ANDRÉ CARLONI – UM AUTODIDATA E MESTRE DA ARQUITETURA NA ILHA DE VITÓRIA, NO INÍCIO E MEADOS DO SÉCULO XX.
(CLIQUE NAS GRAVURAS PARA AMPLIA-LAS)
Por: WILLIS DE FARIA (Memórias de uma cidade)
Por: WILLIS DE FARIA (Memórias de uma cidade)
É difícil imaginar a cidade de Vitória no início de sua ocupação. Poucas foram às imagens da cidade registradas no início do século XX. Com isso, pouco se consegue retratar daquele momento inicial em que Vitória, ainda uma vila. A região que conhecemos hoje por cidade alta já existia, e foi assim chamada por ficar justamente numa elevação. A parte baixa era tomada ora pelos braços de mar, ora pelos mangues.
Com o desenvolvimento econômico e conseqüentemente, com o crescimento populacional, houve a necessidade de serem ocupadas as partes baixas alagadas e cobertas de mangues, o que na época, representava grande dificuldade. Até este momento, somente a cidade alta havia sido ocupada. Ai entra o trabalho de André Carloni, no projeto arquitetônico de grandes edificações no meados do século xx, onde ele procurou também retratar através de gravuras a situação da cidade no inicio de século XX, o que nos faz compreender o antigo traçado da existente, mas já destruídos com a necessidade de ocupação do centro com edificações modernas, destruindo todo nosso patrimônio colonial.
Entre os milhares de imigrantes italianos vindos no século passado, indubitavelmente quem mais se distinguiu pela habilidade, autodidatismo e talento artístico foi André Carloni, chegado no Brasil com sete anos de idade. Deus lhe deu a inteligência e ele soube ambiciosamente, cultivá-la num prodigioso autodidatismo. Cresceu num meio paupérrimo de arte e de educadores. Índole privilegiada. Com os rudimentos da aprendizagem que obteve, toda fortuita, tornou-se desenhista, arquiteto, decorador, estatuário, homem de empresa e construtor. No governo de Jerônimo Monteiro, em plena juventude, com vinte e cinco anos de idade, ele foi uma das figuras principais nos grandes empreendimentos do histórico quatriênio. Seu dinamismo não teve limites. O destino o bafejou, como prêmio à sua inteligência, perseverança e honestidade. Que grande capixaba é esse italiano extraordinário!
1910 -Largo de Santa Luzia, vendo-se a Igreja de Santa Luzia, a mais antiga da cidade, no sobrado de três andares, chamado quarto de queijo (demolido), teria segundo a tradição, residido o Donatário Vasco Fernandes Coutinho, e no sobrado anexo, teria residido o antigo dono da ilha Duarte Lemos. Observe o chafariz público, cuja água era captada na fonte do Muniz (Fonte São Benedito), principal ponto de abastecimento da cidade.
1906- Vista do Colégio e Igreja São Tiago (hoje Palácio Anchieta), na Praça João Clímaco, antigo Largo Afonso Brás ou Praça da Misericórdia. ). Observe que as torres junto com a igreja São Tiago foram demolidas, um crime contra o patrimônio histórico.
1905 - Descrição da Imagem: Antiga escadaria do Palácio, com chafariz público, próximo ao cais do Imperador.
1905 - Descrição da Imagem: Parte da antiga Rua da Alfândega, demolidos para construção da Avenida Jerônimo Monteiro, vendo-se as travessas Luis Antônio e Alfândega. Frente ao sobrado em que lê-se Alfaiataria Resemini se estende a atual Praça Oito de Setembro, antes denominada, Cais Grande, Cias da Alfândega e depois Praça Santos Dumont.
1910- Descrição da Imagem: Convento de São Francisco, que se encontra atualmente em ruínas, vendo-se ao lado a antiga Rua do Cruzeiro, também conhecida como Carro de São Francisco, hoje denominada Rua Adão Benezath.
1910- Descrição da Imagem: Trecho da Rua do Comércio, também chamada Porto dos Padres, totalmente reformada para a construção da atual Avenida Florentina Avidos.
1910- Descrição da Imagem: Rua da Alfândega e seu prolongamento Rua 1º de Março, que foram totalmente reformadas para construção, das avenidas Jerônimo Monteiro e Florentino Avidos.
1922- Theatro Melpone em dia de grande recital.
Nasceu, em Bolonha, Itália, em 28 de janeiro de 1883. Chegou a Vitória em 1890, em companhia dos pais imigrantes, Zama Carloni (mecânico) e Marcina Malagute Carloni, bem como dos irmãos Romeo e Aldo Carloni. Depois de permanecerem alguns dias na Hospedaria Pedra d'água, em Jaburuna, a família segue para a Fazenda Guaraná, em Santa Cruz. O pai trabalha nessa fazenda, como mecânico e instalador dos equipamentos do engenho de açúcar, cerca de dois anos. Em 1892, mudam-se todos para Vitória, onde Zama Carloni passaria a trabalhar numa serralheria.
Em 1894, André emprega-se como ajudante do pai, na mesma empresa. Depois da morte do pai, alguns meses depois de febre amarela ele assume a responsabilidade de cuidar da mãe e dos irmãos, trabalhando também como lavador de pratos, garçom e capinador de ruas.
De 1895 a 1896, atuou como ajudante de pintor e decorador italiano Spiridione Astolfoni, no teatro Melpômene. Concluída a decoração do Teatro, Carloni continua trabalhando com Astolfoni, como aprendiz de pintor e decorador em, outras obras contratadas pelo mestre como cartazista e pintor de cenários para essa casa de espetáculos. Em 1900, matricula-se no curso noturno de Leitura, Música e Desenho, mantido pela Maçonaria Monte Líbano, freqüentando por dois anos. Destacou-se como melhor aluno em Desenho, sendo mal sucedido em Música. A partir daí começa a trabalhar por conta própria, executando projetos de construção e reformas, a ensinar Desenho e à elaboração esporádica de desenhos de vistas de ruas e monumentos de Vitória.
Mas a sua 1ª obra mais significativa foi realizada em 1909, transformando o antigo Convento e Igreja do Carmo, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, que passaria a ter características neogóticas. A partir de 1910, trabalha como mestre de construção, em diversas reformas e edificações para o Governo.
Em 1910, matricula-se no Curso de Desenho e Pintura do Instituto de Belas Artes, tornando-se aluno de Carlos Reis. Intensifica a realização de desenhos a bico de pena, cenários e cartazes para o Melpômene e outras casas de espetáculo. Alguns de seus desenhos encontram-se no acervo do Solar Monjardim e da UFES. Em 1925 projeta o Teatro Carlos Gomes, construindo-o em terreno doado pelo Governo do Estado, na Praça Costa Pereira, concluído em 1927.
Na década de 40, Carloni assume os trabalhos de construção da Catedral de Nossa Senhora da Vitória, elaborando também alterações na decoração externa da Igreja, alterando os projetos do escultor russo Waldemir Bogdanoff. Como arquiteto e construtor, reformou, construiu e projetou residências e prédios públicos. Entre suas principais obras são citadas: Santa Casa de Misericórdia, Assembléia Legislativa, Escola Normal Pedro II (reconstrução), fábrica de Sílico Calcário em Vila Velha (hoje fábrica de Chocolates Garoto), Clube dos Boêmios, Posto Policial, Prédio da Alfândega de Vitória, Usina Hidrelétrica e Serviço de Navegação do Rio Santa Maria, em Santa Leopoldina e Casas para funcionários públicos, Vitória. Em 1943, foi nomeado representante do Diretor Geral do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no ES, passando a ser responsável pela preservação e restauração dos monumentos históricos, cargo que exerceu até 1965.
Em 1894, André emprega-se como ajudante do pai, na mesma empresa. Depois da morte do pai, alguns meses depois de febre amarela ele assume a responsabilidade de cuidar da mãe e dos irmãos, trabalhando também como lavador de pratos, garçom e capinador de ruas.
De 1895 a 1896, atuou como ajudante de pintor e decorador italiano Spiridione Astolfoni, no teatro Melpômene. Concluída a decoração do Teatro, Carloni continua trabalhando com Astolfoni, como aprendiz de pintor e decorador em, outras obras contratadas pelo mestre como cartazista e pintor de cenários para essa casa de espetáculos. Em 1900, matricula-se no curso noturno de Leitura, Música e Desenho, mantido pela Maçonaria Monte Líbano, freqüentando por dois anos. Destacou-se como melhor aluno em Desenho, sendo mal sucedido em Música. A partir daí começa a trabalhar por conta própria, executando projetos de construção e reformas, a ensinar Desenho e à elaboração esporádica de desenhos de vistas de ruas e monumentos de Vitória.
Mas a sua 1ª obra mais significativa foi realizada em 1909, transformando o antigo Convento e Igreja do Carmo, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, que passaria a ter características neogóticas. A partir de 1910, trabalha como mestre de construção, em diversas reformas e edificações para o Governo.
Em 1910, matricula-se no Curso de Desenho e Pintura do Instituto de Belas Artes, tornando-se aluno de Carlos Reis. Intensifica a realização de desenhos a bico de pena, cenários e cartazes para o Melpômene e outras casas de espetáculo. Alguns de seus desenhos encontram-se no acervo do Solar Monjardim e da UFES. Em 1925 projeta o Teatro Carlos Gomes, construindo-o em terreno doado pelo Governo do Estado, na Praça Costa Pereira, concluído em 1927.
Na década de 40, Carloni assume os trabalhos de construção da Catedral de Nossa Senhora da Vitória, elaborando também alterações na decoração externa da Igreja, alterando os projetos do escultor russo Waldemir Bogdanoff. Como arquiteto e construtor, reformou, construiu e projetou residências e prédios públicos. Entre suas principais obras são citadas: Santa Casa de Misericórdia, Assembléia Legislativa, Escola Normal Pedro II (reconstrução), fábrica de Sílico Calcário em Vila Velha (hoje fábrica de Chocolates Garoto), Clube dos Boêmios, Posto Policial, Prédio da Alfândega de Vitória, Usina Hidrelétrica e Serviço de Navegação do Rio Santa Maria, em Santa Leopoldina e Casas para funcionários públicos, Vitória. Em 1943, foi nomeado representante do Diretor Geral do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no ES, passando a ser responsável pela preservação e restauração dos monumentos históricos, cargo que exerceu até 1965.
FONTES:
- Carloni, André. Carta, de próprio punho, datada de 21 de março de 1974, endereçada a Maria Stella de Novaes, encontrada no acervo da historiadora, no Arquivo Público Estadual.
- LOPES, A.S. Arte no Espírito Santo, do século XIX a Primeira vida capixaba, Vitória, 701, novembro 1950.
- Vida Capixaba, Vitória, (6): 15,1968.






UM LUXO DE VIDA E DE OBRAS!!!HOMEM QUE INOVOU NOSSA ILHA CAPITAL!!!!!!
ResponderExcluirUm orgulho para nossa família!
ResponderExcluirLinda história!
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