ESTÁDIO GOVERNADOR BLEY - O ORGULHO DO BAIRRO


ESTÁDIO GOVERNADOR BLEY - O ORGULHO DO BAIRRO DE JUCUTUQUARA



POR: WILLIS DE FARIA

O futebol sempre foi à grande paixão dos brasileiros e acompanhamos atentamente o desenrolar do campeonato carioca e capixaba. Nos finais de semana na década de 50 e 60, sempre estávamos de ouvido no radio (principalmente a radio nacional e globo) acompanhando os jogos, pois a televisão ainda não tinha chegado à cidade.

A grande felicidade que eu e meus irmãos tivemos, foi quando em 1961, ganhamos de presente um radio a pilha, do tamanho de um sabonete, pois o nosso pai era recém-chegado dos Estados Unidos das América, pois lá estava em uma delegação sindical, representando o Sindicato dos Ferroviários da Cia. Vale do Rio Doce, a convite do Presidente John Kennedy.

Bem, o importante é que começava a moda de levar rádios a pilha para os estádios, para ouvir os jogos. Quando tinha jogo de futebol no estádio Governador Bley, era festa em todo bairro, que se localizava na av. Alberto Torres.

Muitos torcedores circulavam agitados nas ruas do bairro e o ponto de encontro da torcida capa-preta (Rio Branco), era o Bar do Ceará, localizado em frente ao portão central do estádio.

Ali os torcedores tomavam os seus aperitivos, e faziam  prognósticos do resultado da partida. O povo do bairro observava atentamente o movimento dos torcedores.

Durante os clássicos futebolísticos da época, como Rio Branco X Vitória, a agitação ainda era muito maior. Festa com direito a muito foguetório era durante as partidas do campeonato brasileiro de seleções estaduais.

A seleção capixaba portava a camisa da FDE (Federação Desportiva Espírito-Santense), portanto jogadores em sua maioria da terra. Estes faziam explodir de paixão os torcedores, pois o amor a terra estava em jogo.

Nossos tradicionais adversários (de acordo com a tabela) eram os fluminenses, baianos, goianos e mineiros.

Lembro-me de alguns jogadores de plantel de 1962: Irezê e Carlos Magno (goleiros), Xavier, Diogo, Edalmo, Hélio, Ivan, Monte, Foca, Maciel, Fontana, Carlinhos Gabiru, Beto Pretti, Alcione, Robertinho, Wilson Pereira, Cafuringa.

Todos envergavam a camisa branca, com duas listas azuis e rosa no peito, com um circulo ao centro, com as iniciais FDE.

O local mais disputado pela maioria dos moradores do bairro era o morro do rio Branco que ficava atrás do gol a esquerda das  arquibancadas. Durante os jogos importantes, devido à pequena capacidade do estádio em receber torcedores, fazia o morro ficar repleto de torcedores.

O muro do estádio não era alto, mas pular nem pensar, pois do outro lado fica cheio de “meganhas” (policiais militares), e caso alguém pulasse, o cassetete “comia”.

A única chance de a garotada pular o muro, era nos jogos das seleções estaduais, pois quando tocava o hino nacional, os policiais ficavam imóveis e não podiam perseguir os torcedores.
Havia no estádio, muitas autoridades, e na hora de entrada em campo era um foguetório infernal. O futebol sempre esteve no sangue do bairro, e alguns perpetuaram esta história.

Vale lembra o Sr. Eugenilio Ramos, grande desportista que morava ao lado da igreja de São Sebastião. Ele era um fanático dirigente Capa-Preta (Rio Branco).

Tínhamos ainda o Sr. Manoel Donêncio, cujo nome verdadeiro era Manoel Pinto das Virgens, apaixonado pelo Rio Branco e Flamengo (RJ), e o maior incentivador do Anchieta Esporte Clube. O Rubens Monjardim, o eterno técnico de escolinhas de futebol.

Outra pessoa que muito colaborou com o futebol, por detrás dos bastidores, foi o Sr. Otacílio dos Santos, o sapateiro, que cuidava com carinho das chuteiras dos jogadores, e também dos sapatos dos moradores de Jucutuquara.

Sua lojinha ficava debaixo das arquibancadas do estádio. Era um exímio artesão. Morava atrás de minha casa em Fradinhos, no alto do morro.

Mas, hoje no estádio Governador Bley, não se disputam mais partidas oficiais de futebol, pois o mesmo foi comprado pela Escola Técnica Federal na década de 70, para a prática desportiva escolar.
O estádio esta presente até hoje no bairro, como um marco de sua história.

  FOTO DO ANTIGO ESTADIO DE ZINCO, TIRADA EM 1932, DURANTE DESFILE ESCOLAR.


   FIGURA- CONSTRUÇÃO DO ESTADIO-1936


    FIGURA- COMPETIÇÃO DE FUTEBOL - 1940


     FIGURA: COMPETIÇÃO DE FUTEBOL - 1950








 

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