O NEOCOLONIALISMO FRANCES NA AFRICA
POR: WILLIS DE FARIA
As ex-colônias francesas
ainda pagam um imposto “colonial”
Quatorze ex-colónias
francesas em África pagam um “imposto colonial” no valor de cerca de 500 mil
milhões de dólares. Estes países são Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim,
Guiné, Mali, Níger, Senegal, Togo, Camarões, República Centro-Africana, Chade,
Congo, Guiné Equatorial e Gabão.
Estes países têm uma
população combinada de 174 milhões de habitantes e um PIB total nominal de 196
mil milhões de dólares, com um PIB em paridade de poder de compra de 411 mil
milhões de dólares. A França interrompeu a sua política de colonização, mas a
colonização económica destes estados africanos persiste. Uma parte do orçamento
das colónias continua a fluir para o banco central francês sob vários nomes e
categorias.
Este processo permite à
França apropriar-se de cerca de 90 % do rendimento anual das ex-colónias. Como
resultado, os países africanos enfrentam dificuldades financeiras e têm de
pedir emprestado o seu próprio dinheiro ao banco central francês como dívidas.
Para recuperar os seus fundos, os países africanos estão limitados a solicitar,
no máximo, 20% do montante transferido. Se buscarem um valor maior, poderá ser
vetado. A França argumenta que é o dinheiro gasto em edifícios e
infra-estruturas construídas há mais de um século.
Qualquer recusa de um
governante africano em pagar o imposto colonial conduz frequentemente a um
golpe de Estado.
Quais países foram
colonizados pela França?
Enquanto aqui no Brasil a
gente comemora a independência por ser um país fruto da colonização portuguesa,
a França experimentou desde sempre o outro lado da moeda, ser um país
colonizador.
Preparamos esse post para
que você conheça os países que foram colonizados pela França com isso entenda o
porquê da cultura francesa ser tão disseminada mundo afora. Confira!
Dominação Continental
O chamado, Império Colonial
Francês foi estabelecido entre os séculos XVI e XX em quase todos os
continentes, África, Américas, Ásia e na Oceania. Na América do Norte
conquistou Quebec, em 1608, (“Canadá”) e as ilhas de São Pedro e Miquelão, que
até hoje mantêm a cidadania francesa. No Caribe, a França colonizou as ilhas de
Martinica, Guadalupe e Haiti. A ilha de Saint Martin acabou sendo dividida com
a Holanda.
As colônias francesas na
África são inúmeros sendo o pontos de partida no Senegal, onde em 1624
estabeleceu se entrepostos, limitando-se a traficar escravos para as suas
colônias no Caribe.
A Île Bourbon (atual
Reunião), em 1664, Île de France (atualmente Maurício), em 1718 e as ilhas
Seychelles, em 1756, foram as conquistas no Oceano Índico. Parte do Egito,
durante o reinado de Napoleão, também foi dominada pela França.
Mas foi no século XIX com a
invasão da Argélia e o estabelecimento de um protetorado na Tunísia que o
interesse na África foi despertado nos franceses. Quando se formou a colônia do
Sudão francês (atual Mali) e Marrocos tornou-se outro protetorado.
Foram colônias francesas
até meados do século XX: Marrocos, Tunísia, Guiné, Camarões, Togo, Senegal,
Madagascar, Benin, Níger, Burkina Faso, Costa do Marfim, Chade, República do
Congo, Gabão, Mali, Mauritânia, Argélia, Comores, Djibouti, República Centro
Africana.
Particularidade nas
Américas
A participação da França no
processo de colonização do continente americano aconteceu tardiamente em
relação às nações ibéricas. Esse atraso é usualmente vinculado à falta de
interesse do próprio Estado em empreender um programa de expansão marítima e os
constantes desentendimentos entre a Coroa e a classe burguesa.
Na América Latina, os
franceses ocuparam regiões das Antilhas e das Guianas empreendendo um tipo de
exploração voltado à produção açucareira e a utilização de mão-de-obra escrava.
Na região norte, os
franceses se fixaram na região do Quebec, Louisiana, Golfo do México e
Mississipi. Nessas regiões, diversos colonizadores franceses viviam da
comercialização de caças, peles de animais, pesca e outras atividades menores.
Com a deflagração da Guerra
dos Sete Anos (1756 – 1763) o projeto colonial francês sofreu um duro golpe ao
ter que ceder parte de seus domínios para a Inglaterra.
Com assinatura do Tratado
de Paris (1763), a França reconheceu sua derrota entregando uma parte das
Antilhas Francesas, a região leste do Rio Mississipi, à colônia de Quebec e a
região da Louisiana, entregue a um breve domínio dos espanhóis.
Agora que você já conhece
as proporções do domínio francês pelo mundo fica fácil de entender porque
encontra-se tanto da cultura francesa espalhada por ai, não é mesmo?
Descolonização francesa da
África - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Períodos da independência dos
países africanos
A seguir à Segunda Guerra Mundial a França, que
já se encontrava a braços com insurreição na Argélia e
na Indochina e
depois de já ter perdido Marrocos e a Tunísia,
em 1956, como
resultado de movimentos independentistas aos quais foi obrigada a ceder, tentou
em Setembro de 1958,
através de um referendo uma manobra de dar uma “autonomia” às
suas colónias, que continuariam a fazer parte da “Comunidade
Francesa”.
Com excepção da Guiné, que votou pela independência imediata, a Côte
d'Ivoire, o Níger, o Alto Volta e o Daomé decidiram
formar a “União Sahel-Benin” e, mais tarde, o “Conselho do Entendimento”,
enquanto o Senegal se
unia ao “Sudão Francês” para formar a “Federação do Mali”.
Estas uniões não duraram muito tempo e a França, em 1960, reconheceu a
independência da maioria das sua colónias africanas.
A Argélia, no entanto, só se tornou independente depois de 8 anos
duma guerra que causou milhares de mortos, não só na própria colónia, como
também na França, após o que o governo francês, dirigido pelo general Charles
de Gaulle, decidiu entrar em conversações com o principal movimento
independentista (a Front de Libération Nationale ou FLN) e
conceder-lhe a independência.
Djibouti foi
uma das colónias francesas que decidiu, em 1958, manter-se na
“Comunidade Francesa” mas, devido a problemas de governação, a população local
começou a manifestar-se a favor da independência. Depois de um novo referendo,
em 1977, o
Djibouti tornou-se finalmente um país independente.
Nas Comores, a história foi semelhante, mas com uma declaração unilateral
de independência, em 1975, que foi reconhecida no mesmo ano, mas que não abrangeu a
ilha Mayotte,
onde a população votou por manter-se como um território francês.
A ilha da Reunião é igualmente um departamento francês, governando,
para além da ilha principal, várias outras ilhas que são reclamadas por Madagáscar e Maurícia.
Foram os seguintes os actuais países africanos que se tornaram
independentes de França no século XX (data
da independência):
- Marrocos (2 de Março de 1956)
- Tunísia (20 de Março de 1956)
- Guiné (2 de Outubro de 1958)
- Camarões (1 de Janeiro de 1960)
- Togo (27 de Abril de 1960)
- Senegal (20 de Junho de 1960)
- Madagáscar (26 de Junho de 1960)
- Benin (1 de Agosto de 1960)
- Níger (3 de Agosto de 1960)
- Burkina Faso (5 de Agosto de 1960)
- Costa do
Marfim (7 de Agosto de 1960)
- Chade (11 de Agosto de 1960)
- Congo (15 de Agosto de 1960)
- Gabão (17 de Agosto 1960)
- Mali (22 de Setembro de 1960)
- Mauritânia (28 de
Novembro de 1960)
- Argélia (5 de Julho de 1962)
- Comores (6 de Julho de 1975)
- Djibouti (27 de Junho de 1977)
Entretanto, vários territórios africanos continuam sob administração
francesa, depois de vários referendos:
- a ilha
de Mayotte,
nas Comores;
e
- a ilha
da Reunião e várias outras ilhas que
dependem administrativamente deste departamento ultramarino, mas que são
reclamadas por Madagáscar e Maurícia.
A
Escravidão Monetária
A França detém o controle
monetário de 14 países africanos e 160 milhões de pessoas. Por uma série
de acordos, a França obrigou esses países a guardar 50% de suas reservas
financeiras internacionais em Paris (no tesouro francês) e emitir uma moeda
chamada de Franco CFA.
França e África: Uma
separação em câmara lenta
As
antigas colónias francesas são independentes há 60 anos, mas França continua a
ter um grande peso. Poderá a ‘Françafrique’ tornar-se alguma vez França e
África?
Liberdade,
alívio, esperança - estes terão sido os sentimentos de milhões de africanos
quando o regime colonial francês terminou no continente, há 60 anos. Só em
agosto de 1960, nove colónias francesas obtiveram a independência. No total,
foram 14 nesse ano: Benim, Burkina Faso, Camarões, Chade, Congo-Brazzaville,
Madagáscar, Mauritânia, Gabão, República Centro-Africana, Costa do Marfim,
Mali, Níger, Senegal e Togo.
Em
1830, França foi o primeiro país a ocupar a Argélia, seguindo depois pelo Sahel
e por grandes partes da África Ocidental e Central. Levaria muitos anos até se
soltarem as amarras do colonialismo. Milhões de africanos sofreram e morreram
às mãos de França.
Foi
apenas em 1946 que França fundou a União Francesa, permitindo aos territórios
africanos enviarem representantes políticos à Assembleia Nacional - mas sem
falar de soberania. Em muitas regiões, aumentava à resistência a França. A
Guiné-Conacri tornar-se-ia independente em outubro de 1958 – o primeiro dos
territórios franceses a fazê-lo.
Sem liberdade, sem independência
"60
anos depois, os países francófonos de África ainda não têm verdadeira
independência e liberdade de França", diz Nathalie Yamb,
do Partido da Liberdade e Democracia da República da Costa do Marfim (LIDER).
Isto começa com os livros escolares, cujo conteúdo ainda é muitas vezes
determinado em França.
Em muitos destes países,
continua a existir um sistema estatal introduzido pela França. "Pouco antes da independência se tornar
realidade, em 1960, França decidiu abolir o sistema parlamentar em alguns
países como a Costa do Marfim e preparar um regime presidencial em que todos os
territórios e poderes estão nas mãos do chefe de Estado", explica Yamb, em
entrevista à DW. A ideia era "manter os países na mão, apenas uma pessoa
que concentra todos os poderes tem de ser manipulada".
A ‘Françafrique', como é
chamada a influência francesa nas antigas colónias, mantém-se e, especialmente
entre a juventude, cresce o ressentimento contra a antiga potência colonial.
Desde os anos 1980, vários candidatos presidenciais prometeram virar as costas
à ‘Françafrique'.
Mas a promessa de um novo
começo entre França e os estados francófonos de África não passa de um ritual,
segundo Ian Taylor, professor de política africana na Universidade de St.
Andrews, na Escócia. "Falam de mudança, mas logo após a tomada de posse,
os presidentes franceses apercebem-se que o interesse económico e político em
África é demasiado forte e que não há um interesse real na mudança de ambos os
lados".
Recursos, controle e
militares.
Mas porque é que nem as
elites africanas nem França parecem querer separar-se da ‘Françafrique'? De
acordo com Paul Melly, do programa África do think tank britânico
Chatham House, os interesses privados das elites estão na origem do fracasso do
programa. Em 1962, o Presidente francês Charles de Gaulle encarregou o seu
conselheiro Jacques Foccart de construir a ‘Françafrique'. "Foccart
construiu uma rede de contatos pessoais entre a liderança francesa e as elites
das antigas colónias francesas", explica Paul Melly. "Eram
frequentemente ligações muito pessoais, mas tinham também um carácter não
transparente, muito paternalista, muito controlador".
Foccart criou tratados com
os governantes dos países que ainda hoje são válidos: em troca de proteção
militar contra tentativas de golpe de Estado e de pagamentos milionários, os
países africanos garantiram às empresas francesas o acesso a recursos
estratégicos como diamantes, minérios, urânio, gás e petróleo. Hoje, França tem
uma sólida presença no continente - com 1.100 grupos empresariais, cerca de
2.100 filiais e a terceira maior carteira de investimentos, depois do Reino
Unido e dos Estados Unidos.
O Pacto Colonial continua
também a garantir à França o direito de preferência sobre todos os recursos
naturais e o acesso privilegiado aos contratos governamentais.
França está atualmente a
liderar a operação militar Barkhane contra grupos islamistas na região do
Sahel. Envolve 5.100 soldados de diferentes países, desde fevereiro de 2020.
Segundo o New York Times, em 2007, quase metade das 12.000
tropas francesas de manutenção da paz foram destacadas para África, tanto com
papeis militares como consultivos, para apoiar e estabilizar os regimes dos
respetivos países.
Françafrique torna-se África-França?
Tudo isto é mais do que
frustrante. "Os presidentes destes
países africanos ainda querem servir França em vez de colocarem os interesses
do seu povo em primeiro lugar. São os jovens de África que exigem uma
verdadeira independência e querem romper com esta relação sem sentido e
disfuncional com a França".
Caroline Roussy, assistente
de investigação no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas em
França (IRIS), ressalva: "A
independência não está completa, mas não a podemos comparar com os anos 1960.
França e o Presidente Emmanuel Macron tentaram mudar o padrão e o paradigma,
dizendo ‘Estamos a começar uma nova história entre França e África, estamos a
acabar com a Françafrique'".
Prova disso seria a cimeira
"Afrique-France" do Governo francês e de todos os governos africanos,
que foi adiada devido à Covid-19. Juntos, devem procurar aqui projetos e
soluções para construir cidades e regiões sustentáveis em África e para enfrentar
os desafios da urbanização maciça que se espera nas próximas décadas no
continente.
O telhado de vidro francês
Está circulando nas redes
sociais um vídeo tão estarrecedor sobre a França que havia a recomendação de
que ele fosse confirmado com o Dr. Google, teclando “colonial tax France” se
alguém o julgasse “fake news”. Duvidando da informação, fiz o recomendado. O
que li na internet deixa qualquer ser humano perplexo pela devastação provocada
pelos franceses nos países colonizados e cheio de dúvidas se as ex-colônias são
hoje realmente países independentes.
Desde 1957, catorze países
africanos (Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Mali, Niger, Senegal, Togo,
Camarões, República Central Africana, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Chade,
Congo-Brazzaville e Gabão) pagam anualmente à França uma taxa sobre suas
reservas cambiais, uma espécie de eterno “salvo conduto”. Em conjunto, eles têm
US$ 550 bilhões depositados em Paris, que a França jamais devolverá. Esses
países foram e são obrigados a depositá-las no Banco da França, mas só podem
gastar 15% por ano. Se usarem mais que isso, pagam uma sobretaxa. Sobretaxa a
juros comerciais de um dinheiro deles que está na mão francesa.
Logo após a II Grande
Guerra, o pacto colonial manteve controle sobre a economia desses países. A
França, além de tomar as reservas cambiais, controla hoje a produção de
matéria-prima, estacionou tropas com direito de passagem e os obriga a comprar
armas e equipamentos militares apenas da França.
Empresas francesas têm o
monopólio de água, eletricidade, portos, transportes e energia. Pacto que está
em vigor. Se não fosse a riqueza ainda explorada da África, a França seria a
15ª economia do mundo e jamais estaria entre as primeiras, declarou o ministro
italiano Luigi Di Maio em fevereiro deste ano.
Em 1958, Sékou Touré
(1922-1984), da Guiné Equatorial, foi o primeiro líder africano a se rebelar
contra o império francês com o lema de que “era preferível a liberdade com
pobreza que a opulência na escravidão”.
Ele conseguiu a
independência à custa de muita miséria, produzida pelos colonos. Antes de
saírem, trezentos mil cultos franceses cheios de fúria odiosa deixaram o país
destruído, reduzido a pó.
Queimaram tudo que estava
na frente: livros, tratores, prédios, máquinas, plantações, bibliotecas, os
alimentos estocados, o gado foi massacrado e os hospitais depredados com seus
aparelhos. Se pudessem, queimariam a população com seu presidente. Queimaram e
destruíram tudo que a colônia havia construído com o dinheiro e o trabalho
locais ou com aquele trazido da França.
O país ficou arrasado. O
propósito dessa devastação era dar um recado às outras colônias do que
aconteceria se ousassem querer a independência.
A maior parte da pobreza
africana é devida à atitude francesa sobre as suas ex-colônias. A França não
tem condições materiais de abrir mão delas, mesmo que quisesse. O leitor
entende agora a pobreza africana?
Pois é esse país, com este
enorme telhado de vidro, que ousa vir dar lições de como cuidar de nossa terra
e incêndios e ainda comete o desatino de falar em “internacionalização da
Amazônia” como se aqui fosse sua ex-colônia.
Gostaríamos de saber o que
ocorreria se Macron quisesse internacionalizar as reservas russas de gazes
naturais, o petróleo dos árabes ou se o mundo quisesse fazer o mesmo com o
acervo dos museus franceses.
O presidente francês sabe
que as fontes de renda de seu país vão diminuir ao longo das próximas décadas.
Ele está preocupado e sabe que é preciso recuperá-las e nada melhor que
aproveitar o know-how de país colonialista para tentar levar as riquezas
brasileiras, tão próximas da sua Guiana.
Afinal, toda América foi
colônia de alguém. Por que não pode voltar a ter um status diferente do atual?
Desconhecendo o que somos, Macron julgou-nos vulnerável e não esperava a reação
da Presidência da República, dos militares e do povo brasileiro.
E nem contava com a falta de aprovação de seus colegas do G-7. Ele ficou isolado no grupo, mas ficou bem na foto dentro da França faturando politicamente com nossas queimadas.
Um trocadilho de Macron
No entanto, Nathalie Yamb
considera que a iniciativa é um puro jogo de palavras. "Françafrique,
Afrique-France - pode brincar com as palavras, mas isso não altera o
sistema".
Na sua opinião, as relações
entre França e os países africanos francófonos sob Macron deterioraram-se ainda
mais. "Penso mesmo que Emmanuel Macron é um dos piores presidentes. Ele
comporta-se como de Gaulle e não esconde a sua vontade de manter esta relação
entre África e França pela força".
Mas Caroline Roussy
sublinha: "Quando Macron entrou em
funções, cometeu alguns erros, a meu ver, quando convocou os presidentes do G5
Sahel, por exemplo, em vez de os visitar.
“Mas ele também fez muitas coisas". Por exemplo, colocou a ministra dos Negócios Estrangeiros ruandesa Louise Mushikiwabo à frente da Organização Internacional da Francofonia e prometeu devolver a maior parte dos artefatos africanos armazenados nos museus franceses.
Um exemplo é o Eco, a nova
moeda única da África Ocidental, que deverá substituir o chamado franco CFA.
"O Eco é um projeto muito antigo da CEDEAO. França decidiu ‘roubar' o nome
do projeto. Dizem que estão a mudar o sistema, mas só estão a mudar o
nome", afirma. "Deve ser uma iniciativa de um governo africano. Não
pode ser anunciado, concebido ou planeado por França".
O franco CFA está ligado ao euro - o que impossibilita uma política monetária independente. Além disso, estes países africanos pagam até 65% das suas reservas de divisas ao tesouro francês. "Parece incrível, mas os governos africanos não sabem quanto dinheiro no tesouro pertence a cada país, individualmente", diz Taylor.
Acusa a França de voltar a declarar este dinheiro africano como ajuda ao
desenvolvimento para os depositantes originais, projetando assim o seu poder na
região. E a paridade fixa com o euro do franco CFA, o futuro Eco, deverá
manter-se.
"O CFA deve ir, é uma
partida neo-colonial ridícula dos franceses que deveria ter desaparecido há 60
anos. O primeiro passo para a verdadeira independência dos países francófonos
de África é enterrar o CFA. E com ele, a ‘Françafrique'", conclui o
cientista político Ian Taylor.
França
aprova projeto-lei sobre fim do franco CFA.
A
reforma foi negociada em 2019 entre a França e os oito países da União
Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA): : Benim, Burkina Faso, Costa
do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo.
A França aprovou nesta
quarta-feira (21.05), em Conselho de Ministros, um projeto de lei que ratifica
o fim do franco CFA, decisão "aguardado com expectativa” pelos países da
União Monetária da África Ocidental, anunciou a porta-voz do Governo, Sibeth
Ndiaye.
O texto valida a
transformação do franco CFA, que passará a chamar-se Eco mantendo a paridade
fixa com o euro, bem como o fim da centralização das reservas cambiais dos
estados da África Ocidental no Tesouro francês, conforme acordo alcançado no
final de dezembro entre a França e os estados da União Monetária da África
Ocidental, acrescentou.
Nova Era
"Este fim simbólico
deve fazer parte de uma renovação das relações entre França e África e escrever
uma nova página na nossa história", afirmou a porta-voz.
O acordo para a mudança do
nome da moeda já em 2020 foi assinado entre a França e oito países da África
Ocidental a 21 de dezembro e anunciado na altura pelo Presidente da Costa do
Marfim, Alassane Ouattara, na presença do chefe de Estado francês.
O Banco Central dos Estados
da África Ocidental (BCEAO) deixará de ter de depositar metade das suas
reservas cambiais no Banco de França, uma obrigação que é entendida, pelos
detratores do CFA, como uma dependência humilhante dos países africanos em
relação à antiga potência colonial.
Foi igualmente decidido que
a França deverá retirar-se dos órgãos de governação financeira em que se
encontrava presente.
A paridade fixa com o euro
do franco CFA, o futuro Eco, deve ser mantida (1 euro = 655,96 francos CFA).
Como a França escraviza monetariamente os
países africanos
A recente polêmica
entre Bolsonaro e Macron trouxe à tona os desejos colonialistas
franceses sob a Amazônia. Mas o que poucas pessoas sabem é que a França tem
seus mais obscuros desejos realizados nas suas “antigas” colônias, sob o sutil
controle monetário de Paris, os países africanos são espoliados e jogados na
pobreza.
Nesse artigo vamos conhecer
as políticas monetárias obscuras de Macron. Uma história cheia de intrigas,
assassinatos e guerras.
África, o jardim dos
franceses.
Mesmo depois dos países
africanos ganharem independência dos franceses há décadas, Paris ainda exerce
uma enorme pressão nesses Estados.
Para se ter uma ideia da
extensão e influência dos franceses nas suas antigas colônias, eles estiveram
envolvidos em TODOS os conflitos armados e golpes dos últimos 10 anos.
Do golpe no Gabão, até as
lutas contra terroristas do ISIS no Mali, pode ter certeza que há um dedo
francês por lá.
A mais recente intervenção
liderada pelos franceses aconteceu em 2011 na Costa do Marfim. Eles depuseram o
antigo governante a tiro de canhões por não seguir a cartilha francesa. Hoje a
Costa do Marfim é o principal fornecedor de chocolate e café para a França;
Mas se você acha que a
intervenção armada é inaceitável, bom, é porque ainda não viu a intervenção
monetária e o seu rastro de sangue.
A
França detém o controle monetário de 14 países africanos e 160 milhões de
pessoas. Por uma série de acordos, a França obrigou esses países a guardar 50%
de suas reservas financeiras internacionais em Paris (no tesouro francês) e
emitir uma moeda chamada de Franco CFA.
Só
em recursos das reservas internacionais dos países africanos a França acumula
todo ano ~500 bilhões de Euros. Os países africanos só podem utilizar 15% dessa
reserva, se eles quiserem mais terão que pagar juros pelo seu próprio dinheiro
com taxas definidas pelos franceses.
O
sistema francês funciona para dois blocos econômicos, se dividindo entre o CFA
Ocidental e CFA Central. Ou seja, duas moedas “garantidas” pela França.
Como
assim garantidas?
Em
troca da soberania financeira, a França iria garantir uma moeda estável e a
convertibilidade fixa entre francos (agora Euros) e CFA.
Porém
a parte do acordo francês nunca foi realmente cumprida. Em diversas situações
na história o CFA perdeu força e a França nada fez.
O
que de fato o CFA significa para os países Africanos?
Repare
que todos os países que adotam essa moeda são pobres e completamente
subservientes ao domínio francês.
Os
Bancos Centrais desses países não têm autonomia para ditar suas políticas
econômicas. Sendo o CFA conversível diretamente ao Euro, acontece uma grande
fuga de capitais, diminuindo os recursos disponíveis para crédito.
Sem
poupança, as indústrias não conseguem se desenvolver. Muito menos o setor de
extração e agropecuário, cujos monopólios foram concedidos a empresas
francesas.
Na
Argélia, a França tem o monopólio do comércio de gás. em Mali, os franceses
conseguem Urânio fácilmente, e em outras nações as companhias de Paris têm
vantagens, como disse o pesquisador Meera Venkatachalm da Universidade de
Mumbai:
“As
companhias francesas detém um quase monopólio dos recursos estratégicos das
economias francófonas. Exemplos incluem eletricidade, comunicação,
infraestrutura, aeroportos e portos.”
As
companhias francesas levam para casa cerca de 1,6 bilhão de euros, basicamente
atuando no setor primário. Alguns dos recursos, como o Urânio são essenciais e
estratégicos para o país de Macron.
Exportações de países da
zona CFA para a França - Uma história de sangue por liberdade monetária.
Muitos
governantes da zona CFA tentaram se livrar da influência francesa, porém Paris
usou dos mais sórdidos
métodos para se
manter no controle.
Em
1963 na recém independente República do Congo, Sylvanus Olympio (o primeiro
presidente do país), negociava a retirada dos franceses do país, que era
colônia francesa.
De
Gaule (presidente francês) impôs o pagamento de “débitos coloniais”
equivalentes a 40% de toda riqueza gerada pelo pequeno país e imposição do
sistema CFA, em troca, os franceses iriam sair pacificamente de lá;
Olympio
não gostou dessas imposições e resolveu sair da zona do CFA e imprimir sua
própria moeda. Três dias depois, um legionário francês chamado Etienne
Gnassingbe assassinou Olympio e ganhou $612 como recompensa.
No
Mali, o primeiro presidente do país também sofreu um golpe ao se retirar do CFA
Francês, outra vez um legionário francês liderou a tomada de poder.
França
no terceiro mundo
Os
países que usam o Franco CFA continuam extremamente pobres, a elite política e
industrial francesa se aproveita da superioridade militar para garantir acesso
exclusivo a recursos estratégicos.
Macron
tenta aumentar a influência francesa na África por meio da língua (soft power)
e usando de empréstimos para garantir favores às empresas francesas.
Enquanto
a França continuar com suas políticas coloniais, os países africanos
francófonos não têm esperanças de desenvolvimento.
Segundo
Jacques Chirac, primeiro ministro francês de 1947 a 1976, a França depende da
África:
“Sem
a África, a França seria um país de terceiro mundo”
Será esta a situação na
realidade?
A
França de hoje não é a França de Charles de Gaulle.
Um
efeito bastante inútil do enquadramento em torno da conversa CFA é que a França
é muitas vezes rotulada como a potência colonial por excelência que se agarra
ao seu império por todos os meios, o que se enquadra perfeitamente na narrativa
do Franco CFA como uma ferramenta para a subjugação neocolonial francesa em o
século XXI.
Na
verdade, a França é hoje um país notavelmente diferente do que era em meados do
século XX.
Por
um lado, a demografia étnica e racial do país mudou significativamente.
- Uma
estimativa de 2008 do New York Times colocou o número de negros na França
entre 3 e 5 milhões de pessoas. A França de hoje também tem milhões
de pessoas com origens norte-africanas, principalmente da Argélia, Tunísia
e Marrocos.
- É muito
difícil obter números exactos porque a Constituição francesa proíbe
expressamente a recolha de dados demográficos étnicos, mas não é difícil
ver como o próprio significado do que significa ser "francês" é
algo bastante diferente do que era no passado. 1958.
A
França também testemunha uma onda de políticos populistas de direita que fazem
da imigração e da identidade racial o cerne da sua mensagem. De
figuras marginais há apenas uma década, políticos franceses de extrema direita
como Marine Le Pen agora têm assento na Assembleia Nacional do país.
Estes
políticos geralmente não vendem uma visão expansionista e imperial de França ao
seu público crescente, mas em vez disso vendem uma visão nativista e
introspectiva de França que retrata a imigração africana como uma ameaça
existencial e retrata a África francófona como um peso morto económico e
cultural que a França deveria se soltar.
Le
Pen usou o franco CFA como tema de campanha durante uma visita ao
Chade enquanto concorria à presidência em 2017.
- Se for
eleita, ela prometeu garantir que a moeda seja abolida e que os países
africanos francófonos recebam “maior soberania” para se relacionarem com a
França nos seus próprios termos.
Os
seus crescentes números eleitorais mostram que está a tornar-se politicamente
complicado, mesmo dentro de França, manter o sindicato CFA a funcionar – manter
os africanos sob o seu controlo já não é claramente algo que capte a imaginação
popular francesa.
Extrapolando
os resultados eleitorais da última década e meia, é seguro assumir que, em
algum momento da próxima década, a maioria dos eleitores franceses poderá, na
verdade, preferir livrar-se completamente do CFA, se isso significar controlar
a imigração africana a partir de uma posição de distanciamento como os
britânicos fazem.
Os
políticos locais em África que se aproveitaram da narrativa do “imposto
colonial CFA” na tradição consagrada pela retórica populista vazia estão
cientes disso, mas o seu público em geral não está.
O
envolvimento francês nestas economias ocorre nas finanças e no comércio de
mercadorias, juntamente com os portos, as telecomunicações e as
infraestruturas.
Mas
já não são o único jogo disponível, com o investimento nigeriano e chinês no
retalho, construção, entretenimento e indústria, entre outros, a impulsionar o
crescimento económico nestes países.
Não
é por acaso que o pronunciamento de Patrice Talon ocorre num momento em que ele
enfrenta forte pressão do lobby empresarial beninense como resultado do
encerramento da fronteira terrestre da Nigéria.
Nos
casos em que um gigante com poder real sobre a economia do Benim está a agir de
forma imprudente, ele absteve-se de criticar publicamente a Nigéria por
completo. O Franco CFA apresenta-se então como o saco de pancadas político
perfeito.
É
conveniente porque é um alvo silencioso, quase abstrato, que nunca responde ou
impõe sanções. É também adequadamente emotivo de um ponto de vista
populista – tem a sua base na colonização francesa e nas ações de má fé em
1958, portanto, deve ser uma coisa má em 2019.
Em
vez de lidar com o verdadeiro problema económico do Benim – dependência quase
total do comércio com a Nigéria – Talon calcula que ir atrás do Franco CFA
e com um grande anúncio que não diz nada de qualquer substância real irá
aumentar o seu capital político. A julgar pelas respostas ao seu
pronunciamento, ele calculou corretamente.
Kikelomo
Shodeko, analista da África Ocidental na Salama Fikira, uma empresa corporativa
de segurança e gestão de riscos, concorda com esta avaliação.
Ela
acredita que o anúncio de Talon é pouco mais do que arrogância política, sem
nenhuma intenção real de tomar qualquer ação dramática.
Nas
palavras dela:
- “Eles podem
sacudir o sabre, mas a realidade é diferente. A realidade é: em que
se baseará a moeda? Não há infraestrutura instalada. O sector
privado organizado nestes países é minúsculo e sobrecarregado. Eles
podem bufar e bufar, mas simplesmente não podem derrubar a casa do jeito
que as coisas estão. No entanto, se existissem infra-estruturas
adequadas para apoiar esta migração discutida para longe do CFA, isso
seria muito possível. Durante um período de anos, estes governos teriam
apoiado o crescimento de novos sectores económicos e reduzido a sua
dependência da ajuda da Europa ou da América. A nomeação da nova
moeda seria seguida imediatamente por consultas com analistas financeiros
sobre a questão do levantamento das reservas monetárias do CFA guardadas
no Banque de France. Sem essas coisas no lugar, nada dessa bufada
parece real.”
Saindo
da União CFA: da frigideira ao fogo?
Sair
da indexação ao euro e mergulhar totalmente na moeda proposta da África
Ocidental acarreta riscos significativos. Neste momento, por exemplo, as
regras exactas que regem a existência do eco – o nome proposto para a moeda da
Zona Monetária da África Ocidental – não existem.
Ao
contrário do euro que tem o BCE, o eco não tem um banco central da África
Ocidental equivalente um ano antes do seu lançamento proposto. Também não
existe um compromisso amplamente ratificado com as regras de tal união.
Até
agora, os piores instintos populistas dos líderes em algumas destas jurisdições
foram atenuados pela França. Qual é a garantia de que a violação
unilateral das regras não se tornará a norma na ausência do homem com um grande
porrete?
Depois,
há a pequena questão da maior exposição à economia e à esfera de influência da
Nigéria.
Actualmente,
só a Nigéria representa pouco mais de 25% da produção económica anual total da
África Ocidental.
- A Nigéria é
também o país que utiliza o encerramento unilateral de fronteiras como um
instrumento contundente de política económica, em violação dos acordos de
comércio livre regionais e continentais que assina.
- A sua moeda
oscila por vezes descontroladamente, perdendo mais valor numa única semana
do que o CFA indexado ao euro perde em décadas.
- Tem um
historial de ignorar ordens judiciais da CEDEAO e alguém do lado de Talon
descreveu recentemente a Nigéria como “um gigante que faz o que quer”.
Será
que a ideia de se livrar do aparente peso colonial opressivo da França será
apenas para acabar sujeito ao peso comprovadamente opressivo de um vizinho
errático, instável e muitas vezes hostil?
CONCLUSÃO FINAL
Outra
preocupação diz respeito aos projectos de oleodutos e gasodutos que atravessam
o território nigeriano ou aí começam. Estes são o oleoduto Níger-Benin, o
oleoduto Níger-Chade (que se conecta ao oleoduto Chade-Camarões) e o gasoduto
Trans-Saariano. A CEDEAO e as nações ocidentais foram as primeiras a
expressar as suas preocupações sobre o destino destes projectos. Mas, tal
como acontece com o urânio – que continua a ser exportado do Níger e empresas
como a Orano prosseguem o seu
trabalho na república – a situação com os oleodutos permanece a mesma,
independentemente do golpe.
Com
o gasoduto Níger-Benin tudo fica claro. O próprio governo do Benin afirmou
que o oleoduto Níger-Benin não é afetado por sanções, o projeto não foi
abandonado e ainda está em construção. As notícias mais recentes indicam
que o pipeline está 75% concluído e deverá ser concluído em breve.
A
situação com os gasodutos Níger-Chade e Transaarianos é diferente. Muitos
meios de comunicação ocidentais disseram que estes projetos estão sob ameaça de
serem cancelados. O que é estranho, porque mesmo antes do golpe o destino
destes projectos era um mistério.
Presume-se
que o gasoduto Níger-Chade tenha sido arquivado, porque não há notícias desde
2019. E em 2019, as autoridades do Chade disseram que o projecto foi
provavelmente interrompido a favor do gasoduto Níger-Benim. A explicação
oficial dada para o “cancelamento” do projecto foi a preocupação com os ataques
do Boko Haram na área do Lago Chade.
A
ideia do gasoduto Transaariano foi proposta pela primeira vez na década de
1970. Na década de 2000, começaram os preparativos para a sua construção.
As últimas notícias são do outono de 2022 relativamente à assinatura de um
memorando de entendimento entre a Nigéria, o Níger e a Argélia. Então o
projeto era bastante vago antes mesmo do golpe e não há confirmação de seu
cancelamento.
Estas
“preocupações” sobre os projectos de gasodutos são apenas mais uma tentativa de
pressionar as autoridades militares do Níger a tomarem uma posição mais
favorável para negociar melhores condições. Isto é semelhante às suas
preocupações sobre a saúde do presidente deposto, Mohamed Bazoum.
O
ultimato emitido aos militares do Níger pela Ecowas expirou. Estes países
exigiram que, o mais tardar até domingo, 6 de Agosto, os militares restaurassem
a ordem constitucional e devolvessem Bazoum ao poder.
A
Argélia se opôs à intervenção. A Argélia não é membro da CEDEAO, mas o
presidente do país sublinhou que sem a Argélia “não haverá solução” porque
partilha uma fronteira de 1 000 quilómetros com o Níger e seria a principal
vítima no caso de uma operação militar.
“A
Argélia não usará a força contra um Estado vizinho”, disse o Presidente
Abdelmadjid Tebbun.
Desde
então, a CEDEAO optou por uma solução diplomática.
O
presidente da vizinha Nigéria defendeu a invasão, mas não conseguiu obter
autorização do seu Senado, que recomendou que primeiro “considerasse outras
opções”.
O
Mali e o Burkina Faso, cuja adesão à CEDEAO foi suspensa devido a golpes de
estado nesses países, alertaram que considerariam uma invasão do Níger como um
ataque a si próprios. Isto arrefeceu um pouco o Senegal e a Costa do
Marfim, que manifestaram a sua disponibilidade para enviar soldados para o
Níger.
O
Ministério dos Negócios Estrangeiros francês anunciou o seu apoio aos esforços
da CEDEAO para restaurar Bazoum. A visita da Vice-Secretária de Estado em
exercício e Subsecretária para Assuntos Políticos, Victoria Nuland, ao Níger
terminou em fracasso. Ela empregou várias táticas, incluindo apelos e
promessas, mas principalmente ameaças. Estas ameaças giravam em torno da
potencial “influência russa”, bloqueios económicos, redução da “assistência
financeira” e até mesmo da perspectiva de intervenção militar para derrubar o
novo governo.
Nuland
teve acesso negado a Bazoum e o líder golpista, general Abdurrahman
Ciani, optou por não se encontrar com ela.
A
abordagem dos países ocidentais relativamente aos seus “parceiros juniores”
resultou na diminuição da confiança e na incapacidade de impor as suas
regras.
As
lições do Mali e da República Centro-Africana mostram que as nações africanas
consideram mais benéfico trabalhar com novos parceiros, como o grupo de estados
Brics. Estes parceiros abstêm-se de interferir na política interna e
aderem a acordos pré-estabelecidos.
África
procura aliados e colaboradores, não dominadores.
Os
africanos já não veem a Europa e os EUA como faróis de esperança; o medo e
a subserviência se dissiparam. Uma certeza é que a próxima guerra mundial
será uma guerra energética e África estará no centro dela.
A
energia e o papel dos bancos estrangeiros são a fonte de instabilidade em
África. O controlo monetário pelos bancos do Reino Unido e da França é
também uma causa de instabilidade no Sahel.
O
ponto principal é que África não pode prosperar sem o controlo adequado do seu
próprio processo de criação de dinheiro. A maior parte dos activos das
elites africanas está armazenada em bancos estrangeiros.
Toda
a “ajuda” fornecida pelo Ocidente vai para as elites dos países. E então
eles armazenam esse dinheiro em bancos ocidentais. Como resultado, os
países estrangeiros ganharam controlo sobre as nossas economias e sobre os
nossos recursos naturais porque a “ajuda” nunca fica sem remuneração, enquanto
a população em geral no Sahel permanece pobre. No caso do Níger, a França
recebe 95% das receitas do urânio e apenas 5% vai para o governo da
república.
O
colonialismo em África é geralmente narrado através de um olhar europeu sobre a
conquista imperial, a corrida de África e a descolonização. No entanto,
embora África ocupe agora a “temporalidade
ambígua do pós-colonial (Hall, 1996), as realidades da descolonização
permanecem limitadas por novos imperialismos e pela procura de reconhecimento sob
a forma de um Estado e de uma soberania pós-coloniais”.
Este
apelo ao reconhecimento por parte de uma comunidade internacional de Estados
soberanos continua a promover a violência e a extrair recursos de Estados
africanos nominalmente independentes.
O
imposto pós-colonial é a principal forma de violência e extração
neocolonial. . Esta relação histórica de extração colonial baseia-se
no precedente fundamental do Haiti pós-revolucionário e é mais tarde alargada
às antigas colónias francesas da África Ocidental.
A
necessidade de reconhecimento deu origem ao imposto colonial francês em troca
dos estados coloniais; soberania. A consequência desta procura pelo
reconhecimento da soberania pós-colonial baseia-se em paralelos históricos dos
Estados sobre os quais é imposto o imposto colonial francês.
Esses
paralelos e historicidade compartilhada podem ser vistos em vários estados
pós-coloniais como o Haiti, embora a indenização imposta após a Revolução
Haitiana e a indenização das ex-colônias francesas da África Ocidental através
do uso da influência generalizada dos Francos CFA, fortalecida pela política da
Françafrique como uma forma de imposto colonial que preserva a relação
predatória da África Ocidental Francesa com a França.
Por
sua vez esta tese examina paralelos entre a indenização haitiana e seus legados
vinculados aos perigos do reconhecimento da soberania pós-colonial que
inaugura mecanismos de novo imperialismo e indenização na forma do Imposto
Colonial Francês da África Ocidental.
Para
explorar os paralelos entre a indenização do Haiti e a Françafrique, discutirei
a busca pelo reconhecimento da soberania pós-colonial como uma forma de imposto
colonial como meio de manter uma “economia global colonial (Bhambra,
2021)”.
O
imposto colonial está ligado aos esforços destes estados pós-coloniais na busca
da sua soberania, na economia colonial global que não consegue “reconhecer o
significado das relações coloniais que sustentam os processos, como formadores
e contínuos com eles (Bhambra, 2021)
”Os
laços com a estrutura colonial pela força constituem um legado da busca pela
soberania do Estado, no mundo pós-colonial.”
Por
exemplo, embora o Haiti seja considerado um estado independente, seu
estado atual está ligado à indenização haitiana.
Em
segundo lugar, embora as ex-colónias francesas da África Ocidental sejam
livres, ainda estão vinculadas à política da Françafrique.
Ambos
podem ser vistos como acordos coercivos estabelecidos pelo Estado francês para
manter o cordão umbilical que liga a colónia ao núcleo. Este cordão
umbilical permanece preso devido às ex-colônias; busca da soberania
política e da independência econômica. No entanto, as ex-colônias são
privadas do núcleo imperial por um cordão umbilical que retira nutrientes
valiosos e devolve veneno.
Este
veneno alimenta estes estados pós-coloniais com um sentimento de
inferioridade. Esta inferioridade permite ao Estado francês aproveitar-se
da sua fraca soberania,
Biografia consultada
-
Carlos Perktold - Advogado,
psicanalista e escritor
-Institut Européen des
Relations Internacionales – Academia Diplomática Europaea.
-https://diariodocomercio.com.br/opiniao/o-telhado-de-vidro-frances/#gref
https://pt.wikipedia.org/wiki/Descoloniza%C3%A7%C3%A3o_francesa_da_%C3%81frica
https://mg.co.za/thoughtleader/2023-08-20-former-french-colonies-are-still-paying-a-colonial-tax/
https://mg.co.za/thoughtleader/2023-08-20-former-french-colonies-are-still-paying-a-colonial-tax/
https://knowledge.uchicago.edu/record/4370
https://youtu.be/dr3PUdSMPpQ?si=9i0_SjP39sZ0UJUJ
https://francesobjetivo.com.br/paises-colonizados-pela-franca/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Descoloniza%C3%A7%C3%A3o_francesa_da_%C3%81frica
West
CFC Franc | Fonte: Visual Politik












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