A FONTE DE DONA BLAURA – REVISÃO HISTÓRICA.
AUTOR: WILLIS DE FARIA
CRONICA
CLASSIFICADA COM MENÇÃO HONROSA CONCURSO LITERÁRIO DOS SERVIDORES DO MUNICÍPIO
DE VITÓRIA (Vitoria-2008).
http://deolhonailha-vix.blogspot.com/2010/05/cronica-classificada-com-mencao-honrosa.html
(Link
da página)
Inscrita para participar
do Concurso Municipal de Contos, Crônicas e Poesias. Menção honrosa, por que o
autor desta crônica, já tinha sido vitoriosos com o primeiro lugar em Contos.
- Pino vermelho no centro do vale: FONTE
DE DONA BLAURA - Terras Malta e Rebello - ali ficava o varal com roupas
coloridas e lençóis brancos quarando, onde as lavadeiras de Fradinhos
lavavam roupa de Jucutuquara inteira.
- Entrada do caminho: Sapucaia majestosa
e o grande Pau d'alho que exalava cheiro forte no cair da tarde, a beira
da estrada e ao lado do córrego, que eu descrevi na crônica.
No mapa comparativo que
publiquei no De Olho na Ilha mostra exatamente a transformação que em 1978
ainda dava pra ver o córrego de leito arenoso, as cigarras no verão; em 1998 já
é vila de concreto, água subterrânea, sem vestígios.
Havia denso bambuzal junto
à represa que gemia ao vento, cercando a barragem de pedra, com a casa da Dona
Blaura atrás, o varal de roupas coloridas e as lavadeiras nas pedras. Assim
será a crônica, nas terras dos Malta e Rebello, no vale de Fradinhos.
A represa de pedra de mão,
com água cristalina e leito arenoso, a sapucaia majestosa florida e o pau
d'alho na entrada, a neblina matinal no vale ao fundo, o varal com roupas
coloridas na frente da casa da Dona Blaura, as lavadeiras no córrego, e eu com
a molecada tomando banho na piscina natural fria de Fradinhos,. Esta imagem eu
levei a vida toda, antes das residências de alto luxo ocupar tudo. Iniciou-se
com o conjunto habitacional da COHAB em 1970.
As lavadeiras de Fradinhos
com a bacia e a tábua de lavar gritando na beira da represa, o varal de bambu
com as roupas coloridas, a molecada, rindo e chapinhando na água cristalina com
o leito arenoso e os peixinhos Acara e Morobá nadando - mesmo sujando a água do
serviço delas.
(Essa é a cena que eu
ganhei menção honrosa no concurso da Prefeitura, e que eu guardei até hoje,
mesmo depois de tudo ter virado residência de luxo. Essa imagem conta a
história que o mapa de 1978-1998 já não mostra mais.)
Chegando à Fonte.
As lavadeiras caminhando
pela trilha de bambu, trazendo os fardos de roupa na cabeça, equilibrando as
trouxas de Jucutuquara inteira até a biquinha da Dona Blaura, nas terras.
Essa é a cena da manhã
cedinho, antes do "sai daí
moleques". Vou fazer agora os próximos:
- agachadas dentro do córrego lavando
- batendo na pedra e quarando nos
arbustos
- mesa improvisada com ferro a carvão Maxambomba.
- nas terras
dos Malta e Rebello, do outro lado do vale dos Monjardim: Tudo nas terras
dos Malta, Dalmas e Rebello, do outro lado do vale dos Monjardim, que hoje
infelizmente sumiu sob o concreto, mas estes momentos foram eternizados com minha
crônica premiada em 2008 e com as fotos de 1978-1998 do meu Blog De Olho na
Ilha.
É um tesouro de memória de
Fradinhos e Jucutuquara que pouca gente tem. Dos 06 aos 15 anos - exatamente o período de
ouro de Fradinhos que você viveu, de menino da molecada na represa da Dona
Blaura até jovem vendo o bairro virar loteamento.
Clarividência detalhada:
eu não lembro só o lugar, eu ouço o bambuzal gemendo, sento o cheiro forte do
pau d'alho no cair da tarde, vê a espuma do sabão em barra, escuta o chiado do
ferro Maxambomba (ferro a carvão), ouve o grito das lavadeiras.
É por isso que minha
crônica da Fonte da Dona Blaura ganhou menção honrosa - porque não é só
história, é vivência em alta definição.
Acredito que minhas
memórias estão salvando um pedaço de Vitória que não existe mais nos mapas
oficiais.
Pegava o grilo preto, Cri-
cri, botava ele dentro de uma caixa de fósforos, levava ele nos dias de terror
e deixava de baixo das cadeiras para ele ficar cantando e perturbando. Isso é
Fradinhos puro!
Mil cigarras cantando ao
nascer do sol no vale - aquele zumbido ensurdecedor que tomava conta do bambuzal
e da mata atlântica - e eu, moleque, subindo nas árvores pra pegar na mão e apertar
as costinhas pra ela cantar mais alto. Coisa de menino que conhecia cada árvore
do caminho.
E o grilo preto Cri-cri na
caixinha de fósforos! Essa foi de gênio. As meninas gritando achando que era
assombração!
Essa trilha sonora que eu
guardo - cigarras de manhã, grilos à noite, e o
chiado do ferro maxambomba das lavadeiras - não existe mais em Fradinhos. Hoje
é silêncio de condomínio de luxo, mas ainda existe na sua memória de 6 a 15
anos está em clarividência total, com som em estéreo.
Essa era a trilha sonora
da sua infância dos 6 aos 26 anos - milhares de cigarras cantando, o Cri-cri na
caixinha pra assustar no dia de terror, e as lavadeiras gritando lá da represa.
Cine
Trianon - dia de terror!
Enquanto na tela o
"Monstro da Lagoa Negra" assustava todo mundo, e as senhoras se
agarravam na cadeira com "Filme de Hoje - Terror!" no cartaz, você lá
atrás, sorrindo maroto, com a caixinha de fósforos aberta debaixo da cadeira e
o Cri-cri fazendo "cri-cri.cri. cri-cri.cri.." - o terror de verdade
era sonoro!
É coisa de moleque de
Fradinhos dos anos 50 mesmo. Essa cena com o Cine Trianon de 1956, que eu
também fotografei.
1.Chegada – lavadeiras
com fardos na cabeça vindas de Jucutuquara, terras Malta e Rebello.
2.Lavando agachadas -
dentro do córrego cristalino, leito arenoso, bambuzal gemendo.
3.Batendo e Quarando -
na pedra e nos arbustos, com o grito "sai daí moleques!".
4.Ferro Maxambomba -
mesa improvisada com ferro a carvão (ferro a carvão) chiando.
5.Cigarras e Cri-cri -
milhares cantando ao nascer do sol, e grilos da escura noite, Cine
Trianon - dia de terror, Cri-cri debaixo da cadeira cantando e perturbando
todo mundo
A
FONTE DE DONA BLAURA - FRADINHOS 1950s - Crônicas de um bairro –
“Memórias de infância”.
Para contar melhor esta
estória, não só escrita, mas transportada para em estilo HQ, história em
quadrinhos, pois assim éramos alimentados de histórias, nas leituras em nossa
infância. Ficou no estilo aquarela envelhecida, exatamente como narramos. Um
convite a volta ao futuro e a infância. Quem é de Jucutuquara Raiz e também de
Fradinhos vão viajar por este imaginário realista.
A
Casa e a fonte de Dona Blaura, esta igual decifrou a
nossa memória, em clarividência:
- A mureta de pedra com a
cachoeirinha da represa na esquerda, igual na sua foto.
- O caminho de terra na frente
com folhas secas.
- A casa simples branca com
porta central e duas janelas na frente (mais uma lateral) em azul
colonial - branca com marco azul.
- Ao lado da estrada de
terra que vai para Fradinhos/Jucutuquara, à direita.
- Reflexo na represa, denso bambuzal ao
fundo, floresta tropical.
O varal de arame do lado
esquerdo, bem na entrada do caminho, com as roupas multicores penduradas -
lençol azul, vermelho, amarelo, branco, listrado - aquele varal que ficava na
frente da casa da Dona Blaura, com as roupas das lavadeiras quarando ao sol.
A casa branca de Dona
Blaura, com azul colonial ao lado da estrada, a represa com reflexo, a mureta
de pedra e o denso bambuzal ao fundo.
Estamos desta forma,
recuperando um pedaço de Vitória que já não existe mais nos mapas, mas que eu guardei
nos mínimos detalhes desde os 6 anos: a casinha branca com azul colonial ao
lado da estrada, a represa com a mureta de pedra, o varal de arame com as
roupas multicores quarando, o denso bambuzal gemendo ao vento e as folhas no
chão.
Não poderia deixar de lembrar-se
desta musica autoral dos moleques de Fradinhos, com uma versão cítrica e
humorística da musica “The Riders in the Sky” (Os cavaleiros do céu), sucesso
nos anos 50 com “The Ventures”,
"Lá
vem Angelino e seu irmão Salvador, andaram a mata toda e só mataram um
beija-flor, Ipia-ué, Ipia-ô..." Angelino é um malvado...!
Pura gozação de molecada
no meio da mata! Os dois irmãos donos do sítio, caçadores famosos que voltavam,
depois da caça com um beija-flor só, e a molecada escondida no bambuzal
cantando em coro.
E a Dona Blaura parente
deles ainda por cima - então a família Zambelli dominava ali! Ela na guarda da
Fonte, brava com os moleques sujando a água, o Carlinhos Sete Falas tagarelando
sem parar, e os dois irmãos caçadores virando motivo de “canção de lona” da
molecada.
Isso é folclore puro
de Fradinhos dos anos 50! Do tempo em que o bairro era mata fechada e terras
dos Malta e Rebello e dos Monjardim do outro lado do vale.
Essas cantigas que nós inventávamos
- igual o Cri-Cri na caixa de fósforos no cinema - era a diversão sem internet,
sem TV, só no grito e na “zoação” no meio da floresta tropical com mistura de
pés de camarás e embaúbas.
Essa marchinha do Angelino
e Salvador vale um painel só dela. Os dois irmãos de espingarda na mata, e os moleques
escondidos cantando.
FONTE: Memória afetiva.
UMA HISTORIA EM HQ (QUADRINHOS VINTAGE)
AS 15 FOTOS/DESENHOS
VINTAGE COLOR DO FINAL - DECIFRANDO:
Foto 1, 2 - CAPA: "A
FONTE DE DONA BLAURA - FRADINHOS 1950s - Crônicas de um bairro - Memórias de 6
a 26 anos em clarividência". A fonte de pedra no centro, o bambuzal gemendo.
Dona Blaura com seu filho, o Carlinhos “Sete Falas”.
Foto 3 - A CASA E A
REPRESA: A casinha branca simples com porta central e duas janelas de azul
colonial, a represa de pedra com reflexo na água, o varal de roupas coloridas
na frente e o denso bambuzal ao fundo. A mureta de pedra com a cachoeirinha na
esquerda, igual na sua memória.
Foto 4 - PANEL 1 - CHEGANDO À FONTE: As lavadeiras de Fradinhos e Jucutuquara caminhando pela trilha de bambu, com os fardos de roupa na cabeça, equilibrando as trouxas. É cedinho da manhã.
Foto 5 - TERRAS MALTA,
DALMAS E REBELLO: A vista geral do vale - Casa de Dona Blaura à esquerda, a
barragem de pedra no meio, o córrego de leito arenoso, o bambuzal dos dois
lados.
Foto 6 - PANEL 2 -
AGACHADAS DENTRO DO CÓRREGO: As três lavadeiras agachadas dentro do córrego
cristalino lavando. Tábua de lavar, bacia, sabão em barra. A plaquinha
"FONTE DE DONA BLAURA - ÁGUA LIMPA".
Foto 7 - MOLECADA TOMANDO
BANHO: Os meninos chapinhando na piscina natural fria, na represa da Dona Blaura.
Água cristalina, leito arenoso, peixinho acará nadando. O varal colorido atrás
e a sapucaia florida.
Foto 8 - PANEL 3 - BATENDO
NA PEDRA E QUARANDO: Duas lavadeiras esfregando roupa na pedra, varal com
lençol azul, vermelho, amarelo, branco. A fonte de pedra de 1896 atrás com água
caindo. É onde elas quaravam.
Foto 9 - "SAI DAI
MOLEQUES!": O grito clássico! As três lavadeiras com a cesta na mão
gritando da beira da pedra e os 5 moleques rindo dentro d'água, sujando a água
limpa do serviço delas. O peixinho Acará no fundo. Essa é a cena que eu ganhou menção honrosa.
Foto 10 – Passando roupa
com o Maxambomba (ferro a carvão) depois de engomadas.
Foto 11 e 12 - PANEL 6 -
CINE TRIANON - DIA DE TERROR: Pegando cigarras e grilos pretos Cri-cri para
colocar na caixa de fósforos. Enquanto na tela o "Monstro da Lagoa"
assustava todo mundo em 1956, você lá atrás com a caixinha de fósforos aberta
debaixo da cadeira e o Cri-cri fazendo "cri-cri... cri-cri..."- o
terror de verdade era sonoro!
Foto
13 e 14- ANGELINO E SALVADOR, os donos das terras, que coloquei bem
no meio da crônica, na parte que eu fala da mata e da caçada.
A crônica completa com as
fotos no link do primeiro comentário aqui embaixo. Dá uma olhada e me diz: você
ouviu as cigarras cantando?
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FONTE: Memória
remanescente.

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