O AMIGO DA ONÇA: A HISTÓRIA DO CRIADOR E A CRIATURA.
(POR: WILLIS DE FARIA)
PÉRICLES “AMIGO DA ONÇA” MARANHÃO: O
MESTRE DO HUMOR NEGRO BRASILEIRO.
Eu guardo em minha casa a mais completa
coleção dos cartuns de Péricles, e publicados entre os anos de 1951 e 1961 na
revista cuja popularidade em muito deveu seus créditos ao senso de humor do
mesmo Péricles: O Cruzeiro. Durante
quase duas décadas, a criação de Péricles serviu de motivo para que milhares de
pessoas procurassem a revista nas bancas em busca do cartum da semana do Amigo da Onça.
A espera pelo desenho era tanta que a
revista teve que mudar a localização do cartum do pernambucano, publicada
durante muito tempo na última página de O
Cruzeiro. Muita gente costumava ver apenas essa página e não comprava a
edição.
Foi então que a direção da revista
decidiu colocar o cartum de Péricles no meio da revista, em páginas alternadas.
De forma que as pessoas se sentiam obrigadas a comprar cada edição.
Lembro-me que aqueles que compravam a
revista, tiravam as paginas de humor, o afixavam nas barbearias, bares e
açougues da cidade.
Afinal, quem era o Amigo da onça? Sim, é o indivíduo que se mostra amigo, e ao mesmo tempo, é alguém que não podemos confiar, pois é
uma pessoa falsa, que trai as amizades, hipócrita e infiel.
“O
Amigo da Onça, personagem criado pelo pernambucano Péricles, fez tanto sucesso na
época, que leitores compravam a revista apenas para ver qual era a última
aprontada por ele.”
Desde que fez o primeiro rabisco de seu personagem,
Péricles conviveu com O Amigo da Onça como se este fosse sua sombra. Entre
brincadeiras e depressões, o humorista mais popular do país penou na vida
apesar do sucesso. E acabou abandonando-a de maneira trágica. O primeiro
dia da vida de Péricles de Andrade Maranhão quase cai no dia 13 de agosto.
O Amigo da Onça adoraria a data, bom motivo para
uma piada. Mas Péricles deu sorte a acabou nascendo um dia depois, no dia 14 de
agosto de 1924, no Recife. Passou sua infância no bairro do Espinheiro e por lá
deve ter feito tudo o que um menino tinha direito naqueles tempos: armar
arapucas, subir em árvores, quebrar vidraças, esfolar os joelhos. E também
desenhar, é claro. Foi na revista do Colégio Marista, onde estudava que
publicou seus primeiros desenhos.
Mas a primeira notícia sobre Péricles quem deu foi
o jornalista Anibal Fernandes. No Diário de Pernambuco de 5 de novembro de
1940 ele escreve sobre “um garoto que entrou pela redação com um rolo de
desenhos”. Anibal termina o texto com um recado profético: “Guardem bem seu
nome”. Péricles Maranhão.
Quem viver verá se ali não está um artista,
sobretudo se tiver ambiente para estudar e produzir. Foi o mesmo
jornalista quem ajudou Péricles a encontrar o tal ambiente. Dois anos depois,
com muita coragem e uma carta de Anibal Fernandes recomendando seu nome a Leão
Gondim de Oliveira, diretor de O Cruzeiro, o jovem Péricles percorreu o longo
trajeto de Recife a então capital federal.
REVISTA O CRUZEIRO
14.04.1943 (HD COMPLETA)
Era o mais novo em uma equipe de jornalistas que empolgava o país com suas reportagens, fotografias e humorismo. Neste mesmo ano publica em O Guri e no Diário da Noite as encrencas de Oliveira, O Trapalhão, seu primeiro personagem.
Nesta tira já aparecem às figuras pitorescas do Rio
que marcaram seu trabalho. “Para você ver que desde o início ele já
estava atento a estes tipos”, ressalta o humorista Fortuna, que nesta época
publicava seus primeiros trabalhos na imprensa.
“O negro Laurindo, que acompanhava o personagem
principal, por exemplo, era um malandro de camisa listrada.”
Já tinham até o nome, adaptado de uma anedota que fazia muito sucesso na época, dois caçadores conversam em seu acampamento:
O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
– Ora, dava um tiro nela.
– Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
– Bom, então matava ela com meu facão.
– E se você estivesse sem facão?
– Apanhava um pedaço de pau.
– E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
– Subiria na árvore mais próxima!
– E se não tivesse nenhuma árvore?
– Saía correndo.
– E se você estivesse paralisado pelo medo?
– Então o outro, já irritado, retruca finalmente:
– Mas afinal de contas, porra, você é meu amigo ou amigo da onça?...
O personagem era O Amigo da Onça. Precisavam de
alguém para traçar seu perfil e desenhar as piadas. Foi convidado o Augusto
Rodrigues, que fazia o maior sucesso na época. Não sei por qual motivo o
Augusto recusou.
Renovador da charge política brasileira, Augusto
Rodrigues realmente declinou do convite de entrar na dança com O Amigo da Onça.
“Ah, eu não faria um tipo que já veio criado”, ele conta em seu ateliê no Largo
do Boticário, no Rio de Janeiro. Hoje, Augusto Rodrigues é um pintor
respeitado. Lembrava-se pouco de Péricles, que depois foi convidado a
desenhar O Amigo da Onça. “Era bem alto, sei que bebia num bar perto do Lido.”
Reza a lenda (ou fofocas, como bem entenderem) que
o criador do personagem de cartum mais popular do Brasil, O Amigo da Onça,
era na verdade um alter-ego de seu criador, instável de nascença, boêmio de
experiência.
Segundo as pessoas que acompanharam sua carreira e
sua vida pessoal, Péricles o exemplo do homem correto e paciente quando estava
sóbrio. Com o passar dos anos, no entanto, foram ficando raros esses momentos
de lucidez e ele começava progressivamente a entrar em um estado de
agressividade espontânea.
Agressividade essa que, em linhas muito sutis,
era notada no perfil de sua criação: preconceito e falta de pudor pontuavam
algumas vezes as piadas publicadas pelo O Cruzeiro. O personagem ficou
tão popular nas mãos de Péricles que, quando este morreu, outro pernambucano,
Carlos Estevão, passou a assinar pelas anedotas daquele baixinho de rosto oval.
Péricles se suicidou vestido de seu personagem.
Terno branco, sapatos polidos e cabelo penteado. Ligou o gás de sua casa e
deixou o Brasil surpreso. Aquela era sua piada sem graça, a partida de alguém
que tinha apenas um amigo, O Amigo da Onça.
O pernambucano Péricles é o criador de um dos
personagens mais populares do humor gráfico brasileiro, o Amigo da Onça.
Espécie de herói irônico ou "figura do homenzinho macunaímico que satiriza
costumes e acontecimentos", o personagem encarna
com olhar cínico e dissimulado o espírito de porco que se encontra em
algum lugar entre o malandro carioca da Lapa e o grã-fino da vida mundana do
Rio de Janeiro.
Sempre alinhado, de cabelo engomado, calças pretas,
paletó branco e gravata-borboleta, o Amigo da Onça está pronto para tirar
vantagem de tudo, em geral colocando seus interlocutores em situações
humilhantes e vexatórias.
O personagem nasce na revista ilustrada O
Cruzeiro, em 1943, inspirado no quadro The Enemies of Man, da revista
americana Esquire. Leão Gondim, editor da revista brasileira, tem a
idéia de criar uma figura fixa e convoca o desenhista Augusto
Rodrigues para dar forma ao Amigo.
Contudo, seu desenho solto parece não combinar com
o humor negro implacável do personagem. Então convida o jovem Péricles,
recém-chegado do Recife (1942) e já colaborador em outros periódicos dos
Diários Associados de Assis Chateaubriand com a série Oliveira, o Trapalhão da
revista A Cigarra, para dar vida ao personagem. O homem de baixa
estatura e nariz proeminente, desenhado em linhas bem-feitas e formas
estilizadas, é prontamente aprovado.
Em popularidade, o Amigo da Onça tem antecedentes
na história do humor gráfico brasileiro em figuras como Zé Povo, Jeca Tatu e
Juca Pato. No entanto, diferentemente destes, não está associado aos oprimidos
e sua luta. Ao contrário, em mais de mil páginas semanais, o Amigo da Onça
assume diversos papéis sociais: é tanto o mendigo como o grã-fino, o chefe e o
subalterno, o adulto e a criança, o ladrão e o policial, o retirante nordestino
e o gaúcho, o náufrago e o comandante.
Tal mobilidade indica a universalidade na falta de
valores e na suspensão de juízo crítico que orienta o personagem. Nos quadros
do Amigo da Onça o leitor defronta um mundo cuja competição permanente
exige ações livres de qualquer bom sentimento para quem quer ser vencedor.
Nesse sentido, os quadros de Péricles -
contemporâneo do teatro de Nelson Rodrigues (1912 - 1980), do projeto
desenvolvimentista e da bossa nova - ironizam as afirmações de harmonia social
advindas tanto da esquerda como da direita política e testemunham um processo
de deterioração de valores sociais que se querem acima de qualquer poder ou
exercício de exploração de um sobre o outro.
Péricles tinha 1,75m e andava sempre bem vestido,
de paletó de linho e bigode bem aparado. Parecido com a cria. Mas eram por ali
mesmo e próximo à sua casa, os locais que frequentava.
Péricles e Carlos Estevão eram tipos mais
simplórios, ligados no emprego. Não tinham inquietação artística.
Intelectualmente suas preocupações não tinham interesse pra mim. Carlos Estevão
foi o desenhista que, após a morte de Péricles, continuou fazendo O Amigo da
Onça.
No início da década de 40, a imprensa argentina
influenciava bastante o jornalismo brasileiro, principalmente ao diretor de O
Cruzeiro. Foi de páginas portenhas que ele garimpou a ideia do Amigo da Onça.
Outro menino-prodígio trabalhava em O Cruzeiro e
lembra muito bem de tudo. Ziraldo Alves Pinto chegou a revista “por cima”, como
ele diz. Sua carta de recomendação era endereçada à mulher de Leão Gondim. E
basta folhear amarelada coleção da revista para ver em primeiro lugar no
expediente o nome de Amélia Whitaker Gondim de Oliveira.
Além de desenhar na revista Ziraldo foi também o
Relações Públicas. E tinha ótimas relações com a diretoria. “O Leão era
apaixonado pelas coisas argentinas”, lembra Ziraldo e Principalmente pelo
desenhista Guillermo Antonio Divito.
Ele pegou os recortes de Las Chicas del Divito e falou para o Alceu: toma, faz igual. Então
ele fez As Garotas do Alceu.
Já o Amigo da Onça, os traços foi tirado de El Enemigo
del Hombre, também do Divito. Ziraldo entrou “por cima” e entrou com tudo.
Iniciou uma reformulação gráfica que lhe “criou problemas com todo mundo”.
Inclusive com Péricles, que fazia a página de maior sucesso da revista e por
isso não engolia o fato daquele mineiro extrovertido chegado de Caratinga já
ter até telefone em sua mesa, coisa que ele, Péricles, não tinha.
E além da revista, Ziraldo queria reformular também
O Amigo da Onça. “Eu falava para o Péricles: vamos mudar um pouco o desenho.
Está muito quadrado. E dava pra ele a Playboy, a Look, Paris-Match, revistas
que traziam os cartunistas avançados da época. Ele levava pra casa para
estudar. Depois jogava as revistas em cima da minha mesa dizendo: o povão não
quer isso!”
E neste ponto não havia dúvidas. De povão, o autor
do Amigo da Onça entendia. Desde que foi publicado pela primeira vez no dia 23
de outubro de 1943 até o último desenho em 3 de fevereiro de 1962, seu
personagem teve 18 anos de vida bem vivida.
Mas atendendo a sugestão de Ziraldo, alterou os
traços do Amigo da Onça, onde poderemos comparar abaixo, dando a forma que fez
sucesso ate o fim de sua vida.

Podemos observar que o dialogo da piada sai do
rodapé, e passa para os balões, dando maior leveza das charges.
Ai esta nesta charge, o Cartunista Péricles (Criador) com a Criatura (Amigo da Onça), fazendo uma homenagem ao seu antigo personagem de cartum, Seu Oliveira, O Trapalhão e o negro Laurindo. Na camisa de seu Oliveira, esta as iniciais O.T. (Oliveira Trapalhão), como era português, estava retratado com seus tamancos de madeira.
Gozou de um sucesso que não teve paralelo na
história da imprensa brasileira. E nem terá, pois os tempos mudaram e já não se
fazem mais sucessos como antigamente. Péricles teve que se virar para
criar mais de mil situações propícias para o Amigo da Onça era sacanear alguém.
E para isso fazia qualquer coisa, chegando a
desenhar o personagem sacaneando o próprio autor. Ou até o leitor. O Amigo da
Onça foi chefe e subalterno, delegado de polícia e preso, náufrago e
comandante, retirante nordestino e gaúcho, criança e adulto. Tudo para
contentar os milhares de leitores que corriam ávidos para a sua página quando O
Cruzeiro lhes chegava às mãos.
Depois de rir da piada, ainda colavam o desenho de
Péricles na parede pra todo mundo ver. E que esforço para agradar a plateia. O
personagem chegou mesmo a se travestir com biquíni e cair nos braços de um
marmanjo em um baile de carnaval, só para, no momento “ai, ai, ai, está
chegando a hora”, revelar-se O Amigo da Onça.
Mas a caracterização mais usada foi a de O Amigo da
Onça. Na favela, em reuniões elegantes do café society ou até mesmo em plena
praia, lá está ele com seu indefectível paletó de linho branco, calças pretas e
gravata borboleta. Às vezes, para esnobar, está fumando de piteira.
O mesmo olhar cínico na bem-equilibrada mistura de
malandro da Lapa e grã-fino da vida mundana do Rio de Janeiro. Também deu
conselhos a Getúlio Vargas e dedurou um subordinado do Marechal Lott que estava
mais para Jânio. Porém, metia-se pouco com política. Insinuava-se com mais
desenvoltura na crítica de costumes. Mesmo que tivesse que apelar para o
racismo ou o preconceito.
Péricles era o contrário de tudo isso. É sempre
lembrado como um homem de bom caráter, excessivamente tímido, que não soube
aproveitar o imenso sucesso que teve. Angélica Braga Guimarães, com quem se
casou em setembro de 1949, separando-se seis anos depois, recorda o ex-marido
como um brincalhão, que alegrava qualquer ambiente em que chegava com suas
piadas e brincadeiras.

Ela trata com carinho a memória dele. “Olha ele
aqui quando ganhou seus primeiros quinhentos cruzeiros. Não está bonitinho?”,
fala de Péricles, no Rio de Janeiro, onde mora até hoje.
Apontava uma foto dele
ainda menino. A chuva que caia naquela tarde parecia penetrar em seus olhos
enquanto mostrava fotos, destacava trechos de jornais antigos e falava dos
desenhos originais que mantém consigo em seu pequeno museu de ternura e
carinho.
O lado brincalhão do humorista também aflorava
quando ele ia à redação entregar seus trabalhos. Preferia desenhar em casa. Às
vezes deixava na redação de O Cruzeiro até quatro desenhos adiantados e
demorava a aparecer por lá.
Alguma rara ocasião subia até o restaurante da
empresa. O organizador do tal restaurante só podia estar querendo acirrar as
contradições sociais, pois o salão era dividido entre os funcionários mais
humildes e o pessoal da diretoria. A precária divisão era feita com vasos de
plantas. O problema é que a cozinha ficava do lado do pessoal do bandejão
Para chegar até a mesa da diretoria os pratos
tinham que passar entre as mesas dos funcionários. Era aquele desfile de
assados e saladas magníficas entre o pessoal do bandejão que comia seu arroz
com feijão e alguma mistura. “Eu sentava com a diretoria”, conta Ziraldo.
“Às vezes o Péricles aparecia por lá. Era um
populista! Sentava com o pessoal do bandejão e ficava fazendo piada sobre a
gente!” Uma situação digna de seu Amigo da Onça. Se o personagem tivesse
caráter, é claro. Mas o brincalhão Péricles também tinha seus momentos de
tristeza.
E foi num desses dias em que a tristeza bateu mais
fundo, que o humorista resolveu escrever a palavra fim. Deixou uma dúvida para
os amigos e os fãs: qual o motivo que levou uma das pessoas mais famosas do
país a deixar seus leitores com um nó na garganta? Muitos correram atrás de
explicações poéticas, fazendo alusões à sua convivência diária, ou pelo menos
semanal, com seu herói sem nenhum caráter.
Por suas criações, Péricles é considerado um dos
responsáveis pela inovação do humorismo brasileiro. Apesar dos diversos
trabalhos de alta qualidade executados ao longo da vida - por exemplo, ao
lado de Millôr Fernandes (1923) durante
dez anos na coluna O Pif-Paf, também na revista O Cruzeiro, ou com
charges políticas -, é com a figura baixinha do Amigo da Onça que o desenhista
encontra fama nacional. Após seu suicídio, em 1961, o personagem passa para as
mãos de Carlos Estevão (1921 - 1970), sendo publicado até 1972.
Após a morte do autor, em 1961, o personagem
continuou sendo publicado, desenhado pelo ilustrador Getulio
Delphim (durante dois anos) - amigo e parceiro de Péricles na produção de
outro personagem (Oliveira Trapalhão e Laurindo Capoeira) que não chegou a ser
lançado devido à morte de Péricles. Péricles era muito ciumento com seu
personagem, por isso Getúlio assinava "Equipe do Cruzeiro". Após
esses dois anos, o cartunista Carlos
Estevão desenhou o personagem até 1972
Getúlio Delphim, nascido no Rio de Janeiro, iniciou sua vida profissional como
auxiliar de desenhista, com apenas quinze anos na Rio Gráfica e Editora (O
Globo Juvenil na época). Aos dezoito anos foi convidado por Jayme Cortez para
produzir em quadrinhos a série da TV Record “O Capitão Sete”. Em 1960,
convidado por Ziraldo, ingressou na revista O Cruzeiro. Após o falecimento do
famoso cartunista Péricles, do qual Getúlio era grande amigo, continuou a
desenhar a inesquecível série “O Amigo da Onça”.
Transferindo-se para São Paulo em 1964, trabalhou
como Ilustrador nas maiores agências de publicidade: Denison, Standard
Propaganda, JWT entre outras. E foi um dos fundadores e professor da Escola
Panamericana de Arte.
Em 1981, mudou-se para a Europa, onde ilustrou para
editoras e agências de publicidade (Barcelona, Madri, Paris e Frankfurt).
Regressando ao Brasil em 1993, ganhou o Troféu
Jayme Cortez de História em Quadrinhos, em 1994 ganhou o 10º premio Ângelo
Agostini e em 2.000 o troféu HQMIX 99 (Grande Mestre dos Quadrinhos).
Atualmente, Getúlio atua na área de criação como
Ilustrador e em Agencias de Publicidade, participando de grandes Campanhas tais
como: DETRAN de Goiânia, Secretária da Saúde do Estado de Goiás
(Novagenciapro), RODOANEL (RMSP), BNDES, SECOM (Matisse SP), Coca-cola,
BNDES, Ministério do Desenvolvimento Agrário (DPZ Rio).
Getúlio dedica-se também a ilustrar livros para
várias editoras (FTD, Ática, Moderna, etc.)
No dia 31 de dezembro de 1961 morria, no Rio de
Janeiro, o cartunista Péricles de Andrade Maranhão. Ele fez bastante sucesso
nos anos 40 e 50 e foi o criador do personagem “Amigo da Onça”.
Em 1943, Péricles passou a trabalhar na revista
“Cruzeiro”, onde publicou as histórias do “Amigo da Onça”, personagem que
ganhou grande popularidade no Brasil. Satírico, irônico e crítico de costumes,
o “Amigo da Onça” aparece em diversas situações, desmascarando seus
interlocutores ou deixando-os em situações embaraçosas.
O sucesso do personagem, contudo, atormentava
Péricles, que mesmo assim desenhou o “Amigo da Onça” durante 17 anos. Com uma
personalidade atormentada, o cartunista se matou na noite de 31 de dezembro de
1961 em seu apartamento no Rio de Janeiro, abrindo o gás. Antes, fixou na porta
um cartaz com o seguinte aviso: "não risquem fósforos".
AS PRINCIPAIS CHARGES QUE IMORTALIZARAM O
AMIGO DA ONÇA, OU SEJA, PÉRICLES MARANHÃO.
Fontes:
Principais
Fontes Bibliográficas
EU E O PÉRICLES - Willis,
que material fantástico sobre o Péricles , que de quebra, menciona outros
grandes desenhistas gráficos e de HQ do Brasil. A narrativa me fez voltar para
década de cinquenta e começo da de sessenta, quando trabalhava no Rio de
Janeiro, mais precisamente na Rio Gráfica e Editora. Desta maneira, fui companheiro
de trabalho de alguns dos citados e convivi bastante com o Ziraldo, apesar de
não ter a oportunidade de ser seu colega de labuta.
Eu conheci o Péricles
quando participei de uma reunião sobre um movimento que visava a nacionalização
da história em quadrinho. Naquela época as nossas editoras publicavam quase de canto
do material vinha dos EUA.
O encontro aconteceu em
Copacabana, no apartamento do Getúlio Delphim, tendo como líder do movimento o
Ziraldo. A foto que estou enviando fez parte da publicação de um livro de
memórias do Ziraldo.
Neste dia aconteceu um fato que nunca esqueci. O som que animava o encontro deu defeito e eu fui convidado pelo Péricles para acompanhá-lo até o seu apartamento (que era perto) para trazer o som dele que estava legal. E foi justamente neste apartamento que o Péricles abriu o gás do fogão e nos deixou, um gesto que fez o verdadeiro “Amigo da Onça” de seus amigos.
Após a morte do Péricles, o Cruzeiro (como está registrado na narrativa envida por você) chamou o Getúlio para desenhar o Amigo da Onça. Como o Getúlio, era mais desenhista do que humorista, pagava uma quantia para quem desse uma ideia para o desenho. Andei colaborando com ele algumas vezes e me lembro de uma: teve um período que estava havendo saques em mercearias no RJ. Aí o desenho era mais ou menos assim: no meio de muitos fazendo saques, o Amigo da Onça estava carregando uma mulata nos costas, mulher do portuga dono da mercearia, que, desesperado, tentava evitar o “saque”...











































































































































































































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