MULEMBÁ DA PRAIA – A ÁRVORE CENTENÁRIA QUE VIROU POEMA.

ORLA DA PRAIA DO CANTO E O MULEMBA DA PRAIA, TAL COMO DESCRITO NO POEMA - 1950

 PRAIA DO CANTO-1970

 PRAIA DE CANTO- SITUAÇÃO ATUAL

 
(Série: Memórias da cidade)

Por: Willis de Faria

Quando Saturnino de Brito, já elaborava o projeto do Novo Arrabalde (1896), projeto de urbanização que englobava a Praia do Canto, lá já estava faceiro o mulembá, junto as areia da praia, com suas raízes tentaculares, cujo isolamento era visível por toda orla. Só ele se destacava e propiciava sombra majestosa aos que ali se aproximavam.



Com sua copa abundante, a sombra era a sua principal característica. Árvore de folhas perenes, resistente e sempre solitária, pois não permite competições, por isto também é conhecida como figueira brava ou pau-mata-pau. Mas sua história tem haver com a história do desenvolvimento econômico e populacional do bairro.

Abrigou muitos casais de namorados, cuja sombra servia de palco aos mais belos romances. Com o passar do tempo, veio o aterro da COMDUSA nos anos 70, e o Mulembá deixou de beijar o mar, e ficou isolado atrás de uma pista de veículos mais elevada, e próximo a uma mureta de concreto. Perdeu seu ar de nobreza e passou a competir com as exóticas castanheiras ali introduzidas. Por iniciativa do poeta e escritor Anselmo Gonçalves (1986), que já tinha homenageado a arvore em um poema “Mulembá da Praia”, e seu livro “Noturno”.

nasceu a idéia de homenagear a centenária arvore, por sua importância e por ser nativa da ilha. Fui então convidado para presidir uma comissão, que iria realizar o primeiro “Ato cívico-cultural”, que seria realmente o primeiro da homenagear uma árvore centenária da ilha de Vitória. E este dia foi o dia das mães, e por isto foi perpetuado através de Decreto Municipal o “Dia da Mãe Natureza”, e grande homenageado seria o Mulembá da praia, que estava condenado por uma doença que nele se abateu, pelos aterros em seu caule. Seria o canto do cisne de sua vida.

Este ato, iniciativa da Prefeitura Municipal de Vitória, realizou o 1º ATO CULTURAL no dia 11 de maio de 1986, na Praia do Canto, Av. Saturnino de Brito, em frente ao Ed. Porto Fino. O evento foi organizado por uma Comissão composta de funcionários das áreas de planejamento, cultura, meio ambiente e urbanização e nele serão incentivado todos os pólos da criação cultural de todos os recantos de Vitória.

Neste acontecimento estavam também incluídos três atos de grande importância para a história sentimental, paisagística e ambiental da nossa cidade, com leitura de um Decreto Municipal tornando imune de corte, o MULEMBÁ DA PRAIA, uma arvore e da família das figueiras (Ficus Pholiana) que estava ali há 150 anos vivendo agora o “canto de cisne", sem mais condições de sobrevivência, segundo laudo técnico do biólogo Falcão, da PMV.

O Mulembá da Praia foi por muitos anos, motivo e musa para as criações literárias e poéticas de nossa terra, tendo sido expressiva testemunha’ dos primeiros passos do nascimento do bairro e companheiro inseparável dos primeiros moradores da comunidade praiana.

A árvore em foco, agora com pouco tempo de vida, segundo os técnicos na época, seria substituída por uma, outra da mesma família e espécie, a ser plantada ao seu lado, sendo que o resgate desta muda foi feita de forma muito interessante: Falcão e Willis, biólogo e geógrafo da 'PMV, respectivamente, depois de percorrerem vários locais da cidade, descobriram nos altos do Morro da Fonte Grande, onde estão às torres de televisão, em um pé de Guararema, há mais de 15 metros de altura, uma muda de Mulembá, nascida ali, em um' cupinzeiro encravado lá no alto, como que ali estivesse à disposição dos homens que desejavam perpetuar a espécie. O local, entretanto, era de difícil acesso, mas com ajuda do Corpo e Bombeiros, foi possível e seu resgate.

Um detalhe que poucos conhecem, e que no local foram plantadas duas mudas de mulembá, para garantir que uma das mudas iriam "pegar". Mas como o mulemba é uma especie solitária e não admite concorência, optamos pela lei da física, onde duas forças positivas se repelem. Como era um "pau mata pau" eles se competiram e empatou e as duas mudas nasceram enroscadas, e la estão ate lá até hoje. E só verificarem de perto que são duas mudas de árvores. Estava prevendo a garantia da sobrevivencia de uma muda, mas houve a sobreviveram das duas. É a força da natureza. Afinal, como diria a ciência, são arvores "xipófagas".

(clique nas imagens para ampliar)



Hoje e um dia de esperança pura, na resp0nsabilidade dos homens, pelo resguardo de que de mais valioso nos foi oferecido pela grandiosidade suprema: A vida em todos os sentidos. Hoje é um dia de reflexões. E será preciso que dessas reflexões, nasça majestosa e colorida idéia de que o homem, as árvores, os moluscos, as moneras, os rios, os mares, etc, cada qual tenha o inalienável direito ao que chamam de O SOPRO DE DEUS;

Hoje é um dia que você deve, à noite, procurar estrelas no céu. E mesmo que a imagem seja de profunda desesperança e desilusão, será preciso confiar; Se por acaso um frango-d'água-azul cair exausto no seu quintal, vitima dos alcatrões suspensos no ar, vale a pena uma respiração boca a-bico para soerguê-lo e fazê-lo abrir a sua envergadura bela e insinuante para que ele possa vencer os céus novamente; Hoje é Dia da Mãe Natureza a que merece também, um cadinho de amor.

E se esse amor faltar, dentro de pouco tempo seremos um planeta ar arrasado.
Será esse desastre o que lhe interessa?

HERMES LARANJA GONÇALVES
Prefeito Municipal


JUSTIFICATIVA DO EVENTO

A história do mundo não começa com o Homem. Antes, DEUS criou a natureza, sem a qual o homem não poderia existir. É chegado o grande momento de reflexão, e ver o que temos feito pela nossa grande mãe, a MÃE NATUREZA. O homem não pode ser separado da natureza, pois o mesmo encontra se preso por um cordão umbilical, pois da natureza tudo dependemos.

O presunçoso homem tem feito pouco para preservar o meio em que vive, devido a falta de uma consciência preservacionista a nível nacional. As nossas cidades cada vez tornam-se mais insuportáveis, seja na poluição atmosférica, sonora e visual.

Não são os avanços científicos e industriais que ameaçam a MÃE NATUREZA, mas sim a maneira errada e inconsciente como a Humanidade aplica suas conquistas tecnológicas. Achamos que chegou a hora de passarmos a respeitar a Mãe Natureza, pois e ela que nos dá a vida, através da água, do ar, do calor e dos alimentos. O que temos feito para proteger a nossa própria existência? Quase nada. O homem tem um poder devastador incontrolável, jamais pensando em conseqüências drásticas às gerações futuras. Estamos destruindo o nosso próprio lar, o planeta Terra, onde a natureza através das mãos milagrosas de DEUS encarregou-se carinhosamente de construí-Ia.

 Observamos que bilhões de toneladas de solo são perdidas todos os anos devido ao desmatamento e queimadas.

Os sistemas costeiros dos quais depende parte da indústria pesqueira estão sendo destruídos ou contaminados. O ar que respiramos, devido ao alto teor de poluição, nos condena a uma morte precoce.
 



PLANTA DA PRAÇA DO MULEMBA


FOTOS DO RESGATE DO MULEMBAZINHO
(foto: Willis de Faria)

Figura: PÉ DE GUARAREMA, ONDE FOI LOCALIZADO O MULEMBAZINHO.

 
Figura: CUPINHEIRO, COM O MULEMBAZINHO DENTRO DELE.
 
 
 
 
  

PLANTIO DO MULEMBAZINHO E FESTIVIDADES COM BANDAS DE CONGO E LIRA MATEENSE.




 
PRAÇA DO MULEMBA ATUAL (SETEMBRO.2011)


ATUALIZANDO
Arvore preservada por Lei Municipal e serrada pela Prefeitura Municipal de Vitoria, no dia 27 de novembro de 2015, alegando que estava morta. Um crime  ambiental inafiançável. Inexplicado!




No dia seguinte 28 de novembro de 2015, foi plantada outra da mesma espécie, no mesmo local, com 4 metros de altura.

Ainda a PMV divulgou este vídeo. Mas esperamos que um laudo técnico explique que como estranhamente esta arvore morreu, secando completamente.

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