VITÓRIA COLONIAL E O SANEAMENTO BÁSICO.




POR: WILLIS DE FARIA (CRÔNICAS DE UMA CIDADE)









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Vitória, por não haver redes de esgotos, os dejetos eram guardados nas residências, em barris. A remoção dos barris cheios se fazia, normalmente à noite, quando escravos, carregando os barris à cabeça, cruzavam a cidade até terrenos baldios ou o mar, onde a imundície era despejada.

Um comerciante inglês que viveu em Vitória, entre 1808 e 1818 relata que, em muitos casos, esses barris eram esvaziados diariamente, em outros, apenas uma vez por semana, dependendo do número de escravos disponíveis (e, necessariamente, da quantidade de usuários do mesmo barril).

Havia cadastrado na cidade 889 casas de telhas, com elevado número de sobrados. O comercio compunha de 35 lojas de “fazendas secas” e 45 de “molhados e tavernas”.

Continha um efetivo de 1.849 soldados, que era uma barbárie em relação à população da cidade. A população da cidade não passava de 10.000 habitantes. Se ocorresse desabar uma chuvarada, a carga era despejada em plena rua, deixando-se, à enxurrada, a tarefa de levá-la ao mar.

O conjunto escravo-barril era apelidado de tigre, em razão do aspecto dos carregadores. Transbordamentos iam deixando rastros no corpo do homem que, assim, ficava com listras sinuosas.

Um viajante português, demorando-se por alguns dias em Vitória, ouviu de seus patrícios, queixas dos incômodos tigres que, freqüentemente, corriam pelas ruas à noite.

Algum tempo depois, em carta enviada a parentes, relatava: "Na cidade de Vitória, feras terríveis, os tigres, vagam, durante a noite, pelas ruas...".

O local onde os tigres despejavam seus barris, hoje está erguido o edifício Álvares Cabral e o Palácio do Café, na Praça Costa Pereira, que era o antigo larguinho.

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