CIRCULANDO PELO CENTRO DE VITÓRIA NOS ANOS 60
Por: WILLIS DE FARIA (Crônicas de uma cidade)
Vitória,
em 2017, esta completando 466 anos dia 08 de setembro. Se olharmos sua
história, arquitetônica, ela se divide em duas partes. Vitória colonial e
Vitória republicana.
A partir de 1890, quando da edição do Código de Posturas da Intendência Municipal de Vitória, seu destino estava traçado, pois possuía dentre os objetivos listados o esgotamento de pântanos e águas estagnadas, aterros, tapamento de terrenos abertos e valas e canalização das águas. A cidade começou a modernizar-se. As transformação deu ares de cidade a Vitória.
A partir de 1890, quando da edição do Código de Posturas da Intendência Municipal de Vitória, seu destino estava traçado, pois possuía dentre os objetivos listados o esgotamento de pântanos e águas estagnadas, aterros, tapamento de terrenos abertos e valas e canalização das águas. A cidade começou a modernizar-se. As transformação deu ares de cidade a Vitória.
Minha partida é o mais tradicional bairro da
capital, conhecida como a “nação” pelas suas peculiares únicas. Digo
Jucutuquara. Parto precisamente do final da linha de bonde, onde eu resido com
minha família. Tenho 16 anos, e estou em plena juventude.
É
precisamente o ano de 1965 e embarco no bonde Jucutuquara-Vila Rubim, e assim
vou ao balanço do bonde, junto com os passageiros do bairro, e todos com o vento tocando na face e agitando os cabelo de todos.
As águas do córrego Fradinhos acompanha o traçado da linha do bonde no lado direito de quem chega ao bairro, na Avenida Paulino Mulller até o Cruzamento, na Avenida Vitória.
As águas do córrego Fradinhos acompanha o traçado da linha do bonde no lado direito de quem chega ao bairro, na Avenida Paulino Mulller até o Cruzamento, na Avenida Vitória.
Desembarcamos na Praça Costa Pereira, e temos
a nossa visão voltada para os seguintes imóveis: Primeiro o imponente Teatro
Carlos Gomes, e mais abaixo o Teatro Glória.
A
minha esquerda entro na Galeria do Palácio do Café, mas tendo ao lado o
edifício Alvares Cabral, com a sede social do Clube, tendo no térreo a Ótica
Itapemirim (do Sr Juarez Paiva Britto), Milady Modas (de Dona Mariazinha Cabas
Dinelli), Salão Garcia (do Jorcel Garcia - encontro da aristocracia da cidade),
a Elmo Calçados e depois em um casarão antigo as Lojas Cannes.
Acima da galeria
que liga a Praça Costa Pereira a Avenida Capixaba, estão os escritórios do
Palácio do Café, ou seja, os exportadores do nosso café.
Próximo
da Rua Barão de Itapemirim, logo na esquina está à loja de brinquedos “A
Mascote” (do Sr. Rui Barbosa Menezes), e seguindo adiante, esta uma parada
obrigatória para o lanche, a Lanchonete “Cipó”, e bom seria deliciando-se com
uma “banana split”.
Voltamos
a caminhar pela calçada, e temos nela duas lojas de móveis do “Gê Santos” (do
Sr. Guilherme Santo) e o “Dragão dos Móveis” (do Sr. Ovídio Alves de Souza).
Do outro lado da rua logo contemplamos a loja de eletrônica do “Strausch”, a única especializada em eletrônicos na capital.
Do outro lado da rua logo contemplamos a loja de eletrônica do “Strausch”, a única especializada em eletrônicos na capital.
Seguimos
pela calçada da Jerônimo Monteiro (mas chamava-se Avenida Capixaba), chegamos à
sua esquina em frente ao cine Glória, e entramos no “Bar e Sorveteria Pinguim”,
com suas mesas redondas, de pés de ferro com tampa de mármore branco Carrara.
Que tal uma cerveja gelada Antarctica Pilsen Extra. Cai bem!
Logo
depois víamos o acesso ao “beco” da Cooperativa dos Ferroviários da CVRD.
Sujo e ermo como sempre. Saltando para o outro lado da rua vemos o prédio do
Cine Gloria, e nas laterais, duas lojas: uma bomboniere, e uma charutaria, onde
compramos o nosso cigarro, um Pall Mal flip-top.
Voltamos
a Praça Costa Pereira, e junto a escadaria São Diogo, temos o Mercadinho do
Balbi, que atendia com louvor a
população da cidade alta.
Então chegamos ao ponto dos “choferes de praça”, tendo na esquina o posto de atendimento ao Consumidor da Companhia Brasileira de Força Elétrica - CBFE, o Bar do Português, a Confeitaria “A Mariposa”, e então seguimos pelo “beco da miséria”, alameda aos fundos do Banco Hipotecário Agrícola de Minas Gerais, onde se encontravam vários mendigos pedintes, chacoalhando suas latinhas vazias de goiabada com moedas dentro.
Então chegamos ao ponto dos “choferes de praça”, tendo na esquina o posto de atendimento ao Consumidor da Companhia Brasileira de Força Elétrica - CBFE, o Bar do Português, a Confeitaria “A Mariposa”, e então seguimos pelo “beco da miséria”, alameda aos fundos do Banco Hipotecário Agrícola de Minas Gerais, onde se encontravam vários mendigos pedintes, chacoalhando suas latinhas vazias de goiabada com moedas dentro.
Entramos
depois no Bar do Menezes, bebemos um “rabo de galo”, e nos dirigimos para uma
das várias mesas de sinuca, para uma partida com algum parceiro.
No canto, sempre era possível ver o dentista Dunga e Gastão Franco Americano, com um taco na mão, tentando matar a "bola da vez". Não devo esquecer-me da figura do Sr. Menezes, com sua toalha surrada, de enxugar o balcão, pendurada no ombro.
No canto, sempre era possível ver o dentista Dunga e Gastão Franco Americano, com um taco na mão, tentando matar a "bola da vez". Não devo esquecer-me da figura do Sr. Menezes, com sua toalha surrada, de enxugar o balcão, pendurada no ombro.
Na
saída compramos um jornal na “Banca do Camundongo”, onde revistas e jornais
eram distribuídos por Sr. Alfredo Copolillo, cuja distribuição ficava na Rua
Duque de Caxias, e era ilustre morador de Jucutuquara (sua casa hoje é ocupada
pelo Bar do Ceara).
Seguimos em direção
a Praça Oito. Olhamos para o outro lado da rua e observamos a fachada do Cine
Juparanã, e vemos qual filme está em cartaz.
Demos uma paradinha no Hidrolitol do Adão Benezarth, para saciarmos a nossa sede. Ao lado estava a Farmácia Villaschi (do Sr. Arlindo Villachi), e que tal usamos a sua balança para sabermos o nosso peso. Não podíamos deixar de falar da famosa “Baby Capixaba” (Propriedade de Samuel Moises).
Demos uma paradinha no Hidrolitol do Adão Benezarth, para saciarmos a nossa sede. Ao lado estava a Farmácia Villaschi (do Sr. Arlindo Villachi), e que tal usamos a sua balança para sabermos o nosso peso. Não podíamos deixar de falar da famosa “Baby Capixaba” (Propriedade de Samuel Moises).
Seguindo
depois em direção a Praça Oito, ponto de encontro dos boêmios e intelectuais,
onde tudo se discutia: política, mulheres, e manchetes do dia a dia, ao sabor
do cafezinho do bar “Praça Oito”, disputado na “porrinha”.
Mas
antes demos uma olhada na Sapataria Principal, onde estão os sapatos da moda.
Mas a minha preferência são as botas cano curto, com salto carrapeta, salto
Luiz XV.
A minha pisada faz barulho, pois debaixo do salto tem uma chapinha de ferro, para evitar e desgaste irregular do salto. Chapinha esta colocada pelo Sr. Octacílio, sapateiro estabelecido debaixo da arquibancada do Estádio Governador Bley, em Jucutuquara. Ele também concertava as chuteiras dos jogadores do Rio Branco.
A minha pisada faz barulho, pois debaixo do salto tem uma chapinha de ferro, para evitar e desgaste irregular do salto. Chapinha esta colocada pelo Sr. Octacílio, sapateiro estabelecido debaixo da arquibancada do Estádio Governador Bley, em Jucutuquara. Ele também concertava as chuteiras dos jogadores do Rio Branco.
Na esquina da Praça Oito esta a Sapataria Atômica,
com seus preços populares, e na sobre-loja a Camisaria Braizer, onde todos
buscam a camisa que esta na moda.
Contemplamos a antiquíssima loja “Flor de Maio”, que ainda vende chapéus e bengalas de antigamente. A loja, apesar de antiga, sempre achei cafona demais para a época.
Contemplamos a antiquíssima loja “Flor de Maio”, que ainda vende chapéus e bengalas de antigamente. A loja, apesar de antiga, sempre achei cafona demais para a época.
Ao
lado do Café Praça Oito, esta a Relojoaria Petrochi, onde os relógios e joias
da moda estão em suas vitrines e a Lanchonete Rio Doce. Ao lado da Praça Oito, temos o Helal Magazin
ou Lojas Unidas Helal (do Sr. Constantino Helal), a loja suntuosa e da moda
atual e tem de tudo.
Presente
na Praça Oito, seu momento mais importante era as 12,00 horas, quando o Relógio
da Praça Oito, tocava as suas badaladas, e executada os primeiros acordes do
Hino do Estado do Espirito Santo. Era demonstração de patriotismo-regionalismo
na veia. A partir deste momento todos amigos ficavam atentos. Era a saída das
alunas escolas da cidade alta, do entorno da Praça Oito.
Na
rua entre o Café Praça Oito e Magazin, descem pela ladeira da Rua Nestor Gomes,
as meninas da Escola Normal, com suas saias curtas e plissadas azuis, blusa
branca com um casaquinho tipo bolero, com suas gravatas azuis com tirinhas
brancas que indicava a série.
Pela
escadaria Maria Ortiz descem as meninas do Colégio São Vicente com seus
uniformes azuis. Descem também algumas meninas do Colégio do Carmo.
É um momento de bela contemplação das lindas mulheres capixabas, e grande parte
da classe média. As de alto poder aquisitivo estudam no Colégio do Carmo, Colégio
Americano ou Colégio Sacre Coueur de Marie, na Praia do Canto.
Após
a Praça Oito, na Avenida Jeronimo Monteiro, estão outras lojas, mas de produtos
específicos. Para os homens confeccionarem suas calças e ternos, tem a Loja
Hudersfield.
Para
as mulheres “chiques”, a loja “A Libanesa”. Para produtos diversos o “Empório
Capixaba”. Para os homens produtos populares como calça e camisas pré-confeccionadas
(as primeiras calças de nycron, com vinco permanente), nas “Casas Patra”(da
família Andrikpoulos). Mais uma farmácia se faz presente na avenida, é a
Farmácia Klinger.
Ainda
na mesma avenida para o povão das mais diversas classes, a popular “Casas
Pernambucanas”. E junto a escadaria do Palácio, a Casas Hilal de Caça e Pesca.
Ao lado oposto da escadaria, em um prédio bem antigo, esta à loja de discos “Cacique”. Para comprar em Vitória, tudo tinha seu local especifico.
Ao lado oposto da escadaria, em um prédio bem antigo, esta à loja de discos “Cacique”. Para comprar em Vitória, tudo tinha seu local especifico.
Mas
retornando e passando em frente aos Correios e Telégrafos, temos a Loja
Mister ( propriedade Lauro Maranhão). Viramos a cabeça a esquerda e batemos o
olho no beco, e lá esta o Caldo-de- Cana do Lyra, abarrotado de estudantes. Mas, ao lado, próximo a escadaria que dá acesso a Rua Duque de Caxias, esta a “Boate
Farolito”, onde as “meninas da vida” mais exóticas fazem o seu “ponto”.
Mas
isto fica para a noite é outra história. Mais a frente, na esquina do Edifício
Sarkis, está o churrasco do Grego, e logo pedimos um “sanduba”.
Faca afiada corta a carne em seu rolo, de cima para baixo. Que delícia!
Faca afiada corta a carne em seu rolo, de cima para baixo. Que delícia!
Não
existe mais churrasco grego, e nem Vitória é mais a mesma.
Saudades
daquele tempo!
ou
Venha comigo em um passeio nostálgico no centro de
Vitória nos anos 60.
Uma entrevista com Almir
Bresan na TV Ambiental, que oferece informações com foco no meio ambiente.
Acompanhe-nos no Canal 03 da RCA e/ou no 10 da NET.
UM PASSEIO POR VITORIA NOS ANOS 60 - Reflexões - BL 01
ou
UM PASSEIO POR VITORIA NOS ANOS 60 - Reflexões - BL 02
ou
UM PASSEIO POR VITORIA NOS ANOS 60 - Reflexões - BL 03
ou
OBS: Estas notas são memórias recentes, e qualquer
engano nosso, do local ou cronologia, poderá ser feito comentando em nossa
página.
Afinal, não somos perfeitos.





















Trabalhei no Palácio do Café até 1960.
ResponderExcluirLembro que os elevadores eram rápidos e modernos para época.
ExcluirVivi em Vitória de 1953 a 1964 quando me transferi para Brasília. Sou baiano de Salvador, mas tenho laços vivos com a cultura capixaba. Torço pelo Flamengo e pelo Rio Branco. E leio os jornais e blogs de Vitória diariamente.
ExcluirFaltou dizer que morei na Rua do Rosário, sobre a loja Papelaria Samorini.
ExcluirApenas uma correção sobre a eletrônica Strauss. Ela se denominava Eletrônica Strauch. Talvez você não se lembre e eu te peço licença para acrescentar a Livraria Âncora, o cartório Nelson Monteiro, Golias Discos e uma lanchonete que existia nas proximidades da Praça Oito, acho que se chamava Lanchonete Rio Doce, e que no carnaval era local de início de muita pancadaria, além da bastante frequentada Biblioteca Pública na cidade alta. Tempos bons aqueles em que não precisávamos de coragem para andar no centro de Vitória à noite.
ResponderExcluirObrigado J. Manoel pela suas observações. Mas na minha narração, procurei retratar apenas o comercio restrito a Avenida Jeronimo Monteiro, a partir da Strauch ate escadaria do Palácio Anchieta. Não citei as lojas além destes trechos.
ResponderExcluirÉ possível sentir nostalgia de um tempo que eu não vivi?... Nasci em 1993, mas parece que eu estava lá, naquela Vitória que não é mais a mesma. Saudades daquele tempo!
ResponderExcluirParabéns Willis...seu passeio literário foi lindo! Nasci em Jucutuquara , bairro que amava...sai em 1961/62 para ir morar na Av. Marechal Mascarenhas de Morais(av Beira Mar) recem inaugurada...como vc relata...."vieram os aterros. A nostalgia bateu no meu coração...����������amei seu passeio!������
ResponderExcluirGrande Willis, tbm era da Nação mais ligado ao seu irmão.
ResponderExcluirEmocionante os detalhes , nos trazendo momentos nostálgicos e inesquecíveis.
Parabens
Cheguei em Vitória em 1964...vivi tds esses momentos...que saudades do nosso centro de vitoria..parabéns por essas lembranças..trabalhei em várias lojas nessa época.. estudei na escola normal...gente muito linda essas lembranças...g abraço...
ResponderExcluirParabéns, cheguei em Vitória no ano 68 ,eu com apenas 6 anos de idade ,gostei muito.
ResponderExcluirBom rever este visual de Vitoria ano 60, ano e epoca da minha chegada aqui,entao com 16 anos.
ResponderExcluirWillis, um passeio que nos remete à década de 60 com certa dose de emoção, saudosismo e romantismo. Sou dessa época. E por coincidência, meus avós moraram em Jucutuquara, em frente ao Museu Solar Monjardim, na ladeira, uma subida e a casa ainda está lá, linda.
ResponderExcluirEstudei Escola Normal Pedro II ,só uma retificação, o uniforme das estudantes era azul marinho e a jaqueta tinha botões branco nas laterais que indicavam a serie. O uniforme do São Vicente não era azul , era da cor cake(beje claro).
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ResponderExcluirVocê sempre nos deliciando com seu bom gosto e pesquisa. Parabéns.Ronaldo Nascimento.
Quando quizer pode publicar novamente minha crônica Você se Lembra.Ficarei feliz,ainda mais porque a cada dia você e mais lido.Ronaldo Nascimento
ResponderExcluirAmei relembrar a nossa Vitorinha!!!! Que saudades.... nos tempos atuais vamos ao CENTRO e nos dá uma nostalgia, por nao poder mais passear pelas ruas como antigamente.....saudades....
ResponderExcluirMuita saudade dessa época.
ResponderExcluirEsse passeio me trouxe belas lembranças da minha querida Vitorinha
Olá Willis, parabéns por sua matéria e entrevista ao Bressan sobre nossa Vitória, capital de todos capixabas. Fez-me voltar a 1959, quando eu e meus pais e irmãos viemos de Mimoso do Sul, e fomos residir em J.America, mas logo comecei a trabalhar na Rua Caramuru, na Rex Auto Peças, e a partir dali, conheci todo o centro de Vitória. Fui estudar e Sto. Antônio, à noite, e todos dias viajamos de bonde. Depois fui trabalhar na Casa dos Parafusos, exatamente em frente ao Bar Santos, onde conheci os proprietários e garçons. Poxa quantas saudades ainda do Marrocos, do Governador Bley, dos bailes do Saldanha e Álvares. Hoje você me proporcionou belos momentos de nostalgia. Grande abraço.
ResponderExcluirQue viagem incrível ! Saudades desse tempo!
ResponderExcluirMuito lindo / muito saudoso
ResponderExcluirComo disse anteriormente, eu morei na Rua do Rosário onde havia pelada sábado à tarde e domingo o dia inteiro. Estudei no Colégio Estadual, no Forte, e comecei na profissão em A Gazeta. Depois, fui para A Tribuna. Bons tempos.
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