SOMOS HERÓIS! - A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS BATALHAS CONTRA INVASORES ESTRANGEIROS: CORSÁRIOS E PIRATAS QUE TENTARAM INVADIR A VILA DE VITÓRIA – 1551/1632 - (2ª PARTE)
Por WILLIS DE FARIA
Com a morte de Vasco Fernandes Coutinho Filho, em 1589, sucedeu-lhe na direção da capitania a sua 'mulher e viúva, Luisa Grinalda que, em ato contínuo, nomeou para adjunto o combatente Miguel de Azeredo. Não fosse à desastrada entrada de Cavendish no Espírito Santo, talvez Luísa Grinalda tivesse morri do como na mesma obscuridade em que nascera: a época de sua governança tomou-se conhecida, estudada encomendada justamente em conseqüência da invasão feita ao nosso Estado por aquele pirata.
No ano de 1592, o famoso pirata inglês Thomas Cavendish resolveu atacar a ilha de Vitória; Entretanto, os habitantes da vila puderam notar. A sua presença em tempo e prepararam-lhe uma "pouco honrosa" recepção, já que foi duramente batido nas praias próximas.
No ano de 1592, o famoso pirata inglês Thomas Cavendish resolveu atacar a ilha de Vitória; Entretanto, os habitantes da vila puderam notar. A sua presença em tempo e prepararam-lhe uma "pouco honrosa" recepção, já que foi duramente batido nas praias próximas.
Diz Adelpho Polli Monjardim, na "Revista do Instituto Histórico e Geográfico", volume IX, páginas 121 e seguintes, que, "aos índios goitacá, acampados nas proximidades de Vila Velha, foi feito urgente apelo, atendendo-o o seu cacique Jupi-Açu, com duzentos homens. Entre o astuto índio e o fidalgo português (Miguel de Azeredo) foi delineado o plano de defesa. Para iludir os inimigos e darem impressão de possuírem grandes recursos, mandaram acender no alto dos morros circundantes à baía, a partir do Moreno e a terminar no Penedo, grandes fogueiras. Ardil que mais tarde se verificou ter surtido efeito, evitando ataque no turno. A bocaína existente ao lado direito do Penedo e na parte fronteira; no morro em que noventa anos mais tarde ergueriam o Forte de São João, no mais apertado passo da baía de Vitória, construíram apressadamente dois fortins de taipa e pedras soltas disfarça dos nos próprios matos”. Monjardim vai mais além fazendo diversas considerações sobre as atitudes de Cavendish e o' seu lugar, tenente, que era capitão de uma das naus que aportaram na Vila de Vitória. Em 7 de fevereiro daquele ano, aproximou-se de Vitória a temida esquadra do navegador inglês Thomas Cavendish.
Ele aterrorizava os mares com ousadia, coragem e crueldade, praticando assaltos a caravelas, vilas e fortificações em muitas partes do mundo. Vinha da Vila de Santos, onde havia imposto um devastador ataque à Capitania de São Vicente, saqueando e matando a maioria dos seus habitantes.
Pensava que, na modesta Capitania do Espírito Santo, faria o mesmo e com o mínimo de esforço. Cavendish tornara-se um perverso corsário e sua tática era amedrontar as vítimas antes de atacá-las. Tinha como principal nau a capitânia Leicester, que encalhou nas imediações da Ilha do Boi, ao se aproximar da costa. Os tripulantes levaram uma noite para desencalhar a embarcação, retardando a ação e acabando com o elemento surpresa. Assim, possibilitou que os habitantes organizassem a defesa — procurando todas as formas de neutralizar os invasores que, apresentando suas temerosas bandeiras, tentavam levar pânico à população. As demais naus da frota de Cavendish chamavam-se Desirè — que fundeou junto ao Morro do Moreno, próximo ao Convento da Penha —, Daintie, Roubcak e Black Pinesse. Traziam aproximadamente 200 homens. Destes, a maioria vinha de inúmeras batalhas e tinha experiência de conflitos, tanto em mar, quanto em terra. Sem contar que seus comandantes tinham também acumulado muitas vitórias contra inúmeras fortificações, navios, conventos e aldeias. Cavendish e seus homens se transformaram no maior terror para muitos povos.
Mas os capixabas, provavelmente se beneficiando do fato de a nau Leicester ficado horas encalhada, improvisaram dois fortins; um junto ao Morro do Penedo e o outro no Morro do Vigia. Este serviu de base para a edificação do Forte São João. Neles, e durante a noite foram armadas trincheiras e estocadas pedras e flechas.
Os jesuítas capitaneavam os guaranis; Miguel de Azevedo, os colonos; e o cacique Japi-Açu, os Goitacás. E se prepararam para a grande batalha em defesa da sede da Capitania do Espírito Santo. Na manhã seguinte, 8 de fevereiro, logo após os invasores terem desencalhado a nau capitânia, dois lanchões, sob ordens do capitão Robert Morgan, iniciaram a operação de ataque. E foram surpreendidos com os índios lançando milhares de flechas sobre os corsários, matando a maioria logo na primeira investida.
Uma reação jamais imaginada pelos experientes saqueadores. Pensavam que só o temor por suas temidas bandeiras faria os capixabas capitularem. Quando o capitão Morgan percebeu a iminente derrota — ele, um dos mais experientes e temidos piratas, responsável por inúmeros saques desencadeados pela esquadra de Cavendish, arrebatando ouro, jóias e matando os vencidos em muitas partes do planeta —, retrocedeu assustado com a resistência e a coragem dos nativos. Como havia se notabilizado pela ousadia, não aceitou o revés e voltou ao ataque, sendo novamente rechaçado pelos fortins plantados estrategicamente na entrada da baía.
Conta a história, que durante os acirrados combates contra portugueses e nativos, os soldados comandados por Morgam foram severamente batidos, a flechas, tiros e até a pedrada. Robert Morgam não pôde sustentar durante muito tempo assédio dos naturais, vindo a falecer em terras capixabas, vitimado de' profundos golpes recebidos durante a batalha.
Dos 120 homens que tentaram invadir a sede da Capitania do Espírito Santo, 40 morreram no combate ao lado do capitão. Os 80 que conseguiram voltar às naus estavam gravemente feridos. Muitos morreram em alto mar em função desses ferimentos provocados por centenas de flechas envenenadas, lançadas pelos nativos. Havia sido uma derrota avassaladora, deixando poucos sobreviventes e uma grande lição que poderia servir para muitos saqueadores dos dias de hoje. Por isto, ficamos conhecidos como "gatos selvagens".
Conta ainda Monjardim que Cavendish fez veemente protesto contra as atitudes covardes de Morgarn, dizendo-o até "traidor da Inglaterra". O capitão Cavendish, no entanto, não voltou a terra: dali mesmo levantou âncora. Os comandados de Miguel de Azeredo souberam sair-se bem desta empreitada.
Diz Serafim Leite que "a gente da terra construiu às pressas dois fortins perto da vila, armaram-se ciladas nos lugares mais altos para esmagar o inimigo com pedras e flecha”. Nesta hora os padres foram bem providenciais e, como das vezes anteriores, trouxeram "os índios das aldeias", que combateram ferozmente.
Segundo Anthony Knivet, "perdemos oitenta homens nesse lugar e, dos quarenta que se salvaram nem um voltou sem uma flechada no corpo, chegando alguns a ter cinco ou seis ferimentos".
Pensava que, na modesta Capitania do Espírito Santo, faria o mesmo e com o mínimo de esforço. Cavendish tornara-se um perverso corsário e sua tática era amedrontar as vítimas antes de atacá-las. Tinha como principal nau a capitânia Leicester, que encalhou nas imediações da Ilha do Boi, ao se aproximar da costa. Os tripulantes levaram uma noite para desencalhar a embarcação, retardando a ação e acabando com o elemento surpresa. Assim, possibilitou que os habitantes organizassem a defesa — procurando todas as formas de neutralizar os invasores que, apresentando suas temerosas bandeiras, tentavam levar pânico à população. As demais naus da frota de Cavendish chamavam-se Desirè — que fundeou junto ao Morro do Moreno, próximo ao Convento da Penha —, Daintie, Roubcak e Black Pinesse. Traziam aproximadamente 200 homens. Destes, a maioria vinha de inúmeras batalhas e tinha experiência de conflitos, tanto em mar, quanto em terra. Sem contar que seus comandantes tinham também acumulado muitas vitórias contra inúmeras fortificações, navios, conventos e aldeias. Cavendish e seus homens se transformaram no maior terror para muitos povos.
Mas os capixabas, provavelmente se beneficiando do fato de a nau Leicester ficado horas encalhada, improvisaram dois fortins; um junto ao Morro do Penedo e o outro no Morro do Vigia. Este serviu de base para a edificação do Forte São João. Neles, e durante a noite foram armadas trincheiras e estocadas pedras e flechas.
Os jesuítas capitaneavam os guaranis; Miguel de Azevedo, os colonos; e o cacique Japi-Açu, os Goitacás. E se prepararam para a grande batalha em defesa da sede da Capitania do Espírito Santo. Na manhã seguinte, 8 de fevereiro, logo após os invasores terem desencalhado a nau capitânia, dois lanchões, sob ordens do capitão Robert Morgan, iniciaram a operação de ataque. E foram surpreendidos com os índios lançando milhares de flechas sobre os corsários, matando a maioria logo na primeira investida.
Uma reação jamais imaginada pelos experientes saqueadores. Pensavam que só o temor por suas temidas bandeiras faria os capixabas capitularem. Quando o capitão Morgan percebeu a iminente derrota — ele, um dos mais experientes e temidos piratas, responsável por inúmeros saques desencadeados pela esquadra de Cavendish, arrebatando ouro, jóias e matando os vencidos em muitas partes do planeta —, retrocedeu assustado com a resistência e a coragem dos nativos. Como havia se notabilizado pela ousadia, não aceitou o revés e voltou ao ataque, sendo novamente rechaçado pelos fortins plantados estrategicamente na entrada da baía.
Conta a história, que durante os acirrados combates contra portugueses e nativos, os soldados comandados por Morgam foram severamente batidos, a flechas, tiros e até a pedrada. Robert Morgam não pôde sustentar durante muito tempo assédio dos naturais, vindo a falecer em terras capixabas, vitimado de' profundos golpes recebidos durante a batalha.
Dos 120 homens que tentaram invadir a sede da Capitania do Espírito Santo, 40 morreram no combate ao lado do capitão. Os 80 que conseguiram voltar às naus estavam gravemente feridos. Muitos morreram em alto mar em função desses ferimentos provocados por centenas de flechas envenenadas, lançadas pelos nativos. Havia sido uma derrota avassaladora, deixando poucos sobreviventes e uma grande lição que poderia servir para muitos saqueadores dos dias de hoje. Por isto, ficamos conhecidos como "gatos selvagens".
Conta ainda Monjardim que Cavendish fez veemente protesto contra as atitudes covardes de Morgarn, dizendo-o até "traidor da Inglaterra". O capitão Cavendish, no entanto, não voltou a terra: dali mesmo levantou âncora. Os comandados de Miguel de Azeredo souberam sair-se bem desta empreitada.
Diz Serafim Leite que "a gente da terra construiu às pressas dois fortins perto da vila, armaram-se ciladas nos lugares mais altos para esmagar o inimigo com pedras e flecha”. Nesta hora os padres foram bem providenciais e, como das vezes anteriores, trouxeram "os índios das aldeias", que combateram ferozmente.
Segundo Anthony Knivet, "perdemos oitenta homens nesse lugar e, dos quarenta que se salvaram nem um voltou sem uma flechada no corpo, chegando alguns a ter cinco ou seis ferimentos".
QUEM FOI THOMAS CAVEDISH?
Um dos mais destemidos corsários foi Thomas Cavendish - considerado o terceiro circunavegador do globo - que deixou a Inglaterra comandando uma frota e saiu navegando aventuroso pelos mares, em busca de riquezas, uma vez que fora armado cavalheiro britânico. Apesar de atacar suas presas sem piedade, sabia ser galante e até cavalheiresco, tanto é que o historiador Rocha Pombo observa na sua História do Brasil que ele era "...o tipo do franco-ladrão dos mares, que sabia dar às suas façanhas e depredações uma cor de elegância cavalheiresca, tornando-se popular, e sendo até aplaudido, em vez de renegado pela própria aristocracia européia".
Nasceu em 1555, em Trimley St. Martin, perto de Ipswich, Suffolk, Inglaterra e recebera patente em 1588 de corsário da Rainha Elisabeth, inimiga figadal do Império Espanhol, – e morreu em Fevereiro de 1592 na Ilha Ascensão (Ilha nunca encontrada pelos portugueses, na costa de Espirito Santo, acreditamos que um cataclisma vulcanico tenha a imergido ao fundo do mar, formando o pico Vitória – falaremos sobre isto em outra matéria), na costa brasileira, numa tempestade que dispersou seus cinco navios.
Atacou vilas de nosso litoral durante o domínio espanhol no Brasil. Saqueou e destruiu as vilas de Santos e São Vicente em 1591, destruindo a tentativa da indústria canavieira paulista (as ruínas do Engenho dos Erasmos e do Outeiro de Santa Catarina datam desta época).
Entretanto, ao seguir a costa brasileira para norte, foi derrotado na entrada da baia de Vitória, no Espírito Santo ainda em 1592. Ao tentar invadir a cidade, se deparou com dois fortins construídos durante a noite. Os invasores não conseguiram derrotar os capixabas e se viram obrigados a recuar, seguindo em frente em sua viagem.
Cavendish participou da expedição de fundação da Virgínia em 1585, comandando um navio na frota de Sir Richard Grenville. Em 1586 comandando uma frota de três navios, foi o terceiro homem a dar a volta no mundo, retornando em 1588 a Inglaterra. Morreu em 1592 na ilha Ascensão, no oceano Atlântico, após uma tempestade que dispersou seus cinco navios. (Fonte: Wikipédia).
Nasceu em 1555, em Trimley St. Martin, perto de Ipswich, Suffolk, Inglaterra e recebera patente em 1588 de corsário da Rainha Elisabeth, inimiga figadal do Império Espanhol, – e morreu em Fevereiro de 1592 na Ilha Ascensão (Ilha nunca encontrada pelos portugueses, na costa de Espirito Santo, acreditamos que um cataclisma vulcanico tenha a imergido ao fundo do mar, formando o pico Vitória – falaremos sobre isto em outra matéria), na costa brasileira, numa tempestade que dispersou seus cinco navios.
Atacou vilas de nosso litoral durante o domínio espanhol no Brasil. Saqueou e destruiu as vilas de Santos e São Vicente em 1591, destruindo a tentativa da indústria canavieira paulista (as ruínas do Engenho dos Erasmos e do Outeiro de Santa Catarina datam desta época).
Entretanto, ao seguir a costa brasileira para norte, foi derrotado na entrada da baia de Vitória, no Espírito Santo ainda em 1592. Ao tentar invadir a cidade, se deparou com dois fortins construídos durante a noite. Os invasores não conseguiram derrotar os capixabas e se viram obrigados a recuar, seguindo em frente em sua viagem.
Cavendish participou da expedição de fundação da Virgínia em 1585, comandando um navio na frota de Sir Richard Grenville. Em 1586 comandando uma frota de três navios, foi o terceiro homem a dar a volta no mundo, retornando em 1588 a Inglaterra. Morreu em 1592 na ilha Ascensão, no oceano Atlântico, após uma tempestade que dispersou seus cinco navios. (Fonte: Wikipédia).
Considerações:
Thomas Cavedish foi o pirata mais famoso a aportar na baía de Vitória. No dia 21 de julho de 1586 ele saiu de Plymouth com 123 homens, em três navios. Só um retornou o Desirè, de 140 toneladas. Das ilhas do Cabo Verde Cavendish seguiu para o Brasil, e desceu a América do Sul até a Patagônia. Depois de dois anos e 50 dias de saques e pilhagens, retornou a seu país. Animado com o triunfo, zarpou novamente, com cinco navios, em 1591.
Um documento precioso sobre a história do litoral paulista foi publicado em 2008. É a tradução do manuscrito de Thomas Cavendish, corsário inglês que em 1591 saqueou e queimou as vilas de Santos e São Vicente, sobre os infortúnios da viagem que, usando o litoral da capitania de São Vicente como ponto de abastecimento, buscava alcançar o objetivo da viagem, ultrapassar o Estreito de Magalhães, no extremo sul do continente, e atingir o Oceano Pacífico. Apesar de saqueada e tomada por dois meses, à conquista da vila de Santos não parece um grande feito aos olhos do pirata. A ilha de São Vicente, assim como as ilhas de São Sebastião (atual Ilhabela) e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, apesar de serem alvos dos corsários ingleses contra os espanhóis (naquele momento as coroas ibéricas estavam unificadas sob Felipe II, inimigo da coroa inglesa), não eram para Cavendish mais que um entreposto para a preparação de seu objetivo principal, atingir o Pacífico, assim como havia feito em 1586, quando chegou ao estado da Califórnia, então colônia espanhola, onde saqueou a caravela Santa Ana, com seus 600 tonéis carregados de ouro, pérolas, cetim e seda.
Dali, ele saqueia portos e vilarejos em Java, na Índia e nas Filipinas, de onde retorna pelo Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para a Inglaterra, enriquecido. O próprio manuscrito, ao deixar de lado a tomada da vila, deixa clara a inutilidade da conquista em comparação ao fracasso da passagem para o Pacífico.
O relato de Cavendish, como aponta o pesquisador, “para informar os motivos de sua falha”, lançando a culpa sobre seus companheiros e tripulação. Cavendish julgou o mundo perdido; o sucesso de seu projeto fugia a seu controle. Assim, lançou a culpa de seus fracassos em seus companheiros. As intenções do corsário de justificar ao amigo seu infortúnio e o estado psicológico em que o texto foi escrito surgem logo no início: Os insucessos desta tão desafortunada ação e os amargos momentos dela recaem pesadamente sobre mim, uma vez que com muita dor sou capaz de escrever estas parcas linhas muito menos lhe fazer discurso de todos os acontecimentos adversos que me recaíram nesta viagem, o último é minha morte.
Sobre Santos e São Vicente, o relato se concentra durante a viagem de retorno, quando, desgostoso, Cavendish aceita a sugestão de seus subordinados e volta para terras “brasílicas”, onde seus navios poderiam refazer seus estoques de víveres e recuperar velas e equipamentos. Mas ali, calejados pela ocupação recente, os colonos portugueses e índios locais oferecem maior resistência e matam um grupo de 25 ingleses, mandados à terra para reconhecer o terreno. Apenas um dos integrantes do grupo, um índio que havia se unido ao grupo durante a ocupação, volta para o navio. Depois da amargura de Cavendish em não ter cruzado Magalhães, semana que vem Porto Literário traz o relato de Anthony Knivet, integrante da tripulação que registrou o ataque à vila de Santos no natal de 1591.
Como já relatado anteriormente, por volta de 1592, o governo da Colônia teve conhecimento de que, a Vila de Vitória seria atacada pelo corsário inglês Thomas Cavendish. Com tempo suficiente para organizar a resistência, o capitão Miguel de Azeredo reuniu os homens em condições de combater o inimigo. De igual modo, apelou para os índios Goitacás, então aldeiados próximo ao centro de Vila Velha. O chefe dos Goitacás, Jupi-Açu, se colocou ao lado dos colonos. Não seria a primeira vez que lutariam contra os invasores estrangeiros. Derrotados na Batalha da Vila de Vitória, pôs-se ao largo e fugiu a todo pano perante o delírio dos colonos que comemoravam a vitória sobre os corsários ingleses.
Um detalhe ainda. Ao abandonar o Espírito Santo, derrotado, abatido, Cavendish rumou para São Sebastião, lá deixando, na ilha, todos os enfermos e feridos da Armada, alguns dos quais já nem podiam andar. Entre esses enfermos estava Antonio Knivet, o marinheiro, que, restabelecendo-se ali, ainda realizou aventuras pelos sertões, acabando por deixar uma pequena história da sua própria vida, das vicissitudes que sofrera, das peripécias que passara, em terra e no mar, em companhia de Cavendish, conservando, para a posteridade, o melhor da intimidade do grande corsário.
Um documento precioso sobre a história do litoral paulista foi publicado em 2008. É a tradução do manuscrito de Thomas Cavendish, corsário inglês que em 1591 saqueou e queimou as vilas de Santos e São Vicente, sobre os infortúnios da viagem que, usando o litoral da capitania de São Vicente como ponto de abastecimento, buscava alcançar o objetivo da viagem, ultrapassar o Estreito de Magalhães, no extremo sul do continente, e atingir o Oceano Pacífico. Apesar de saqueada e tomada por dois meses, à conquista da vila de Santos não parece um grande feito aos olhos do pirata. A ilha de São Vicente, assim como as ilhas de São Sebastião (atual Ilhabela) e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, apesar de serem alvos dos corsários ingleses contra os espanhóis (naquele momento as coroas ibéricas estavam unificadas sob Felipe II, inimigo da coroa inglesa), não eram para Cavendish mais que um entreposto para a preparação de seu objetivo principal, atingir o Pacífico, assim como havia feito em 1586, quando chegou ao estado da Califórnia, então colônia espanhola, onde saqueou a caravela Santa Ana, com seus 600 tonéis carregados de ouro, pérolas, cetim e seda.
Dali, ele saqueia portos e vilarejos em Java, na Índia e nas Filipinas, de onde retorna pelo Cabo da Boa Esperança (extremo sul da África) para a Inglaterra, enriquecido. O próprio manuscrito, ao deixar de lado a tomada da vila, deixa clara a inutilidade da conquista em comparação ao fracasso da passagem para o Pacífico.
O relato de Cavendish, como aponta o pesquisador, “para informar os motivos de sua falha”, lançando a culpa sobre seus companheiros e tripulação. Cavendish julgou o mundo perdido; o sucesso de seu projeto fugia a seu controle. Assim, lançou a culpa de seus fracassos em seus companheiros. As intenções do corsário de justificar ao amigo seu infortúnio e o estado psicológico em que o texto foi escrito surgem logo no início: Os insucessos desta tão desafortunada ação e os amargos momentos dela recaem pesadamente sobre mim, uma vez que com muita dor sou capaz de escrever estas parcas linhas muito menos lhe fazer discurso de todos os acontecimentos adversos que me recaíram nesta viagem, o último é minha morte.
Sobre Santos e São Vicente, o relato se concentra durante a viagem de retorno, quando, desgostoso, Cavendish aceita a sugestão de seus subordinados e volta para terras “brasílicas”, onde seus navios poderiam refazer seus estoques de víveres e recuperar velas e equipamentos. Mas ali, calejados pela ocupação recente, os colonos portugueses e índios locais oferecem maior resistência e matam um grupo de 25 ingleses, mandados à terra para reconhecer o terreno. Apenas um dos integrantes do grupo, um índio que havia se unido ao grupo durante a ocupação, volta para o navio. Depois da amargura de Cavendish em não ter cruzado Magalhães, semana que vem Porto Literário traz o relato de Anthony Knivet, integrante da tripulação que registrou o ataque à vila de Santos no natal de 1591.
Como já relatado anteriormente, por volta de 1592, o governo da Colônia teve conhecimento de que, a Vila de Vitória seria atacada pelo corsário inglês Thomas Cavendish. Com tempo suficiente para organizar a resistência, o capitão Miguel de Azeredo reuniu os homens em condições de combater o inimigo. De igual modo, apelou para os índios Goitacás, então aldeiados próximo ao centro de Vila Velha. O chefe dos Goitacás, Jupi-Açu, se colocou ao lado dos colonos. Não seria a primeira vez que lutariam contra os invasores estrangeiros. Derrotados na Batalha da Vila de Vitória, pôs-se ao largo e fugiu a todo pano perante o delírio dos colonos que comemoravam a vitória sobre os corsários ingleses.
Um detalhe ainda. Ao abandonar o Espírito Santo, derrotado, abatido, Cavendish rumou para São Sebastião, lá deixando, na ilha, todos os enfermos e feridos da Armada, alguns dos quais já nem podiam andar. Entre esses enfermos estava Antonio Knivet, o marinheiro, que, restabelecendo-se ali, ainda realizou aventuras pelos sertões, acabando por deixar uma pequena história da sua própria vida, das vicissitudes que sofrera, das peripécias que passara, em terra e no mar, em companhia de Cavendish, conservando, para a posteridade, o melhor da intimidade do grande corsário.
* Cavendish participou da expedição de fundação da Virgínia em 1585, comandando um navio na frota de Sir Richard Grenville. Em 1586 comandando uma frota de três navios, foi o terceiro homem a dar a volta no mundo, retornando em 1588 a Inglaterra. Morreu em 1592.



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