A CONSTRUÇÃO DA PONTE FLORENTINO AVIDOS - 1927/1928 - (CINCO PONTES)

A EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO DA PONTE DO PROGRESSO DA ILHA DE VITÓRIA.

(Por: WILLIS DE FARIA)
 

No ano de 1906, a Companhia Porto de Vitória recebe concessão do Governo Federal para efetuar estudos e organizar um projeto com o porto sendo construído em Vitória. Pensando no aprofundamento da parte do ancoradouro, no aumento do calado das embarcações e na construção de uma ligação entre Vitória e o continente, o projeto, de responsabilidade do engenheiro Emílio Schnoor, prevê a construção de uma ponte para alimentar de produtos o novo porto. Em 1910 o plano de obras descreve a ponte e a projeta para ter inicio na linha ligando o extremo do cais do porto na Avenida Schmidt à Ilha do Príncipe. As obras são iniciadas pelo governo Jerônimo Monteiro (1908 a 1912). 

Em 1914 devido a Primeira Guerra Mundial, as obras da ponte são paralisadas. Os negócios do comércio e da produção voltados para o café eram os mais lucrativos. No entanto, a renda decorrente dessas atividades não foi suficiente para promover a diversificação dos investimentos e nem alavancar a construção a ponto de torná-la independente da encomenda. As principais obras até então realizadas eram provenientes da iniciativa pública, e entre elas se destacam a construção do porto e a da ponte Florentino Avídos. 


Da própria fábrica veio um engenheiro e sete contramestres para dirigir a construção das fundações, montar e instalar a ponte. A construção do porto foi realizada por diferentes empresas, nenhuma delas local. Mas, em 1925, em 7 de setembro, um novo contrato entre o governo da União e o estado se consolida na gestão do governador Florentino Avidos (1924 a 1928). 


O projeto da ponte é alterado significativamente, planejando-a para um uso mais duradouro. Já em 1926, o projeto e orçamento da ponte com todas as obras e trabalhos conexos são aprovados pelo Governo Federal pelo decreto nº. 17.289, de 22 de abril. A ligação se daria pelos terrenos da firma A. Prado & Cia, ao extremo oeste da Ilha do Príncipe, contornando-a pelo seu lado oeste e seguindo pela Avenida Cleto Nunes até o cais do porto. Sua extensão ainda contornaria o morro da Santa Casa de Misericórdia e os fundos dos armazéns de café existentes no cais Schmidt. 


Os trabalhos da ponte ficam a cargo da firma francesa Societé de Construction du Port de Bahia S.A. e são divididos em infra-estrutura e superestrutura. A infra-estrutura consistia em saneamento dos encontros norte e sul do canal e todo trabalho técnico de assentamento dos pilares. O fornecimento da superestrutura é contratado, no dia 15 de junho, com a fábrica alemã Maschinenfabrik Augsburg Nuremberg, sendo sua construção fiscalizada pelo Dr. Moacir Avidos. Da própria fábrica veio um engenheiro e sete contramestres para dirigir a construção das fundações, montar e instalar a ponte. 


A construção do porto foi realizada por diferentes empresas, nenhuma delas local.  O comprimento foi estabelecido em 330 m para a ligação com o continente, composta de 5 vãos de 66 m cada um de eixo a eixo de pilares e 1 único vão entre Vitória e Ilha do Príncipe com também 66 metros. 


Em 6 de julho de 1926, e feito o lançamento da Pedra Fundamental com a presença do Presidente da República Washington Luiz. Em 11 de fevereiro de 1927, Moacir Avidos chega da Europa e dá início as obras da ponte. Em 17 de fevereiro do mesmo ano e feito o lançado ao mar o primeiro caixão metálico para construção de o primeiro pilar na ligação com o continente. 



No dia 01 de março chega a Vitória o engenheiro e os sete técnicos enviados da M.A.N. para iniciar a montagem da estrutura metálica que veio desmontada em porões de navios. No ano de 1928, em 27 de junho a ponte é inaugurada pelo Presidente do Espírito Santo Dr. Florentino Avidos. Nessa ocasião é designada como a ligação entre Vitória e o continente. A primeira ponte (Florentino Avidos), inaugurada em 1928, ligou o coração de Vitória com os fundos de Vila Velha.

A Ponte Florentino Avidos, mais conhecida como “as Cinco Pontes”, recebeu este nome, pois foi construída no Governo de Florentino Avidos, entre os anos de 1924/1928, e se tornou o principal indicador do desenvolvimento da região. Na década de 30 são feitos estudos realizados pelo DAE resultam na colocação de adutora para abastecimento de água de Vitória, que anteriormente era realizado por canos subterrâneos na baía. A tubulação transportadora de águas seria retirada do fundo da baia de Vitória e transportada para as pontes recém construídas. 


Em 1º de setembro de 1930 o Interventor João Punaro Bley manda colocar placa sobre a ponte, em todos os acessos, nomeando-a Ponte Florentino Avidos. 



Em 11 de junho de 1941, cruza a ponte o Primeiro Trem sob a supervisão do engenheiro Antonio Francisco de Athayde, em direção ao Porto de Vitória, com carga de minério de fero e café. No ano de 1966, o DAE instala adutora do lado direito sentido Vitória x Vila Velha, retirando a passarela original e instalando mãos francesas. 

Em 28 de agosto de 1980 é feita a contratação pela Contratação pela CESAN, substituta do DAE desde 1968, do engenheiro José Ignácio Dantas para cálculo estrutural das passarelas que seriam instaladas sobre as adutoras. Em 1981 a CESAN substitui a adutora, instala nova passarela mais alta e reforçada restabelecendo-a do lado direito. 


Em 1986 o DER-ES assume a ponte em nome do governo do estado do Espírito Santo em substituição à CODESA, promovendo ampla reforma devido ao seu estado de abandono. Atualmente a ponte está sob supervisão do DERTES. Em abril, a ponte é tombada pelo Conselho Estadual de Cultura. Em 1º de junho de 2005, e assinado o contrato de Convenio de Cooperação técnica e financeira entre a Fundação PROMAR e DERTES (Departamento de Edificações, rodovias e transportes do Estado do Espírito Santo). 


Em 10 de junho de 2005 é feita a publicação no diário oficial da união através da portaria nº 105 habilitando à captação de recursos o Projeto de restauração da ponte Florentino Avidos – PRONAC Nº 047002.
(FOTOS ACERVO ARQUIVO PÚBLICO)

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Comentários

  1. Sr. Willis,
    Sou estudante de Engenharia Civil da UFES e estou no 10º período.
    Estou desenvolvendo meu Projeto de Graduação que será voltado para a área de transportes e análise de tráfego.
    Apresentaremos um estudo de caso que faz uma análise da Pracinha do Cauê e de todas essas recentes mudanças no trânsito daquela redondeza.
    Por ser um projeto que requer uma configuração científica, seria interessante apresentar um breve histórico e algumas fotos daquela região (bairro de Santa Helena e Pracinha do Cauê).
    Fiz algumas pesquisas mas não obtive muito sucesso. No site da Prefeitura de Vitória eles apresentam um breve histórico mas deixa um pouco a desejar.
    Através dessa pesquisa cheguei ao seu blog e gostaria de saber se o senhor poderia me indicar alguma bibliografia ou algum material que me ajude nessa pesquisa.
    Grata,
    Thaiza

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  2. Sr. Willis,
    Sou estudante e morador de Vitória. Estou fazend uma pesquisa e preciso encontrar o local atual onde ficava a "Avenida Almirante Saldanha, Guaranhuns, da Praia da Costa, arredores da Cidade do Espírito Santo (Atual Vila Velha) no ano de 1936".
    Vi aqui que o senhor teve aceso a documentos e/ou pessoas que talvez possam ter esta informações, poderia me indicar alguém ou algum local onde eu possa encontrar essas informações?
    OBS: Na prefeitura de Vila Vela não consegui estes dados.

    Abraço,

    Bayron

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  3. Caro Bayron
    O maior acervo fotografico antigo de Vila Velha, é possivel obter com o fotografo ambientalista Cesar Mayer Musso, que são de seu pai Hugo Musso, que fotografou toda Vila vela no periodo de 1930 a 1960. É possivel enconta-lo na AVIDEPA, entidade ambientalista onde ele é Presidente.

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  4. Cara Taysa
    Ininicialmente gostaria da fazer uma coreção, pois não é praça do Caiê, e sim Praça Cristovão Jacques, e fazia parte do plano urbanístico do Novo Arrabalde de 1896, de Francisco Saturnino de Brito. criada em 1947. Breve postarei alguma coisa sobre ela. Aguarde.

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  5. Cara Taysa
    Já está postado neste blog um comentario técnico com fotos sobre a história da Praça Cristovão Jacques.

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  6. A história da Ponte Florentino Avidos, ou Cinco Pontes, que na verdade são seis, pois temos a Ponte da Vila Rubim, que faz parte do acervo, é pra mim uma das mais emocionante construções para aquela época, pena que quando estudei, e mesmo agora, a construção da mesma não é divulgada nas nossas escolas

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  7. É verdade que alguns vãos das cinco pontes foram montados sobre barcaças na Praça 8 e depois levadas na maré alta e assentadas sobre os pilares?

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  8. Queria saber mais sobre a cinco pontes .

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