CARLOS ZÉFIRO – UM CARTUNISTA ANÔNIMO E MALDITO
ESPECIAL:
Destino este espaço a fazer
uma breve retrospectiva sobre a geração mimeografo. Vamos falar um pouco dos
nossos sonhos eróticos (na época era sacanagem escondida) devido a pouca
informação em relação ao sexo. Tudo era tabu, proibido. Mas eis que existia um homem
responsável por iluminar o imaginário libidinoso do contido e conservador
Brasil das décadas de 50 a 70. Um artista de desenhos toscos e sem muita
técnica que durante anos a fio foi tachado de pornográfico, e se manteve na
clandestinidade até os setenta anos, quando sua identidade foi finalmente
revelada.
Esta revistinha que tinha
como autor historiador e desenhista era CARLOS
ZÉFIRO (pseudômino), e chamava-se CATECISMO,
e eram vendidos clandestinamente em locais tais como, barbearias e bancas de
jornal e dali contrabandeados para os colégios A primeira
denominação era mais comum em São Paulo, e supostamente remete à semelhança de
formato entre as revistinhas e os livros de instrução religiosa conhecida por
este nome.
Aqui em Vitória, era uma
raridade, só conseguia ser visto em grupos formados de adolescentes,
principalmente nos recantos dos pátios das escolas. Formavam-se aqueles
grupinhos, onde todos tinham olhares desconfiados devido à proibição na época.
Tive acesso ao “catecismo” do Zéfiro,
no pátio do Colégio Estadual na década de 60. Desenhos bem feitos, traço firme,
e muita história picante. Havia algumas revistinhas genéricas, mas de traços
mal feitos, e incomparáveis ao do Zéfiro.
O formato fino das
revistinhas facilitava a ocultação, sendo escondidos em livros, cadernos e
principalmente em outras revistas que eram compradas exclusivamente com este
propósito, para a felicidade dos jornaleiros que sempre lucravam em dobro.
Como desenhista, Zéfiro não era exatamente o que
poderíamos chamar de refinado. Suas figuras humanas eram todas decalcadas na
cara dura de fotografias eróticas ou de personagens de quadrinhos “normais” que
Zéfiro despia, modificava os rostos e adaptava para seus gibis.
De tanto não ter estilo, acabou adquirindo um “anti-estilo” próprio e marcante. Tão marcante que virou escola, fazendo surgir inúmeros clones que passaram a copiá-lo. Sua genialidade o fez passar rapidamente de copiador para copiado. Era o traço do traço, vejam só!
Durante quase toda a década
de 60 essa era praticamente a única literatura erótico-pornográfica disponível,
já que ainda não havia revistas de mulher nua (a não ser a Playboy americana
importada) nem vídeos-pornô. A decadência dos catecismos ocorreu porque
começaram a aparecer revistas de fotonovelas suecas e dinamarquesas coloridas e
o interesse do público se desviou.
As histórias de Carlos
Zéfiro, na maioria das vezes, apresentavam mulheres e homens gostosos, fogosos
e viris. De vez em quando aparecia um jumento aqui, um corcunda ali, mas estes
eram exceção à regra. Curiosamente, sua historinha mais vendida, a hilária aventura de João Cavalo, trazia como
protagonista um nordestino atarracado e feioso que, digamos, possuía um dote
peculiar que compensava sua falta de beleza e justificava tal denominação.
As revistinhas de Carlos Zéfiro eram um sucesso entre os
adolescentes cheios de espinhas e excitação, encontrando público também entre
os homens de outras faixas etárias. E coitado de quem desse mole de ser
flagrado portando uma dessas obscenidades por aí: consideradas como uma total
imoralidade pelas tradicionais famílias católicas da época, os catecismos
também sofriam a fúria impiedosas das feministas que se consideravam reduzidas
à condição de reles prostitutas em suas histórias.
De fato, vendido de modo
clandestino, produzido de forma artesanal, desenhado com técnicas bisonhas e
relatando histórias que tinham (e ainda têm) um enorme apelo erótico, os
livrinhos de Zéfiro faziam a ponte perfeita entre as conversas na roda de
amigos e aquilo que se suspeitava que ocorressem nas alcovas.
Quer dizer: os livros de
sacanagem apresentavam um pouco essa possibilidade de ter o sexo e a
sexualidade como algo destacado e individualizado, alguma coisa que poderia ser
vista quando se desejava e que era guardada numa gaveta e não na igreja,
prostíbulo ou quarto de dormir como era o caso do sexo da vida real. Neste
sentido, é também claro que parte do sucesso desta literatura estava
precisamente no seu desenho igualmente ambíguo que, aliado a uma reprodução
gráfica deficiente, criava uma impressão estranha, exótica.
Uma impressão, enfim, de
desfamiliarização que era precisamente o máximo que esse gênero de narrativa
poderia esperar. A rigor, a única diferença entre uma história de Zéfiro e uma
fotonovela é que na dele os personagens consumam aquilo que apenas passa pela
cabeça dos protagonistas das fotonovelas.
Zéfiro, no mínimo, é menos hipócrita.
As feministas, não
sem-razão, poderão objetar que quase todas as suas histórias são narradas do
ponto de vista masculino e nelas a mulher não passa de um objeto de prazer.
Quanto ao feitixismo
sexual, nos quadrinho de Zéfiro
homens e mulheres são iguais perante Eros. Mesmo quando o ponto de partida é
uma chantagem e a mulher desponta como vítima, a chantageada acaba extraindo os
seus dividendos.
Ao contrário: se nas
fotonovelas o mocinho costuma ser um Adônis e a mocinha uma ninfa, nas “love
stories” sem-vergonha de Zéfiro, o herói, além de bonitão, é sexualmente
bem-dotado, e a heroína, além de bela, possui um corpo escultural, com destaque
especial para a fixação nacional número um: bundas.
Os vilões de Zéfiro não apelam para a violência,
apenas brocham. Os que fornicam, experimentam de tudo: barba, cabelo, bigode,
sobrancelha e costeleta.
Essa ausência de estilo
pode causar, à primeira vista, a impressão de que Zéfiro não seria o alter ego
de apenas um artista anônimo, mas sim um pseudônimo coletivo adotado por uma
equipe heterogênea. Muitos quadrinhófilos insistiram nessa teoria, alegando que
seria impossível que os desenhos contidos em duas revistas distintas atribuídas
a Zéfiro fossem obra da mesma mão. Na verdade, essa discrepância se fazia
presente mesmo em desenhos de uma mesma revista. A explicação é muito simples.
Zéfiro
era realmente o mesmo autor em todos os trabalhos que levaram sua marca ou o
seu estilo narrativo. Apenas as fontes de onde os desenhos haviam sido copiados
é que eram bem distintas.
Praticamente todos os
desenhos de Zéfiro foram chupados de algum lugar, seja de fotonovelas, das próprias
fotos pornográficas que teria mandado fazer, de revistas em quadrinhos da linha
erótico-mexicana da Ediex, ou até mesmo de outras revistas de sacanagem. A
utilização do papel vegetal era feita não só para economizar os fotolitos, como
também para facilitar as cópias dos desenhos.
Nesse ambiente onde a
repressão era tão benfeita e articulada que conseguia até fazer de conta que o
objeto reprimido não existia, não havia o menor espaço para a crueza de Carlos Zéfiro.
Os ardores e os desmaios
das heroínas de M. Delly eram apenas isso: ardores e desmaios. Nas fotonovelas
água com açúcar, o que havia por trás dos beijos inocentes era simplesmente
inimaginável. Mesmo para imaginar é preciso saber o que imaginar. E a
ignorância das menininhas católicas apostólicas romanas dos anos 50 era
abismal: por trás da água com açúcar, é claro que a imaginação voava... mas era
atrás de mais água e mais açúcar.
Nesse mundo suave, tão
cheio de desmaios e ardores inexplicáveis, Carlos Zéfiro não existiu. A não ser
para as meninas garimpeiras que descobriam insuspeitados tesouros debaixo dos
colchões dos irmãos.
E que tiveram assim a sorte
de descobrir também que: a) o sexo existe! b) além de existir, é grande! c)
além de existir e ser grande, é bom demais! E uma coisa é certa, em qualquer
arte, ciência, ou na vida, depois de algumas descobertas, não há mais quem
possa segurar o voo.
Da perplexidade causada, na
meninice, pelas revelações de Carlos Zéfiro, até a chegada de 68, com o seu
clássico slogan “é proibido proibir”, algumas menininhas foram em frente. Terá
tido Carlos Zéfiro algum papel nisso ou não? Possivelmente sim. E positivo.
Pois o fato é que hoje,
depois desses anos 60, onde a prática mais livre da sexualidade foi
redescoberta como parte fundamental de qualquer vida humana, é curioso rever
essas revistinhas e perceber como, na prática, Carlos Zéfiro foi um autêntico
precursor do feminismo, no que o feminismo tem de bom.
Pois não é que, já nos anos
50, o desenhista não se acanhava de mostrar que as mulheres têm prazer, sabe
tomar iniciativa, salvo raras exceções, o moralismo passa longe dessas
histórias, e, de um jeito ou de outro, a mulher sempre reveste de paixão o ato
sexual.
O certo é que depois dele,
o quadrinho erótico nacional nunca mais seria o mesmo. Zéfiro trouxe o conteúdo
que faltava aos catecismos. Seu texto era interessante, rico em detalhes e,
sobretudo, realmente excitante. Se, com os outros autores você descabelava o
palhaço alegremente, com Zéfiro o circo armado pegava fogo. Era orgasmo
garantido ou seu dinheiro de volta. O maior trunfo de Zéfiro era saber criar um
enredo com a cara do Brasil.
Nas suas histórias não
faltavam as fantasias e situações típicas do brasileiro, como o sujeito que
transa com a mãe e a filha ao mesmo tempo, o que casa e depois traça a cunhada,
o caminhoneiro que transa na boleia, o patrão que carca a empregada, farras
homéricas em puteiros, o caipira ingênuo que traça a universitária classuda,
homem com homem, mulher com mulher, surubas e, principalmente, muitos cornos
alegres e saudáveis pra todo mundo se divertir.
Tudo descaradamente brega,
mas muito gostoso e desencanado. O mais interessante era ver essas diatribes
eróticas distribuídas num festival de posições sexuais capaz de aposentar o Kama
Sutra. E naturalmente em suas HQs nunca faltava aquele que, na época, já era a
preferência nacional.
Olhando hoje, depois da
liberdade sexual vivenciada nas últimas décadas, Zéfiro pode parecer água com
açúcar, mas não é. Nos anos 60, em plena ditadura militar, Zéfiro desafiava a
repressão espalhando clandestinamente pelo território brasileiro suas
revistinhas deliciosamente explícitas tais quais minas eróticas, prontas para
explodir o moralismo verde-oliva da ditadura militar.
Era um verdadeiro guerrilheiro
erótico invisível, chutando o balde do conservadorismo e fazendo o brasileiro
gozar de norte a sul do país. Zéfiro retratava um sexo livre e sem culpa e era
quase um herói nacional da rapaziada. E ao mesmo tempo completamente
desconhecido.
Ninguém sabia quem ele era,
onde morava E de onde vinha. Um mistério total. Uma lenda viva semelhante ao
Fantasma-que-anda dos pigmeus Bandar.
Seu completo anonimato o
permitia fazer qualquer trambicagem para montar sua história. Zéfiro seria um
perfeito picareta se não tivesse um texto brilhante e conseguisse transformar
aqueles “trechos” de outras obras em uma nova e original obra.
Antes mesmo de inventarem o
“traço”, Zéfiro já traçava a torto e
a direito. Muitas vezes ele usava a mesma cena em vários catecismos diferentes.
Bastava mudar a cor do
cabelo da mulher ou pôr um bigode no homem e pronto, já era outro casal numa
outra história!
Apesar das gambiarras e da
anatomia capenga, no entanto, seus desenhos possuíam um charme particular.
De tanto não ter estilo, acabou adquirindo um “anti-estilo” próprio e marcante. Tão marcante que virou escola, fazendo surgir inúmeros clones que passaram a copiá-lo. Sua genialidade o fez passar rapidamente de copiador para copiado. Era o traço do traço, vejam só!
Houve até quem tentasse se
fazer passar por ele, mas isso só servia para aumentar ainda mais as dúvidas
sobre sua verdadeira identidade.
IMITAÇÕES DOS CATECISMOS DE CARLOS ZÉFIRO
Zéfiro
era tão mítico que chegou a virar sinônimo de seu produto. O leitor ia à banca
e não pedia um catecismo, pedia um “Zéfiro”.
Zéfiro
produziu mais de 800 catecismos entre o final dos anos 1950 e início dos 1970.
Na década de 1980, já com o fim da censura, seus trabalhos antigos continuaram
a ser reimpressos por diversas editoras. Livros, artigos e até teses de
mestrado foram escritos a seu respeito, porém nunca mais aparecerem novos
trabalhos dele.
Teria Zéfiro morrido? A resposta só chegaria em novembro de 1991.
Em uma antológica matéria
para a revista Playboy, o professor e especialista em HQ Moacy Cirne, depois de
muitas investigações, revelava finalmente ao Brasil a identidade secreta do
mitológico desenhista: seu nome era Alcides Caminha.
Um ilustre desconhecido?
Nem tanto. Como se não bastasse ser o homem que registrou de forma brilhante e
criativa a sexualidade do povo brasileiro por três décadas, Caminha também era
um compositor de mão cheia.
Foi parceiro de Nélson
Cavaquinho em canções como “Notícia” (1954), gravada pelo sambista Roberto
Silva, “Capital do Samba” (1956) e “A Flor e o Espinho” (1956), gravada por
Elizeth Cardoso, que tem o mais belo apelo poético da MPB: “Tire o seu sorriso
do caminho, que eu quero passar com a minha dor”.
Boêmio convicto, este
carioca dividiu parte de sua vida com os amigos músicos e com muitas mulheres.
Amava tanto o sexo que se tornou um dos seus mais originais e inventivos
cronistas.
Funcionário público
produziu sua obra erótica sem o conhecimento dos colegas do trabalho até se
aposentar, e por mais de trinta anos escondeu-se da mídia, temendo ser demitido
ou perder a minguada aposentadoria caso fosse “descoberto”.
A
IDENTIDADE DO MISTERIOSO CARLOS ZÉFIRO É DESVENDADA.
QUEM FOI CARLOS ZÉFIRO?
No final dos anos 1950 e durante
praticamente toda a década de 1960 circularam clandestinamente, por todo o
Brasil, os chamados catecismos, pequenas revistas de 32 páginas em
formato aproximado 10x14cm que contavam histórias de sacanagem (obs.: chegaram
a experimentar o formato 14x21 mas houve pouquíssimas edições nesse formato). O
principal autor desse gênero, e também o melhor, assinava como Carlos Zéfiro
e durante mais de trinta anos sua identidade foi mantida em mais absoluto
segredo.
Inspirados nos notórios Tijuana
Bibles publicados nos EUA nas décadas de 30 e 40, esses gibis quase artesanais
eram distribuídos através de uma ampla rede clandestina que cobria todo o país
e fizeram enorme sucesso. Qualquer pessoa que tenha na faixa dos 50 anos se
lembra deles. O nome Carlos
Zéfiro foi tirado de um autor mexicano de fotonovelas.
Naqueles
tempos, não havia revistas eróticas vendidas livremente como hoje. Todas eram
clandestinas. Elas eram vendidas por baixo do pano, de mão em mão e também nas
bancas normais, só que às escondidas. Para comprar os catecismos era necessário
ser da confiança do jornaleiro.
Carlos
Zéfiro é o pseudônimo
do funcionário público brasileiro Alcides
Aguiar Caminha (Rio de Janeiro, 25 de
setembro de 1921
- Rio de Janeiro, 5 de julho de 1992) com o qual ilustrou e publicou, durante as décadas de 50
a 70, histórias em quadrinhos de cunho erótico
que ficaram conhecidas por "catecismos".
O
carioca boêmio ilustrou e vendeu cerca de 500 trabalhos desenhados em preto
e branco com tamanho de 1/4 de folha ofício (chegou a publicar num
outro formato, 14 x 21 cm), um quadro por página contendo de
24 a 32 páginas que eram vendidos dissimuladamente em bancas
de jornal, devido ao seu conteúdo porno-erótico, ficando conhecidos como
"catecismos" e chegaram a tiragens de 30.000 exemplares.
Os
"catecismos" eram desenhados diretamente sobre papel
vegetal, eliminando assim a necessidade do fotolito, e
impresso em diferentes gráficas em diferentes estados da Federação, gerando,
inclusive, diversos imitadores. Em 1970, durante a ditadura militar, foi realizada em Brasília
uma investigação para descobrir o autor daquelas obras pornográficas. Chegou-se
a prender por três dias o editor Hélio Brandão, amigo do artista, mas a
investigação terminou inconclusa.
Seus
quadrinhos eram inspirados em quadrinhos românticos mexicanos
publicados pela editora Editormex (cujas histórias possuíam apenas dois quadros
por página) e em fotonovelas pornográficas de origem sueca.
O homem
que se escondeu durante trinta anos por trás do pseudônimo de Carlos Zéfiro era
Alcides Aguiar Caminha. Alcides era funcionário público (e compositor
nas horas vagas, sendo co-autor de A Flor e o Espinho, de parceria com
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito). Ele desenhava os catecismos como
umbiscate para complementar o orçamento. A coisa começou meio de brincadeira.
Estimulado pelo amigo Hélio Brandão (também já falecido), dono de um sebo na Praça
Tiradentes (rio de Janeiro), Alcides produziu os primeiros catecismos,
possivelmente no final dos anos 50 (como não há registros, é muito difícil
precisar a data correta). Hélio se encarregava de providenciar a impressão e
distribuição clandestinas dos catecismos, que chegaram a te mais de 2 mil
edições diferentes (sendo cerca de 800 produzidas por Carlos Zéfiro). Outro
autor que se destacou nesse período assinava Chang, mas não era tão conhecido,
mas nem é mais lembrado. Muitos desenhistas de quadrinhos profissionais também
disfarçaram seus traços e produziram catecismos, publicados no mesmo esquema
por outras "editoras" clandestinas.
Os melhores eram os produzidos por Carlos Zéfiro que, apesar das deficiências
do traço, escrevi as melhores histórias. A história de um catecismo padrão realmente
começava, nas primeiras páginas, o personagem conhecendo uma moça, seduzindo-a
mais ou menos até a página 15, e daí até a página 32 era sacanagem pura.
O curioso
é que Zéfiro não era desenhista, mas sabia manipular os materiais de desenho, e
era capaz de fazer uma história de quadrinhos decalcando, em papel vegetal ,
posições de revistas de fotonovelas e de revistas publicadas pela Editormex
(onde baseou o seu estilo) e fotos eróticas fornecidas por Hélio. Por isso, a
irregularidade entre os desenhos de uma mesma história é muito grande, pois
quando não havia referências para decalcar os desenhos ficavam toscos. Ainda assim,
comunicavam muito e eram uma verdadeira febre entre adolescentes e adultos
daquela época.
Outro motivo era a paranoia
gerada pela ditadura militar brasileira, então no seu auge. Hélio Brandão (dono
do sebo do centro Rio de Janeiro, livreiro que vendia os “catecismos” e manteve
pacto de sangue de jamais revelar a verdadeira identidade de Zéfiro) chegou a
ser preso em meados da década de 70 (durante a Copa do Mundo) e passou alguns
dias na cadeia, mas nunca entregou a verdadeira identidade de Zéfiro. Depois
disso, resolveu parar com a editora clandestina, pois estava tendo mais dor de
cabeça do que qualquer outra coisa. As vendas tinham caído, era difícil
arranjar os esquemas de impressão e distribuição devido à vigilância e paranoia
que se intensificavam, e simplesmente pararam.
Mesmo assim, os catecismos
sobreviveram, em menor escala, pois reimpressões piratas continuaram a ser
feitas por pessoas que tinham as edições originais e dava um jeito de
reproduzi-las. Até a década de 80 (já quando houve a abertura política) era
possível se conseguir comprar as reedições piratas em feiras populares.
Na década de 80 o Ota já
tinha publicado o completo livro O
Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, no qual o cartunista (famoso por seu
trabalho na revista MAD e possuidor de cerca de 200 catecismos de Zéfiro)
analisa vários aspectos da obra (e mostra algumas histórias completas). E o
disco Barulhinho
Bom, da cantora Marisa Monte, era todo ilustrado com cenas de histórias do
Zéfiro, isso já mais perto do final dos anos 90. Ou seja, a influência perdurou.
Além do livro escrito por
Ota, outros livros similares foram publicados (compilando histórias de Zefiro e seus congêneres) entre fins de
1983 e 1985 pela Editora Marco Zero, sob a coordenação do colecionador Joaquim
Marinho, bem como uma revista Zéfiro que durou uma única edição, lançada pela
Codecri. Essa revista publicou, através de um acordo com
"representantes" de Zéfiro, uma história supostamente inédita que
tinha sobrado quando a editora clandestina foi fechada. Mas mesmo nessa época
(início de 1984) a identidade de Zéfiro não foi revelada.
Inicialmente publicado de
forma independente (e sendo constantemente pirateado), a partir da década de
1980, os quadrinhos de Zéfiro passaram a ter reimpressões pelas editoras
Maciota, Record (revistas editadas por Ota), Marco Zero, Nos anos 2000, A
editora Cena Muda publicou o primeiro quadrinho erótico de Zéfiro,
Sara, criado em 1949 no formato 16 x 23 cm, segundo a
editora Adda Di Guimarães, a revista é maior que os catecismo, já que a versão
original foi publicada em formatinho.
POR
QUE ELE DIVULGOU A SUA IDENTIDADE APÓS 40 ANOS DE ANÔNIMATO?
-
UM CASO INTERESSANTE.
O
mistério sobre a identidade de Zéfiro durou 40 anos, pois o segredo foi
muito bem guardado. O medo maior de Alcides era que, se fosse descoberto,
poderia ser demitido por justa causa do serviço público. Somente em 1991 ele
topou revelar sua identidade, e mesmo assim por uma circunstância estranha.
Sabendo que outro colega seu, o desenhista Eduardo Barbosa, estava dando uma
entrevista para a revista Playboy se dizendo o verdadeiro Zéfiro, Alcides
decidiu "se entregar" e desmascarar a farsa. Na realidade, Eduardo
Barbosa desenhou vários catecismos, mas ele não era Zéfiro.
O
enigma da identidade real de Zéfiro é desvendado por meio de uma reportagem
investigativa do então editor da revista Playboy, Juca Kfouri, publicada em
1991 na mesma revista masculina, ao ligar a personalidade do artista ao carioca
Alcides Caminha, morador da Zona Norte do Rio, considerado um pacato
funcionário do Ministério do Trabalho e pai de cinco filhos.
Casado
desde os 25 anos com Dona Serat, Alcides Caminha trabalhou no setor de
Imigração do Ministério do Trabalho e sempre escondeu a dupla identidade por
medo de perder a aposentadoria – havia uma lei que condenava as chamadas
“condutas escandalosas” dos servidores públicos.
Essa revelação coincidiu com a I Bienal de
Quadrinhos, em novembro de 1991, quando foi realizada uma homenagem a Alcides e
sua identidade veio a público. Nesse pouco tempo de vida que lhe restava,
Alcides teve a justa homenagem e reconhecimento por seu trabalho.
Alcides
morreu em 3 de julho de 1992, de derrame, um dia após de ter sido homenageado
com banda de música e tudo numa solenidade onde recebeu um troféu HQ-MIX.
Carlos
Zéfiro nunca foi esquecido e volta e meia seu nome vem à tona.
Uma lona cultural em Anchieta (subúrbio do Rio de Janeiro/RJ) tem o seu nome, e
a cantora Marisa Monte, em seu CD Barulhinho Bom, usou desenhos de Zéfiro para
ilustrar a capa e o folder do CD e já foi enredo de escola de samba e virou
point cultural no Rio de Janeiro.
Recentemente as histórias
de Zéfiro têm sido reeditadas em edições fac-similares no mesmo formato
original.
Na
Internet é possível se encontrar muitas histórias de Zéfiro compiladas no site www.carloszefiro.com,
mantido sem fins lucrativos por um fã. O livro o Quadrinho Erótico de Carlos
Zéfiro, de Otacílio d' Assunção, está sendo disponibilizado em formato PDF, com
autorização do autor.
Agora você pode matar as
saudades ou travar contato inicial com sua obra por meio das reimpressões de
seus catecismos que o sebo carioca A Cena Muda está colocando à venda pelo seu
site.
Também vale muito a pena
procurar por três livros que registraram e analisaram a obra zefiriana com
muita competência: O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, de Otacílio D’Assunção
Barros, editora Record, e A Arte Sacana de Carlos Zéfiro e Os Alunos Sacanas de
Carlos Zéfiro, ambos de Joaquim Marinho, pela editora Marco Zero.
Hoje há uma infinidade de
sacanagem, de todos os tipos, para todos os gostos, disponível nas bancas de
jornal e na internet.
Finalmente, pensaram que iam deixar vocês de água na boca? Ledo engano.
Mas se você tem mais de 18 anos, poderá acessar as obras de CARLOS ZEFIRO em PDF, no seguinte link, e boa leitura:
Mas se você tem mais de 18 anos, poderá acessar as obras de CARLOS ZEFIRO em PDF, no seguinte link, e boa leitura:
CARLOS
ZÉFIRO É ENTREVISTA AO PROGRAMA DE JÓ SOARES, DEZEMBRO DE 1991, ONDE CONTA TODA
SUA HISTÓRIA (SBT).
Dóris Para Maiores - Abertura (com créditos) e matéria Carlos Zéfiro
-
Curta metragem com Paulo Betti, que procura retratar os últimos dias (antes de
ser descoberta a sua identidade) de Carlos Zéfiro, após parar de publicar os
seus catecismos.
Títulos de histórias em quadrinhos
- Acerto | Alba | Alice | Aline | Amigos | Amor | Amor à Três | Andréa | Ângela, a Professora | Anjo Mau | Asa Sul | Assaltante, O | Atleta
- Bacana | Bailarina | Benta | Biruta | Boas Entradas | Bom Começo
- Carlos e Leda | Carnaval | Carnaval 1 | Carnaval 2 | Carona 1 | Carona 2 | Castigo, O | Célia | Celita | Cientista, O | Cínia | Clara 1 | Condessa, A | Conselheiro, O | Conselhos Quadrados | Copacabana 1967 | Criada, A | Cura, A
- Decisão | Degraus da Vida | Desastre 1, O | Desastre 2, O | Desforra, A | Despedida | Destino 1 | Destino 2 | Desvario | Diana, a Sacerdotisa | Difícil, A | Dilza | Divórcio 1 | Divórcio 2 | Domada pelo Sexo 1 | Domada pelo Sexo 2
- Edy | Encontro, O | Entrevistador, O | Escolhida, A | Estupro | Eu e Leda 1 | Eu e Leda 2 | Eu e o Coroa | Eu Fui Hipie 1 | Eu Fui Hipie 2 | Eu Fui Hipie 3 | Eu Fui Hipie 4
- Família | Farsa | Faxina | Férias de Amor 1 | Férias de Amor 2 | Filho do Diabo, O | Fim de Trauma | Flora | Formatura | Frutos Proibidos | Fugitivo, O
- Garçonete | Gata | Gilka | Golpe do Baú 1 | Golpe do Baú 2 | Golpe do Baú 3
- Helen | Hélia | Hotel dos Prazeres
- Índia, A | Irene | Íris | Irmã da Índia, A | Ivete
- Janaina | João Cavalo (este foi seu maior sucesso) | João Cavalo na Fazenda | Júlia | Julinha
- Kátia
- Lagarto, O | Laura | Lealdade | Leda | Lia | Lili | Lua de Mel 1 | Lua de Mel 2
- Mara e o Pintor | Margô | Maria, a Proibida | Maria Lúcia, a Capixaba | Marina | Mauro 1 | Mauro 2 | Medo | Mestra, A | Meu Primo 1 | Meu Primo 2 | Minha Vida no Convento | Modelo
- Nayá | Néa, a Aeromoça | Negra | Negrinha, A | Nélia | Nilda | Nilza | Nora | No Reiro | Noviço, O
- Odaléa
- Parafuso e a Mulher Biônica | Parceira | Passeio | Pato, O | Pecadora | Pensão | Pinicada, A | Pinta, A | Prefeita | Promoção | Proteção | Pudor | Pupila 1, A | Pupila 2, A | Putas Também Gozam, As
- Quem é o Pai?
- Resgate, O | Reveillon | Robinson Crusoé Século XX | Robinson Moderno
- Safari | Seca | Semi-Virgem | Senhoria | Sítio, O | Strip-Tease | Suzete
- Tânia | Tarada | Tarzan | Tentação | Titia | Titio | Trem de Luxo 1 | Trem de Luxo 2 | Troco, O | Tuca
- Último Estalo, O
- Vedete | Vera | Viagem | Vida Amorosa de Dorian Gray | Vida, Paixão e Morte de um Sofá | Vingança, A | Viúva 1 | Viúva 2 | Viúvo Alegre | Vizinha, A
- Xexéu
- Zelma 1 | Zelma 2
PESQUISA:
- Origem: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
- Vários artigos na
internet.
- Blog Simão Pessoa


















Prezado, onde posso baixar o PDF desse livro que você cita que é gratuito, o Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, de Otacílio d' Assunção?
ResponderExcluirLembro me na infância era safadeza que saudades esconde e esconde excitante!
ResponderExcluirExcelente matéria... Tenho ainda comigo,uns oitos exemplares originais desse Mestre do prazer...
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