BASTIDORES DA HISTÓRIA POLITICA DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO.
Na política, a honestidade foi e será sempre a arma mais forte para todas as lutas da humanidade que vive e progride.
Por: WILLIS DE FARIA
FOTO: Ex-Jornalista Djalma Juarez Magalhães.
Domingo teremos eleições para 2 cargos para chefe do Poder Executivo a nível Estadual e Federal (Presidente e Governador), e cargos para o Poder Legislativo Estadual e Federal (Senado, Câmara Federal e Assembléia Legislativa).
Estará em jogo o destino econômico, político e social deste Estado e do país. Neste momento político, para reflexões, vale a pena comentar os seus bastidores sobre a eleição para governador ocorrido em 1954, descrita pelo saudoso jornalista Djalma Juarez Magalhães, seu livro de memórias políticas.
Tive o prazer em trabalhar em seu humilde jornal diário "Jornal da Cidade", entre 1976 a 1978, onde eu era colunista esportivo, escrevendo a "Coluna de Pesca", cujo meu salario era pago pelas lojas de equipamentos de pesca, patrocinadoras da referida coluna.
Eu participava de uma das primeiras equipes de pesca de arremesso do estado, participando de competições estaduais e nacionais, e representava as cores do Clube de Regatas Saldanha da Gama, do qual eu era Diretor Social. O "Jornal da Cidade", considerado "jornaleco", pela sua baixa edição, trabalhava duro com suas máquinas impressoras arcaicas, em pequena gráfica editora, situada na Rua do Rosário, no Centro da cidade, colocava com muito sacrifício e diariamente a sua opinião/editorial sobre os bastidores da politica deste Estado.
Este desafio contado por Djalma em seu livro de memórias, me lembra uma frase de pensamento Shakespereano: "Não é digno de saborear o mél, aquele que se afasta da colmeia, com medo das picadelas da abelhas".
Vamos a história:
Estará em jogo o destino econômico, político e social deste Estado e do país. Neste momento político, para reflexões, vale a pena comentar os seus bastidores sobre a eleição para governador ocorrido em 1954, descrita pelo saudoso jornalista Djalma Juarez Magalhães, seu livro de memórias políticas.
Tive o prazer em trabalhar em seu humilde jornal diário "Jornal da Cidade", entre 1976 a 1978, onde eu era colunista esportivo, escrevendo a "Coluna de Pesca", cujo meu salario era pago pelas lojas de equipamentos de pesca, patrocinadoras da referida coluna.
Eu participava de uma das primeiras equipes de pesca de arremesso do estado, participando de competições estaduais e nacionais, e representava as cores do Clube de Regatas Saldanha da Gama, do qual eu era Diretor Social. O "Jornal da Cidade", considerado "jornaleco", pela sua baixa edição, trabalhava duro com suas máquinas impressoras arcaicas, em pequena gráfica editora, situada na Rua do Rosário, no Centro da cidade, colocava com muito sacrifício e diariamente a sua opinião/editorial sobre os bastidores da politica deste Estado.
Este desafio contado por Djalma em seu livro de memórias, me lembra uma frase de pensamento Shakespereano: "Não é digno de saborear o mél, aquele que se afasta da colmeia, com medo das picadelas da abelhas".
Vamos a história:
No inicio de 1954 (janeiro), o Senador Attílio Vivacqua chamou Djalma para conversar reservadamente na biblioteca do Senado numa manhã pouco frequentada. Sentou-se ao seu lado e ele indagou-o diretamente:
- Você acha que me reelejo para novo mandato no pleito desse ano?
- Acho, respondeu Djalma prontamente.
Responde prontamente Atillio:
Responde prontamente Atillio:
- A minha família não acha.
Surpreso, Djalma comentou na seqüência:
- Então a sua família está subestimando os seus méritos e o seu valor.
Atillio ficou em silêncio alguns segundos e depois lhe respondeu:
- Estou velho demais para sofrer uma decepção dessas.
- Os capixabas não o decepcionarão, Doutor Attílio. Tenho certeza - insistiu Djalma.
Ele olhou e satisfeito disse finalmente:
-Vou me candidatar: você vai comigo fazer a campanha?
-Vou - respondeu Djalma prontamente.
Naquele dia, o senador Attílio Vivacqua deu sinal verde à Coligação Democrática no Espírito Santo para lançar sua candidatura à reeleição para o Senado. Djalma ficou depois sabendo que o candidato ao governo seria o Deputado Federal Francisco Lacerda de Aguiar (o Dr.Chiquinho), contra o famosíssimo e imbatível Eurico Salles, do PSD, lançado por Jones dos Santos Neves (que governava o Estado) e Carlos Lindemberg (que era senador).
A política no Espírito Santo naquela época era um verdadeiro "saco de gatos." As agressões ferinas eram constantes, os oposicionistas rotulando Jones de "corrupto" e o senador Lindemberg de "papa terra".
O PSD representava o coronelismo tradicional, que não abria mão do poder e se tornara invencível. Os debates eram acirrados e violentos, muitos crimes acontecendo por causa disso.
Foi nesse ambiente de hostilidades que Djalma chegou com o Dr. Attílio Vivacqua ao Espírito Santo, sendo recebido com ele por seus amigos da Coligação Democrática no aeroporto de Vitória, entre os quais o Dr. Asdrúbal Soares, os Deputados Estaduais Oswaldo Zanelo, José Cupertino Leite de Almeida, Beijamin Silva, Argilano Dario, Floriano Rubim, Isac Rubim, o Deputado Federal Lourival de Almeida e o Deputado Estadual Clovis Stenzel.
Os debates entre os dois grupos políticos ocorridos na Assembléia Legislativa marcaram época, notabilizando Eurico Rezende e Dirceu Cardoso, um da chamada UDN "esparadrapo", porque apoiava o PSD, e outro do partido governista, apelidado de "quebra louças de Muqui".
Políticos de envergadura como Otaviano Santos, Judith Castelo Ribeiro e Jéferson de Aguiar defendiam ferrenhamente Jones dos Santos Neves e Carlos Lindemberg das acusações que a oposição lhes fazia.
Faltava água na grande Vitória e isso favorecia a pregação oposicionista. O porto de Vitória seria um antro de corrupção, com outros setores governistas, com a construção de casas populares no IBES, em Vila Velha, e o transporte coletivo, além de favorecimento de empréstimos em bancos oficiais.
Foi quando o Capitão Joaquim Leite de Almeida proferiu o grito de "Chiquinho vem aí", que galvanizou o Estado, sendo repetido de norte a sul do Espírito Santo. Daí saiu o seu gingle: “Chiquinho vem aí, Chiquinho já ganhou. O povo quer Chiquinho para ser Governador”.
Esta marchinha varreu todo estado, e de boca em boca era cantada e não saia da cabeça das pessoas, que até pelas ruas assobiavam. E ele veio: com sua simpatia, a sua humildade, que conquistaram as camadas pobres e as lideranças do interior cansadas do autoritarismo dos coronéis do PSD.
Aquartelado no jornal "A Tribuna", Djalma teve grande participação na luta contra o PSD, fortalecendo os nomes de Chiquinho para governador e Attílio Vivacqua para senador.
Por causa disso sofreu retaliações e ameaças dos governistas acostumados à covardia dos seus adversários. Não cedeu e foi muitas vezes perseguido em locais públicos, mas consegui escapar incólume.
Acompanhou Attílio e Chiquinho por todo o Estado e convenceu-se de que ambos seriam eleitos. Viajou para o Rio às vésperas da eleição para defender Chiquinho e Attílio de acusações na imprensa nacional através das rádios e dos jornais.
Foi à luta do tostão contra o milhão, que alcançou grandes resultados: Attílio Vivacqua foi reeleito com votação maior dada a Chiquinho, eleito governador.
A política no Espírito Santo naquela época era um verdadeiro "saco de gatos." As agressões ferinas eram constantes, os oposicionistas rotulando Jones de "corrupto" e o senador Lindemberg de "papa terra".
O PSD representava o coronelismo tradicional, que não abria mão do poder e se tornara invencível. Os debates eram acirrados e violentos, muitos crimes acontecendo por causa disso.
Foi nesse ambiente de hostilidades que Djalma chegou com o Dr. Attílio Vivacqua ao Espírito Santo, sendo recebido com ele por seus amigos da Coligação Democrática no aeroporto de Vitória, entre os quais o Dr. Asdrúbal Soares, os Deputados Estaduais Oswaldo Zanelo, José Cupertino Leite de Almeida, Beijamin Silva, Argilano Dario, Floriano Rubim, Isac Rubim, o Deputado Federal Lourival de Almeida e o Deputado Estadual Clovis Stenzel.
Os debates entre os dois grupos políticos ocorridos na Assembléia Legislativa marcaram época, notabilizando Eurico Rezende e Dirceu Cardoso, um da chamada UDN "esparadrapo", porque apoiava o PSD, e outro do partido governista, apelidado de "quebra louças de Muqui".
Políticos de envergadura como Otaviano Santos, Judith Castelo Ribeiro e Jéferson de Aguiar defendiam ferrenhamente Jones dos Santos Neves e Carlos Lindemberg das acusações que a oposição lhes fazia.
Faltava água na grande Vitória e isso favorecia a pregação oposicionista. O porto de Vitória seria um antro de corrupção, com outros setores governistas, com a construção de casas populares no IBES, em Vila Velha, e o transporte coletivo, além de favorecimento de empréstimos em bancos oficiais.
Foi quando o Capitão Joaquim Leite de Almeida proferiu o grito de "Chiquinho vem aí", que galvanizou o Estado, sendo repetido de norte a sul do Espírito Santo. Daí saiu o seu gingle: “Chiquinho vem aí, Chiquinho já ganhou. O povo quer Chiquinho para ser Governador”.
Esta marchinha varreu todo estado, e de boca em boca era cantada e não saia da cabeça das pessoas, que até pelas ruas assobiavam. E ele veio: com sua simpatia, a sua humildade, que conquistaram as camadas pobres e as lideranças do interior cansadas do autoritarismo dos coronéis do PSD.
Aquartelado no jornal "A Tribuna", Djalma teve grande participação na luta contra o PSD, fortalecendo os nomes de Chiquinho para governador e Attílio Vivacqua para senador.
Por causa disso sofreu retaliações e ameaças dos governistas acostumados à covardia dos seus adversários. Não cedeu e foi muitas vezes perseguido em locais públicos, mas consegui escapar incólume.
Acompanhou Attílio e Chiquinho por todo o Estado e convenceu-se de que ambos seriam eleitos. Viajou para o Rio às vésperas da eleição para defender Chiquinho e Attílio de acusações na imprensa nacional através das rádios e dos jornais.
Foi à luta do tostão contra o milhão, que alcançou grandes resultados: Attílio Vivacqua foi reeleito com votação maior dada a Chiquinho, eleito governador.
Governador Francisco Lacerda de Aguiar.
Ficou provado que "a honestidade foi e será sempre a arma mais forte para todas as lutas da Humanidade que vive e progride".
Attílio Vivacqua e Chiquinho provaram que as pessoas que vencem nesse mundo "são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não as encontram, as criam".
São histórias que servem de exemplo na pratica política deste Estado. Chiquinho tomou posse em 31/01/1955, e governou com humildade e seriedade, sem perseguição aos adversários políticos.
Voltou ao poder em 31/01/1963, sendo reeleito democraticamente, e governando durante o período da ditadura militar.
Attílio Vivacqua e Chiquinho provaram que as pessoas que vencem nesse mundo "são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não as encontram, as criam".
São histórias que servem de exemplo na pratica política deste Estado. Chiquinho tomou posse em 31/01/1955, e governou com humildade e seriedade, sem perseguição aos adversários políticos.
Voltou ao poder em 31/01/1963, sendo reeleito democraticamente, e governando durante o período da ditadura militar.

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