O INICIO DO USO DAS PRAIAS EM VITÓRIA COMO LAZER (ESPECIAL)
O
INICIO DO USO DAS PRAIAS EM VITÓRIA COMO LAZER .
(POR:
WILLIS DE FARIA)
Havia a Rua da Praia. Bem
que podia se chamar Rua da Maré, dos Mangues ou dos Caranguejos. Mas, por uma
questão de bairrismo, os habitantes preferiam chamá-la Rua da Praia. No entanto,
praia nenhuma existia por ali e, de rua, o que havia era um caminho
escorregadio à beira do mangue. A cidade de Vitória, na realidade estava
situada no interior, cujos mangues se fartavam em suas margens. Não havia
porções de areia que se dessem condições de uso de como lazer. Com a maré
baixa, formavam-se extensos manguezais fétidos.
Esta era a visão inicial do
centro da cidade, uma núcleo colonial em forma de acrópole (cidade alta), como
todas existentes no Brasil colônia, no interior da baia, que facilitava a
defesa nas invasões por estrangeiros. O interior, as áreas com vegetação plana
era formada por manguezais ou áreas alagadas por apicuns (terrenos alagáveis
nas cheias), e não possuindo praias de areia. Somente a partir do morro de
Bento Ferreira, que se iniciavam as áreas planas, com formação de restingas
(arenosas quartzosas) que proporcionavam a formação de praias nos interiores
das baias.
As casas situadas de um
lado desse caminho tinham quintais voltados para a maré que os inundava nas
cheias. Quando a maré baixava, o cheiro penetrante da lama entrava pelas casas
adentro, junto com centenas de caranguejos que pareciam animais domésticos.
Em tempos passados, os
caranguejos eram do tamanho de melões, o que permitia divisar claramente a figura
de Nossa Senhora tracejada em suas carapaças, confirmando a lenda de que a
Virgem fora transportada nas costas de um caranguejo, na travessia de um brejo.
À medida que, por motivos
nunca explicados, os caranguejos diminuíram de tamanho, o desenho de Nossa
Senhora foi sumindo dos seus costados, e a lenda brejeira se apagando da
memória do povo.
Entre as crianças, a
catação dos caranguejos era muito comum na Rua da Praia, fosse para prendê-los
em barbantes à guisa de brinquedos, fosse para atiçá-los uns contra os outros
em lutas renhidas.
Mas a tradição mais
celebrada na Rua da Praia eram as caranguejadas, que consistiam na comilança
dos caranguejos no tempo da andada – quando começavam a andar e eram catados em
sacos para serem cozinhados e servidos num rega-bofe em que os comensais não
perdiam tempo usando pratos e talheres.
Durante horas, os cascos
dos caranguejos eram partidos sobre mesas de madeira, armadas ao ar livre, ou
suas pinças (puãs, em dialeto cab´chaba) trituradas nos dentes
pelos que se entregavam ao prazer de sorvê-las entre assovios para, depois de
quebrados uns ou trituradas outras, os comensais se fartarem com a carne dos
bichos, numa competição de mesa para mesa que avançava pela madrugada até a
barra do dia.
Enquanto se lambuzavam com
o animado banquete, os comilões entoavam um refrão muito conhecido:
Caranguejo não é peixe,
Caranguejo peixe é.
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré.
Para os visitantes da
cidade, esse canto-chão era a chave para saber a que espécie de animal
pertencia o caranguejo que, aliás, sempre foi denominado caranguejo. Mas, caranguejo, o que é?
Tendo em vista a
proximidade com o mar, desejada e imposta desde o início da ocupação da cidade
de Vitória, pode-se imaginar que os cursos d’água existentes de alguma forma
oportunizaram o desenvolvimento de práticas recreativas afins e o consequente
estreitamento dos vínculos do citadino com o mar.
Os periódicos locais do
final do século XIX nos fornecem provas disso. A proximidade física com os
cursos d’água não só incentivou a apropriação do mar como fonte de lazer pela
população local, como também possibilitou o lançamento de “novos olhares” sobre
ele, que sempre esteve presente e seu entorno.
A menção à praia nos
periódicos pesquisados, em especial à fruição desse espaço por meio de banhos
de mar no território capixaba, é recorrente a partir da década de 1880,
principalmente nos meses de temperaturas mais elevadas.
As referências aos banhos
de mar relatam a utilização da orla marítima da Capital para esse fim, mas
enfatizam principalmente a apropriação do litoral de Vila Velha.
É oportuno lembrar que,
apesar da geografia insular de Vitória, até o final do século XIX a Capital
ainda se restringia basicamente à região atual do Centro, que não tinha e ainda
hoje não tem, mesmo com a realização dos aterros, uma faixa de terra livre às
margens do mar, característica de uma praia onde os usuários pudessem se
recostar, ou melhor, colocar-se em posição de descanso.
Além disso, as praias ao
norte e ao noroeste da Ilha ainda eram consideradas muito ermas e distantes, o
que pode justificar parcialmente a preferência inicial por Vila Velha.
Na Europa, o modelo de
praia seguiu sendo aperfeiçoado e deveria ter algumas qualidades consideradas
necessárias ao solo (arenoso, plano e duro) e especialmente ao ar, com ausência
de pântanos e florestas, visando reduzir ao mínimo as exalações maléficas.
Diante disso, seria
possível deduzir que a ausência dessa faixa de terra, associada à proximidade
com áreas alagadiças, à ocupação das margens da Baia de Vitória por construções
e à presença de inúmeros cais, pudesse impossibilitar a consolidação do espaço
praia na área central ocupada de Vitória.
Em verdade, pelos motivos
expostos, esse espaço acabou por não se constituir, o que não significa que
tenha inviabilizado os banhos de mar nesse perímetro nuclear da cidade.
Em nota curiosa, datada de
janeiro de 1887, comerciantes locais, cujo estabelecimento se localizava
próximo à beira-mar: “[...] em vista da
estação calmosa, e a bem da hygiene publica, resolveram d´ora em deante
franquear gratuitamente ao respeitável publico os seus banheiros sitos á Rua
Conde d´Eu, prevenindo que não se fornece aos banhistas toalha nem
sabão” (F. 1887, p. 4, grifo nosso).
A nota indica a existência
clara de uma apropriação da orla marítima da área central de Vitória para os
banhos de mar. Pode-se também admitir haver certa frequência que justifique a
disponibilização de banheiros para maior conforto e higiene dos usuários.
Os inúmeros relatos
mencionados anteriormente sobre o estado fétido e sujo das praias do núcleo de
ocupação da Capital, aliados à necessidade em voga de introdução de hábitos
mais salutares e do combate à frouxidão dos costumes das camadas menos
favorecidas pela medicina popular, dão subsídios para afirmar que certamente
estas não foram características almejadas pelos adeptos do banho terapêutico,
ou seja, “[...] membros da classe ociosa,
habituados aos serviços de uma criadagem.”
Esse modelo de banho de mar
é, portanto, diferente dos “banhos populares”. Sua prática induzia a uma
ordenação ou codificação determinada pelo médico que estabelecia a estação, a
duração, o lugar dos exercícios e o número de banhos por temporada.
Eram comuns as temporadas
em balneários litorâneos, em geral mais afastados da cidade, nos quais as
classes mais abastadas experimentavam uma liberdade inesperada, porém
controlada.
De fato, a população
capixaba, em especial a mais favorecida, procurou, no final do século XIX, o
isolamento e a privacidade que as praias dos arrabaldes seriam capazes de
proporcionar.
Citações acerca da
existência de translado marítimo diário demonstram a demanda acrescida durante
o período de veraneio, corroborando as informações de que Vila Velha era
considerada destino certo para esse fim: “Vapôr
TRIUMPHO. Durante a actual estação calmosa este vapôr fará diariamente para
Vila Velha três viagens, largando d’esta cidade ás 7, 3 e 5 horas do dia”
(VAPÔR... 1883, p. 4).
Nos períodos mais quentes
do ano, era frequente a vinda para o território canela verde, visando a melhor
aproveitar os benefícios do ar salitrado e a gozar de momentos de repouso
distante da Capital: “A Vila Velha no
domingo ultimo teve larga concurrencia de visitantes da capital. A população da
cidade, que lá estava”.
Entende-se por banhos
populares os enquadrados nas atividades coletivas, festivas ou lúdicas, ou
seja, aquelas que se caracterizam como um prolongamento dos folguedos infantis
e da adolescência. Segundo o autor, estes são mais ruidosos e autorizam a
mistura dos sexos.
As vestimentas utilizadas
eram determinadas pelo pudor e pelo medo da violação ocular das mulheres que,
para proteger sua privacidade, se agrupavam num setor separado da praia.
Na virada dos séculos XIX a
XX, no Rio de Janeiro, “as vestimentas
das senhoras iam dos pés ao pescoço e deste aos punhos, com touca obrigatória
na cabeça. Os homens usavam calças até os joelhos e camisa e blusa.”
Natural da cidade de Vila
Velha/ES. “Veraneando, é também muito crescida. Uma casa qualquer, na pittoresca
terra de Coitinho, actualmente, tem cotação fidalgo” ([SEM...], 1890a, p.
2).
Curioso mencionar que o
curista ia desfrutar não o sol, cujo único papel era purificar, mas, sim, o ar
marítimo e os benefícios da água fria.
Após certos horários,
evitava o contato com os raios solares, protegendo-se sob a sombra das árvores,
condição para manter “um tom pálido, macilento, funéreo, sinal de distinção
daqueles que não precisavam trabalhar sob o sol” (NOVAIS; SEVCENKO, 1998, p.
561).
A banhos. - A lendaria e
pittoresca villa Velha ou villa do Coutinho desde o mez ultimo que agasalha
amorosa em seu limitado e pauperrimo ambito um grande numero de familias
desta capital, que, ás primeiras manifestações do fulgido e quente verão,
fiseram provisão de frescas roupas de linho e foram haurir ali, nas
proximidades da barra uns haustos tonificantes de ar fortemente saturado
pelas emanações do mar; [...]
Teimam contra essa manifestação
providencialmente hygienica dos banhistas, uns cacoles amantes do solo
[...]. (NOTICIAS... 1883a, p. 3, grifo nosso). Contudo, na mesma nota, os
relatos dão conta de que a frequência à praia ia além da busca pela cura de
algum mal. Na verdade, deixa claro que os banhos eram por vezes utilizados como
pretexto para usufruírem dos passeios à praia, para a ocupação do tempo livre e
a para a fruição da paisagem marítima como recurso recreativo:
A população adventícia que
ali demora actualmente esta á banhos – um pretexto como qualquer outro – gosa
dos esplendidos e ridentes panoramas que se descortinam do alto da Penha e de
Piratininga; aprecia os passeios á tarde pelo Inhoá, [...].
Quem dá uns tons mais
risonhos e variados ao quadro da vida da “colônia victoriense” são os meninos,
uns pirralhos alegres e traquinas, que não deixam o mar senão quando dormem. Os
bebês, esses se contentam em brincar nas praias, em busca de lindas conchinhas.
Uma vida patriarcal aquella!” (NOTICIAS..., 1883a, p. 3, grifo nosso).
Ao longo das décadas de
1880 e 1890, não foram encontrados registros que confirmassem a utilização de
outras praias da cidade de Vitória, fora do perímetro central e de Vila Velha.
O primeiro relato afora
esse intervalo é datado de 1900 e é de autoria de um cidadão de Vitória que
escrevia sob o suposto nome de Aristophanes. Nesse relato, o cidadão menciona
uma excursão organizada por um grupo de pessoas com destino à Pirahem para
folgar o dia e realizar um piquenique.
O autor inicia o texto
afirmando que sua curiosidade em visitar o lugar fora aguçada por relatos de
amigos que já o conheciam e que teciam inúmeros elogios à sua beleza, o que
confirma a utilização dessa praia por outras pessoas nesse período.
Também justifica seu
interesse informando ser “[...] por temperamento inclinado á contemplação dos
espetáculos grandiosos com que a natureza em sua magnificência se impõe á
admiração do homem” (ARISTOPHANES, 1900a, p. 1), sustentando assim a prática da
contemplação da natureza como um dos motivos para a realização de tão
prolongado percurso, em um local completamente ermo.
PIRAHEM
[...] Chegado o dia marcado; que foi a 9 de março findo, o Recreio – victoriense, de onde devia sahir a caravana [...]
Meia hora depois
transpúnhamos a ponte que liga esta ilha ao continente, e cujo estado de ruína
expõe os transeuntes aos maiores perigos.
[...] Nesta parte da
estrada a aprasível e pittoresca paisagem prende e captiva os sentidos,
mas não ha arvores, á cuja sombra a gente possa abrigar se para contemplal-a
mais á vontade, e o calor ardente e abrasador que fasia, não permitiu que nos
detivéssemos senão por momentos.
A´s 9 horas atravessamos a
matta que fica entre aquelle ponto e a praia, para onde seguíamos, e cuja
extensão talvez não exceda de cinco kilometros.
Apesar de arenoso e secco o
terreno, há logares em que a vegetação é frondosa e ensombrado o caminho, que tem quatro a cinco metros de largura em quasi toda a sua extensão.
[...] Ao transpor-se a
matta, avista-se na distancia de tresentos metros a affamada praia. O
terreno é em toda esta distancia composta de alva areia solta, sobre a qual
vegetam viçosos grupos de pequenas palmeiras, de extrema bellesa, que rivalisam com as que
são cultivadas com esmero nos mais ricos e primorosos jardins!
[...] Não se descreve a
sensação que se experimenta, ao chegar-se á praia, que é de uma belleza
incomparável!
Segundo Marques (1878, p.
496), a palavra Pirahem ou Pirahim significa “Ponto de terra ao N. da do
Tubarão”. Sobre o nome Pirahem, Daemon (1879, p. 338) comenta que foi “[...]
dado pelos índios áquelle lugar pela abundancia que alli há de peixe e derivado
de pirá, peixe, hem, lugar abundante, e por não serem bôas aquellas terras para
cultura [...]”.
Hartt (1867) também realiza
uma descrição do local na qual menciona: “[...] no norte está a Ponta do
Tubarão, com uma praia rochosa de arenito, donde parte, correndo para oeste e
para o sul, uma extensa ponta rochosa, próximo à qual entra o canal do rio da
Serra”.
A immensidade do mar a
confundi se no horisonte com o céo; o bramido e susurro de gigantes ondas, que
se quebram com fragor e estampido e se desfazem em fluctuantes lençóes de
espuma; e o sol fazendo espelhar as aguas, colorindo a vegetação e dando
realce, brilho e esplendor a tudo, constituem o panorama que alli se descortina
aos olhos do espectador, que sente, gosa e se considera feliz, mas não sabe
dizer o que sente, o que gosa, nem que especie de felicidade é a sua,
porque são indefiníveis os phenomenos que enlevam, absorvem e arrebatam a
alma, apesar da opinião contraria dos philosophos que crêm na existencia e
immortalidade délla.
Às 10 horas chegamos ao
Cambury [...] Regressamos ás 4 horas [...] (ARISTOPHANES, 1900a,
p. 1, grifo nosso).
A ocupação da região de
Cambury somente seria iniciada na década de 1960, ou seja, sessenta anos após o
referido relato.
O
INICIO DE FREQUENTAR AS PRAIAS EM VITÓRIA.
A
PRAIA DO SUÁ – A VILA DE PESCADORES TRANSFORMA-SE EM BALNEÁRIO
O bairro Praia do Suá tem
esse nome porque, antigamente, era uma praia mesmo. Vitória era uma ilha.
Só existia o Centro e a Cidade Alta. Até o final dos anos 1800, não existia
acesso às praias, a pé enxuto.
Era tudo mangue e água. Em março de 1905, o
comerciante Aristides Navarro foi autorizado a montar uma linha de bondes,
puxados por animais (burros), para transportar mercadorias e passageiros.
Primeiro
foi feito o aterro em uma grande reta sobre terrenos de mangues a áreas
alagadas, ligando a Vila Monjardim (Jucutuquara) a Praia do Sua.
Este aterro recebeu o nome
de reta do Constantino, onde estendeu-se as linha de bonde e posteriormente
ferro-caril.
Dia 18 de fevereiro de 1907, um navio ancorou em Vitória e trouxe três
bondes e material para montar a empresa Carril & Suá. O primeiro trecho, do
Porto dos Padres ao Forte São João, foi inaugurado quatro meses depois. A linha
de bondes ajudou a povoar a zona norte de Vitória. Os bondinhos passaram a
levar a nata da sociedade para convescotes na praia do Suá, onde foi montada
uma estrutura com barracas e banheiro.
Havia uma praia isolada no
hoje bairro Jesus Nazareth, antigo morro deoBento Ferreira, que era usada
somente pelos homens, que tomavam banhos pelados, e daí a sua denominação de
“Praia dos Homens”, conforme consta na 1º levantamento aerofotogramétrico da
cidade em 1946. (anexo). Seu difícil acesso a pé, fazia que só homens pudessem
acessar esta praia escondida.
PIC
NIC
Ao final da primeira década
do século XX, a Ilha do Boi, situada a leste da ilha de Vitória, também foi
mencionada em periódico local como destino de camadas mais favorecidas que se
utilizavam dessa região para realização de piqueniques como forma de
sociabilização. A publicação deixa claro que as horas de lazer ali desfrutadas
promoviam, entre outras atividades recreativas, o usufruto da paisagem natural.
Apezar de haver o dia
amanhecido obumbrado por nuvens pardacerntas, vento ajudado pelo sól dissipou
as ameaças de chuva, convertendo em alegria, o presagio de tristeza, animando,
assim, os denodados rowers do Club Álvares Cabral a levarem a effeito o
projectadO “pic-nic” na Ilha do Boi.
Si a concurrencia de
famílias não foi grande pelo motivo exposto, a alacridade não deixou, comtudo, de transparecer no semblante de todos ao aprazivel logradouro.
[...] Quando a tarde, depois de muitas horas de ruidosas manifestações de prazer, que se casavam com a belleza campestre de uma ilha prodiga de dádivas naturaes, voltamos, já o dia ia perdendo os favores do sól e gravando na memoria de todos a magua immensa de um dia tão bem gosado, tão jovialmente aproveitado [...] (PIC NIC, 1909, p. 1, grifo nosso). Marques (1878, p.18) assim descreve a Ilha do Boi, ao final da década de 1870:
“[...] mui cultivada, e tem agua potável”. Em
outro trecho dessa mesma obra, o autor realiza a descrição de uma “Planta
topographica da Ilha do Boi”, segundo ele levantada pelo “Capitão Engenheiro José
Antonio Caldas, em 10 de outubro de 1767”, na qual menciona:
Esta sobredita ilha é
montuosa e se eleva toda sobre a marinha, cercando-a quasi uma rocha viva, e só
dá lugar para se desembarcar nos pequenos pontos notados com as letras A. B. C.
D. E. porque nesse logar está sempre o mar em flor, e as embarcações que vêm
demandar a barra se afastam com muito cuidado della por causa da correnteza das
águas, que puxam ahi para a ilha, e para o pequeno canal N que fica entre Ella
e a pequena ilhota chamada Calheta onde tem succedido muitos naufrágios
e perda de embarcações.
[...] O prospecto que se vê
no alto da planta mostra a elevação desta ilha tirada com a craticula do forte
de S. Francisco Xavier, ella não tem gênero algum de cultura, é cheia de
bosques e algum pequeno pasto. S. é a fonte que dá todo anno água para o
uso de quem mora na ilha, que é um só morador, que habita no logar [...]
(MARQUES, 1878, p. 32, grifo nosso).
Consequentemente a partir a
partir dos anos 80, as Praias de Santa Helena, Praia Comprida e Praia do Canto,
também com aterros internos dos enrrocamentos de proteção da entrada da baia de
Vitoria, dando lugar a uma praia artificial, oriunda de aterro, que É a nossa
CURVA DA JUREMA.
Enfim, hoje a Praia do Suá,
a nossa Praia classificada como a primeira ZONA BALNEAR OFICIAL DE LAZER
desapareceu com os aterros a partir dos anos 50.
FONTES:
-
Coleção Eutychio d'Oliver. Acervo IPHAN-ES - 1910.
- DERENZI, Luiz Serafim. Biografia
de uma ilha. Vitória: Prefeitura Municipal de Vitória/Secretaria de Cultura e Turismo, 1995.
- ELTON, Elmo. Logradouros
antigos de Vitória. Vitória: Instituto Jones do Santos Neves, 1986.
- FREITAS, José Francisco
Bernardino. Aterros e decisões políticas no município de Vitória: efeito cascata. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ANPUR, 2004.
v. 8, p.17. Disponível em:
- HARTT, Charles Frederick.
Geologia e geografia física do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1941. Disponível em:
- MARQUES, Cezar Augusto. Diccionario
historico, geographico e estatistico da provincia do Espirito Santo. Rio de
Janeiro: Typographia Nacional, 1878.
- PEREIRA, AMÂNCIO. Homens
e cousas espírito-santenses. Victória-ES: Artes Graphicas, 1914.
- ROCHA, Levy. Viagem de
Pedro II ao Espírito Santo. 3. ed. Vitória: Governo do Estado do Espírito
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- SAINT-HILAIRE, Auguste
de. Viagem ao Espírito Santo e Rio Doce. São Paulo: Itatiaia, 1974.
- SIQUEIRA, Maria da Penha
Smarzaro. A cidade de Vitória e o porto nos princípios modernos da urbanização no início do século XX. Cadernos Metrópole, São
Paulo, v. 12, n. 24, p. 565-584, jul./dez. 2010. Disponível em:
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Acesso em:15 ago. 2013.
- TATAGIBA, José. A
história das primeiras ruas, ladeiras praças e monumentos históricos –
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municipal: carnaval. O Estado do Espírito Santo, Vitória, 6 fev. 1890. Avisos e editaes, p. 4.
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EDEN Cinema. Estado do
Espírito Santo, Vitória, p. 2, 28 jan. 1910a.
EDEN Cinema. Estado do
Espírito Santo, Vitória, 21 set. 1910b. Interesse local, p. 1.
EDEN Parque. Estado do
Espírito Santo, Vitória, p. 3, 25 nov. 1910.
EDEN Parque. Estado do
Espírito Santo, Vitória, p. 3, 24 fev. 1900.
EDEN Parque. Estado do Espírito Santo, Vitória, 19 jan. 1904. Interesse local, p. 1.
ELIO, P. Receios e
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EMPRESA de bondes: banhos
no Suá. Diário da Manhã, Vitória, p. 4, 15 set. 1910.
EMPRESA Ferro-Carril. O
Estado do Espírito Santo, Vitória, 16 maio 1902.
Interesse local, p. 1.
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ENCANTADORA festa: no
Parque Moscoso. O Diário, Vitória, p. 1, 25 out. 1912.
ENTHUSIASMO! O
Espirito-Santense, Vitória, 15 fev. 1885. Noticiario, p. 2.
F. Ao publico. A Província do Espírito Santo, Vitória, 9 jan. 1887. Avisos e editaes, p. 4.
FERREIRA, Augusto Olavo Rodrigues. Governo Provincial, Secretaria da
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FESTA do trabalho. O
Diário, Vitória, p. 2, 15 maio 1912.
FESTA de Santa Catharina. Estado
do Espírito Santo, Vitória, 26 nov. 1903.
Secção de anúncios, p. 3.
Secção de anúncios, p. 3.
FESTIVIDADE. O
Espirito-Santense, Vitória, 25 jun. 1879. Noticiario, p. 2.
FREITAS, Ly. Um sonho. O
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GAMA, Francisco Antonio de
Paula Nogueira da. O brigue Urura’u. Estado do
Espírito Santo, Vitória, 17 out. 1893. Subsidios extranhos, p. 2.
Espírito Santo, Vitória, 17 out. 1893. Subsidios extranhos, p. 2.
GOVERNO DA PROVINCIA DO
ESPÍRITO SANTO. Falla dirigida a Assembléa
Legislativa Provincial pelo Exm. Sr. Presidente da Província do Espírito Santo... O Espirito-Santense, Vitória, p. 2, 4 out. 1873.
Legislativa Provincial pelo Exm. Sr. Presidente da Província do Espírito Santo... O Espirito-Santense, Vitória, p. 2, 4 out. 1873.
GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO.
Lei 582, Capítulo IV. Diário da Manhã, Vitória, 24 dez. 1908. Actos officiaes, p. 1.
GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO.
Copia-termo de contracto que faz o governo do Estado do Espírito Santo com o cidadão Paulo Rodrigues da Motta Teixeira... Diário
da Manhã, Vitória, 8 mar. 1911a. Actos officiaes, p. 1.
GOVERNO MUNICIPAL. Directoria de Finanças. Termo de contracto que assigna o cidadão Paulo Rodrigues da Motta Teixeira para a construcção... Diário da Manhã, Vitória, p. 1, 19 jul. 1911b. Actos officiaes, p. 1.
GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO. Lei 776. Diário da Manhã, Vitória, 4 jan. 1912a. Actos Oficiaes, p. 1.
ILLUMINAÇÃO. Correio da
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IMMIGRATO. Obras municipaes. Estado do Espírito Santo, Vitória, p. 2, 5 mar. 1896.
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INAUGURAÇÃO do jardim. O Espirito-Santense, Vitória, 5 fev. 1882. Noticiario, p. 2.
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Intendencia Municipal da cidade da Victoria. O Estado do Espírito Santo, Vitória, p. 1, 12 jun. 1890.
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PEREIRA, Amancio. [Sem
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PETIT. [Sem título]. Diário
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PIC NIC. Estado do
Espírito Santo, Vitória, 23 mar. 1909. Interesse local, p. 1.
PIZARRO, João Joaquim.
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PRAÇA Paula Castro. Estado
do Espírito Santo, Vitória, 30 out. 1895. Factos e boatos, p. 2.
PRAÇA Santos Dumont. Diário
da Manhã, Vitória, p. 2, 3 out. 1909a.
PRAÇA Santos Dumont. Diário
da Manhã, Vitória,5 out. 1909b. Os melhoramentos, p. 2.
PREFEITURA MUNICIPAL. Actos
officiaes: despachos do Sr. Prefeito. Diário da Manhã, Vitória, s/p, 14 ago. 1909.
PROGRAMMA para os festejos
de Santa Catharina. O Espirito-Santense, Vitória, 20 nov. 1877. Annuncios, p. 4.
QUARESMA JUNIOR. Sucessão
presidencial – Estado do Espirito Santo: o mais
fértil dos governos. O Diário, Vitória, p. 1, 23 abr. 1912.
fértil dos governos. O Diário, Vitória, p. 1, 23 abr. 1912.
QUARTO centenário da Índia.
Estado do Espírito Santo, Vitória, 17 maio 1898. Avisos e editaes, p. 2.
QUINTAES, Jose da Silva;
QUINTAES, Luiz da Silva. Jardim Municipal. Estado do Espírito Santo, Vitória, 24 maio 1895. Annuncios, p. 2.
RIBEIRO, Jose Joaquim de
Almeida. Regulamento para o porto da cidade de
Victoria. Correio da Victoria, Vitória, p. 3, 11 out. 1857.
Victoria. Correio da Victoria, Vitória, p. 3, 11 out. 1857.
ROWER. Sport. Estado do
Espírito Santo, Vitória, p. 2, 7 abr. 1909.
SABBATINA. O Espirito-Santense, Vitória, 22 jul. 1876. Folhetim, p. 1.
SALUBRIDADE pública. O
Espirito-Santense, Vitória, 11 maio 1871. Secção
noticiosa, p. 1.
noticiosa, p. 1.
SANEAMENTO da capital:
cartas á redacção d’ O Estado do Espírito Santo – Parte I. O Estado do Espírito Santo, Vitória, 9 jan. 1890a. O Estado do
Espírito Santo, p. 2.
SANEAMENTO da capital: cartas á redacção d’ O Estado do Espirito-Santo - Parte
II. O Estado do Espírito Santo, Vitória, 10 jan. 1890b. O Estado do Espírito Santo, p. 2.
SANEAMENTO da capital:
cartas á redacção d’ O Estado do Espirito-Santo - Parte III. O Estado do Espírito Santo, Vitória, 12 jan. 1890c. O Estado do
Espírito Santo, p. 2.
SANEAMENTO da capital:
cartas á redacção d’ O Estado do Espírito Santo – Parte IV. O Estado do Espírito Santo, Vitória, 15 jan. 1890d. O Estado do
Espírito Santo, p. 2.
SANEAMENTO da capital: cartas á redacção d’ O Espírito-Santo – Parte VII. O
Estado do Espírito Santo, Vitória, 25 jan. 1890e. O Estado do Espírito Santo, p. 2.
SANEAMENTO da capital:
cartas á redacção d’ O Espírito-Santo – Parte IX. O
Estado do Espírito Santo, Vitória, 2 fev. 1890f. O Estado do Espírito Santo, p. 2.
Estado do Espírito Santo, Vitória, 2 fev. 1890f. O Estado do Espírito Santo, p. 2.
SECRETARIA DO GOVERNO.
Expediente do dia 23 de outubro. Correio da
Victoria, Vitória, p. 1, 27 out. 1849.
Victoria, Vitória, p. 1, 27 out. 1849.
SECRETARIA DO GOVERNO.
Despachos. Diário da Manhã, Vitória, 19 jan. 1912. Actos officiaes, p. 1.
SENRA, Alberio. O Espírito-Santo antigo e moderno. O Diário, Vitória, p. 1, 21 ago. 1912.
SOARES, Gerson de Macedo. A
sahida é o contrario da entrada! Diário da Manhã, Vitória, 23 jun. 1916.
Impressões da Victoria, p. 1.
SOUZA, Alvaro de.
Impressões da Penha. Diário da Manhã, Vitória, p. 2, 13 dez. 1909.
THOMPSON, Arthur. [Sem
título]. Diário da Manhã, Vitória, 20 fev. 1909. Editaes, p. 3.
TOLEDO, Raul de. Queixumes
de amor. Diário da Manhã, Vitória, 27 ago. 1916. Collaboração, p. 2.
TRIBUNA livre – a proposito
do abastecimetto d’agua. A Província do Espírito Santo, Vitória, p. 3, 4 fev. 1883.
TULLIO. Rabiscos. Diário
da Manhã, Vitória, p. 2, 4 maio 1911a.
TULLIO. Rabiscos. Diário
da Manhã, Vitória, p. 3, 9 maio 1911b.
VAPÔR e triumpho >> o
emprezario: Urbano Batalha. A Província do Espírito Santo, Vitória, 27 jan. 1883. Declarações, p. 4.
VENDE-SE. O Estado do
Espírito Santo, Vitória, p. 2, 22 jul. 1897. Annuncios, p. 2.
VICTORIA, Manoel Gonsalves.
[Sem título]. Correio da Victoria, Vitória, 21 set. 1859. Editaes, s/p.
X.Y. A semana. O Estado
do Espírito Santo, Vitória, p. 1, 28 jun. 1898.






























Excelente trabalho. Parabéns.
ResponderExcluirSimplesmente Fantástico.
ResponderExcluirCheguei em Vitória em 1971. Ainda peguei muita coisa desse passado. Cambur, por exemplo, não existia nada de habitação.Jdim.Camburi, nem se fala. Acompanhei todo desenvolvimento de Vitória, e do Espírito Santo, passo a passo.
Manoel Aranha
Mais um trabalho de excelente qualidade, dando-nos um panorama bem fundamentado das praias e a história da cultura de lazer que esse maravilhoso espaço de território nos proporciona a séculos...
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