VITORIA FAZ 460 ANOS – UMA CIDADE ANTIGA SEM CASARIOS COLONIAIS. POR QUE?
Por:Willis de Faria
Vitória, a capital do Espírito Santo, com 314.042 mil habitantes conforme projeções do IBGE a partir do último senso de 2000 é o centro da Região Metropolitana, que congrega mais seis municípios - Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Vila Velha e Viana - e foi considerada, de acordo com o Índice de desenvolvimento Humano (IDH) da ONU (2000), a 3ª capital do Brasil em qualidade de vida no ranking das capitais rasileiras, apresentando índices positivos nos setores de educação, saúde e ação social.
A história da cidade de Vitória é rica em fatos e momentos responsáveis pelas transformações em sua paisagem. É difícil imaginar a cidade de Vitória no início de sua ocupação. Poucas foram as imagens da cidade registradas no século XIX.
Com isso, pouco se consegue retratar daquele momento inicial em que Vitória, ainda uma vila. Localizada entre a baía e o maciço central da ilha, a cidade de Vitória circundada por braços de mar possuía extensas áreas de manguezais. A região que conhecemos hoje por cidade alta já existia, e foi assim chamada por ficar justamente numa elevação. A parte baixa era tomada ora pelos braços de mar, ora pelos mangues. A cidade de Vitória, pela privilegiada posição geográfica, favoreceu sua afirmação como capital e porto, direcionando, a partir disto, seus destinos político e econômico, sua ocupação e desenvolvimento urbano.
O centro da cidade, representado pela região do cais do porto, era o centro dinâmico de Vitória, onde se concentrava o comércio, principalmente na rua Duque de Caxias, na rua do Comércio (atual Florentino Avídos) e na rua da Alfândega (parte da atual Av. Jerônimo Monteiro), sendo que, na altura da praça Santos Dumont (atual praça Oito de Setembro), o comércio intensificava se.
Com o desenvolvimento econômico e conseqüentemente, com o crescimento populacional, houve a necessidade de serem ocupadas as partes baixas alagadas e cobertas de mangues, o que na época, representava grande dificuldade. A cidade só perdeu este aspecto colonial ao iniciar o governo de Jerônimo Monteiro (1908 – 1912), que teve como meta a urbanização de Vitória, incluindo as obras de melhoramento do porto.
Esse governante pretendia concentrar a expansão e a urbanização de Vitória em suas áreas centrais. Sob esse direcionamento, a cidade foi crescendo, sendo aterradas as suas áreas alagadas por mangues e mar. Os prédios públicos, casarios e igrejas de estilo colonial foram demolidos para dar lugar a construções com estilos mais modernos. Nessa perspectiva, Vitória estava seguindo a tendência nacional, ou seja, sua elite dirigente também objetivava trazer a modernidade até a capital.
Para tal empreendimento, Jerônimo Monteiro tinha a seu favor o respaldo político e econômico. Nestor Gomes assume o governo estadual em 1920, permanecendo nesse cargo até 1924. Esse governante dedicou-se preferencialmente às intervenções nas zonas rurais do estado. Entretanto, em seu governo, retomam-se timidamente os projetos de urbanização da capital. Nestor Gomes criticava as condições urbanísticas da cidade.
Para ele tudo precisava ser remodelado: as ruas eram estreitas, tortas e sem pavimentação, inexistiam bons hotéis na cidade e havia ainda a falta de moradias para a população que estava crescendo. Entretanto, nos dois primeiros anos de seu governo, nada de concreto foi direcionado no sentido de remodelar Vitória. Era intenção de Nestor Gomes remodelar Vitória. Vários foram os projetos e demolições anunciados em seu governo para efetivar os melhoramentos na capital.
Muitas das áreas escolhidas para as demolições e abertura de futuras ruas, construções de praças ou de palacetes para abrigar a elite local, localizavam-se na Cidade Alta, nas regiões próximas ao Palácio do Governo. Nessa área, grande parte das demolições se voltou para os casebres habitados por populações de baixa renda. Para se proceder ao alargamento e alinhamento marginal da Avenida Capixaba, atual Avenida Jerônimo Monteiro foi destruída as antigas e desalinhadas ruas Cristóvão Colombo (com início na Rua do Rosário e término na Rua Barão de Monjardim) e Pereira Pinto (situava-se na região próxima a Praça Costa Pereira).
Juntamente com tais ruas, foram derrubadas velhas casas e sobrados de estilo colonial. Florentino Avídos sucedeu a Nestor Gomes e, quando assumiu a direção do governo estadual, o centro da cidade estava caótico, em razão das demolições e das obras iniciadas e não terminadas no governo anterior. Vitória, apesar das melhorias que recebera, ainda estava longe de ser uma capital urbanizada e dotada de infra-estrutura de saneamento e higiene. Essa falta de infra-estrutura era demonstrada nas constantes epidemias que, não raramente, acometia os habitantes da cidade.
A mensagem de Florentino Avidos para o período de 1924 a 1928 corrobora esses empreendimentos na capital. No ano de 1928 é elaborado um plano para a construção do cais de contorno da Ilha do Príncipe que previa também o aterro dos mangues marginais e o arruamento dos terrenos existentes e a serem acrescidos.
Assim, Aguiar, sucedendo Avidos, contrata, em 1929, os serviços para a implementação desse plano. O governante enfatiza que "com essas obras, Victoria ficará dotada de uma extensa área para edificações, em local pitoresco e de fácil acesso".
Importa aqui destacar que neste período a despeito da afirmação acima, os aterros sempre encontravam justificativa na promoção da salubridade e acessibilidade necessária ao desenvolvimento da cidade. Sendo Vitoria uma cidade magnificamente favorecida pela sua beleza panorâmica, impunha-se o auxílio da mão de obra do homem á natureza para adaptá-la ás exigências da higiene e beleza das cidades modernas e fazê-la o reflexo exato da grandeza do Estado.
Acresça-se a isso a necessidade imperiosa de um plano de conjunto que, dentro dos princípios de urbanismo, oriente o crescimento de Vitória. Em 1929, com o argumento de embelezamento da cidade, o governante, contrata o engenheiro Raul Lessa de Saldanha da Gama para elaborar um plano de remodelamento para a capital. Esse entendimento de Aguiar do ponto de vista das intervenções urbanísticas até então realizadas na capital, pode estar relacionado às possibilidades de ocupação da área da Praia Comprida, que parece começar a se esboçar como de expansão da cidade.
Entretanto, nesta época, as intervenções constituídas de aterros, efetuadas na região devido a suas proporções e propósitos, em geral de melhoria de pequenos acessos, indicam finalidade quase que assistencial às famílias ali residentes, não guardando ainda proporções que justificassem incluir o propósito de expansão territorial como relevante motivação para realização desses aterros.
Ademais, parece que o governo de Aguiar pretende se caracterizar como de provedor de infra-estrutura, em especial de estradas e de abastecimento de água e energia, e de benfeitorias para o embelezamento da capital. Em beneficio da salubridade, foram demolidas velhas casas, construído os serviços de esgotos.
Alargamentos e ruas e calçamento várias, construções de escadarias, corrigindo alinhamentos, dando realce ás novas fachadas, com ruas de contorno e construção de edifícios públicos modernos. O processo de urbanização de Vitória, que teve com Jerônimo Monteiro o seu impulso inicial, consolidou-se mais concretamente com Florentino Avidos.
Todavia, a transformação de Vitória de cidade colonial em uma cidade mais moderna e saneada não foi acompanhada de um projeto político habitacional mais efetivo, que pudesse sanar a crise de habitação provocada pelas demolições e pelo aumento populacional verificado na capital durante o seu processo de urbanização.
Com estas inovações, muitos casarões coloniais desapareceram, fazendo Vitória perder o bucolismo e ares colônias transformando-se hoje em uma cidade moderna e dinâmica.
Postamos algumas fotos do passado, imóveis que não existem mais e do presente.
Parabéns Vitória no seu dia 08 de setembro!
Seus 460 anos de existencia.
(Clique pra ampliar as fotos)
Postamos algumas fotos do passado, imóveis que não existem mais e do presente.
Parabéns Vitória no seu dia 08 de setembro!
Seus 460 anos de existencia.
(Clique pra ampliar as fotos)
OBS: Textos extraidos dos relatorios de governo de Nestor Gomes e Florentino Avídos.
CREDITOS/FOTOS/ARQUIVOS:
-Instituto Jones dos Santos Neves -IJSN
-IPHED
-FRM-ES/CAR.UFES
-FOTO PAES
-IPHAN/E
-Revista Vida Capichaba
CREDITOS/FOTOS/ARQUIVOS:
-Instituto Jones dos Santos Neves -IJSN
-IPHED
-FRM-ES/CAR.UFES
-FOTO PAES
-IPHAN/E
-Revista Vida Capichaba
-Museu Nacional
-Arquivo Público Municipal (Vitória)
-Arquivo Público Estadual
-Biblioteca Estadual
-Arquivo Público Municipal (Vitória)
-Arquivo Público Estadual
-Biblioteca Estadual
-Google Hearth



































































Riquíssima reportagem!!! tanto no texto como nas ilustrações!!!!!
ResponderExcluirq trabalho ótimo! parabéns! :D
ResponderExcluirMeu AVÔ (Raul Lessa de Saldanha da Gama) por parte de mãe. Em 1929, com o argumento de embelezamento da cidade, o governante, contrata o engenheiro Raul Lessa de Saldanha da Gama para elaborar um plano de remodelamento para a capital.
ResponderExcluirNão tinha conhecimento de que faz parte da história da cidade de Vitória/ES - que orgulho...