BAIXO (BAIXIO-BAIXADA) DA ÉGUA – UM LOCAL DE MUITA HISTORIA.
BAIXO (BAIXIO - BAIXADA) DA ÉGUA – UM LOCAL DE MUITA HISTORIA.
POR: WILLIS DE FARIA
O local antigamente
conhecido popularmente como “Baixada da Égua” (ou "Baixo da Égua") em
Vitória correspondia à região onde hoje fica o bairro Gurigica.
Origem
e Mudanças de Nome
1. Baixada (Baixio) da
Égua: Inicialmente, a região recebeu esse nome por abrigar um criadouro de
éguas e registrar uma intensa circulação desses animais. Era ocupada por
famílias migrantes e moradores vindos de outras partes de Vitória e de cidades
vizinhas (interior).
2. Gurigica:
Posteriormente, com o crescimento da ocupação, o local passou a se chamar
Gurigica, dividindo-se mais tarde em duas áreas conhecidas como Gurigica de
Dentro e Gurigica de Fora.
3. Consolação: No final da
década de 1970, uma lei municipal unificou as duas porções sob o nome oficial
de bairro Consolação, uma homenagem à Igreja Nossa Senhora da Consolação,
situada na comunidade. Atualmente, a área faz limite e é vizinha direta do
atual Bairro Gurigica. Mas a população de Gurigica de Dentro, resistiu e se autodenominou
“Gurigica”, sendo posteriormente aceita e homologada pelo município, oficialmente através da Lei Municipal nª 6.77, de 29 de dezembro de 2003. Esta Lei estabeleceu os perimetros urbanos da capital, separando-os de forma definitiva em dois bairros distintos: Gurigica e Consolação. Os limites geográficos do bairro foram posteriormente refinados pela Lei Municipal nª 8.611/2013, que utilizou descrição de seu camin hamento urbano e divisórias censitárias.
Os detalhes históricos resgatados sobre essa antiga fazenda e as origens da região mostram uma realidade completamente diferente da atual:
A
História da "Baixada (Baixio) da Égua"
* A Antiga Fazenda e a
Pista de Cavalos: Antes de se tornar uma das principais avenidas da capital
capixaba, a área era ocupada por uma antiga fazenda que possuía uma pista de
corrida para cavalos. O nome Baixa da Égua surgiu justamente por conta dessa
atividade e do relevo plano e baixo da propriedade.
* A Geografia Original: No
passado, o cenário era composto por mangues, brejos, morros e pedras. A
vegetação local era rica em pés de gurigica (também conhecida como vareteiro,
planta usada para fazer gaiolas de passarinho), que mais tarde acabou batizando
o bairro vizinho, Gurigica.
* O Antigo Córrego: Onde
hoje corre o conhecido "valão" da Avenida Leitão da Silva, existia
antigamente um córrego limpo onde os moradores conseguiam pescar quilos de pitu
(um tipo de camarão de água doce). Com a urbanização desenfreada ao longo das
décadas, o córrego acabou poluído e transformado em galeria de esgoto e
macrodrenagem antes de ser completamente coberto pelas obras recentes da
avenida.
Hoje, a antiga fazenda e a
pista da Baixada da Égua deram lugar ao asfalto, prédios comerciais e ao intenso
fluxo de veículos que cruza a Leitão da Silva.
-Os detalhes
históricos resgatados sobre essa antiga fazenda e as origens da região mostram
uma realidade completamente diferente da atual:
- Faz todo o sentido do mundo o termo baixio, principalmente considerando como era a topografia antiga daquela área da Av. Leitão da Silva, antiga Norte-Sul (Plano Novo Arrabalde-1894), cheia de brejos, mangues e águas acumuladas. O termo técnico e popular da época era exatamente esse para designar as áreas de várzea.
A
ANTIGA FAZENDA E A PISTA DE CAVALOS
Antes de se tornar avenida,
a área era ocupada pela Fazenda Maruípe, com 4.620.000 m², se estendendo de
Santa Cecília até a Ponte da Passagem, ao lado da Fazenda Jucutuquara.
Pertenceu ao Dr. Inácio Accioli de Vasconcelos, ouvidor nomeado por Dom Pedro I,
depois ao Presidente Nestor Gomes, e ao inglês Brian Barry / Mr. Bhering, proprietário
dos armazéns de exportação de café Hard Hand, que morreu sem
herdeiros e as terras passaram ao Estado. Em 10 de agosto de 1920 o Governo do
Estado comprou para fazer o Horto de Maruípe, com finalidade de embelezamento
da capital com plantas ornamentais.
MAPA SPU/PMV - Terrenos de Marinha.- Autoria: Willis de Faria/Geógrafo.
O início da ocupação se deu
em 1949, na área de uma propriedade denominada “Fazenda Maruípe”, pois através
de Decreto, o Governo do Estado do Espirito Santo, transferiu através de doação
grande parte da área da devida fazenda, com a finalidade de assentamentos
sociais de famílias carentes. E assim passou a administração do Horto de Maruípe,
que era administrado pelo Governo do Estado, também para o município.
FOTO: Um campo de futebol
improvisado nas áreas planas e alagadas no ano de 1949 fazia a alegria de toda
população. O principal time de futebol, que saiu da várzea, na década 50, era o
Jabaquara Futebol do bairro, que ganhou grande destaque no futebol capixaba a
partir dos anos 50, chegando a disputar a 1ª divisão do Campeonato Capixaba no
inicio da década de 1960. Clube. Era o
tradicional time amador alvianil (azul e branco). Outros times posteriormente,
da região de Gurigica, ficaram muito conhecidos do futebol de várzea, como o
Botafogo de Gurigica e o Cosmo.
Esta fazenda ocupava uma
área baixa de antigos mangues e parte dos morros Grande e da Penha, sempre a
margem esquerda da Avenida Leitão da Silva. A ocupação se deu de forma
espontânea, com estabelecimento de algumas famílias migrantes vindas do norte
do Espírito Santo (Linhares, São Mateus e Colatina). Os motivos para chegarem
ao bairro estão relacionados à falta de trabalho no campo e à necessidade de
“habitação própria”, diante da impossibilidade de renda para pagar o aluguel.
Nesta fase inicial uniram-se aos migrantes, famílias vindas de outros bairros
de Vitória e dos municípios vizinhos que também não tinham onde morar.
FIGURA: Limites oficiais do
bairro.(
Os primeiros assentamentos
ocorreram na região do manguezal, espalhando-se em áreas próximas. Ali se
estabeleceu uma favela de habitações subnormais, onde qualquer material servia
para a construção de barracos. De acordo com a pesquisa, as primeiras
habitações eram de lona coberta com latas, estuque e madeira.
Nesta época, os moradores sofriam repressão da polícia que impedia a invasão, por ser a área, de propriedade da União. Em função da ação policial as estratégias de alguns moradores era montar os barracos fora da área do manguezal e depois transportá-lo para o lugar desejável.
Durante 03 (três) anos os
moradores permaneceram nesta situação. Na mesma época chega ao local o Sr.
Arcendino Fagundes de Aguiar, conhecido como Sargento Carioca. Este Sr. passou
a liderar as ocupações e orientar a demarcação dos lotes, distribuindo
gratuitamente à população.
Com a aparente organização
no processo dos assentamentos, os moradores começaram também o aterro do
mangue, com material proveniente de abertura de ruas, escavações e refugo de
construção em geral.
Durante a consolidação,
cada reivindicação era uma luta. Começando pela ”posse da terra”, passando pelo
aterro do mangue, até a construção dos barracos. As condições de habitação eram
precárias, a luz era de lamparina e não havia abastecimento de água. Os
moradores tinham apenas 03 (três) alternativas; uma torneira comunitária, um
poço e um chafariz. Viviam em função dessas referências que chamavam “fontes de
águas”.
O transporte das latas
d'água para as partes altas do morro era extremamente precário, prevalecendo
uma situação de miséria absoluta, que permaneceu ao longo dos anos 60. Época
que a ocupação passa a tomar forma de aglomeração, com a vinda de novos
moradores, migrantes em quase sua totalidade. No começo dos anos 80, quando o
bairro estava começando a se estruturar melhor, a ocupação passa por um novo
processo de expansão com a chegada de migrantes do sul da Bahia, norte do Rio
de Janeiro e norte de Minas Gerais.
FOTO: Anos 69, vista pra
ladeira-lombada que da acesso a Gurigica de fora (Hoje Consolação).
O bairro Gurigica está
localizado a leste do município de Vitória nas mediações da Av. Leitão da
Silva, próximos aos bairros São Benedito, Bairro da Penha. Dele fazem parte as comunidades
de Constantino, Floresta e Jaburu.
DE BAIXIO DA ÉGUA PARA
GURIGICA E CONSOLAÇÃO
1. Baixio da Égua:
criadouro de éguas
2. Gurigica: com
crescimento dividiu em Gurigica de Dentro e Gurigica de Fora
3. Consolação: No final da
década de 1970, lei municipal unificou as duas como Consolação, homenagem à
Igreja Nossa Senhora da Consolação, padroeira local.
Moradores de Gurigica de
Fora aderiram. Os de Gurigica de Dentro simplificaram para Gurigica. A parte
alta ficou Alto Consolação.
Gurigica fica a leste de Vitória,
nas mediações da Av. Leitão da Silva e próximo a São Benedito, Bairro da Penha,
com comunidades Constantino, Floresta e Jaburu.
O CARNAVAL NA RUA
Até 1987 os desfiles eram
na rua, na Av. Jerônimo Monteiro, fechada para isso. Bateria da Gurigica desfilava
no asfalto, na chuva, no recuo de bateria – foto 1979 colorizada. Só em 1987,
gestão Prefeito Hermes Laranja, inaugurou Sambódromo.
Escola Amigos da Gurigica,
com Gurigica e depois em grupo de ex-membros da ES Gurigica fundaram outra
agremiação com o nome de “Pega no Samba”, mas ES. Gurigica foi 05 vezes campeã
na época de rua!
SINOPSE
A trajetória da ocupação
clandestina na região de Gurugica, anteriormente denominada de região de Jaburú
iniciou a partir de 1945, quando ocorre as primeiras invasões no morro, e em
1954, ano marcado pela ocupação efetiva. Esse período marca a época em que se
processa a urbanização dos antigos mangues, localizados onde hoje se encontram
as Avenidas Vitória e Leitão da Silva. O local histórico chamava-se Baixa da
Égua, situado na região onde hoje fica a movimentada Avenida Leitão da Silva.
Fonte:
Diagonal Urbana, Projeto Terra, SEDEC/DIT/GEO,
Prefeitura de Vitória, Secretaria Fazenda, Base Cartográfica junho 2026.








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