PORTO DE VITORIA – CENÁRIO EM 1908 A 1912.

 

POR: WILLIS DE FARIA

No alvorecer do século XX, o Porto de Vitória pulsava como o coração econômico do Espírito Santo. Em 1908, ele ainda não tinha o grande cais moderno que conhecemos hoje — as obras de expansão só começariam em 1911. 

O movimento era feito por trapiches de madeira que avançavam sobre a baía. Grandes navios a vapor ficavam fundeados ao largo, enquanto pequenas embarcações, saveiros e barcas faziam o transbordo de mercadorias e passageiros até a terra firme. Era um balé diário de barcos cruzando as águas calmas da baía, contornando a Ilha do Príncipe e os morros verdes que abraçavam a cidade.  Havia grandes canoas, transportava lenha seca obtida nos mangues da baia noroeste, que abastecia os fogões das casas e padarias.

O que saía daqui: Vitória era a principal porta de saída do café capixaba. Sacas e mais sacas desciam das montanhas em lombo de burro ou pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, inaugurada em 1904. No porto, eram embarcadas rumo ao Rio de Janeiro, Santos e diretamente para a Europa. 



O que chegava: Tecidos finos da Inglaterra, vinhos de Portugal, máquinas, louças e todos os tipos de produtos importados que abastecesse os casarões da Rua da Alfândega e o comércio da Cidade Alta. 

A cidade respirava o porto. Nas ladeiras, o apito dos navios marcava as horas. No cais, estivadores, carroceiros e comerciantes negociavam em meio ao cheiro de maresia, café e peixe. Os casarões coloniais com telhados de barro assistiam de cima, enquanto a Prainha e o Convento da Penha, em Vila Velha, emolduravam o horizonte. 

1908 foi o último suspiro do porto “romântico” de Vitória — pequeno movimentado e totalmente integrado à cidade. Em poucos anos, ele daria lugar ao concreto, aos guindastes e ao porto moderno que transformaria a capital capixaba. 

FOTOS: Arquivo publico ( restauradas, colorizadas, e criação de vídeo através de IA)



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