JUCUTUQUARA, IMPOSSÍVEL TE ESQUECER.
JUCUTUQUARA, IMPOSSÍVEL TE ESQUECER.
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Fotos restauradas, melhorias em sua qualidade,
com aumento da sua resolução e
colorização com uso de IA. Melhorias sob a base de fotos originais em preto e
branco bem como coloridas.
POR: WILLIS DE FARIA
É impossível compor um hino ou samba-enredo que
enfeixe todas as grandes referências do bairro conhecido por “nação”, tamanha a
sua diversidade, uma das maiores por metro quadrado da Ilha.
Jucutuquara nos Anos 60
Naquela época, Jucutuquara funcionava quase
como uma cidade autônoma dentro de Vitória. O bairro era um polo de operários
(por conta da antiga fábrica de tecidos) e de intensa atividade cultural,
servindo de berço para o surgimento de blocos carnavalescos e rodas de samba
que, mais tarde, consolidou a existência
da criação da Escola de Samba Unidos
de Jucutuquara.
Artistas locais
chamados "José Carlos" (Cegonha) e a própria trilha sonora romântica
da época moldaram o cenário dessa era de ouro capixaba.
Mas pode-se tentar, de preferência sem pausas nos
compassos, para maior aproveitamento.
Solar Monjardim, a Pedra dos Dois Olhos, Escola
Técnica, a Fábrica de Juta, o Bar do Davi, o Bar do Ceará, Mercado São
Sebastião e Igreja de São Sebastião, o antigo campo do Rio Branco, o Cine
Trianon, o craque Fontana, a benzedeira Maria Coroa, o icônico Atharé Castro,
catequista e musicista Walter Passos (Pata Choca), o cantor José Carlos
(Cegonha), os bondes inesquecíveis, a Rua Velha e as quadrilhas juninas, os
caranguejos apetitosos do Bar do David, a coruja que pia samba através da
Unidos de Jucutuquara.
Os apressados motoristas e passageiros que transitam
diariamente pela Avenida Paulino Müller sequer imaginam que por ali estão
concentrados e resumidos trabalho e boemia, tradição e modernidade, bairristas
e cosmopolitas, nobres e plebeus, famosos e anônimos, gente de todas as raças e
credos.
Palco de moradia de muitos políticos de expressão do
Estado, e a força da música, pois antes do samba, foi berço da primeira banda
de Rock and Roll do Estado, que surgiu em 1965: The Bats (Os Garotos de
Jucutuquara), cujas guitarras ecoavam pelo vale.
Enfim, Jucutuquara é uma aquarela de formas e cores
vivas, quase um museu aberto. “Aqui até as pedras enxergam”, sentencia um sábio
morador, apontando para a enigmática Pedra dos Dois Olhos, bússola de palavra
de origem grega que significa o “O Deus em nós”, ensinou a professora Léia
Brígida Rocha.
O majestoso casarão colonial branco do Solar
Monjardim, que erradia história e enobrece a grandeza do bairro do alto da
chácara.
Um entusiasmo que às vezes beira o caos social, como
nos sábados de aleluia, quando os moradores saem às ruas para malhar Judas
extraídos da vida real.
Hoje o mar está mais longe dos olhos, o bairro se
espalha pela enseada, o trânsito mais perto contorna toda periferia, o congo
entoado em tambores e casacas nos morros às vezes é abafado por carros
barulhentos com suas insípidas caixas de som mecânicas.
Hoje Jucutuquara é uma aldeia que se resume em um
mundo porque é exaltada de forma sincera e apaixonada. Por isto Jucutuquara é uma nação.
São lembranças que nunca se apagam, é como um cometa
radiante, deixando seu rastro de luz ao longo do tempo. Tradições são mantidas,
os amigos ainda são amigos, mesmo envelhecidos pela idade, ou conhecidos dos
filhos e netos.
Bons eram aqueles encontros da Nação de Jucutuquara,
que se reunia na Avenida Alberto Torres, em frente ao antigo campo do Rio
Branco, que se perdeu no tempo, pois o bairro residencial, onde suas ruas e
avenidas viraram ponto comercial. Só sobreviveu a população mais humilde e
tradicional, pioneira dos morros periféricos.
Quem das antigas não se lembra do “Samba de Lona”, cantarolado pelos moradores desde os anos 50, que é uma memória afetiva da cultura popular do
bairro. Muito tradicional, quando grupos cantavam exaltando o bairro.
Era uma música de tradição puramente oral – passada de
boca em boca, nas viagens de ônibus, em cima dos caminhões, quando partiam para
jogos de futebol de várzea. Ainda nas rodas do Bar do Valdemar e Ceará.
Nunca houve registro oficial, letras escritas ou
gravações comerciais. Mas tenho a certeza de que você, membro da nação, lembra-se
da exaltação do bairro que costumava seguir o formato de perguntas e respostas
ou afirmações rimadas.
O Refrão de Jucutuquara:
“Eu vou fazer um refrão de Jucutuquara / Eu moro no
melhor bairro de Vitória, é ou não é?”
Resposta: “É! É! É! / Jucutuquara é o bairro nota
dez!”
Muitas vezes emendavam exaltando os símbolos locais: o
antigo bonde, a fábrica de tecidos, o time do Rio Branco ou a própria coruja da
Unidos de Jucutuquara.
“Jucutuquara é luz flamejante, e nunca se apagará na
nossa memória”.
FONTE: Memoria afetiva (Solavancos de reminiscência ou Reminicence bump) - conceito que explica como nosso celebro conecta emoções, memórias e o passar do tempo.

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