HINO NACIONAL BRASILEIRO – DECIFRANDO SUAS PALAVRAS.
POR: WILLIS DE FARIA
Estamos
na Semana da Pátria. O Hino nacional estará presente nas solenidades. Ele é um
dos símbolos da nossa pátria, juntamente com a Bandeira do Brasil, as Armas Nacionais
e o Selo Nacional.
Você
sabe o significado de todas as palavras do Hino Nacional Brasileiro?
Não
se preocupe, não é falta de patriotismo ignorar o que significam algumas
palavras e expressões do nosso Hino. Em 1909, o poeta parnasiano Osório Duque
Estrada escreveu um poema que foi oficializado como a letra do nosso
Hino em 1922, pelo presidente Epitácio Pessoa.
· Osório Duque Estrada: Joaquim
Osório Duque-Estrada (Vassouras, 29 de abril de 1870 — Rio de Janeiro, 5 de
fevereiro de 1927) foi um poeta, crítico literário, professor e ensaísta
brasileiro. Seu primeiro livro, um livro de poemas, foi Alvéolos (1886).
Conhecido pela autoria da letra do Hino Nacional Brasileiro e sua atividade de
crítico literário na imprensa brasileira do início do século XX. Foi membro da
Academia Brasileira de Letras. Seu poema de 1909, em versos decassílabos, foi
oficializado como letra do Hino Nacional Brasileiro por meio do Decreto nº
15.671, do presidente Epitácio Pessoa, em 6 de setembro de 1922, véspera do
Centenário da Independência do Brasil.
Mesmo
para a época em que foi escrito, o poema trazia palavras fora do
uso popular, palavras ditas raras, preciosas. Essa era uma característica
do parnasianismo, escola literária de
Osório Duque Estrada. Com a pátina do tempo, essas palavras ficam ainda mais
rebuscadas e talvez as cantemos por mero formalismo, automaticamente, sem
sabermos o que significam.
· Parnasianismo é
uma escola literária ou um movimento literário essencialmente poético,
contemporâneo do Realismo-Naturalismo. Um estilo de época que se desenvolveu na
poesia a partir de 1850, na França, com o objetivo de retomar a cultura
clássica. Movimento literário representou na poesia o espírito positivista e
científico da época, surgindo no século XIX em oposição ao Romantismo. Nasceu
com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o
simbolismo uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores
estéticos da antiguidade clássica. O seu nome vem do Monte Parnaso, a montanha
que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas. Os temas preferidos
são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da
poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras
e dos versos.
O
Hino Nacional é um símbolo perene da nação brasileira, logicamente, não é
possível mudar a letra dele para atender as necessidades de vocabulário
de cada nova geração. O que podemos e devemos fazer, é pesquisar e aprender
para então, podermos cantar o Hino com vigor redobrado. Nessa postagem,
compartilho com vocês o significado de algumas palavras e expressões do Hino
Nacional Brasileiro.
O
Hino Nacional Brasileiro, símbolo de exaltação à pátria, é uma canção bastante
complexa. Além de possuir palavras pouco usuais, sua letra é rica em metáforas.
O
texto segue o estilo parnasiano, o
que justifica a presença de linguagem rebuscada e de inversões sintáticas, que
dificultam a compreensão da mensagem. Assim, a priorização da beleza da forma
na elaboração do hino fez com que a clareza ficasse comprometida.
Parnasianismo
e Romantismo
Sabe-se
que a forma do poema é rigorosamente parnasiana, porém o seu conteúdo é
romântico, inserindo-se nas propostas dessa escola literária no que se refere à
exaltação ufanista.
Canção
do Exílio
Na
segunda parte do hino, os trechos que estão entre aspas foram extraídos do
poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.
Você,
que já sabe cantar o hino nacional, conhece-o pela melodia e musicalidade ou
pelo sentido que a mensagem representa? A maioria das pessoas, apesar de ter
domínio da letra, desconhece seu significado. Veja a seguir o hino nacional.
Observe as palavras em destaque e suas definições em parênteses. É provável que
você se surpreenda com as informações que sempre proclamou, sem, de fato, estar
ciente disso.
O
Hino Nacional Brasileiro é um dos quatro símbolos oficiais da República
Federativa do Brasil, conforme estabelece o art. 13, § 1.º, da Constituição do
Brasil. Os outros símbolos da República são a bandeira nacional, as armas
nacionais e o selo nacional. Tem letra de Joaquim Osório Duque-Estrada (1870 -
1927) e música de Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865).
FRANCISCO MANOEL DA SILVA
A
letra e o ritmo sofreram algumas alterações ao longo de sua história, e teve
sua primeira gravação em disco efetuada em 1917.
O
hino nacional traduz a grandiosidade do território brasileiro, mostrando
que este é banhado pelo Oceano Atlântico e possui uma biodiversidade muito
rica, com suas matas verdes e densas, as variações de paisagens que forma este
território.
Ainda
assim, o hino não perde seu contexto histórico, pois narra a história do
momento em que foi realizado o grito da independência do Brasil, o qual era
colônia de Portugal até então.
HINO
NACIONAL
Conheça
a letra oficial
Parte
I
Ouviram do Ipiranga as
margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso,
um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria
natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Parte
II
Deitado eternamente em
berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais
garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja
símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."
Mas, se ergues da justiça a
clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
CANTEMOS
O HINO NACIONAL BRASILEIRO
Hino
Nacional do Brasil – Oficial
HISTÓRICO
300
anos sem hino
Desde
o descobrimento, o Brasil demorou mais de 300 anos para ter um hino. Em 1831,
Francisco Manuel da Silva compôs a melodia. A letra veio 91 anos mais tarde.
Após várias opções não terem sido aprovadas pelos portugueses, em 1922, o
presidente Epitácio Pessoa declarou o texto de Osório Duque Estrada como letra
oficial do hino nacional brasileiro.
A
composição de Francisco Manoel da Silva foi feita quando da Abdicação de Pedro
I do Brasil, a 7 de abril de 1831, tendo sua primeira execução no dia 14
daquele mês, no Teatro São Pedro do Rio de Janeiro; a 3 de maio daquele ano,
com a instalação das Câmaras Legislativas, voltou a ser executado junto à
apresentação de um drama intitulado "O dia de júbilo para os amantes da
liberdade" ou "A queda do tirano".
Don Pedro I
Em
razão da dedicatória mesma que o compositor fizera, onde dizia: "Ao Grande
e Heroico Dia 7 de Abril de 1831, Hino Oferecido aos Brasileiros por um seu
patrício nato", era conhecido como "Hino ao 7 de Abril" e com
este fim foi registrada sua execução nesta data também nos anos de 1832 e 1833.
Neste
último ano uma letra, escrita pelo desembargador Ovídio Saraiva de Carvalho e
Silva, fora publicada no jornal "Sete de Abril", sendo esta aquela
que o próprio compositor adotara, havendo um seu manuscrito de uma partitura em
que esta aparece.
A
letra é marcada por claro antilusitanismo, onde o povo português em certa
passagem é tratado com verdadeiro racismo, ao falar "Homens bárbaros,
gerados / De sangue Judaico, e Mouro / Desenganai-vos: a Pátria / Já não é
vosso tesouro".
A
despeito de pregar ainda uma unidade nacional pelo império, e fidelidade à
monarquia, os versos de Carvalho e Silva deixam entrever ideais republicanos;
deixa ainda entrever a expansão do país, em face de independência do Uruguai em
1828, ao pregar uma unidade nacional "do Amazonas ao Prata", como alusão
à Província Cisplatina:
(estribilho)
Da
Pátria o grito
Eis
se desata;
Desde
o Amazonas,
Até
ao Prata.
(7ª
estrofe)
Homens
bárbaros, gerados
De
sangue Judaico e Mouro
Desenganai-vos:
a Pátria
Já
não é vosso tesouro.
(10ª
estrofe)
Uma
prudente regência,
Um
Monarca Brasileiro
Nos
prometem venturoso
Um
porvir mais lisonjeiro
(12ª,
última)
Novas
gerações sustentem
No
Povo a Soberania
Seja
isto a divisa delas.
Como foi d'Abril ao Dia.
Outra
letra, de autoria anônima, foi registrada por ocasião da Coroação de D. Pedro
II, em 1841; Francisco Manoel da Silva também compusera um hino a tal
solenidade, o que levou o historiador Sousa Pitanga e consignar erroneamente
este ano como de sua composição.
Outro
historiador, Guilherme de Melo, dizia que o hino possuía várias letras, sendo
aquela da Coroação a que era mais cantada; nesta ainda se conservava a ideia de
unidade até "ao Prata", além de honrar a D. Pedro II.
DON PEDRO II
A
coroação de Pedro II, junto à ascensão dos conservadores ao poder, levou mesmo
ao ressurgimento do Hino à Independência, composto por Pedro I para ser o hino
oficial da nova nação, bem como de sua figura como "herói" nacional.
Isto
certamente levou ao esquecimento da letra de Carvalho e Silva, bem como a
celebração do 7 de abril como data a ser comemorada.
Esta
nova versão se popularizou nas décadas seguintes, através da publicação de
partituras para a execução particular - então o principal meio de divulgação
musical.
A
letra alternativa dizia (repetindo o estribilho):
Quando
vens, faustoso dia,
Entre
nós raiar feliz,
Vemos
em Pedro Segundo
A
ventura do Brasil
Da
Pátria o grito
Eis
que se desata
Desde
o Amazonas
Até
o Prata
Negar
de Pedro as virtudes
Seu
talento escurecer
É negar
como é sublime
Da
bela aurora, o romper.
Com
o advento da Proclamação da República o mesmo hino monarquista se manteve; uma
lenda foi então divulgada até mesmo em livros escolares, onde ao ouvir
composições inscritas em concurso o chefe do governo provisório, marechal
Deodoro da Fonseca teria declarado "prefiro o velho".
Já
em outubro de 1888 fora composto um novo hino, para substituir a Marselhesa que
até então os republicanos entoavam, após concurso proposto por Silva Jardim -
mas o advento do novo regime não permitiu que a composição do farmacêutico
Ernesto de Souza tivesse qualquer divulgação.
Desta
forma a 22 de novembro de 1889 foi aberto um novo concurso oficial para escolha
do novo hino brasileiro pelo Ministério do Interior, chefiado por Aristides
Lobo, e idealizado por José Rodrigues Barbosa: fizeram parte da comissão além
do próprio Rodrigues Barbosa, Leopoldo Miguez, Alfredo Bevilacqua, Rodolfo Bernardelli
e Rodolfo Amoedo.
O
concurso de 1889 previa a participação de músicos "eruditos e
populares".
Temendo
a inserção de ritmos africanos em tal certame, o crítico musical Oscar
Guanabarino iniciou uma campanha contrária em 4 de janeiro de 1890, usando
dentre outros o pretexto patriótico de que sob o "antigo" hino os
militares brasileiros, como o próprio Deodoro, haviam combatido na Guerra do
Paraguai.
Então
major Serzedelo Correia levou este apelo ao próprio Ministro da Guerra,
Benjamin Constant, no dia 15 daquele mês, sendo então atendido e o concurso,
previsto para ocorrer no dia 20, passou a ser para a escolha do Hino da
Proclamação da República, vencido por Leopoldo Miguez: isto foi consagrado no
decreto número 171, de 20 de janeiro de 1890.
O
decreto 171 de 1890 o governo provisório oficializara a música, mas não a
letra, e sua execução se davam apenas por instrumentos.
Mesmo
esta execução, entretanto, ainda não possuía uniformidade, levando o compositor
Alberto Nepomuceno a propor ao presidente Afonso Pena uma reforma do Hino, em
1906.
Um
concurso realizado em 1909 escolheu a letra que deveria acompanhar a composição
já aceita como o oficial do Hino.
Perfeccionista,
Duque-Estrada efetuou daquele ano até sua oficialização em 1922, alterações em
nove passagens sobre a versão inicial.
A
letra ainda assim não fora objeto de consenso, sendo alvo de grandes debates na
imprensa e no parlamento, de forma que sua oficialização se deu de forma
apressada, a fim de a sua execução pudesse se dar na comemoração do primeiro
centenário da Independência, em setembro de 1922.
A
propriedade plena e definitiva da letra foi adquirida em 21 de agosto de 1922
pela União por 5:000$ (cinco contos de réis) pelo decreto n.º 4.559 expedido
pelo então presidente Epitácio Pessoa.
Esta
versão, em si bemol, deu um tom de difícil interpretação pelas pessoas; a Banda
deu andamento mais lento e solene nas passagens, enquanto mantinha o estilo
tradicional (mais rápido e vibrante) apenas durante os refrões - o que veio a
motivar apreciação oficial por uma comissão de reavaliação do Hino em 1936 e,
durante algum tempo, insatisfação por parte das bandas militares da época.
A
parte instrumental da introdução do Hino Nacional Brasileiro possuía uma letra,
que acabou excluída da versão oficial do hino.
Essa
letra é atribuída a Américo de Moura, natural de Pindamonhangaba (SP), que foi
presidente da província do Rio de Janeiro nos anos de 1879 e 1880, e apresenta
os seguintes versos:
"Espera
o Brasil
que
todos cumprai
com
o vosso dever.
Eia
avante, brasileiros,
Sempre
avante! Gravai com buril
Nos
pátrios anais
Do
vosso poder.
Eia
avante, brasileiros,
Sempre
avante! Servi o Brasil
Sem
esmorecer,
Com
ânimo audaz
Cumpri
o dever,
Na
guerra e na paz,
À
sombra da lei,
À
brisa gentil
O
lábaro erguei
Do
belo Brasil.
Eia
sus, oh sus!"
A
palavra "sus" em latim significa "de baixo para cima",
sendo portanto uma expressão de motivação no sentido de “erga-se!, ânimo!, em
frente!".
LEGISLAÇÃO.
Na década de 1930, graças à ação do ministro Gustavo Capanema
(1900-1985) e contando com a ajuda do maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), o
Hino da Independência foi oficializado com a melodia composta por D. Pedro I
acompanhando e letra de Evaristo da Veiga
O Brasil é um país
soberano, tendo obtido sua independência em relação a Portugal ainda no ano de
1822. Com isso, possui um conjunto de elementos simbólicos oficiais que
representam sua condição soberana.
FONTES:








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