REFLEXÕES: ENFIM, CHEGAMOS AOS 70 ANOS.
ENFIM, CHEGAMOS AOS 70 ANOS.
Dia
28 de novembro, foi um dia qualquer, mas não um dia comum. É dia de meu aniversário
de meus 70 anos.
Ao
nascer em 28 de novembro de 1948, no alto da Vila Rubim – Vitória (ES) nós perdemos
o aconchego, a segurança do útero de nossa mãe; e a partir do então, passamos a
viver por nossa conta, sozinho, nos braços do mundo que nos acolheu. Registrado no Cartório com o nome de
Willis de Faria.
Mas
recentemente por momentos tenhamos nos assustado ao tornar-se septuagenário. Tenho
a certeza que ao fazer as contas descobrimos que teremos menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivemos até agora. Teremos mais passado do que
futuro. Olharemos para trás com muita gratidão e para frente com muita fé.
Aniversário
é um momento especial de renovação para a alma e o espírito, porque Deus, na
sua infinita sabedoria, deu à natureza, a capacidade de desabrochar a cada nova
estação e a nós capacidade de recomeçar a cada ano.
Nunca
saberemos por que chegamos até aqui. Nas nossas andanças pela vida, só
acumulamos lembranças. Das nossas atitudes herdamos as consequências e galgamos
muitas aprendizagens: com nossos erros e acertos. O passado já foi conquistado
o futuro, é daqui a pouco e damos graças a Deus pelo presente de estarmos aqui,
porque muitos, mais jovens, não tiveram a chance de ver o sol nascer tantas
vezes quanto nós.
Eu
estava pensando em tudo o que eu já vivi e resolvi fazer um balanço. Quando
olhamos pelo retrovisor da vida, percebemos a nossas conquistas galgadas com
muito suor e sacrifício. Como professor e geografo, demos a nossa grande
contribuição para a sociedade. Missão cumprida.
Aos
70 já somos mais ou menos o que seremos para sempre. Passou a hora dos grandes
projetos. É hora da grandeza de saber-se parte das transformações da vida. E
tomar a decisão de seguirmos (ou não) o rio, arriscando novos mergulhos mesmo
que nossas braçadas já não sejam mais tão fortes para as longas distancias.
Passear
pelo passado sem dele depender para viver o agora. Conhecer a lei da imprevisibilidade
do futuro, apostar nela, aprontando-se para seus súbitos sustos. E, assim, não
mais sentindo-nos divididos entre interno e externo, respirar tudo em um só ar.
70
anos dá uma sensação de finitude. No entanto, nos permite saber que nada e nem
ninguém chegou ao finito do infinito!
Esta
ultima etapa é a que traz as maiores perdas, com a morte de familiares e
companheiros. Ate bem pouco tempo ninguém chegava a esta idade.
Muitas
lembranças boas nos cercam. Podemos afirmar que até os 60 anos, conquistamos o
Brasil e conhecemos todas as suas cidades de norte a sul. Após os 60,
abriram-se as portas do mundo e conhecemos 18 países, e suas diferentes historias,
raças e modo de vivencia de suas sociedades. Para um professor de Geografia e
historiador que falava do Brasil e do Mundo apenas através de imagens. Conhecer
face a face foi uma glória conquistada.
É
bem verdade, que as conversas que mantenho hoje com meus Amigos não são mais
aquelas de antigamente, quando falávamos de aventuras que arrepiavam,
elogiávamos a beleza das mulheres, falávamos de grandes restaurantes. Hoje,
queixamo-nos de dores (e são tantas), falamos de grandes médicos, de ótimos remédios
e de conversas politicas de nosso atual país.
Podemos,
por definição, entender que o envelhecimento são as modificações físicas
(corporais), fisiológicas (do funcionamento orgânico) e psicológicas
resultantes da ação do tempo sobre os seres vivos. A velhice, portanto, seria a
culminação de um processo que se inicia com a concepção.
O
fato, é que chegar bem aos setenta anos tem um gosto de vitória, pois, não é
para qualquer um. Lembro-me de trinta anos atrás, quando as pessoas
consideravam um feito ultrapassar os cinquenta anos. Dizia-se que aos cinquenta
anos iniciava-se a prorrogação da vida, num paralelo com aquilo que acontece no
futebol. Eu sou um vitorioso!
Por
isso e muito mais, só tenho que agradecer e pedir a Deus que se assim for a sua
vontade, que nos presenteie com mais anos de vida, e termos a chance de viver
mais com a família, fazer novos amigos, ajudar mais pessoas, aprender e ensinar
novas lições, vivenciar outras dores e suportar velhos problemas, ouvir o canto
dos pássaros, sentir a brisa da manhã e ver o sol nascerem e se pôr sentir o
perfume das flores, andar na areia da praia, sentar e olhar o infinito, onde a
mão de Deus se faz presente a todo instante.

Desculpe pelos parabéns atrasado. Parece um garoto, tamanha e a sua disposição de ler, escrever e comentar sobre temas antigos e da atualidade.
ResponderExcluirFiquei satisfeito de saber que você também nasceu no alto da Vila Rubim. Sou da Rua São Gabriel, n. 38, próximo a pracinha.
Felicidades.
Sou da Rua São Felipe...Próximo do Morro do Quadro. Neto do Santinho (Benedito Silva), um dos primeiros moradores da região.
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