O PRIMEIRO “DONO E OCUPANTE DA ILHA DE VITÓRIA” - Dom Duarte Lemos (1536).
Por: WILLIS DE FARIA
Foi a ilha ocupada em 1536, mas se
transformou em Vila, apenas em 1551. Conheça o por quê?
Comemoram-se
no dia 08 de setembro 464 anos, da fundação da cidade de Vitória, mas esta é a data em que ela oficialmente virou
Vila, de acordo com e regime administrativo português.
Mas o seu maior empreendedor, proprietário, titular das terras da ilha, que construiu a primeira capela (Santa Luzia), edificou residência e plantou canaviais, sequer é citado por em nossa história, por causa de algumas opiniões de alguns historiadores, que o consideram mercenário. Mas, foi ele que veio com o dinheiro e homens (mão de obra) para investir na Capitania, e lógico queria retorno de seu capital aplicado. Ser aplicador de dinheiro na história é ser considerado mercenário?
Mas o seu maior empreendedor, proprietário, titular das terras da ilha, que construiu a primeira capela (Santa Luzia), edificou residência e plantou canaviais, sequer é citado por em nossa história, por causa de algumas opiniões de alguns historiadores, que o consideram mercenário. Mas, foi ele que veio com o dinheiro e homens (mão de obra) para investir na Capitania, e lógico queria retorno de seu capital aplicado. Ser aplicador de dinheiro na história é ser considerado mercenário?
E
o momento de repensarmos a história, e inserir o nome de Don Duarte Lemos, como
o verdadeiro fundador da cidade de Vitória, o qual a Ilha de Santo Antônio era
conhecida como Ilha de Duarte Lemos.
Quer
seja criada a comenda Duarte Lemos pela Câmara Municipal de Vitória, para que
sejam homenageados os cidadãos que vierem contribuir com a historia econômica,
politica e social de nossa cidade.
Que
seja erguido um busto em sua homenagem com fundador desta maravilhosa ilha.
O
nome de uma Avenida no centro da capital é muito pouco para homenagear a sua
personalidade.
Como
exemplo em outras cidades históricas, tem a existência de seu marco zero. Onde
está o da cidade de Vitória. Sabemos que a residência de Don Duarte Lemos,
estava próxima a capela de Santa Luzia. Por que não estabelecer nestas cercanias
o marco zero de nossa cidade?
QUEM FOI D. DUARTE DE LEMOS
Capitão-mor nos mares da
Índia (séculos XVI e XVII). A sua jurisdição ia de Sofala até Cambraia. No seu
regresso do Oriente, em 1522, ergueu o chamado Panteão dos Lemos, na Trofa do
Vouga (Águeda), que é, no seu género, dos principais monumentos renascentistas
portugueses.
(via “História de Portugal
– Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição
QuidNovi, 2004).
Chegando
a Ilhéus, a caminho da Capitania do Espirito Santo, Don Vasco Coutinho encontrou
com um despachado fidalgo, não aquinhoado com terras no Brasil – Dom Duarte de
Lemos. Gostou dele, com sua fala doce e cortes. A ele ofereceu uma sesmaria ou
quinhão de terras. Inicialmente recusou a oferta, Mas Dom Vasco, insistiu e
dizendo que nesta terra será Rei.
Chegando
a Capitania e cumprindo ordens reais, foram doadas sesmarias: a ilha maior, a
de Santo Antônio, conforme promessa anterior a Dom Duarte Lemos, e também em
retribuição à ajuda recebida no combate aos índios da região, doada, por meio
de um alvará redigido em termos gerais, a ilha de Santo Antônio — a maior ilha
da donataria, e que mais tarde se chamaria Vitória.
Dom Duarte Lemos, segundo Rocha Pombo, chegou a Capitania em 1536,
para tomar posse de sua sesmaria, prometida a terra quando dá passagem de Dom
Vasco na Vila de Ilhéus, e rumava com sua nau Glória ao sul. Vivera na Bahia,
onde era fidalgo da Casa Real, e o que parece que ele se incompatibizara com
Francisco Pereira Coutinho – donatário daquela colônia, em cuja comitiva viera
para o Brasil.
Aventureiro,
ambicioso, possuía recursos, sabia mandar e era dotado do espírito prático. Ele
vislumbrou a situação precária de Dom Vasco, uma oportunidade de tornar-se pelo
menos, seu sócio e igual na capitania. Para cá rumou com os seus criados e
outras pessoas que por seu respeito vieram com ele. Dom Vasco fez a doação em 15
de julho de 1537, quando a ilha passou a chamar-se Ilha de Duarte Lemos.
Os termos do documento traduzem todo o reconhecimento do donatário ao seu eficiente colaborador: “Mando que este valha até seus herdeiros ou herdeiro lhe faça dela doação da dita ilha que ora tenho dado por muito que lhe devo e por me vir ajudar a suster a terra que sem sua ajuda o nam fizera, e mando ao meu herdeiro sob pena de maldição que o cumpra muito se poder.” (termo de doação).
Realmente
ele tinha qualidades de liderança: causou inveja aos preguiçosos companheiros
de Dom Vasco. Senhor da ilha que, mais tarde, se tornaria sede da Capitania,
Dom Duarte Lemos, deu logo ás pessoas e moradores da terra grande parte de
sesmarias das terras da dita ilha para aproveitarem e povoarem, e
comprometendo-se a fortifica-la contra invasões.
Em
pouco tempo, entrando em um manguezal após um "penêdo", em forma de
“pão-de-açúcar”, em um morro abrigado, construiu sua casa, capela que recebeu o
nome de Santa Luzia.
Plantou
roças e deu origem a uma fazenda, mais abrigada que a do próprio donatário. Mas
tinha um grave defeito de caráter, não dizia bem de ninguém, era egoísta, uma
língua mais aguçada que canivete do Porto. De bem, procurou pacificar os índios
e atraiu jesuítas para suas terras. De mal, brigou com o Capitão-Mor e voltou a
Ilhéus, mantendo em seu poder a sesmaria que lhe foi dada e confirmada por
escritura passada em Lisboa.
Dois
amigos de confiança, também ao passar do tempo, traíram Don Vasco: Sebastião
Lopes, seu escudeiro e Antonio Espera, Cavaleiro da Ordem de São Tiago, ambos
nomeados escrivão da Capitania. No ano de 1540 em Lisboa, Vasco Fernandes
Coutinho e Duarte de Lemos concordam em que se passe escritura de doação da
ilha de Santo Antônio diante do notário geral da Corte.
Nesse segundo documento, mais restritivo, algumas limitações são estabelecidas por Vasco Fernandes, dentre as quais a de que o novo proprietário não poderia fazer dela uma vila, e sim apenas povoação, escritura lavrada pelo notário Gomes Alves de Freitas, e se verifica que Dom Vasco a 20 de agosto de 1540 se encontrava em Portugal, a Rua do Barão e com ele estavam Dom Duarte Lemos, e as testemunhas do ato de escritura, o fidalgo Fernão Vélez, Pedro Garcia, morador da Vila do Espírito Santo. ”Dôo a Duarte Lemos pelos seus serviços prestados na defesa da Capitania contra os indígenas amotinados”.
Nesse segundo documento, mais restritivo, algumas limitações são estabelecidas por Vasco Fernandes, dentre as quais a de que o novo proprietário não poderia fazer dela uma vila, e sim apenas povoação, escritura lavrada pelo notário Gomes Alves de Freitas, e se verifica que Dom Vasco a 20 de agosto de 1540 se encontrava em Portugal, a Rua do Barão e com ele estavam Dom Duarte Lemos, e as testemunhas do ato de escritura, o fidalgo Fernão Vélez, Pedro Garcia, morador da Vila do Espírito Santo. ”Dôo a Duarte Lemos pelos seus serviços prestados na defesa da Capitania contra os indígenas amotinados”.
Permite
ao Dom Duarte, a construir engenho de açúcar, no rio Roças Velhas, defronte a
dita ilha. Nas tristezas e decepções Dom Vasco, destaca-se as intrigas de Dom
Duarte Lemos, a quem doara a ilha de Santo Antônio (atual Vitória), que lhe
colocava em situação desagradável perante a corte portuguesa.
Com
desconfiança do Donatário Don Vasco, no ano de 1549, Duarte de Lemos, desejoso
de ver garantido o seu direito à ilha, solicita do monarca uma carta de
confirmação da escritura de doação da ilha, e que teve a confirmação por Carta
Régia de 20 de agosto de 1549, assinada na cidade de Almerim (Portugal) –
(César Marques Augusto – Dicionário Histórico, Geográfico e Estatístico do
Espírito Santo – 1876).
Dom
Duarte Lemos retornou ao Brasil juntamente com Tomé de Souza, como seu
Capitão-Mor/Delegado na Capitania de Porto Seguro, o que ocorre em 1550.
Neste posto permaneceria durante quatro anos, até a renuncia de Pero do Campo Tourinho, em favor de sei filho Fernão do Campo Tourinho. Neste ano transfere-se a sede da capitania para a ilha de Santo Antônio, que passaria a denominar-se Vila da Vitória, como cita provisão passada por Antônio Cardoso de Barros em 3 de março daquele ano. Segundo alguns autores, a fundação da povoação que originaria a cidade de Vitória data de 1550.
Neste posto permaneceria durante quatro anos, até a renuncia de Pero do Campo Tourinho, em favor de sei filho Fernão do Campo Tourinho. Neste ano transfere-se a sede da capitania para a ilha de Santo Antônio, que passaria a denominar-se Vila da Vitória, como cita provisão passada por Antônio Cardoso de Barros em 3 de março daquele ano. Segundo alguns autores, a fundação da povoação que originaria a cidade de Vitória data de 1550.
Nesse mesmo ano Tomé de Souza envia Antônio Cardoso de Barros como seu
representante à capitania, que faz nomeações para provimento de cargos com
intuito de estabelecer uma organização administrativa instalada a Alfândega,
inaugura-se o comércio direto com Portugal e Angola.
Ainda
nesse ano Vasco Fernandes Coutinho teria viajado para Portugal, de lá
retornando em 1555. O ano de 1551 - Data tradicionalmente associada à fundação
da vila da Vitória, após grande batalha contra os índios. Em 1552, Dom Duarte
Lemos volta como proprietário da Ilha de Santo Antonio, e coube a oferecer aos
jesuítas, terras para construção do Colégio e mantimento dele.
A presença do Padre Manoel de Paiva, visitador da Companhia de Jesus, propiciou oportunidade para legalizar a doação, acrescentado a doação de terras a Bernardo Sanches Pimenta, de tudo dando posse “a dita Casa de Santiago e Colégio dos Meninos”, livre de todos encargos fiscais, “salvo o dízimo de Deus”.
A presença do Padre Manoel de Paiva, visitador da Companhia de Jesus, propiciou oportunidade para legalizar a doação, acrescentado a doação de terras a Bernardo Sanches Pimenta, de tudo dando posse “a dita Casa de Santiago e Colégio dos Meninos”, livre de todos encargos fiscais, “salvo o dízimo de Deus”.
Dom
Duarte Lemos, volta a Capitania do Espírito Santo, para o batismo do grande
chefe indígena Goitacá, Maracanguaiaçú (Gato Grande), na conversão ao
catolicismo, onde ele foi padrinho. Assim, Don Duarte Lemos, abandona suas
terras é vai servir diretamente ao Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza,
como homem de sua confiança, na Capitania de Porto Seguro.
Túmulo
de Duarte de Lemos, senhor da Trofa, com a sua estátua orante em tamanho
natural, que Virgílio Correia considera «uma das obras mais belas
e viris da nossa galeria de retratos plásticos». (Distrito de
Aveiro - Portugal)
O monumento é formado por
um arcossólio enquadrado entre duas pilastras ornamentadas que correm de alto a
baixo e sustentam a arquitrave vandalizada.
É o sistema geral dos monumentos congêneres dos panteões. No baseamento do arco repousa a urna funerária que mede um metro e vinte centímetros de comprimento.
O arcossólio propriamente dito parte de dois colunelos cilíndricos de fustes lisos e capiteis muito simples, túmulos do lado do Evangelho.
É o sistema geral dos monumentos congêneres dos panteões. No baseamento do arco repousa a urna funerária que mede um metro e vinte centímetros de comprimento.
O arcossólio propriamente dito parte de dois colunelos cilíndricos de fustes lisos e capiteis muito simples, túmulos do lado do Evangelho.
A esses colunelos seguem-se
pés direitos com as suas imotas de uns oitenta centímetros de largura ou
profundidade.
No tímpano do fundo está esculpido o Brasão dos Lemos, com a heráldica e envolto numa grinalda ou coroa vegetalista, formada por folhas e frutos entremeados de rodelas (momento de D. Joana de Melo, mulher de D. Duarte de Lemos), grupo do lado da Epístola. Porém o túmulo da fidalga da Trofa, a grinalda pende da charneira de uma grande concha planificada.
As impostas dos pés direitos laterais do edículo continuam e unem-se por uma espécie de arquitrave que divide a parede fundeira e separa o tímpano. Por baixo da arquitrave esboçada em baixo relevo, vê-se como em cenografia, e também baixo relevo, um pórtico de três arcos de volta inteira com dois pequenos óculos circulares e janelinhas entreabertas.
Na Trofa, nos túmulos do lado da Epístola, que são os do Fidalgo e irrequieto batalhador da Índia e do Brasil, e de sua esposa, bem como num do lado do Evangelho, os pés direitos laterais apresentam-se canelados por molduras de perfil curvilíneo chamados em arquitectura junquilhos, e cortados em bisel a meia altura.
O intradorso, ou abobada do
arcossólio, é apainelado e os quadros em que se divide, são alternadamente
lisos e ornados com florões de baixo-relevo. Há vinte quadros por cada
arcossólio.
A urna ossoária assenta sobre carrancas esculpidas nos próprios cantos. Há urnas sobre lebréus estilizados. O epitáfio está gravado na fase principal e lisa da arca. Comparados com outros, o Panteão dos Lemos tem a seu favor a monumentalidade do conjunto a superioridade da sua riqueza escultórica e decorativa, a mais perfeita execução e uma conservação excelente. Em gramática decorativa, aqui aplicada, os temas são particularmente variados, profusos e requintados. in, “Arquivo do Distrito de Aveiro n.º 157”
HISTÓRIA DA CASA DE TROFA
Trofa fica situada entre os rios Vouga e Águeda e a Ribeira do Marnel. Os seus terrenos são bastante férteis. Foi o D. Afonso V que fez a doação de bens e direitos com toda a jurisdição senhorial a Gomes Martins de Lemos, 3º Senhor da Trofa e grande figura do Império Oriente, os Lemos tiveram um papel importante.
Em homenagem a Duarte de Lemos, 5º Senhor da Trofa, há agora uma escola situada
nesta localidade, chamada Instituto Duarte Lemos. Na igreja Matriz da Trofa
está sepultada a família Duarte de Lemos, no Chamado Panteão dos Lemos,
considerado monumento nacional.
FONTES:
- (César Marques Augusto – Dicionário Histórico, Geográfico e Estatístico do
Espírito Santo – 1876).
- “Arquivo do Distrito de Aveiro n.º 157” - Portugal.
- (Rocha Pombo - História do Brasil- (9ª edição - Edições Melhoramentos - 1960)
- (Rocha Pombo - História do Brasil- (9ª edição - Edições Melhoramentos - 1960)




Comentários
Postar um comentário