ESTÁDIO GOVERNADOR BLEY - O ORGULHO DO BAIRRO
ESTÁDIO GOVERNADOR BLEY - O ORGULHO DO BAIRRO DE JUCUTUQUARA
POR: WILLIS DE FARIA
FOTO DO ANTIGO ESTADIO DE ZINCO, TIRADA EM 1932, DURANTE DESFILE ESCOLAR.
O futebol sempre foi à
grande paixão dos brasileiros e acompanhamos atentamente o desenrolar do
campeonato carioca e capixaba. Nos finais de semana na década de 50 e 60,
sempre estávamos de ouvido no radio (principalmente a radio nacional e globo)
acompanhando os jogos, pois a televisão ainda não tinha chegado à cidade.
A grande felicidade que eu
e meus irmãos tivemos, foi quando em 1961, ganhamos de presente um radio a
pilha, do tamanho de um sabonete, pois o nosso pai era recém-chegado dos
Estados Unidos das América, pois lá estava em uma delegação sindical,
representando o Sindicato dos Ferroviários da Cia. Vale do Rio Doce, a convite
do Presidente John Kennedy.
Bem, o importante é que
começava a moda de levar rádios a pilha para os estádios, para ouvir os jogos.
Quando tinha jogo de futebol no estádio Governador Bley, era festa em todo
bairro, que se localizava na av. Alberto Torres.
Muitos torcedores
circulavam agitados nas ruas do bairro e o ponto de encontro da torcida
capa-preta (Rio Branco), era o Bar do Ceará, localizado em frente ao portão
central do estádio.
Ali os torcedores tomavam
os seus aperitivos, e faziam prognósticos do resultado da partida. O
povo do bairro observava atentamente o movimento dos torcedores.
Durante os clássicos
futebolísticos da época, como Rio Branco X Vitória, a agitação ainda era muito
maior. Festa com direito a muito foguetório era durante as partidas do
campeonato brasileiro de seleções estaduais.
A seleção capixaba portava
a camisa da FDE (Federação Desportiva Espírito-Santense), portanto jogadores em
sua maioria da terra. Estes faziam explodir de paixão os torcedores, pois o
amor a terra estava em jogo.
Nossos tradicionais
adversários (de acordo com a tabela) eram os fluminenses, baianos, goianos e
mineiros.
Lembro-me de alguns
jogadores de plantel de 1962: Irezê e Carlos Magno (goleiros), Xavier, Diogo,
Edalmo, Hélio, Ivan, Monte, Foca, Maciel, Fontana, Carlinhos Gabiru, Beto
Pretti, Alcione, Robertinho, Wilson Pereira, Cafuringa.
Todos envergavam a camisa
branca, com duas listas azuis e rosa no peito, com um circulo ao centro, com as
iniciais FDE.
O local mais disputado pela
maioria dos moradores do bairro era o morro do rio Branco que ficava atrás do
gol a esquerda das arquibancadas. Durante os jogos importantes,
devido à pequena capacidade do estádio em receber torcedores, fazia o morro
ficar repleto de torcedores.
O muro do estádio não era
alto, mas pular nem pensar, pois do outro lado fica cheio de “meganhas”
(policiais militares), e caso alguém pulasse, o cassetete “comia”.
A única chance de a
garotada pular o muro, era nos jogos das seleções estaduais, pois quando tocava
o hino nacional, os policiais ficavam imóveis e não podiam perseguir os
torcedores.
Havia no estádio, muitas
autoridades, e na hora de entrada em campo era um foguetório infernal. O
futebol sempre esteve no sangue do bairro, e alguns perpetuaram esta história.
Vale lembra o Sr. Eugenilio
Ramos, grande desportista que morava ao lado da igreja de São Sebastião. Ele
era um fanático dirigente Capa-Preta (Rio Branco).
Tínhamos ainda o Sr. Manoel
Donêncio, cujo nome verdadeiro era Manoel Pinto das Virgens, apaixonado pelo
Rio Branco e Flamengo (RJ), e o maior incentivador do Anchieta Esporte Clube. O
Rubens Monjardim, o eterno técnico de escolinhas de futebol.
Outra pessoa que muito
colaborou com o futebol, por detrás dos bastidores, foi o Sr. Otacílio dos
Santos, o sapateiro, que cuidava com carinho das chuteiras dos jogadores, e
também dos sapatos dos moradores de Jucutuquara.
Sua lojinha ficava debaixo
das arquibancadas do estádio. Era um exímio artesão. Morava atrás de minha casa
em Fradinhos, no alto do morro.
Mas, hoje no estádio
Governador Bley, não se disputam mais partidas oficiais de futebol, pois o
mesmo foi comprado pela Escola Técnica Federal na década de 70, para a prática
desportiva escolar.
O estádio esta presente até
hoje no bairro, como um marco de sua história.
FIGURA- CONSTRUÇÃO DO ESTADIO-1936
FIGURA- COMPETIÇÃO DE FUTEBOL - 1940





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