(crônica histórico-literária) POR: WILIS DE FARIA Na manhã de 23 de maio de 1535, o mar da costa capixaba amanheceu inquieto, respirando em ondas curtas e densas, como se soubesse que um novo capítulo pisaria suas margens. O céu, ainda envolto em névoa fina, deixava o sol romper aos poucos, tingindo de dourado as águas da grande baía que, séculos depois, seria conhecida como Vitória. Vinha do Atlântico a embarcação de Vasco Fernandes Coutinho, fidalgo português e donatário da Capitania do Espírito Santo. O navio, castigado por meses de travessia, trazia homens endurecidos pelo sal, pela fome e pela incerteza. Eram cerca de sessenta colonos, soldados, degredados, aventureiros e religiosos — homens enviados não apenas para chegar, mas para permanecer. Da embarcação, Coutinho observava a terra. À frente, morros cobertos de mata atlântica se erguiam quase intactos, verdes e densos, onde o vento agitava copas altas e pássaros cruzavam o céu em voos rápidos. O...
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