR QUE ELA FOI CHAMADA ASSIM?

Mas vamos contar um pouco desta história, pois nesta data de aniversário vale toda as homenagens ou criticas também.

VITÓRIA - CIDADE PRESÉPIO. POR QUÊ? 

Desde o governo profícuo de Florentino Avidos, Vitória passou a ser conhecida, mesmo fora do Estado, como cidade presépio, cognome recebido do médico e jornalista Areobaldo Léllis, em crônica publicada, possivelmente, na revista Vida Capixaba. E Vitória parecia mesmo um presépio, um lindo presépio construído entre as montanhas e o mar, presépio que ainda mais belo se tornava à noite, com a iluminação feérica e colorida dos logradouros, tendo, fizesse luar, a lua como que caída do alto de seus montes para boiar nas águas mansas da baía. Autêntica maravilha da natureza, jóia de arte como cidade pequena, mas administrativamente moderna. Vitória encantava seus moradores, seduzia os turistas que chegassem de qualquer ponto do país, mesmo do exterior. Tripulantes de navios europeus, cativados pela hospitalidade dos ilhéus e pelos atrativos da cidade, desertavam, vez por outra, de seus barcos e, embora clandestinamente, aqui se ficavam por muito tempo. Eram aquelas que, em embarcações da Costeira ou do Lloyd, já tinham passado antes pela ilha, e, porque deliciadas com a cidade, resolviam retornar à mesma, a passeio ou em férias, para melhor desfrutá-la.

Assim foi Vitória por anos seguidos... Acontece que, a partir da década de 60, começa a perder suas características, se enche de gente de fora, de aventureiros, de mendigos, as ruas se tornam intransitáveis, tanto o número de carros e pedestres, muitos bairros e favelas surgem ao redor, a população já não convive com a baía, agora simples canal, em decorrência dos aterros para construção do Cais do Porto. Belas construções, mormente as erguidas em volta do Parque Moscoso, foram postas abaixo, para dar lugar a edifícios, estes, agora, em quantidade tal que se costuma dizer ter a cidade-presépio se transformado em selva de pedra.

Sou maratimba, nascido na antiga Cidade de Palha (Vila Rubim), na cidade presépio, que a vi se transformando em uma cidade de concreto, que cobriu a visão da Fonte Grande e o grande arco do presépio de ia do morro do Moscoso ate o Morro do Forte São João. Só ficou em nossa memória o bucolismo, a vila romântica e pacata, para transformar-se em inferno de veículos a transitar pelas nossas ruas. Não se ouve mais o deslizar pelos trilhos dos antigos bondes que nos levavam a todos os pontos da cidade, e ninguém reclamava da fuligem e fumaça exaladas pelos antigos e velhos ônibus e lotações que trafegavam por nossa cidade, principalmente da Viação Biancucci e Viação Nordeste. Eram poucos ônibus que invadiam as nossas ruas. Hoje, a cidade parou no transito. Insuportável, a qualidade de vida se deteriorou em nome do progresso. Enfim, todos somos vítimas do progresso.


ESPECIAL: PARA ENRIQUECER ESTE TEXTO, PUBLICAMOS UM COMENTÁRIO QUE RECEBI POR E-MAIL, DE UM AMIGO SEGUIDOR, QUE TAMBÉM PERCEBEU AS  GRANDES MUDANÇAS SOCIAIS NESTA ILHA AO LOGO DE DÉCADAS.

Caro WILLIS FARIA:
                   
              HISTÓRIA DA ILHA SANTO ANTONIO

1.  Li com elevado  respeito e apreciação toda NARRATIVA, eu que nasci na Praça do Trabalho n.92, no Centro ao lado da antiga CAPITANIA DOS PORTOS e em frente das antigas instalações da MALÁRIA (Próxima da Gruta da Onça), da qual você deve se lembrar,posteriormente fui morar em SANTO ANTONIO, por 48 anos consecutivos, próximo do CAIS DO AVIÃO, e de lá ia de BONDE até a Praça Costa Pereira, e no domingo atravessa de BARCO até PAUL, pegava outro BONDE, que ia até as proximidades do CONVENTO da PENHA em Vila Velha, tudo era lindo, seguro e maravilhoso;

2.  PARABÉNS, nasci no ano de 1946, quando os Clubes Sociais eram o ponto de convergência das pessoas (hoje espalhou), o Centro de Vitória de HOJE, já não se pode mais frequentar, tomado que foi pela VIOLÊNCIA , ROUBOS, DROGAS, falta de vagas de ESTACIONAMENTO, veículos em excesso,e tudo mais, que você muito bem conhece...!

3.  Enfim, como bem mencionou, o PROGRESSO é bom, mais cobra um preço muito ELEVADO, nós que ainda tivemos a chance de ser FELIZ,  é o que não vem ocorrendo com a GERAÇÃO dos últimos 20 a 30 anos, onde há cada duas  uma MULHER é assassinada no Estado do ES,  ( na nossa época ocorria um crime de repercussão de 6 em 6 meses), bem como o aumento drástico dos ASSASSINATOS e SUICÍDIOS ( são banalizados ), sem falar no uso desenfreado das DROGAS de todas as formas( ausência de atuação correta do Estado), além do aumento sem precedentes dos ROUBOS, diários aos cofres públicos ( O MENSALÃO, não me deixa mentir), por políticos, e  altos mandatários dos Três poderes ( Montesquieu, deve estar arrependido da sua ideia, não é)?

4. Sua reportagem sobre a ILHA DE SANTO. ANTONIO, lamentavelmente HOJE, já não se ensina mais nas ESCOLAS e ou FACULDADES, tudo é tomado pela PRESSA, comodismo e pelas CULTURAS INÚTEIS,  atualmente com lamentável participação da população (Famoso PÃO e CIRCO, Bolsas escola, prostituta, presidiário, gás, família, Copa América, do mundo, olimpíada, etc..). 
 
5.  Os canais de TV e RÁDIO hoje só em dia só se vê baixa cultura, musicas de letras com melodias horríveis, perca de tempo que não assisto;

6. Para concluir, verificamos um aumento descontrolado das PICHAÇÕES em patrimônios Públicos e Privado, sujando nossa CIDADE  e a sua história, deveras lamentável, em nome de uma ARTE, cujas manifestações desrespeitosas não são coibidas pelos Órgãos de fiscalizações responsáveis ao assunto!

7.   Ufa, meu amigo, se quisesse poderia fazer mais colocações, o que para mim é muito TRISTE, e para o BRASIL, muito lamentável e cruel....

Abraços meu amigo PESQUISADOR, com voce, temos aa CERTEZA, de que podemos enriquecer nosso intelecto e absolvermos muita CULTURA.

JOSE OLIVIO GRILLO


Comentários

  1. Muito bom, Willis! Fonte pra saber e pensar mais!

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  2. Parabéns Willis. Mais do que perfeita a sua homenagem a nossa querida Vitória.

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