PÓ PRETO: O FILHO BASTARDO DA GRANDE VITÓRIA CHAMADO POLUIÇÃO.
POR: WILLIS DE FARIA
Esta historia do pó preto
em na Grande Vitória, já adquiriu maior idade. Desde o inicio dos anos 80, que
eu já participava do movimento de combate a poluição junto a ACAPEMA
(Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente), sob os comandos de Claudio
Noé (in memoriam), Sergio Lucena e Fred Montenegro Guimarães (in memoriam). Foram muitas
lutas, mas inglória, pois o poder da empresa sempre foi maior.
Em 1986, fundou-se o Movimento Popular Contra a Poluição, lá
estava eu de novo, reunindo-se no clube 106, para os debates, com
representantes da Grande Vitória. Nesta época eu representava Vila Velha, por
ser presidente de Associação de Moradores do Centro e membro do Conselho do
Meio Ambiente do Conselho Popular do Município.
Lutas árduas foram em vão,
e a cada dia aumentava a poluição e o numero de usinas. Em 1986, foi criada a
Secretaria de Meio Ambiente do Município de Vitória e fui o primeiro
funcionário a fazer parte de seus quadros técnicos e começamos de novo o
combate a poluição, com criação de leis que pudessem fiscalizar e amenizar os
lançamentos de material particulado no ar da Grande Vitória.
Algumas conquistas foram
conseguidas, controle de fuga de gás, controle das chaminés, e umidificação do
pátio de estocagem, etc.
Mas continuava sem deter o
avanço destes lançamentos, uma vez que o órgão estadual de fiscalização (SEAMA)
não cumpria a sua parte. Muitos desconheciam o lançamento por muitos anos da
lavagem do minério de ferro em seus tanques que depois eram lançados no mar na
enseada da Praia de Camburi. Tudo de errado era feito pela antiga Vale do Rio
Doce (VALE) e CST (ArcelorMittal), porque eram empresas estatais ainda.
Posso afirmar que o mais
antigo conhecedor do problema do pó preto é o medico Dr. Jose Carlos Perini,
Alergista, e morador da Ilha do Frade e sentia em sua própria residência os
efeitos devastadores destes lançamentos. Estava nos movimentos populares desde
o inicio da luta.
Mas o caos ainda continuava,
sem controle, por conta de alguns relatórios apresentados pela SEAMA. Lembro-me
que a uns 3 anos atrás, quando o vereador Serjão, convocou um debate em relação
ao pó preto, no Auditório do Palácio Municipal, o representante da SEAMA, em
sua apresentação ao publico afirmava, que pelas pesquisas técnicas do órgão
estadual foram constatadas que 75% das emissões de materiais particulados em suspensão na Grande Vitória eram
provenientes de veículos automotores.
Um absurdo afirmar uma
coisa desta, quando todos nós sabemos que não é a realidade. Na mesma hora
gritei alto contestando e sai da reunião decepcionado. Grito mais alto deu o Ex-senador
e Deputado Federal, Nelson Aguiar, que se levantou mostrou vários documentos
que comprovavam que as declarações do técnico da SEAMA eram inverídicas. Tudo
era uma cortina de fumaça que ninguém entendia.
Enfim entendemos o porquê
das afirmações do técnico do IEMA. Para mascarar o quadro da poluição, a
emissão de poluentes pelos carros passou a entrar no relatório de poluição.
Para fazer o serviço, foi contratada a Ecosoft, a mesma empresa que prestava
serviços não só a Vale, como também à ArcelorMittal.
Havia equipamentos para
medição de PM 2,5, comprados pelo IEMA. O órgão simplesmente os escondeu.
Casualmente descobertos, foram colocados em operação. Mas são operados por
quem? - Pela mesma Ecosoft.
A Vale já havia decidido
empregar a tecnologia das barreiras de vento, as wind fences, nos seus pátios
de estocagem de minério, quando estudou outra técnica, a do enclausuramento das
pilhas de minério ou domus.
As wind fence são
provadamente ineficazes para conter o arrasto dos minérios das pilhas,
produzindo o chamado pó preto. O aumento da poluição do ar na região é a maior
prova desta ineficácia, como apontam os ambientalistas. Além da poluição por
material particulado, os moradores da Grande Vitoria e do sul do Estado são
bombardeados por poluentes gasosos, ainda mais graves.
Os gases e minérios
ultrafinos, as PM 2.5 - que são respiráveis -, são lançadas no ar pelas
chaminés das usinas de pelotização e as siderúrgicas. No caso da Vale, a
empresa usou por décadas o "óleo baiano", um diesel de alto teor de
enxofre (4%), altamente cancerígeno. O uso deste óleo foi apenas por economia.
Só há pouco tempo a empresa mudou sua fonte energética, uma vez mais por
economia.
A definição de instalação
da opção wind fence pela própria Vale. A primeira wind fence foi inaugurada em
agosto de 2009; a segunda em dezembro de 2010; a terceira em
fevereiro de 2011; a quarta em abril de 2011; e, a quinta em
outubro de 2011.
Poluição ou Pó Preto?
A situação da poluição do
ar, do pó preto, no Espírito Santo é alarmante e repugnante, em função das
consequências para a saúde e qualidade de vida do cidadão.
Na verdade só o DNA deste
material particulado é quem dirá toda a verdade, basta cumprir o termo de
compromisso já assinado a mais de 6 anos e não elaborado, acreditamos para não
aparecer o pai da criança, onde todos já sabemos quem é? Falta apenas registrar
no cartório. Mas precisamos que seja feita juridicamente com a elaboração do
DNA.
As publicações
atualmente nos jornais (em anexo) são preocupantes, onde uma medica
Pneumologista, afirma que são graves os problemas das doenças respiratórias,
que só mudando de Vitória poderá curar-se deste mal.
Na realidade, nos anos 60,
quando da implantação do porto e usina, não havia estudos ambientais, e ninguém
se preocupou com os estudos das correntes de ar, gerando hoje todo este
problema ambiental. As donas de casa, hoje mal podem abrir as janelas de suas
casas ou apartamentos, para circulação de um pouco de “ar fresco”, pois são
invadidas pela poeira negra.
Fui a um médico alergista, por a causa de minha
rinite, e após os testes alérgicos, foi constatado que o principal problema
chama-se “poeira”. Então também sou um ilhéu maratimba, vitima do progresso
industrial desta ilha. Pergunto: quem vai pagar os meus medicamentos.
Claro,
eu, pois “VALE” “não está nem aí.” Ela afirma que a poeira não é sua, pois já
gastou milhões com controle ambiental, e que a poeira e material particulado em
suspensão são gerados pela poeira da rua, e pelos veículos, e que o vento os
coloca em suspensão no ar.
Bem, tem jeito de saber que é o pai da criança.
Todos já devem ter ouvido falar em “DNA”, muito usado em teste de paternidade.
Isto pode ser feito com a poeira, efetuando o teste de DNA, para saber quem é
realmente o poluidor, o seja “o pai da criança”, ou seja, o verdadeiro
poluidor. Estamos postando um documento efetuado pelo Governo do Estado, onde
até hoje não saiu nenhum resultado da paternidade do real poluidor.
O Hospital Infantil esta
cheio de crianças com doenças respiratórias, e quem paga é o estado, e logico
que esta conta sai do bolso da população. Os problemas respiratórios (que digam
os médicos alergistas) geram doenças alérgicas crônicas. Sem falarmos do
lançamento dos poluentes pelas chaminés e pátio de estocagem das usinas de
pelotização da VALE.
Sugiro aos Deputados
Estaduais, que elabore uma lei (já existe a nível federal) Poluidor Pagador. Que a conta dos hospitais depois de levantadas e
contabilizadas, sejam cobradas destas empresas (Vale e CST), até controlarem a
poluição do ar na grande Vitória. Só quando sair do bolso da empresa, e que
eles vão tomar as devidas providencia, caso contrario esta situação vai rolar
ainda muito tempo, com a deterioração da qualidade de vida do cidadão desta Região
metropolitana.
A omissão do Iema no
combate, entre outros, ao pó preto, não tem justificativa. A legislação não é
cumprida e os estados são obrigados a criar leis para atender às necessidades
locais.
O currículo da presidente
do Iema é maculado em outras decisões. Assegurou de público que não haveria
aumento de emissões na Licença de Instalação da usina da Vale. Em 2005, a média
da poluição da poeira sedimentável na Ilha do Boi era de 5 g/m2/mês ou inferior
e nos anos de 2009/10/11/12, está média sempre foi superior a 7 g/m2/ mês
(40% superior ).
UMA
AÇÃO AMBIENTAL EM ANDAMENTO
Duas ações da ONG SOS Es
Ambiental solicitando indenização do cidadão pelas perdas e danos causados
pela poluição do ar na Grande Vitória, processo número
0006596-30.2006.4.02.5001 contra a Vale, e o processo
0010604-06.2013.4.02.5001, cuja ré e a Arcelor Mittal Brasil Tubarão e Cariacica).
Uma ação popular, a
de nº 0047943-88.2013.8.08.0024, requer a não liberação da L.O da 8ª Usina de
Pelotização da Vale, ação contra a Vale e o Iema.
O tamanho do débito do
governador Paulo Hartung e da presidente Sueli Tonini tornam o horizonte do morador
da Grande Vitoria nebuloso. E com previsível agravamento da situação, chegando
ao temido caos.
Danos
A poluição do ar na
Grande Vitória prejudica a saúde de mais da metade da população da Grande
Vitória, cerca de um milhão de pessoas (a população da região metropolitana da
GV é de 1.8 milhão de moradores, estimativa IBGE 2014).
Dados de 2001 já atestam a
gravidade da situação. Os números jamais foram contestados. As emissões
provocam vários tipos de câncer, doenças de pele, pulmão e alergias, entre
outras. Fazem os moradores perderem saúde e dinheiro, com tratamentos e
depreciação do patrimônio.
O custo das doenças
provocadas pelas poluidoras são enormes. Cada morador da Grande Vitória (GV)
gastava em 2001, em média, cerca de R$ 100 por ano para tratar as doenças
causadas pela poluição do ar. A Vale e a ArcelorMittal causavam neste período
doenças que exigiam o gasto anual pela população de R$ 133 a R$ 160
milhões.
Poluidoras
As usinas da Vale em
Tubarão começaram a ser instaladas no final da década de 60. Formam um
complexo com oito usinas de pelotização. As sete primeiras com capacidade
total de produção de 25 milhões de toneladas de pelotas/ano. A oitava
produzindo 7 milhões de pelotas por ano.
Com a otimização da
produção das atuais usinas, serão 39 milhões de toneladas de pelotas de ferro
por ano em Tubarão, o que equivale à sua nona usina. O projeto inicial da
empresa para a região era de 12 usinas de pelotização, a maioria coligadas com
empresas de outros países.
A Grande Vitória é
bombardeada ainda pelos poluentes das usinas siderúrgicas da ArcelorMittal. O
início de operação foi em novembro de 1983. A ArcelorMittal Tubarão
produz por ano de 7,5 milhões de toneladas de aço em placas e bobinas a
quente.
A usina da
ArcelorMittal Cariacica produz aços laminados, perfis leves e médios para
construção mecânica, torres de transmissão de energia e telecomunicações. A
capacidade de produção atual é de 1 milhão ode toneladas, das quais 600
mil toneladas de aço bruto e de 400 mil toneladas de produtos laminados por
ano. A produção aumentará em 200 mil toneladas anuais.
Chega de omissão e
“empurrar com a barriga” a população desta ilha. Estamos de olho!!!
Mesmo com todo sistema de
controle e tratamento existente, elas não conseguem conter o lançamento do
material particulado, ou seja, a fuligem das chaminés e o por de minério estocado
em seu pátio. Seus técnicos sabem muito bem que o vento constante de nosso
litoral, o “VENTO NORDESTE”, sopra 9 meses por ano, e em direção a Vitória.
Vejam a localização de
Vitória e as Usinas de pelotização, comparando com a Rosa dos Ventos, e a direção
do vento nordeste constante, e sua velocidade.
Não há nenhuma razão para a
aprovação da Licença de Instalação (LI) do projeto de otimização e expansão das
usinas de pelotização da Vale em uma região, o Planalto de Carapina onde jamais
deveriam ser instaladas tais empresas como já alertava o cientista Augusto
Ruschi.
Aqui estamos "matando
a cobra, e mostrando o pau...que a matou)
O Termo de Compromisso
Ambiental (TCA) da Vale foi assinado pelo Ministério Público Estadual (MPES),
governo do Estado, através do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (Iema e uma entidade da sociedade civil, em junho de 2007)
Termo de Compromisso
Ambiental (27/06/2007)
O
Governo do Estado entrega à sociedade capixaba nesta quinta-feira (28), às 14h30,
o Termo de Compromisso Ambiental, que estabelece ações de aprimoramento do
controle ambiental no Complexo Industrial de Tubarão, contribuindo para a
prevenção e minimização dos impactos associados à presença do pó preto no ar da
Grande Vitória. O evento acontece no auditório da
Procuradoria Geral de Justiça com a participação do governador Paulo Hartung,
da procuradora-geral de Justiça, Catarina Cecin Gazele, da diretora-presidente
do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Maria da
Glória Brito Abaurre, e de Marconi Tarbes Vianna, da Companhia Vale do Rio Doce
(CVRD). O Termo de Compromisso
Ambiental, celebrado entre Ministério Público Estadual – comarcas de Vitória,
Vila Velha, Cariacica e Serra – e a CVRD, com interveniência do Iema e
participação das associações dos moradores dos bairros Ilha do Frade, Ilha do
Boi, Barro Vermelho, Santa Lúcia, Praia do Suá, Mata da Praia, Praia do Canto e
Enseada do Suá, foi homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público
no dia 20 deste mês e um resumo do documento foi publicado no Diário Oficial do
Espírito Santo. O Termo prevê a utilização de diversos mecanismos de controle
para a melhoria da qualidade do ar da Grande Vitória, estando em consonância
com as condicionantes previstas na Licença Ambiental. Vale ressaltar que também
foram previstos pelo Iema a adequação dos equipamentos de controle nas outras
sete usinas do Complexo de Tubarão, por aqueles que possuem tecnologias mais
eficientes, por meio de uso de novos precipitadores eletrostáticos; supressor
de pó na operação de manuseio de pelotas e aplicação de polímeros nos pátios de
carvão e de finos de minério. O documento também prevê o uso de novas
tecnologias para melhoria do controle de emissões de material particulado;
estudar alternativas de controle ambiental; enclausuramento das transferências
das correias transportadoras no Complexo de Tubarão; Rede de Monitoramento e
Caracterização de Poeira Sedimentável da Grande Vitória; sanções e medidas
restritivas de operação e produção; além de instituir uma comissão de
acompanhamento da execução do Termo de Compromisso, composta por quatro membros, sendo um representante do Iema, um do
MP-ES, um da comunidade e um da CVRD. O processo de licenciamento da VIII
Usina da CVRD foi marcante pela forma de participação. Aconteceram cinco
audiências públicas, reuniões técnicas com as quatro prefeituras envolvidas
(Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica), reuniões com Associações de Moradores
e MP-ES. Além de duas reuniões na Câmara Técnica de grandes projetos e outras
duas reuniões do Consema, conforme prevê a legislação. “Essa quantidade de
reuniões ocorreu tendo em vista a preocupação em se ter a participação da
sociedade nas discussões, já que a questão do pó preto era a grande reclamação
das associações que se sentem incomodadas em relação a este poluente, e temiam
o seu aumento com o licenciamento da VIII Usina”, afirma a secretária estadual
de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Maria da Glória Brito Abaurre. A maior
dificuldade para o controle do pó preto é que não existe na legislação
brasileira um padrão de referência deste poluente. Na busca de encontrar um
padrão, o Iema está firmando um convênio
com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com acompanhamento do
Ministério Público Estadual e da sociedade civil, para que a universidade possa
agregar seu capital humano e potencial científico na busca do padrão de
referência e para a análise das amostras. Tendo em vista que não existe no
Brasil nenhum laboratório que realize este tipo de análise, cria-se assim, um
centro específico para este tipo de pesquisa no País, que colaborará para
estipular um índice aceitável de poeira sedimentável como referência.
Porém, mesmo antes do convênio estar fechado, o Iema já está com a Rede de
Monitoramento do Ar (25 pontos instalados) fazendo a coleta das partículas
sedimentáveis. Pois para a análise deste material é necessária a coleta por
seis meses e somente depois ele é enviado para um laboratório. A análise deste
primeiro lote de amostras será realizado por um laboratório no exterior, devido
a inexistência no Brasil de um que realize esta análise. As amostras poderão
ser analisadas quantitativamente e qualitativamente, identificando a origem das
partículas. Em cada análise será
identificada a quantidade exata de cada elemento que compõe o pó preto,
construindo uma espécie de DNA do pó preto da Grande Vitória, que pode ser
oriundo também da construção civil, veículos, vias não pavimentadas, entre
outros.
Trecho do acordo
publicado no DIO
“Considerando
que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder
público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo; considerando que
é atribuição do MP a proteção ao meio ambiente e a adoção de medidas que visem
à melhoria da qualidade de vida; considerando que tramita no IEMA processo de
licenciamento ambiental para instalação do projeto de expansão do complexo
pelotizador da CVRD, no qual está incluída a implantação da VIII Usina de
Pelotização; considerando que em reforço às medidas de controle previstas no
processo de licenciamento ambiental, e imbuídos pelo princípio da prevenção e
pelo princípio da precaução, as partes acordam a proposição de medidas
complementares e para tanto; resolvem celebrar o presente Termo de Compromisso
Ambiental”.
Mapa do DNA (como é feito)
– O Espírito Santo e a Vale ainda não descobriu. Por quê? Já
se passaram 8 anos, e nada de resultados. Mas em nossas pesquisas colhemos este
texto, onde explica que o texto de DNA do pó de minério não é tão complexo.
Leia a reportagem cientifica abaixo:
Extraímos o DNA do marfim
usando uma técnica de pulverização originária de técnicas forenses dentárias.
Colocamos um pedaço de marfim do tamanho aproximado de um amendoim dentro de um
tubo de policarbonato junto com um ímã e vedamos o tubo com tampões de aço
inoxidável.
A seguir, colocamos a
amostra em nitrogênio líquido à temperatura de -240ºC dentro de um equipamento
denominado moinho criogênico, especial para a pulverização a frio. Há um campo
magnético que oscila rapidamente para frente e para trás, esmagando o marfim
nos tampões e transformando-o em um pó fino. Durante esse processo a baixa
temperatura mantém a integridade do DNA.
Depois, usando técnicas
tradicionais, isolamos o DNA do pó e obtemos um perfi l da variação dos
segmentos de DNA, denominados microssatélites, para conseguirmos uma impressão
digital do DNA. Os microssatélites consistem em algo entre dois a quatro
nucleotídeos que se repetem de dez a 100 vezes. Diferentemente de genes
funcionais, os mi crossatélites de DNA não codificam proteínas. Assim, os
números de repetição nos microssatélites podem variar sem afetar a saúde do
organismo ou sua capacidade de reprodução, e mudanças no número de repetição
tendem a aumentar com freqüência e a persistir.
Assim, com o tempo, os
microssatélites acabam diferindo em populações separadas geograficamente. Com a
impressão digital do DNA de repetições de microssatélites de uma presa à mão,
podemos compará-la com um mapa de impressões digitais de DNA de elefantes de
toda a África. Há uma década começamos a criar um mapa de referência de todo o
continente que exibiria as variações dos microssatélites de DNA. Este projeto
acabou se tornando um desafio muito maior que antecipávamos.
A África é um continente
enorme e a precisão de nossas tarefas com o marfim está diretamente ligada à
abrangência de nosso mapa de DNA, criado a partir de populações de elefantes da
forma menos invasiva possível – por meio das fezes. Cada grama de fezes de
elefante contém DNA de milhões de células advindas da mucosa intestinal.
A coleta de fezes em
quantidade suficiente para criar um mapa de referência de toda a África exigiu
a ajuda de vários cientistas e guardas florestais, e somos gratos a eles pelo
trabalho.
Porém, por mais amostras de
fezes de elefantes que pudéssemos coletar, nunca teríamos o suficiente para
cobrir completamente todo o continente. Para preencher trechos carentes de
informações, usamos uma técnica estatística criada por nós, denominada técnica
de atribuição contínua alisada (SCAT, na sigla em inglês) smoothed continuous
assignment technique.
Um software usando o método
SCAT projeta informações coletadas em locais específicos para compor uma
distribuição geográfica contínua de impressões digitais de DNA – os
comprimentos de microssatélites de DNA em cada um dos 16loci – de todas as
variedades de elefantes.
Este método se baseia no fato
de que as populações vizinhas tendem a ser geneticamente mais parecidas que as
mais distantes. Validamos o procedimento SCAT usando-o para determinar a origem
de amostras de fezes obtidas de locais conhecidos.
Rápido e Eficiente
Embora os investigadores
tenham fortes suspeitas de que o marfim confiscado em Cingapura tenha sido
processado naquele local em Malavi, a análise do DNA foi necessária para
mostrar que as amostras vieram da mesma fonte.
Nossa pesquisa demonstrou
que todo o marfim teve uma origem comum. As presas e os sinetes hanko do
confisco em Cingapura, além dos pedaços de marfim apreendidos na fábrica de
Malavi se originam de uma população de elefantes de savana que se concentra na
Zâmbia.
Uma conexão dos hankos com
a mesma população das presas embargadas em Cingapura explica a ausência
misteriosa de presas pequenas às médias durante a ação. As presas pequenas
provavelmente foram retalhadas emhankos na fábrica de entalhe de marfim em
Malavi. Quase que certamente, essa estratégia serviu para aumentar o valor do
carregamento para o mercado japonês, pois historicamente os japoneses preferem
presas grandes.
Também indicam que animais
de todas as idades foram vítimas desses caçadores. É preciso um número muito
grande de elefantes jovens para fornecer marfim suficiente a fim de manufaturar
42 mil sinetes. Esse cerco de 2002 ocorreu no mesmo ano em que a Zâmbia pediu à
Cites permissão para a venda isolada de estoque de marfim ao Extremo Oriente.
No entanto, a Cites acabou
rejeitando a proposta, até certo ponto devido às suspeitas de que algum do
marfim recuperado em Cingapura era originário da Zâmbia. Nossos resultados
ajudaram a validar essa decisão. As análises do marfim do confisco de Cingapura
mostraram que, pela primeira vez, os caçadores tinham em vista populações
específicas para a exploração intensiva.
As populações foram
atingidas rápida e eficientemente, presumivelmente para satisfazer pedidos
específicos dos compradores.
Essa descoberta contradiz a
crença mais comum de que os traficantes empregavam um plano descentralizado de
coleta de grande pedidos, para oportunamente garantir estoques de marfim
conforme eles se tornassem disponíveis em toda a África.
Também indicou que o uso de
técnicas para concentrar o uso da lei em locais identificados provou-se uma
estratégia viável contra a caça ilegal.
CONCEITOS-CHAVE
- Os cientistas usam esse
mapa e o DNA extraído do marfim para rastrear os carregamentos ilegais até a
sua origem. Os primeiros resultados de três grandes confiscos demonstram que
sofisticadas redes do crime têm como alvo grupos específicos para exploração
intensiva. FERRAMENTA DE RASTREAMENTO - IMPRESSÃO DIGITAL DO DNA.
Entrevista concedida a TV
AMBIENTAL (ES), ao apresentador/Biólogo Almir Bressan Junior, no dia 05 de
julho, no Programa Reflexões. (O assunto foi sobre a poluição do ar que castiga
o município de Vitória ES.)
POLUIÇÃO DO AR EM VITORIA
ES TV AMBIENTAL










Muito bom o desenvolvimento do argumento, mas existem variáveis que são fixas, tais como uma leniência governamental e política, além de uma omissão coletiva generalizada, o que indica que os benefícios advindos, parecem pagar a conta nefasta...JUNTOS SOS ES Ambiental já se consolida como uma nova alternativa de enfrentamento!
ResponderExcluir