ALFÂNDEGA: UMA RUA ONDE SE APOSTA TUDO NO CENTRO DA CIDADE (VTORIA NOS 60)
Texto:Edemar Lucas do Amaral Foto: Paulo Bonino SERIE : HISTORIAS DE RUA REEDITADA POR: WILLIS DE FARIA O carro sinalizou e dobrou à direita, entrando na rua da Alfândega em velocidade reduzida. O homem magro afastou-se do grupo que se encontrava encostado na parede do Banco da Lavoura e, freneticamente, dardejou um olhar angustiado para os dois últimos números da chapa do veículo. — Zero-zero — gritou alegremente, retornando em disparada para o grupo compacto e enfiando no bolso a nota de 5 mil que alguém lhe botara na mão. No mesmo instante outras notas mudaram de donos, enquanto três personagens, um pouco mais distantes, acompanhavam atentamente a anotação, em papel já riscadíssimo, da chapa do carro que passara. Quem passar pela rua da Alfândega, diariamente, entre 15 e 17 horas, certamente haverá de encontrar um bolinho de gente acompanhando com volúpia a passagem dos veículos. Se alguém pensar que aqueles homens são amantes do automobilismo ou mecânicos em disponibi...