A INVENÇÃO DA PRAIA NO BRASIL E SEUS VESTUÁRIOS.

(POR: WILLIS DE FARIA)

Claro que nem todo mundo gosta de ir à praia e que até há bons sujeitos entre os que não gostam. Mas, em um país como o Brasil, com quilômetros e quilômetros de praias lindíssimas – do Oiapoque (AP) ai Chuí (RS), ir à praia no verão é algo quase natural.

Mal iniciam as férias e muitas famílias começam a planejar de que forma poderão consumir os preciosos dias de descanso que marcam o começo e fim do ano. Em muitos casos, o passeio à praia é um dos mais requisitados.

Prova disso é que o Brasil conta com uma extensa faixa litorânea que, todos os anos, é ocupada por uma leva de turistas vindos de várias partes do Brasil e do mundo. Contudo, enganam-se aqueles que acham que esse frisson por conta das areias e águas do mar sempre existiu.

O uso da praia como espaço de lazer começou em meados do século XVIII. Nessa época, um renomado médico britânico chamado John Floyer desenvolveu pesquisas que investigavam as propriedades terapêuticas que a água poderia ter.

Em suas investigações, registradas em uma publicação chamada “História do Banho Frio”, acabou chegando à conclusão de que a água salgada teria uma extensa capacidade de reverter doenças entre as quais se incluía até a paralisia.

A obra, escrita bem no início do século XVIII, acabou não tendo muito impacto entre a população europeia daquele tempo. Meio século mais tarde, no ano de 1749, o britânico Richard Frewin, colega de profissão, reforçou as teorias curativas do banho de mar ao realizar a descrição de uma cura obtida por esse tipo de tratamento ainda experimental.

Na França e na Grã-Bretanha, no século XVI, distintas senhoras já tomavam seus banhos para curar doenças físicas e até psíquicas. As teorias sobre o benefício do banho de mar eram a última palavra na medicina da Europa.

A ideia de que a água – sobretudo a água salgada do Canal da Mancha – era um santo remédio veio de uma teoria do médico e religioso inglês John Floyer nos primeiros anos do século 18.

Além de criticar a igreja por modernizar a cerimônia do batismo (que virara um mero espirro de gotas na testa), o doutor Floyer acreditava que o mar tinha poderes milagrosos até para paralíticos.

Sua obra inaugural, a História do Banho Frio, foi publicada em dois volumes, em 1701 e 1702. Mas a corrida às praias na Europa começou mesmo meio século mais tarde, em 1749, quando outro inglês, o doutor Richard Frewin, descreveu a primeira cura por banho de mar.

O uso dos banhos de mar teve início no século XVII, mas, só se firmou como prática social a partir do século XIX, quando foi associado à terapias medicinais para alívio dos sintomas de diversas doenças.

A partir dos primeiros anos do século XX, entretanto, o banho de água salgada deixou de ser exclusivamente terapêutico e se tornou um hábito mais corriqueiro, sendo a praia mais um espaço público ocupado pelas elites que experimentavam a modernidade.


Engraçado que, se voltássemos uns duzentos anos no tempo, ir à praia como nós vamos hoje não seria nada normal. Muito pelo contrário: tomar banho de mar era muito estranho e usar biquíni ou calção, ainda mais em público, nem pensar! É isto mesmo o que você deve estar pensando: até o lazer tem história.

O INICIO DO USO DA PRAIA NO BRASIL

Esta nossa história começa em 1810, e foi da Europa que os desesperados médicos de Dom João foram buscar a receita para curar o rei que vivia no Brasil havia dois anos.

Crença curiosa do mesmo período diz respeito ao poder purificador da roupa: acreditava-se que o tecido "absorvia" a sujeira do corpo. Bastaria, portanto, trocar de camisa todos os dias para manter-se limpinho.

Já no século XIX, o rei português dom João VI – o fujão que estabeleceu sua corte no Rio de Janeiro – mostrava-se descrente até da troca de camisas, que ele literalmente deixava apodrecer no corpo.

A imundice de Don João VI, extraordinária até para os baixos padrões sanitários de seu tempo, está bem descrita em outro livro lançado neste ano, Passado a Limpo – História da Higiene Pessoal no Brasil, do jornalista Eduardo Bueno. Mesmo coberto de feridas e contaminações na pele, Dom João VI fugia da água.

Quando os membros da Corte aderiram à atitude de ir às praias cariocas, grande parte da areia das grandes cidades funcionava como lixão. Cheias de lodo, carcaças de bichos e rodeadas de urubus, as praias também recebiam os barris carregados pelos escravos com os excrementos das casas da cidade.

Mais que isso: os mesmos negros, depois de mortos, tinham seus corpos lançados à maré ou mal enterrados na areia fofa. “Praia queria dizer então imundície”, escreveu Gilberto Freyre em Sobrados e Mucambos.

Pouco depois de a corte portuguesa chegar ao Rio de Janeiro e Don João VI com a perna infeccionada por conta de uma picada de carrapato, o rei seguiu as recomendações médicas e tomou um belo banho de mar – dentro de um barril, por medo dos caranguejos — e inaugurou oficialmente a temporada da praia na cidade.

Barril inaugural.
O traje de banho usado em 1810 por Dom João VI não era nada convencional, nem mesmo para a época. O rei de Portugal tinha medo dos caranguejos e só aceitou entrar na água dentro de um barril.

O recipiente que lhe serviu de roupa tinha o fundo tapado. Na lateral havia um pequeno buraco, por onde a água entrava. Conforme as exigências do monarca, apenas suas pernas podiam ser molhadas.

D. João VI era adepto de muitos passeios e quando estava no Paço de São Cristóvão, tomava banhos de mar no Caju, onde mandou construir um pequeno cais e uma banheira perfurada para que pudesse entrar na água salgada, tornando esta praia o primeiro balneário brasileiro.

Mantinha ainda uma chácara em Botafogo, certamente sob pretexto dos banhos de mar, que sempre tomava por indicação médica e sem demais precauções. D. Carlota Joaquina e suas filhas também frequentavam Botafogo. Já D. Pedro preferia o Flamengo.

Até 1810 ninguém tomava banho de mar no Brasil. Mulher nenhuma se esticava na areia de biquíni fio dental até torrar como um camarão. Não tinha futebol ainda e muito menos futebol de areia.

Não tinha surf, nem rodinhas de banhistas descansando sob guarda-sóis. Ninguém considerava costumeiro nem civilizado lagartear na areia até 1810.

Sem querer, ele inaugurou o costume que hoje lota as praias de banhistas e vendedores de queijo coalho.

Naquela época, entrar na água salgada para curar doenças era a última moda na Europa, desde que as ideias do médico inglês John Floyer, publicadas no início do século 18 no livro História do Banho Frio, se popularizaram entre os médicos ingleses e franceses.

Acreditava-se que o banho de mar curava tudo, de doenças mentais a paralisia. Por que não curaria a perna do rei de Portugal, exilado no Brasil?

Pois curou. O banho de mar terapêutico logo virou mania na alta sociedade carioca, que pagava uma fortuna para entrar na água do mar com todo o conforto e ter um lugar para trocar e guardar as roupas.

Com o sucesso, os banhos atraíram a corte portuguesa alojados no país. Logo surgiram as primeiras casas de banhos terapêuticos, que ofereciam aos banhistas, piscinas com água do mar e locais para se trocar e guardar as roupas.

Em um anúncio de 2 de dezembro de 1811, do jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, uma casa de banho oferecia seus serviços por 320 réis, o dobro do preço de um ingresso do Circo Olímpico, o principal da cidade.

A família real era propagadora da ideia, D. Pedro já até havia mandado construir um pavilhão para atender os banhistas em Botafogo, mas, só a partir de 1850, é que os banhos de mar tornaram-se mais populares.

Os locais mais procurados eram as praias centrais, sendo a do Boqueirão, de Santa Luzia, em frente ao Passeio Público, a mais famosa. Para frequentarem a praia, porém, os banhistas tinham certo ritual a seguir.

Os cavalheiros eram obrigados pelo regulamento da polícia a vestirem-se decentemente.


O horário de maior movimento era antes mesmo do amanhecer do dia, pois às sete horas, com o sol já alto, as pessoas de respeito não se atreviam a ficar expostas na areia e só iam à praia com fins terapêuticos.

O uso das praias como área de lazer foi uma conquista bastante lenta e dependeu de uma forte mudança de hábitos por parte da população. 

Como diversas outras, essa foi uma prática importada da Europa, apesar de o Brasil possuir litoral mais acessível e infinitamente mais belo que o do Velho Continente.




No início, todo mundo ia à praia de roupa.

Depois, homens e mulheres passaram a usar maiô inteiro. Os homens podiam vestir-se com calções de casimira escura, até os pés, e camiseta. Para as senhoras o traje era uma bata de baeta com gola à marinheira e babados nas mangas, acompanhada de calça comprida do mesmo tecido, também com babados na ponta.

Tudo azul marinho debruado de cadarços brancos. As mais escandalosas usavam cadarços vermelhos nas roupas. Completando a indumentária, sapatos de lona e toucas franzidas ou chapelões de aba para esconder os cabelos molhados.










Só mais tarde vieram os maiôs de duas peças e, há uns cinquenta anos, o biquíni.

Com a chegada ao Brasil de esportes como remo e futebol, ninguém dava bola para a restrição, pois todo mundo queria mesmo era ir à praia para jogar bola, depois encontrar os amigos, brincar, namorar…

O bom da praia é isso: não adianta tentar controlar. À praia, cada um vai como quer, quando quer. Na praia, cada um faz o que quer desde que não suje e não incomode os outros. Praia é espaço de liberdade.

Do barril ao topless - Pegar praia dava cadeia até a década de 20
- É Proibido Ver

A preocupação do governo e dos banhistas com a falta de pudor nas praias era enorme. Inicialmente, as senhoras banhavam-se de madrugada, para não serem vistas. Contra os moleques que as importunavam, as casas de banho colocava em suas paredes avisos como este: “É expressamente proibido fazer furos nestas cabines à verruma ou pena, os encontrados nessa prática devendo ser entregues à ação da polícia”.

Hora do banho

Em 1917, o prefeito carioca Amaro de Brito regulamentou os horários de praia. De 1º de abril a 30 de novembro, podia-se entrar na água das 6h às 9h e das 16h às 19h. No verão, das 5h às 8h e das 17h às 19h. Quem fosse pego em outros horários era punido com multa ou cinco dias de cadeia. Somente aos domingos e feriados havia uma tolerância de uma hora em cada um dos períodos. As autoridades esperavam que tais regulamentações fossem cumpridas à risca e advertiam aos espertinhos que as transgressões seriam punidas. 

Olha o maiô aí

A liberdade de frequentar a praia sem a perseguição da polícia começou com os esportes aquáticos. Em 1880, aconteceram as primeiras regatas, por influência inglesa. A primeira mulher a vestir um maiô de peça inteira, colado ao corpo, foi a campeã olímpica Annette Kellerman, na Olimpíada de Estocolmo, em 1912.

                              Annette Kellerman

Evolução do traje de banho.




O francês Louis Reard chocou o mundo ao mostrar dançarinas de cabaré com o umbigo à mostra, vestidas apenas com a sua invenção, o biquíni. O primeiro modelo chegou ao mercado em 3 de julho de 1946, criado pelo estilista Louis Réard e mostrado pela primeira vez em Paris.


Antes disso, o maiô perninha (que cobria as nádegas até o início das coxas) e o de duas peças (sutiã meia-taça e "short" cintura alta) eram o máximo de nudez a que uma mulher se permitia.

A solução foi convidar a dançarina Micheline Bernardini, que entrou para a história ao usar a peça que escandalizaria a sociedade e igreja da época.

O nome do modelo veio da ilha Bikini, no Pacífico, uma alusão aos testes com bombas atômicas na região: a criação deveria ser tão bombástica quanto!

Pudera. Afinal, era a primeira vez que as nádegas da mulher ficavam tão descobertas. "Não fez sucesso por causa disso".


Foi apenas na década de 60 que o biquíni tornou-se popular. "Veio junto com a liberação sexual feminina". 



Modelos dos anos 20 e o primeiro biquíni da história

Nas décadas anteriores, era comum ver pessoas completamente vestidas nas praias e quando entravam na água, utilizavam trajes que atualmente se assemelham com macaquinho ou combinações de bermudas e camisete.

Em alguns pontos das praias, havia até monitores para medir o tamanho das peças, para garantir que nenhum decote ou comprimento estaria fora do padrão.

Depois da polêmica da criação, foi na década de 50 que o biquíni começou a ser utilizado por dançarinas, nos retratos das belas pin ups e contou com a ajuda das celebridades do cinema para entrar na moda. 

Quando Brigitte Bardot, símbolo sexual da época, apareceu de biquíni no filme ‘E Deus Criou a Mulher’, em 1956, a peça se tornou um novo desejo para mulheres. Anos depois, em 1962, Ursula Andress marcaria outra cena do cinema ao sair do mar em ‘007 contra o Satânico Dr. No’.



O modelito mostrando a barriga e os detalhes dos seios causaram uma febre e medo em todas as mulheres. Houve quem dissesse que era vulgar, uma peça que mostrava demais e desnecessária.

Isso porque por anos se usava roupa de banho na praia, do tipo macaquito, mal mostrando as pernas. 

Mal sabiam eles que estava chegando o fio dental para assar! A primeira modelo a mostrar a peça ao público e única que aceitou a proposta foi uma dançarina de cabaré parisiense, já acostumada com a nudez porque dançava nua. Nenhuma modelo profissional topou mostrar o biquíni ao mundo.

Quinze anos depois, a polêmica chegou ao Brasil: o biquíni foi proibido nas praias nacionais pelo pacote moralista do presidente Jânio Quadros, que vetou também corridas de cavalo, rinhas de galo e o lança-perfume. Mas a moda já tinha pegado por aqui fazia tempo.

O biquíni foi considerado tão chocante que o presidente do Brasil na época, Jânio Quadros, quis proibi-lo!


Sempre achei essa história curiosa e nunca entendi direito o que é que o biquini podia ter de tão perigoso, mas houve um período no Brasil em que era proibido usar a peça, ou melhor, as duas peças. Durante o curto governo de Jânio Quadros aconteceu tanta coisa que é até difícil explicar!
A proibição do uso do biquini foi proposta pelo próprio presidente, uma estratégia para se manter nas capas dos jornais do país. 
Jânio Quadros é considerado um dos primeiros políticos brasileiros a trabalhar a sua imagem de forma calculada. Suas roupas, seus gestos, todas as suas aparições públicas eram cuidadosamente preparadas. 
Tanto na aparência quanto nos discursos, Jânio se preocupada excessivamente com a forma, mas na maioria das vezes lhe faltava conteúdo.
Durante seu governo, a situação econômica do país piorou. No Congresso, sua passagem foi conflituosa. Na política externa, mais surpresas! 
Em plena Guerra Fria, procurou se aproximar do bloco socialista, um pecado quase mortal para os norte-americanos. 
Ensaiou o restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética, enviou o seu vice-presidente à China comunista e condecorou Che Guevara com a ordem do Cruzeiro do Sul, a mais importante medalha nacional. 
Isso tudo em um momento histórico marcado pela oposição capitalismo X socialismo.
É neste contexto que Jânio Quadros renuncia, no dia 25 de agosto de 1961, dando início a uma grave crise política. 
Imaginem se a lei pegou? Claro que não. Nem esta nem a outra lei que estabelecia hora certa para ir à praia, no início do século 20: de 5 às 8 horas e de 17 às 19 horas no verão. 
Brigitte Bardot ajuda a popularizar o biquíni, com Ursula Andress e as pin ups.

No Brasil, o biquíni foi utilizado pela primeira vez em 1948, pela alemã Miriam Etz e a novidade não era bem vista por todos. Ela vestiu para ir à Praia do Arpoador, no Rio de Janeiro (RJ).


Nos anos 60, a peça já era frequente no Rio de Janeiro, especialmente entre as musas da bossa nova, como a ‘Garota de Ipanema’ Helô Pinheiro.

O biquíni também serviu para quebrar tabus ao longo do tempo, como quando Leila Diniz causou polêmica ao ir a praia de biquíni grávida em 1971.

Para que hoje todas possam ir à praia com o biquíni que preferir, a moda precisou quebrar tabus e chocar a sociedade.

O bom é que aos poucos a liberdade feminina foi conquistada e as roupas de banho ficaram cada vez menores, para o nosso benefício nas marquinhas de sol. Com os dias quentes chegando, veja a seguir a evolução da moda praia.

Veja a evolução da moda praia.







A prática mostrou que não houve rigidez de nenhuma das partes. Cada grupo de frequentadores tinha seu horário próprio. 

Ao amanhecer o dia, os banhistas eram os mais idosos, que ainda tomavam banho de mar como remédio.

Pouco depois, as babás ou mesmo as mamães com suas crianças. Lá pelas nove da manhã era a vez da moçada das pensões, que adorava exibir os músculos e o bronzeado, que só começou a ser apreciado a partir da década de 50.

Os banhistas do meio dia constituíam a nata dos frequentadores, os chamados brotos sensacionais. As domésticas não possuíam hora certa, vinham na folga, mais comum na hora da sesta de suas patroas.

Os conceitos de recato e decência foram mudando com o passar das décadas e com eles o comprimento das roupas de banho.

As túnicas justas com calças curtas e cinto, que deixavam pernas e braços à mostra, substituíram as roupas longas.

Depois vieram os maiôs, os biquínis, que foram diminuindo de tamanho até passarem de duas peças para uma peça só - o que ainda é polêmica. Com tudo isso, uma coisa não mudou. 

A praia, que fez com que antigos costumes fossem rompidos, é uma das raras diversões públicas que ainda é de graça. De brinde, o sol e o céu azul.

Topless na cadeia

Em 1964, a novidade foi o monoquíni (ou “topless”), que foi criticado pela Igreja, mas apoiado por Roberto Carlos em músicas como “Eu sou fã do monoquíni”.

Apesar do lobby do rei, o traje ainda é polêmica. Em 2000, depois de tirar a parte de cima do biquíni na praia do Recreio, a carioca Rosimeri Costa foi presa por 20 policiais.

História do biquíni no Brasil.

No Brasil, o biquíni começou a ser usado no final dos anos 50. Primeiro, pelas bailarinas e depois pelas mulheres mais ousadas a aderir ao traje. Uma das aparições mais famosas nas areias daqui foi da atriz Leila Diniz, que ostentou sua gravidez de oito meses na praia de Ipanema usando um biquíni. A imagem se tornou símbolo da liberação feminina nos anos 70.

Atriz Leila Diniz

Helô Pinheiro, a eterna “garota de Ipanema”, também fez história na moda praia desfilando no calçadão com seus biquínis nos anos 60.
Helô Pinheiro, garota de Ipanema.

Na década de 50, as grandes divulgadoras do biquíni foram às atrizes de cinema americano e as pin-ups. Em 1956, a francesa Brigitte Bardot eterniza o traje no filme “E Deus Criou a Mulher”, ao usar um modelo xadrez Vichy.

O biquíni só começou a ser usado no Brasil no final da década de 50, por vedetas como Carmem Verônica e Norma Tamar, que juntavam multidões nas areias em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Só a partir daí é que o biquíni passou a fazer história nas passarelas da década de 60, o designer norte-americano Rudi Gernreich deixou de lado a parte superior do biquíni fazendo surgir o topless, tornando este traje ainda mais ousado embora esta moda tenha sido mais usada nas praias europeias chegando mesmo a ser proibida nas piscinas públicas do Brasil, foi também nesta época que surgiu o chamado “triquini”, de frente parecia um fato de banho com um tira a ligar a parte de cima à parte de baixo, mas de trás parecia um autentico biquíni.

Mas foi no início dos anos 70, que foi produzido um modelo de biquíni ainda menor, a tanga e na entrada dos anos 80 a asa-delta seguida do fio dental que passou a ser o favorito das raparigas jovens.

Nos anos 90, a moda de praia tornou-se ainda mais importante começando a surgir mais tipos de vestuário e acessórios como a saída de praia, as malas coloridas, os chinelos, óculos, chapéus e toalhas.

Os modelos foram triplicando e com a ajuda da evolução tecnológica foram criados tecidos mais apropriados e de melhor qualidade para o banho no mar e na piscina.

O Brasil é o país que sem dúvida mais produz e consome biquínis. Este ao longo dos anos evoluiu em tecnologia e modelagem ao longo dos anos. O biquinho brasileiro é conhecido e reconhecido internacionalmente, pois tem um estilo mais ousado, tem melhor qualidade e modelos mais criativos, que os diferencia dos outros fabricados produtores.

O Brasil tem um grande a vontade neste sector devido ao clima do pais e pela extensão do litoral que tem mais de 7 mil km de praias o que explica ser este o pais lançador mundial de tendências de moda de praia.

MODELOS DE BIQUÍNI FIO DENTAL (A invenção do Brasil)

E há diferenças? Sim, há. Nem todos são iguais e alguns ficam melhor que outros.

1.  Micro biquíni – ele é fio dental porque o modelo fica entre as nádegas, mas não é tão pequeno assim. Forma um V na parte de trás e mais parece com uma calcinha muito cavada, mas ainda é comportado. É preferência pelas brasileiras porque deixa uma marquinha de sol mais charmosa e é mais confortável para uso.

2.  Asa delta – a parte de baixo do biquíni vai até em cima, na cintura mesmo. É um dos modelos mais queridos nos Estados Unidos e Europa que preferem modelos com mais segurança. Por aqui, a cintura baixa impera no mercado.


3.  Cortininha – a parte da frente dobra em uma pequena franja, deixando mais da virilha à mostra. É conhecido por proporcionar um bronze uniforme e deixar uma marca finíssima. Lembra bastante um tapa sexo de tão discreto, e por isso é comumente usado em sessões de bronzeamento artificial.

4.  De lacinho – as laterais da calcinha do modelo se fecham com um laço. É popular no Brasil porque o biquíni lacinho é um dos mais queridos aqui, e bem confortável. Para ter mais segurança, um nó é indicado ser feito antes de fazer um laço.



5.  Fio – na parte de trás, apenas um fio indo até a parte da frente, com modelo semelhante a um tapa sexo. É conhecido por sua sensualidade e não deixa marca grande no bronze, mas é preciso saber que ele deve incomodar um pouco no uso.


PRAIA, UMA DIVERSÃO RECENTE.


Fontes:

- Rio de Janeiro em prosa e verso, O Rio de Janeiro do Meu Tempo, Revista O Cruzeiro, Aparências do Rio de Janeiro.

- Rainer Sousa - Mestre em História - Equipe Brasil Escola

- ALENCASTRO, Luiz Felipe de. “Vida privada e ordem privada no Império” In: História da vida privada no Brasil II: Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

- BUENO, Eduardo. Passado a limpo: história da higiene pessoal no Brasil. Gabarito, 2007.





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