PORQUE A AMAZONIA É SOMENTE NOSSA.
POR WILLIS DE FARIA
O Brasil não mente. E
tampouco seu presidente, seu governo e suas instituições.
A fundação do forte de São José do Rio Negro, na confluência do Rio Negro com o Solimões (1663), reuniu em seu entorno índios barés, baniuas e passés, dando origem à povoação que viria a se transformar na cidade de Manaus.
Como historiador, posso afirmar que a fala do
Vice Presidente da República (eleito), Hamilton Mourão, foi uma aula magnifica
de história do Brasil, onde a maioria dos brasileiros desconhece, por falta de interesse. Em
quaisquer pais do mundo, é quase obrigatório conhecer a historia de sua pátria.
Isto nos chamamos de civismo.
O texto do Vice Presidente
Mourão publicado na ultima semana de agosto no jornal Estado de São Paulo (Estadão).
É uma aula de história de
verdade, de brasilidade, que encerra definitivamente a questão sobre os outros
interesses escusos sobre a NOSSA Amazônia.
“No contexto de uma
campanha internacional movida contra o Brasil, ressurgiu a antiga pretensão de
relativizar, ou mesmo neutralizar, a soberania brasileira sobre a parte da
Região Amazônica que nos cabe, a nossa Amazônia”.
Acusações de maus-tratos a
indígenas, uso indevido do solo, desflorestamento descontrolado e inação
governamental perante queimadas sazonais compõem o leque da infâmia despejada
sobre o País, a que se juntou a nota diplomática do governo francês ofensiva ao
presidente da República e aos brasileiros.
Em primeiro lugar, porque o
Brasil tem a seu lado a História, sobre a qual, em consideração à memória
nacional, nos devemos debruçar.
A Amazônia que nos pertence
foi conquistada no tempo em que só a ação intimorata garantia direitos.
Depois da expulsão dos
franceses de São Luís (1615) e da fundação do forte do Presépio, a futura Belém
(1616), corsários ingleses e holandeses foram combatidos e expulsos da foz do
Rio Amazonas.
A União Ibérica (1580-1640) ofereceu
oportunidade para que bandeirantes e exploradores rompessem as Tordesilhas, um
desenvolvimento histórico que tem na primeira navegação da foz à nascente do
Amazonas (1637), façanha cometida por Pedro Teixeira, seu marco definitivo.
(PS:
nota minha – os franceses, ingleses e holandeses, depois de expulsos do
território brasileiro, foram ocupar a porção norte da América do Sul, que ficou
conhecido até pouco tempo como Guianas: Francesa, Inglesa e Holandesa).
Foram fortalezas que
prefiguraram a ocupação e a delimitação da Amazônia brasileira. Foi a catequese
que aglutinou os indígenas sob a proteção da cruz, favorecendo a miscigenação
que fomentou o povoamento da região.
A fundação do forte de São José do Rio Negro, na confluência do Rio Negro com o Solimões (1663), reuniu em seu entorno índios barés, baniuas e passés, dando origem à povoação que viria a se transformar na cidade de Manaus.
Após a Independência, em
nossa primeira legislatura, quando a pretensão estrangeira de impor um
monopólio de navegação no Amazonas ousou atribuir aos brasileiros a pecha de
ignorantes, coube ao Senado devolvê-la, lembrando que cabia aos brasileiros a
primazia dos descobrimentos sobre a região, conforme atestado pelo próprio
Humbolt.
E no início do século 20,
enquanto a Europa se dilacerava nos campos de batalha da 1.ª Guerra Mundial, um
dos nossos maiores soldados, Cândido Mariano da Silva Rondon, completava sua
campanha sertanista (1915-1919) em Mato Grosso levantando cartograficamente os
vales do Araguaia e as cabeceiras do Xingu; descobrindo minas de sulfeto de
ferro, ouro, diamantes, manganês, gipsita, ferro e mica; e o mais importante,
fazendo amigas as nações nhambiquara, barbados, quepi-quepi-uats, pauatês,
tacuatés, ipoti-uats, urumis, ariquemes e urupás, que ao final da ciclópica
empreitada apontavam para as armas dos exploradores e diziam: “Enombô, paranã!
Dorokói pendehê” (“joguem no rio, a guerra acabou”).
Marechal Cândido Rondon.
Epopeia consumada, mas por
concluir, na qual o Brasil jamais prescindiu da cooperação das nações
condôminas desse patrimônio reunidas no Pacto Amazônico, que comemorou, no ano
passado, 40 anos de sua assinatura, o qual, pela sua finalidade e sua clareza
de propósitos, dispensa protagonismos de última hora movidos por interesses
inconfessáveis.
(Introduzido este texto)
A Região Amazônica é tema
incontornável nos debates internacionais contemporâneos sobre recursos
naturais, desenvolvimento sustentável, mudança do clima e biodiversidade.
Com população de
aproximadamente 38 milhões de pessoas, a Amazônia ocupa 40% do território
sul-americano e abriga a maior floresta megadiversa do mundo, habitat de 20% de
todas as espécies de fauna e flora existentes.
A Bacia Amazônica contém cerca de 20% da água doce da superfície do planeta. O Ciclo Hidrológico Amazônico alimenta um complexo sistema de aquíferos e águas subterrâneas, que pode abranger uma área de quase 4 milhões de km2.
A Bacia Amazônica contém cerca de 20% da água doce da superfície do planeta. O Ciclo Hidrológico Amazônico alimenta um complexo sistema de aquíferos e águas subterrâneas, que pode abranger uma área de quase 4 milhões de km2.
Por sua importância
estratégica, a Amazônia apresenta aos países que fazem parte deste ecossistema grandes
desafios e ainda maiores oportunidades.
A conveniência de conjugar esforços para o desenvolvimento harmônico da Amazônia, com equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente, constitui princípio fundador da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), bloco socioambiental formado pelos Estados que partilham o território Amazônico: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
A conveniência de conjugar esforços para o desenvolvimento harmônico da Amazônia, com equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente, constitui princípio fundador da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), bloco socioambiental formado pelos Estados que partilham o território Amazônico: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
As origens da organização
remontam a 1978, quando, por iniciativa brasileira, os oito países amazônicos
assinaram, em Brasília, o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), com o objetivo
promover o desenvolvimento integral da região e o bem-estar de suas populações,
além de reforçar a soberania dos países sobre seus territórios amazônicos. O
fortalecimento da cooperação regional é o principal meio para alcançar esses
objetivos.
Vinte anos depois, em
Caracas, os países firmaram Protocolo de Emenda ao Tratado de Cooperação
Amazônica, criando a OTCA, organização internacional dotada de secretaria
permanente e orçamento próprio.
Em dezembro de 2002 foi assinado, no Palácio do Planalto, Acordo de Sede entre o Governo brasileiro e a OTCA, que estabeleceu em Brasília a sede da Secretaria Permanente da Organização. Vale notar que, até hoje, a OTCA é a única organização internacional multilateral sediada no Brasil.
Em dezembro de 2002 foi assinado, no Palácio do Planalto, Acordo de Sede entre o Governo brasileiro e a OTCA, que estabeleceu em Brasília a sede da Secretaria Permanente da Organização. Vale notar que, até hoje, a OTCA é a única organização internacional multilateral sediada no Brasil.
A Reunião de Ministros das
Relações Exteriores é o órgão deliberativo máximo da Organização, responsável
por fixar as diretrizes básicas da política comum, avaliar iniciativas
desenvolvidas e adotar decisões necessárias à consecução dos fins propostos.
O Conselho de Cooperação Amazônica (CCA), integrado por representantes diplomáticos de alto nível dos países-membros, deve velar pelo cumprimento dos objetivos do Tratado e das decisões adotadas pelos Ministros de Relações Exteriores. O CCA é auxiliado pela Comissão de Coordenação do Conselho de Cooperação Amazônica (CCOOR), órgão meramente consultivo.
O Conselho de Cooperação Amazônica (CCA), integrado por representantes diplomáticos de alto nível dos países-membros, deve velar pelo cumprimento dos objetivos do Tratado e das decisões adotadas pelos Ministros de Relações Exteriores. O CCA é auxiliado pela Comissão de Coordenação do Conselho de Cooperação Amazônica (CCOOR), órgão meramente consultivo.
No âmbito interno, cabe à
Comissão Nacional Permanente do Tratado de Cooperação Amazônica – constituída
por representantes de vários Ministérios e presidida pelo Itamaraty – coordenar
as atividades relacionadas à aplicação, no território brasileiro, das
disposições do Tratado.
Nos últimos anos, a OTCA
experimenta processo de relançamento e de fortalecimento. Nessa nova fase, suas
atividades são pautadas pelas diretrizes da Nova Agenda Estratégica de
Cooperação Amazônica, aprovada pelos Chanceleres dos países-membros em 2010,
que reflete as prioridades dos países amazônicos, de acordo com a nova
realidade política e social da região.
Ainda como parte da
estratégia de dinamizar a organização, os países decidiram incrementar o valor
de suas contribuições anuais, dotando-a de maior capacidade de financiamento de
suas atividades. Em abril de 2013, o Brasil anunciou a doação de terreno para a
construção do novo edifício-sede da OTCA, contribuindo para garantir a
autonomia financeira da Organização.
Atualmente, estão em
execução numerosos projetos em áreas como meio ambiente, assuntos indígenas,
recursos hídricos, ciência e tecnologia, saúde, turismo e inclusão social.
Entre eles, destaca-se o Projeto Monitoramento da Cobertura Florestal na Região
Amazônica, executado desde meados de 2011 em parceria com o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE).
O objetivo do Projeto é contribuir para o desenvolvimento regional da capacidade de monitoramento do desmatamento da Floresta Amazônica, por meio de instalação de salas de observação nos países-membros e de capacitação e intercâmbio de experiências em sistemas de monitoramento.
O projeto permitiu a elaboração pioneira de mapas regionais de desmatamento da Amazônia, através da compilação dos dados nacionalmente coletados.
O objetivo do Projeto é contribuir para o desenvolvimento regional da capacidade de monitoramento do desmatamento da Floresta Amazônica, por meio de instalação de salas de observação nos países-membros e de capacitação e intercâmbio de experiências em sistemas de monitoramento.
O projeto permitiu a elaboração pioneira de mapas regionais de desmatamento da Amazônia, através da compilação dos dados nacionalmente coletados.
Igualmente digno de nota é
o projeto "Ação Regional na Área de Recursos Hídricos" (Projeto
Amazonas), coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA) desde 2012, que
contempla encontros técnicos regionais e cursos de capacitação em gestão de
recursos hídricos na bacia amazônica.
Rede piloto de monitoramento hidrometereológico está sendo instalada em pontos selecionados de três países (Bolívia, Colômbia e Peru), a fim de prover informação precisa e em tempo real sobre a situação dos rios amazônicos. O projeto teve sua primeira fase recentemente concluída em junho de 2017.
Rede piloto de monitoramento hidrometereológico está sendo instalada em pontos selecionados de três países (Bolívia, Colômbia e Peru), a fim de prover informação precisa e em tempo real sobre a situação dos rios amazônicos. O projeto teve sua primeira fase recentemente concluída em junho de 2017.
Em 2018, completaram-se 40
anos da assinatura do TCA, tendo-se procedido à revisão da Agenda Estratégica
de Cooperação Amazônica. Os trabalhos resultaram na delimitação dos objetivos
da Organização para o próximo decênio.
Se existisse algum
protagonismo nacional na Amazônia sul-americana compartilhada por nove países,
algo que o Brasil nunca avocou, ele seria, pelos números, pela presença e pela
História, brasileiro.
Se a História dá razão ao
Brasil em qualquer debate sobre a Amazônia, cabe colocar, em segundo lugar, que
ele tem a seu favor os fatos.
Não há país que combine
legislação ambiental, produtividade agropecuária, segurança alimentar e
preservação dos biomas com mais eficiência, eficácia e efetividade do que o
Brasil.
Não bastassem todos os
dados legais e científicos, sobejamente conhecidos, que comprovam essa
assertiva, tomem-se não as palavras, mas os atos do governo brasileiro no
sentido de combater queimadas e apurar crimes de toda natureza praticados na
Região Amazônica, o que desqualifica as desproporcionais acusações e agressões
desferidas contra o País por causa do meio ambiente.
E se não bastassem a
História e os fatos, cabe apontar o que se revela nas declarações oficiais, nas
confidências mal escondidas, nas entrelinhas dos comunicados e no
ecorradicalismo incensado pela imprensa: a velha ambição disfarçada por
filantropia de fachada.
É inacreditável que, num
momento em que guerras comerciais e protecionismos turvam o horizonte mundial,
e são publicamente condenados em todas as instâncias internacionais
responsáveis, líderes de países europeus venham, individualmente ou em
conjunto, tomar iniciativas contra o livre-comércio, procurando sabotar acordos
históricos como o firmado entre a União Europeia e o Mercosul e entre este e os
países da Associação Europeia de Livre-Comércio (Efta) – Noruega, Suíça,
Islândia e Liechtenstein.
Como é inacreditável que
pessoas que até há pouco tempo ocupavam cargos públicos se esqueçam de uma das
linhas mestras da diplomacia do Brasil, a de preservar a liberdade de
interpretar a realidade do País e de encontrar soluções brasileiras para os
problemas brasileiros, conforme colocadas pelo chanceler Horácio Lafer em 1959.
Nada disso prevalecerá. O
Brasil não tem tempo a perder. Com trabalho, coragem e determinação ele
encontrará o seu destino de grandeza: ser a mais pujante e próspera democracia
liberal do Hemisfério Sul.
E por qualquer perspectiva,
da preservação ao desenvolvimento, da defesa à segurança, da História ao
Direito, a nossa Amazônia continuará a ser brasileira.
E nada exprime melhor isso do que a canção do internacionalmente reconhecido Centro de Instrução de Guerra na Selva: À Amazônia inconquistável o nosso preito,/ A nossa vida por tua integridade/ A nossa luta pela força do direito/ Com o direito da força por validade.
E nada exprime melhor isso do que a canção do internacionalmente reconhecido Centro de Instrução de Guerra na Selva: À Amazônia inconquistável o nosso preito,/ A nossa vida por tua integridade/ A nossa luta pela força do direito/ Com o direito da força por validade.
OBS: Foram colocadas
ilustrações no texto do General Hamilton Mourão (Vice-Presidente da Republica),
para da ênfase a suas palavras.




















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