POLUIÇÃO E DESCASO SÃO PREÇO DO PROGRESSO?

 



 
14 de Maio de 2010  
Cidades

Camburi: praia poluída e deserta

Geógrafo compara a qualidade da orla em Vitória com a Praia da Costa, e recorda a beleza que foi Camburi.
Por Priscila Bueker (pbueker@eshoje.com.br).

Os turistas brasileiros buscam praias e descanso quando planejam fazer uma viagem de férias. É o que diz a pesquisa "Hábitos de consumo do turista brasileiro 2009", realizada pelo Instituto Vox Populi a pedido do Ministério do Turismo. Dos 2.322 entrevistados, 69,4% preferem o litoral, enquanto 42,8% buscam tranquilidade. Portanto, Vitória não deve estar nos planos dos turistas brasileiros. Afinal, quem vai querer "desfrutar as belezas" de uma praia assoreada e tomada por intermináveis obras?Em Camburi, por exemplo, o acesso dos banhistas a praia está sendo dificultado pelas obras de alargamento do calçadão da Avenida Dante Michelini, desde 2007. Mas muitos não sabem que ali já foi um paraíso intocado. "Camburi era praticamente intocada pelo homem. Tinha uma mata selvagem. Para chegar a praia a pessoa tinha que atravessar de canoa ou passar pela atual Goiabeiras e andar até a praia. Inclusive onde hoje se localiza a Mata da Praia existia uma floresta de seis metros de altura, com uma mata alta e uma de restinga. Me lembro que quando era garoto ia pegar tatuí em Camburi. Este tatuzinho é sinônimo de água despoluída. Hoje ele já não existe mais lá", relata o geógrafo Willis de Faria, 61 anos, também pesquisador da cidade de Vitória. O geógrafo explica que a Praia de Camburi passou por três processos de reurbanização nos anos 1980, 1982 e 1992, respectivamente. Enquanto a Praia da Costa, em Vila Velha, nunca sofreu nenhum "engordamento". Na última reurbanização de Camburi, na administração municipal do então prefeito Paulo Hartung, a areia foi trocada e parte do canal da praia desassoreado."Na verdade a praia passou por três aterros, três "engordamentos", por causa do avanço do mar que estava chegando à pista. Em 1992 foram construídos os espigões - aquelas extensões do calçadão, os conhecidos píers. Na administração Paulo Hartung a areia colocada na praia veio da região a 4 km da costa, uma areia grossa artificial meio amarelada", explica.
Faria conta que a praia sofreu três aterros, mas o mais significativo foi o realizado pela Vale. A empresa aterrou mais de 3 km de praia para ampliar o Parque Industrial e o Porto de Tubarão. O geógrafo, que participou do 1° processo de urbanização, explica ainda que em 1984 teve a idéia de colocar coqueiros no lugar das inúmeras castanheiras naturais, pensando no freqüentador do local. De acordo com ele, a castanheira é imprópria porque fornece sombra a maior parte do dia, propiciando a formação do bicho geográfico.
Camburi é tomada pelo pó de minério
Iluminação, vegetação e investimentos na área recreativa. Estas são algumas das diferenças básicas entre a praia de Camburi e a da Costa, em Vila Velha. O geógrafo e pesquisador, Willis de Faria, ressalta a qualidade da água do mar. "Em Vitória não está 100%. No canal de Camburi é lançado esgoto de Vitória, Vila Velha e de outros municípios. Só no final da praia há uma camada de aproximadamente quatro metros de profundidade de pó de minério. A Vale está ali desde 1965, e naquela época não existia controle ambiental. No final da praia, ela é totalmente 'preta' de minério. A Praia da Costa é de mar aberto, as águas são claras porque não sofrem interferência. Outro fator é que a de Vila Velha fez opção de colocar uma iluminação forte direcionada para as areias da praia, o que facilita a prática de esportes, por exemplo. Já em Vitória a iluminação foi feita direcionada para o calçadão, o que dificulta o uso da mesma pelos freqüentadores", explica. Faria  explica ainda que, as obras visam a melhoria da qualidade de vida da população. Porque a capital capixaba, segundo ele, não é uma cidade turística de passeio. Mas de turismo de negócio.
Vale admite pó na praia.
Por meio de sua assessoria de comunicação a Vale informa que o caso do pó de minério acumulado na praia de Camburi é de conhecimento público. A empresa admite ter um material acumulado nas areias da praia, no entanto garante que em apenas uma área restrita, sem interferência na faixa de praia utilizada pelos banhistas.
A empresa informou ainda que há um projeto de retirada desse pó, recuperação do local e compensação pelos danos  ao meio ambiente, que está sob análise dos órgãos governamentais. A Vale aguarda a posição do governo para dar inicio ao referido projeto. A praia paga o preço do progresso. A expectativa da prefeitura de Vitória é que até o fim de 2010 as obras estejam concluídas "A preocupação maior é com a humanização da praia e não nela propriamente dita. É o preço que se paga pelo desenvolvimento". Assim explica os verdadeiros motivos das obras em Camburi o geógrafo, Willis de Faria. Segundo ele, na capital do Espírito Santo não existem praias boas por uma questão de localização e de planejamento. E que o tipo de turismo que acontece em Vitória é mais voltado para os negócios, do que o de passeio. "Pode-se reparar que os hotéis sempre estão cheios, devido a congressos, seminários e negócios. Mas os turistas preferem ir às praias da Serra ou de Vila Velha, por exemplo. Quem usa a praia de Camburi são os moradores dos arredores e isso não vai mudar com o término das obras. O turista vai continuar indo aos outros balneários onde o governo investe mais, como Guarapari", ressalta o geógrafo.  A PMV informou, por meio da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade de Vitória (Sedec), que o projeto que está sendo executado em Camburi, cujo investimento é na ordem dos R$ 31 milhões, prevê a ampliação das calçadas residenciais, do calçadão da praia, a recolocação do canteiro central, ciclovia, área de passeio, módulos de apoio às atividades físicas, rede de esgoto e drenagem, e baias de estacionamento com capacidade para 400 carros.
A Sedec informa ainda que ao todo estão sendo reurbanizados 2600 metros, que ganhará oito quiosques, sendo um do Serviço de Orientação ao Exercício (SOE). A intervenção, segundo estima a PMV, deverá ser concluída no segundo semestre de 2010. Antes da obra ser iniciada, a orla contava com um calçadão e 29 quiosques. Atualmente conta com nove em todos os seis quilômetros de extensão. Sendo que todos estão próximos a ponta de Tubarão, onde a obra não alcança.Já no município de Vila Velha, de acordo com a prefeitura municipal, na Praia da Costa o banhista dispõe de seis quiosques, dos 46 em toda a orla do município. Além de seis espaços de recreação e 11 áreas delimitadas para esporte. Na temporada de verão a cidade recebe cerca 300 mil visitantes; sendo que cerca de 70 mil utilizem apenas a Praia da Costa.
O Espírito Santo tem uma costa formada por 73 ilhas, sendo 50 localizadas em Vitória. Na Cidade Sol, a arrecadação municipal anual ultrapassa os R$919 bilhões anualmente, enquanto que em Vila Velha.a receita anual corresponde a R$450 milhões - sendo que, segundo a PMVV, cerca de R$ 500 mil mensais são gastos com a manutenção de toda a orla.

 

Comentários Mauricio Leite | Vitória A Praia de Camburi esta morta. O que mais se vê é minério de ferro por toda a parte, e ainda a VALE diz que só tem minério em uma parte. Isso é mentira, é a mentira mais descarada. Quem mora em Jardim Camburi sofre com a falta de responsabilidade ambiental da VALE. Antigamente pescavamos e mergulhavamos no parque da biquinha, hoje lá só se ver um "areial de minério de ferro". A biquinha ta envenenada, areia não se vê mais. Na última vez que fomos mergulhar lá, parecia um deserto preto e o fundo do oceano era lama preta de minério de ferro, peixes não tinha. Não é só minério de ferro que encontramos lá, pelotas também estão por toda a parte.
A tal da Wind Fence, ou barreira contra o vento, ainda não mostrou eficiencia, uma vez que apenas uma pequena parte foi instalada, e eles postergam instalar o resto, e o povo da grande Vitória sofre, com o pó preto e sem falar nas nuves marrons, alaranjadas e pretas que saem das chaminés. Os efeitos dessa tamanha poluição estão aí, e em breve a coisa vai piorar






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